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Sejam bem-vindos. Esta semana nas "Conversas do Fim do Mundo", recebo um casal de viajantes. Eles já viviam juntos em Itália, há uns anos, quando decidiram fazer uma pausa na vida. Disseram "tchau" a Milão, foram ao Brasil dar o nó e depois partiram em lua de mel para uma viagem que os levou a 16 países de três continentes. A viagem durou 10 meses e criou memórias que vão durar anos. Queremos maravilhar-nos com elas e por isso, sem mais demoras, Elettra e Zé Pedro, bem-vindos às "Conversas do Fim do Mundo".

Olá, muito obrigada.

De nada.

Boa tarde. Obrigado.

Contem-me tudo. Estavam fartos de Itália e da vida milanesa e queriam ir passear. Foi, Elettra?

A verdade é que sim. Nós costumamos dizer que vivi, vi e venci ou qualquer outra coisa assim.

"Veni, vidi, vici".

Exatamente.

E foi muito especial, aprendemos muita coisa, comemos muito, conhecemos muitos lugares.

E come-se bem em Itália, não come?

Muito bem, e foi um desafio gastronômico. Mas depois de três anos, a gente sentiu, estávamos alinhados, que não é o lugar onde nós nos víamos no futuro. Não combinava muito com o nosso "lifestyle".

Muito bem. Primeiro parêntesis, já percebemos que tu, Elettra, és brasileira.

Não sei se alguém percebeu, mas eu sei que é difícil notar, mas eu sou brasileira.

O Zé Pedro é português.

Mas o meu sotaque já está "borderline". Foram tantos anos a morar no Brasil.

E foi aí que vocês se conheceram, não foi?

Eu eduquei direitinho.

Educaste bem. O Zé Pedro já usa muitos gerúndios, não é?

Já, felizmente.

Boa. Então vocês viviam juntos em Itália e decidiram que estava na altura de fazer algo radical da vossa vida, foi, Zé Pedro?

Exato.

Onde é que trabalhavam?

Eu trabalhava numa empresa chamada ILTI.

Mas fazias o quê, Zé Pedro?

Eu trabalhava com projetos de energia.

Ok. E tu, Elettra?

E eu trabalhava com marketing digital e sigo ainda nessa área.

Muito bem. Podes trabalhar em qualquer parte do mundo, não é?

É, exato.

Basta ter um computador ou um tablet e uma ligação à internet. Boa. Então, onde é que vos levou essa vossa lua de mel? Três continentes. Primeiro de todos, África, não foi?

Exatamente.

Muito bem. Por que África?

Olha, nós já vínhamos a discutir esta viagem há muito tempo. Nós tínhamos essa curiosidade, conhecer vários países, culturas. Toda a minha família vem de Moçambique, ambos os lados.

Pai e mãe?

Pai e mãe. Os meus avós já nasceram lá.

Sentiste o chamamento?

Tem o chamamento e essa cultura já existe na minha vida, nas histórias, nas tradições, então isso já era muito presente. E para um brasileiro, África é também um primo distante. Porque o Brasil tem muita cultura africana nos seus costumes. Então África para nós, ao início, inclusive, a ideia era fazer apenas África, mas África é um continente muito grande, com os seus desafios.

Sim.

Acabamos por fazer um itinerário um bocadinho mais encurtado e acabamos por incluir depois a Ásia, com Índia, Sri Lanka, e depois acabamos nas ilhas do Pacífico Sul, na Oceania.

Na Oceania. Muito bem. Andaram seis meses por África, não foi, Elettra?

Foi uma experiência difícil de descrever, porque como o Zé disse, África é muito grande, mas de país para país a gente sentia uma diferença enorme, seja nas línguas, porque são mais de 300 vocabulários, às vezes por país, seja na forma de se comunicar com gestos, abraços, carinho. É muito verdade isso, a África no geral, vou generalizar nesse sentido, é muito parecida com o Brasil, nós somos primos, a gente chegava, já se abraçava e já tinha super uma conexão. Eles adoravam que eu era do Brasil. O futebol para eles é uma coisa muito importante.

Ok.

Então o futebol brasileiro era sempre comentado, começavam já a falar sobre isso.

