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Dois relatórios, um dos peritos europeus, outro do grupo de trabalho nomeado pelo Parlamento, explicam o como, onde e porquê do que ficou conhecido como Apagão e que há um ano, pelas 11h33, hora de Portugal, deixou o país sem eletricidade. Uma experiência que mostrou as nossas fragilidades e dependências da energia elétrica. As propostas são muitas e vão desde os limites de armazenamento de combustível à autonomia dos hospitais, para que o dia do apagão não se repita. Helena Matos, bom dia. E será que não se repete?
Não há multibanco.
Que não há multibanco. Eu estive a ouvir a emissão da Rádio Observador.
Sim.
Tu estavas particularmente preocupada com as pessoas fechadas no metro.
Era? Não me recordo.
Estavas particularmente preocupada com as pessoas fechadas no metro. Percebe-se humanamente. E ao ouvir o que aconteceu naquele dia, é perceber como pouco a pouco todas as pessoas, os repórteres, começam a entender como estamos todos dependentes da energia elétrica. Havia, de repente, uma reportagem muito interessante que era nas farmácias e o repórter do Observador pergunta: "E se a energia continuar a faltar?" E a senhora farmacêutica diz: "Não, a energia não pode continuar a faltar, porque nós temos medicamentos que precisam de frio." Era como se nós nunca tivéssemos equacionado que aquilo podia acontecer. E aliás, no campo das medidas que agora estão a ser anunciadas, tem muito a ver com isso, que é aumentar a capacidade de hospitais, lares, esta questão também tem a ver com os lares, e todo um conjunto de equipamentos públicos, privados, terem maior autonomia. Há uma aposta muito centrada na autonomia, não propriamente no sobredimensionar da rede, mas apostar na capacidade de autonomia dos hospitais, dos centros de saúde. Tem muito a ver com a questão da saúde. Note-se como na altura também houve este problema. Há pessoas que dependem da energia para viver, dependem mesmo.
E depois tivemos as tempestades de há três meses que nos recordaram da importância disso tudo.
E depois temos mais isso, que em Portugal, e aí já é uma coisa circunscrita ao nosso país, porque o apagão tem um lado e o relatório dos peritos europeus é importante e neste momento isso também está aqui em causa. É o outro lado, já lá vou à Cristine, e que é a questão da responsabilidade, a questão das indenizações. Nós estamos a discutir hoje, aliás, o governo vai apresentar hoje o plano, e que passa muito se as pessoas afetadas pela Cristine já receberam as ajudas, se têm estado ou não a ser já compensadas pelas companhias de seguros, três meses depois. O problema é que em relação ao apagão, isso não aconteceu. Não aconteceu mesmo. E temos aqui uma questão da responsabilidade. E aí temos uma série de questões que se prendem com o papel ou a responsabilidade que a Espanha teve nesta matéria. Temos também esse problema. Mas não houve compensações. E temos aqui esta questão da responsabilidade e aquilo que vamos procurar debater em estúdio ou ouvir os especialistas, os nossos convidados, é perceber o que já foi feito, porque várias coisas já foram feitas em Portugal, em Espanha, para evitar que um apagão a acontecer tenha novamente este impacto. Temos também muito em Espanha a questão de se o apagão se podia ter repetido. Eles têm frequentemente notícias, mas note-se que o clima político em Espanha está muito polarizado. Tinha havido uma grande polarização em torno da resiliência do sistema elétrico espanhol, com vários governantes a dizer que era o melhor do mundo e o mais resistente. E depois percebeu-se que não só não era o mais resistente, como foi impactado por causa da sobrecarga da entrada das energias renováveis. Houve ali uma dificuldade de gestão de rede. E aquilo que nós vamos ver hoje é como em Portugal, e também na nossa conexão com a Espanha, o que está a ser feito para que o apagão, a acontecer, não tenha o impacto que teve e as pessoas não fiquem fechadas no metro, presas nos elevadores, o trânsito transformado num caos, o multibanco sem funcionar, e de repente a lembrar-nos como estamos dependentes da energia elétrica e como estaremos provavelmente ainda mais no futuro. Porque um apagão não teria o mesmo impacto se tivesse sido 30 anos antes. Não estou a falar ao tempo em que não havia eletricidade, estou a falar ao tempo em que havia eletricidade.
E como as nossas sociedades estão organizadas assim.
Sim.
Até já, Helena.
Até já.
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