Muito bem. Vamos concretizar, porque vocês começaram na Namíbia, não foi?

Exatamente.

Depois Botsuana, Zimbábue, Moçambique, Malawi, Tanzânia, Quénia, Ruanda.

Uganda.

Uganda. E depois voltaram à Tanzânia, não foi?

Exatamente.

Uganda, Ruanda e Tanzânia.

Uganda, Ruanda e Tanzânia. Muito bem. Portanto, andaram ali pela África chamada África Negra, não é?

Exatamente, subsaariana.

Muito bem. Mas também fizeram voluntariado, não foi? Ou seja, não andaram só a viajar. Explica-me tudo, Zé Pedro.

O grande objetivo desta viagem era aproveitar para fazermos voluntariados em diferentes lugares. Então nós tínhamos uma lista de países que gostávamos de visitar e projetos em cada um desses países. Organizamos a nossa viagem para duas semanas de voluntariado, um bocadinho de passeio, duas semanas de voluntariado, um bocadinho de passeio. Sempre contribuindo para a população local com o que nós pudéssemos.

Como é que contribuíam?

Nós fizemos voluntariados em escolas, por exemplo, dávamos aulas, ajudávamos com tarefas.

Aulas de?

Ao início, nós perguntávamos muito isso. Como é que nós podemos ajudar? Não somos professores.

Exato.

O que é que podemos?

Nem falam a língua deles.

Nem falamos a língua, mas eles só precisam, às vezes, do mais básico. Aulas de inglês, o mais básico inglês, matemática da mais simples.

Ok.

Artes.

Exato.

Isso foi para vocês também um desafio pessoal.

Foi um desafio pessoal, mas o mais interessante era isso, qualquer coisa que a gente quisesse ensinar, seja uma música do meu país, uma dança, a minha própria língua, as crianças, porque a maioria foram crianças, estavam muito felizes de aprender alguma coisa nova. Para elas, todo dia era muito único de poder aprender alguma coisa. Então, falamos inglês e às vezes elas entendiam A, falávamos B, e elas gritavam B. E aquilo, aprendiam qualquer coisa.

São umas esponjas as crianças.

São.

E vocês sentiram que estavam a contribuir ou não? Zé Pedro.

Eu acho que, no final, quem recebeu mais fomos nós do que nós demos, porque realmente o amor que nós recebíamos nos diferentes lugares, não há valor no mundo que pague isso. Realmente saímos sempre de coração cheio. Mas o que nós sentimos de recompensa é a alegria na cara das crianças e sentir: "OK, com esta alegria, por mais que possamos não estar a ensinar nada, alguma coisa passou, alguma energia positiva ficou", e eu acho que só isso já nos deixa bastante orgulhosos.

Muito bem, sentiram-se a deixar o mundo um bocadinho melhor.

Exatamente.

Muito bem.

Sim, é esse o sentimento.

Boa! Então sentiram-se úteis também nesta viagem de seis meses por África. Havemos de ter a oportunidade para falar dos outros continentes, da Ásia e da Oceania. Neste périplo africano, Eletra, qual foi o país que mais te surpreendeu a ti, brasileira?

É difícil. Eu acho que em vários aspectos.

Sim.

Eu gostei muito de Moçambique, não só pela proximidade com a língua, óbvio, mas fiquei maravilhada.

Foi o único PALOP onde foram. Moçambique, o único país africano de língua oficial portuguesa.

Sim, foi o único. E lá eu acho que eu não tinha muita ideia do que era, então fiquei muito surpresa como são praias paradisíacas, lugares que eu não esperava que houvesse assim nessa parte do mundo. A melhor comida que eu já experimentei na vida. E reafirmo, já viajamos pra muitos lugares, mas Moçambique não bate, melhor gastronomia possível.

O peixe, o marisco.

Um preço ótimo.

Fenomenal.

Ok.

Sentimos muito abraçados pela comunidade local, acho que isso também fez diferença. E lá eu acho que senti que a gente fez o maior impacto naquilo que a gente pôde perceber, porque como o Zé disse, é fácil também ver o sorriso das crianças, aquele prazer de estar com a gente. Mas em Moçambique as pessoas pegavam na nossa mão e falavam: "Obrigado, o nosso negócio nesse momento está muito diferente porque vocês estão aqui."

Ah, boa.

Porque a gente ajudou.

O nosso negócio, mesmo negócio de dinheiro?

Exato.

O nosso negócio.

Empreendedorismo.

Ah, ok, mesmo negócio.

Exato. Porque em Moçambique, em particular, nós fizemos um voluntariado que era focado em uma agência de turismo local, que é gerenciada por pessoas locais.

Ok.

Então ali ajudamos no marketing, ajudamos em administração.

Finanças.

Finanças. Até mesmo coach, como engajar funcionários no dia a dia.

Ok.

E ali eu acho que foi um impacto maior, porque a gente viu, de fato, uma diferença de quando a gente entrou e quando a gente saiu, e o feedback de todos aqueles que estavam envolvidos.

Boa.

Então acho que surpreendente, de uma forma geral, Moçambique, de uma forma emocional, Tanzânia, porque fizemos lá um voluntariado com crianças com necessidades especiais. E ali eu acho que eu sou uma Eletra muito diferente depois daquilo.

Por quê?

Conviver com crianças de necessidades especiais, que no caso dessa organização em específico, foram abandonadas pelos pais, é uma história muito difícil e complicada. E daqueles que não têm nada, já nasceram com uma condição que nesse caso dependem de outro ser humano, com histórias tão pesadas, nos fez refletir muito sobre a nossa vida, mas principalmente, eles foram as pessoas mais felizes que eu já conheci em algum dia. Então era uma balança muito desequilibrada. Como você, que tem uma história horrível de vida, é o ser humano mais feliz que eu conheço? Então aquilo pra gente foi um choque de realidade, reflexão sobre aquilo que a gente tem, aquilo que a gente reclama. E enfim, ali mudou minha forma de ver a vida e teve um significado emocional muito grande.

As expectativas que nós criamos sobre a vida destroem um bocadinho, não é?

Como Alberto Caeiro diria, a inocência.

Diz.

A importância da inocência.

Sim.

Acho que veem o mundo com uma pureza, sem o ruído mental dos nossos pensamentos. É o que é e levam como ele é. Então não tem por que sofrer pelo meu passado, não tem por que estar ansioso pelo meu futuro. Eu vou viver este momento como ele é.

Exato.

É uma presença muito forte. E as crianças trazem-te para essa presença, porque às vezes caminhar da casa de banho pra sala é um desafio. Muitas crianças ficam no chão, porque têm paralisia cerebral, têm doenças bastante avançadas. Então para eles, estar naquele momento, ouvir aquela música, é a maior festa do mundo. Não interessa o que vai acontecer depois da música, não interessa o que aconteceu antes da música, mas naquele momento é através dos gestos, dos olhos arregalados, de sons, é o viver aquela emoção. E isso é onde nós temos muito o que aprender.

É, não é? Muito bem. Portanto, a Eletra elege Moçambique e a Tanzânia como os melhores países africanos destes onde vocês estiveram durante seis meses. E tu, Zé Pedro?

Africanos?

Sim.

Africanos.

Podes repetir também, podes dizer Moçambique e Tanzânia.

Moçambique, sem dúvida, mas pronto, tenho aquele carinho especial por Moçambique.

Foste aos lugares raiz da tua família?

Não, não fui a Maputo. Eu já tinha ido com a minha família no passado. E depois grande parte da família é também de Quelimane. Passamos ao lado, mas não cheguei a ir.

Muito bem. Moçambique, é isso?

Moçambique, sem dúvida. E acho que este projeto na Tanzânia, para ambos, é o highlight da viagem.

Muito enriquecedor. Muito bem, vocês viajavam então a fazer voluntariado e passeio, como dizia há uns minutos o Zé Pedro. Foi num desses passeios que perderam um japonês. Explica lá isso, Elettra. Eu já vi pessoas a perder um autocarro, um metro, agora um japonês?

Olha, eu também.

Como é que se perde um japonês em África?

Foi a minha primeira vez.

Eles estão a rir, mas isto pode ser dramático. Mas com calma, explica.

Exato. Fizemos um tour na Namíbia, e esse tour nos levou ao deserto de Sossusvlei. Acho que o Zé Pedro pode contar um pouco melhor, porque ele viveu muito essa experiência.

Estava de perto.

Ele se entregou nessa experiência.

Vamos lá, Zé Pedro, conta lá.

Nós chegamos ao deserto, aquilo tem que ser muito cedo de manhã, porque é muito calor.

Namíbia.

Na Namíbia. Esse deserto tem uma duna que se chama Big Daddy, que é uma duna altíssima, e depois, na parte de baixo, tem um famoso deserto que é um chão meio em cratera, com umas árvores completamente despidas, não sei se já viu as fotos.

Árvores mortas.

Que são árvores que estão lá há milhões de anos, mortas, mas vivas, o que é incrível. A ideia é: tem que subir a duna, se se quiser, de manhã, porque depois fica muito calor. Chegamos com o guia e ele diz: "Olha, se quiserem subir a duna, subam agora de manhã, depois descem e vamos embora pela hora de almoço, porque está muito calor". Ninguém quis subir a duna. Vamos para o meio dessa cratera com as árvores e quando estamos a ir embora, faltava o nosso amigo Ebiná, que era um japonês que estava conosco no grupo, um senhor de 70 e poucos anos. E o calor começa a subir, 11:00 da manhã, 12:00, 13:00. E de repente, cadela o Ebiná.

E nada de Ebiná.

Nada de Ebiná. Às tantas, estou eu, a Elettra e o guia, pelo meio do deserto a gritar: "Ebiná, Ebiná!"

Where are you, Ebiná? Isso, todo o grupo foi embora, ficamos só os três. Entregamos aquilo, fomos pro deserto, vestimos coisas na cabeça, vamos achar o Ebiná.

Depois já eram miragens, parecia o Ebiná vir, mas não, era só uma onda de calor.

Exato, como é que eu vou mandar em japonês que talvez o Ebiná partiu pra família dele? E pronto, foi um filme, horas.

Com binóculos, tudo.

Pegava binóculos com uns americanos que tinham uns megabinóculos. "Eu vou achar o Ebiná, é a minha convicção de vida." Depois de umas quatro horas no deserto. Se o Ebiná não morreu de calor, nós já estávamos pra morrer.

Exato.

Era quase isso.

Ok.

Finalmente ele aparece manco.

Ele desmaiou a subir a duna e ficou desmaiado na duna. Por sorte, ele acordou e veio descendo devagarinho até nos encontrar.

Uau.

E depois quando ele chegou, japonês muito educado, ele ficou cerca de meia hora a fazer vénias pra todo o grupo.

Sorry.

Sorry. Mas pronto, está tudo bem com o Ebiná, ele está vivo, isso é que é o importante.

Muito bem, grande história essa na Namíbia. Acabou bem, não é?

Acabou bem, graças a Deus.

Ele está vivo.

Fantástico.

Pelo menos até essa viagem.

Estamos a chegar ao final da primeira parte. Vamos abrir o álbum de viagem. Então, Elettra e Zé Pedro, têm convosco ou possuem algum objeto que tenham trazido das vossas viagens que seja especial?

Especial é tudo.

Mas um objeto.

Um específico.

Eu acho que os desenhos das crianças, porque não foi algo que nós compramos, foi algo que nós recebemos, e todos os voluntariados foi uma forma da gente conseguir levar aquilo um pouco com a gente. E de forma genuína, as crianças queriam nos dar em agradecimento. Eu acho que esse foi o valor mais simbólico. Porque no final a gente levou uma peça de cada país que passamos, seja uma escultura, um imã de geladeira, enfim, coisas que lembravam ou até que eram específicas daquele país. Mas as cartas das crianças foi algo que a gente tem na nossa casa, ali na parede.

E olham pra elas todos os dias, é isso?

E é incrível, e é inspirador olhar ali e falar assim: "Caramba, e o que eles fizeram, a gente pode fazer isso hoje, porque eu estou com esse desafio mental no trabalho e aquela criança que pegou um lápis pela primeira vez na minha frente e fez um desenho, esse eu guardo com um carinho muito especial. Crianças que nunca tinham pego um lápis e feito um desenho no papel. Então acho que é o que a gente leva de mais simbólico.

Muito bem. Num programa de viagens, a resposta a esta pergunta é simples. Por que as pessoas fazem uma pausa na vida pra ir viajar? Porque o mundo assim o permite. Mas por que neste registro de voluntariado, o que vocês têm dentro de vocês que vos empurra pra isto, Zé Pedro?

Era um sonho nosso viajar pelo mundo. Eu, em particular, depois de 10 anos a trabalhar na área de engenharia e vendas, eu queria fazer uma mudança de carreira. Eu sempre tive muito o apelo do impacto social.

Ok. Fazer o bem, era isso?

Fazer o bem, mas eu não estou a dizer que um banco também não faz o bem, porque dá crédito às pessoas, tem poupança.

Ajuda a transformar a vida das pessoas.

Tudo ajuda, mas eu gosto de ter um contato direto com a causa. Eu gosto de ver as coisas na primeira pessoa. E desde criança que eu leio sobre isso, eu me emociono com filmes sobre isso, documentários. Então eu sempre tive esse chamamento que eu não consigo sequer explicar. E pensamos: bem, vamos fazer esta viagem, vamos fazer estes voluntariados e vamos entender o que é preciso. Porque uma coisa é estudar, uma coisa é ler, outra coisa é estar nos projetos, ver o dia a dia e tentar entender como é que nós podemos ajudar de onde estamos E depois com essa viagem, eventualmente, agora voltando para Portugal, como é que podemos aplicar isso e continuar a contribuir daqui e construir uma vida à volta disso, acima de tudo.

Muito bem. Eletra, também subscreves, obviamente, esta tese do Zé Pedro.

Exato, estamos muito alinhados. Acho que foi uma das coisas que nos conectou quando nos conhecemos. Lindamente descrito pelo Zé Pedro.

Muito bem. Fizeram também isso na Ásia e na Oceania?

Exatamente.

Então vamos falar desses dois continentes na segunda parte das Conversas do Fim do Mundo. Fazemos aqui uma pausa, regressamos já a seguir. Estamos de regresso para a segunda parte das Conversas do Fim do Mundo, esta semana com o casal Eletra e Zé Pedro. Eles fizeram uma pausa na vida, foram viajar 10 meses por África, pela Ásia e também pela Oceania. Já nos contaram um pouco das experiências que tiveram em África nos seis meses que por lá andaram a viajar. Agora quero falar da Ásia. Saltar da África para a Ásia é brutal, Eletra. É um outro mundo?

É um outro mundo.

O que é que muda?

Eu, como comentei, me senti muito próxima à África, acho que temos uma relação cultural forte. E na Índia, principalmente, fomos ao Sri Lanka e depois fomos à Índia. E aqui, quando eu falo Ásia, eu me refiro mais à Índia, porque passamos muito mais tempo por lá. E senti uma diferença enorme.

A vossa viagem pela Ásia foi de dois meses e meio.

Dois meses e meio.

Meio mês no Sri Lanka e cerca de dois meses na Índia.

Exato. E ali na Índia foi um choque cultural muito forte nesse sentido. Outro tipo de estilo de comer, de se vestir, de cheiros, populacional. Muita confusão, tudo era a nível máximo. Eu, particularmente, tive um choque muito grande em todas essas áreas, principalmente porque eu não como picante. Então o que eu sofri. "Por favor, sem picante". "Não, não".

Até o McDonald's é picante na Índia. É impressionante.

E era assim, o não vai ter picante, era a coisa mais picante que eu já comi na vida. Foi um choque cultural muito forte e muitas coisas também, aprendemos muitas coisas. Acho que tínhamos ali umas idealizações da cultura indiana e que a gente viveu mesmo com uma família indiana.

Partilha?

O exemplo é: vivemos na casa de uma família indiana, porque fomos fazer um voluntariado e fomos pra casa de uma família que o filho tinha uma escola, que fizemos voluntariado nessa escola. Mas vivemos com a família. E as famílias indianas vivem todos juntos, mãe, pai, avó, avô, filho, neto, e são casas com milhões de pessoas dentro. E nós éramos mais um milhão, mais dois. E num certo dia que deveríamos ir pra escola fazer o voluntariado, o rapaz, que era o nosso anfitrião, fala: "Olha, hoje vocês vão fazer algo diferente, hoje é o casamento arranjado do meu irmão". Não sei se todos sabem, mas na Índia é muito comum ter casamentos arranjados, onde alguém, ou que conheça a família ou alguma pessoa da família, vê um potencial marido, esposo ou esposa, e diz: "Olha, eu acho que essa pessoa combina bem com seu filho que está solteiro ou com a sua filha que está solteira", e faz ali um papel de Tinder humano. Um papel de matchmaker. E fizeram com essa família e chamaram dizendo que um dos filhos da família que estávamos poderia ser compatível com uma das meninas de uma comunidade ali perto. E eles fazem um grande evento do casamento arranjado.

Eram menores?

Eram o quê?

Eram menores de idade?

Não, senão, faço aqui da minha opinião, eu não teria participado. Acho que vai além do que eu acho cultural, mas pronto, não eram menores. Mas eram pessoas novas. Então fui um pouco com essa cabeça, assim: "Eita, isso aqui, não sei se eu gosto disso, aonde é que eu estou indo, o que será que eu vou pensar sobre isso?", enfim. Mas fomos de cabeça aberta, porque tudo nessa viagem é preciso ser feito com a cabeça aberta. Se a gente vai cheio de preconceitos, nada funciona, a gente não volta transformado, a gente volta com mais raiva, não sei. Mas enfim, nesse ponto, fomos de cabeça aberta.

Então aí foram vocês pra um casamento arranjado.

Chegamos lá num hotel, que a família organizou, pra se encontrar. Mulheres vão pra um quarto de um hotel, homens pra um outro quarto. Só que eu e Zé Pedro éramos parte da família. Então foram as mulheres pra um quarto, mais o Zé Pedro. O Zé Pedro foi ali, entrou no grupo das mulheres.

Deixa eu só fazer aqui uma precisão. Isto é, antes do casamento, ou seja, as famílias vão se aprovar para saber se vai haver casamento ou não. Ou seja, as famílias vão avaliar o noivo e a noiva e vão dizer: "Ok, sim, queremos que eles se casem ou não". Ou seja, é o processo das famílias se conhecerem e discutirem se querem avançar com o casamento ou não.

Ok. E isso é uma conversa que vocês perceberam?

Nada. Entramos dentro do quarto, todos a falar hindi. E a gente só com sorriso no rosto, assim acenando, sorria e acena, e não sabe fazer nada, sorria e acena. E aí uma das meninas da família, que era uma menina de 13 anos, era a única que falava um pouco de inglês e eu perguntei pra ela: "O que está acontecendo? O que eu faço? O que devemos fazer?" E ela me diz, com inglês muito mal, mas diz: "Olha, quando a menina, a pretendente, entrar na sala, nós temos que fazer uma reação. Faz 'uau!", se ela for linda, e fique Séria: "Não faça nada se ela for feia". E eu: "Ah, não. Não pode ser. Mas eu não sou capaz de fazer isso com uma mulher, é impossível." E ela: "Sim, mas tem que fazer." Aí eu pensei: "Independente se ela for um horror, eu vou fazer o 'uau'! Eu preciso conhecer essa mulher." Pronto, a mulher entra e eu e o Zé Pedro assim: "Uau!" E bate palma. A menina, de fato, era bonita. E começa ali uma coisa que pra nós foi um pouco estranho, mas pra eles era um momento único. E todas as mulheres da família, do lado do rapaz e do lado da outra menina, estavam todas lá, vieram primos de outra cidade, primas de outra cidade.

Troca-se comida, trocam-se presentes.

Exato.

É realmente um momento. E quando tu falas tanto com a eventual noiva e o eventual noivo, e acho que esse é o ponto fundamental, é: eles querem o casamento arranjado.

Eles sonham.

É algo cultural, é um sonho pra eles. Já existe na Índia uma nova geração que não segue tanto essas tradições e é livre pra não as seguir. Mas as pessoas querem, principalmente no interior, nas terras mais afastadas, eles querem o casamento arranjado, porque eles meio que confiam que a família sabe escolher para eles também e que consegue validar a decisão. E temos que respeitar essa outra forma de ver o casamento.

Pois, respeitar sim, mas se calhar, pode ser que a vossa interpretação daquele fenômeno não seja a mais clara. Não sentiram isso?

Do quê?

Provavelmente estariam a interpretar mal. Ou seja, se calhar eles não querem, não é?

Então, esse era o meu ponto.

Sim.

Eu pensei: "Eu preciso conversar com essa menina."

Pois.

Mas depois descobrimos que ela tem total direito de dizer não. Ela pode olhar pro rapaz, baseado muito em aspecto, isso é uma coisa que eu não concordo, no físico.

Sim.

Porque eles não conversam, eles se conhecem pela primeira vez nesse dia, numa sala cheia de mulheres. Logo depois que a menina entra, entra o rapaz da família, eles se olham, falam assim: "Oi, tudo bem? Sei lá, o meu nome é esse, o seu nome é esse", e já tem que dizer sim ou não. Então, o que eu penso é que deve ser muito baseado no histórico familiar, um pouco, e na beleza, de fato, no físico. Então eu fiquei um pouco preocupada, mas a menina pode dizer não e ele também pode dizer não. E ali está cancelado e vai cada um pro seu canto. Menos mal. Ficamos ali naquela emoção, parecia final de um jogo, eu e o Zé Pedro de mãos dadas, suando, e sem saber o que dizer. Pronto, a Dalai Lama mora aqui.

Pois, porque não é nada zen.

Mas depois, quando se vai pras montanhas-

Se calhar é isso. Por ser tão confuso, as pessoas procuram um jogo de compensação.

É de contrastes, lá está. E depois tu vais pras montanhas, pro campo. É uma paz, ouve-se os passarinhos, os mosteiros nas montanhas no meio das pedras, a cultura do ioga, da meditação, essa conexão à natureza, conexão ao momento presente, ou seja, o conseguir se desligar disso, realmente é um país impressionante.

Muito bem, vocês tiveram a oportunidade de viajar por toda a Índia?

Toda a Índia.

Toda a Índia. E participaram também naquelas coisas de fazer retiros em mosteiros?

Não.

Não.

Ah, a Eletra queria fazer.

Não, o contrário, o Zé Pedro queria.

Eu queria, mas...

E eu pensei: "Eu não sei se eu consigo ficar um dia sem falar."

Eu ia dizer: "Eletra, vamos fazer dois, três dias assim, retiro de silêncio, Eletra." Eu não me garanto. Eu não vou entrar nisso, não.

Vou acabar por estragar a experiência dos outros.

E viajar em conjunto também é compromisso.

Chatearam-se muito na viagem?

Olha, por incrível que pareça, não muito.

Não muito.

Sempre tem.

Sempre acontece algum tipo de discussão, mas eu tenho certeza que o fato: um, tem que escolher muito bem o seu parceiro de viagem. Acho que nos casamos e temos um alinhamento muito bom nesse sentido.

Aqui foi parceiro de viagem e de vida.

E de vida, exato.

Porque a vida é uma viagem.

Também.

Eu acho que também existe uma coisa que é: só temos um ao outro. Então é preciso ter muita paciência, é preciso engolir algumas coisas.

Vai estar sob estresse em vários momentos.

Pois. Qual foi a maior prova de estresse que enfrentaram nesta viagem de 10 meses?

O Ilala Ferry.

É, com certeza.

Um barco no Malawi.

Uhum. Então por quê? O que aconteceu aí?

Aquilo é um barco que transporta as pessoas ao longo do Malawi, porque de estrada demora-se muito mais. Só que aquilo é um barco que é ferro, praticamente, tem um andar de cima um bocadinho melhor, que foi onde nós ficamos, e depois na parte de baixo é um alçapão, onde deveriam caber 200 pessoas, estão 400. Um calor enorme, 60 graus lá embaixo, sacos de arroz, galinhas, cabras, tudo misturado. E para sair do barco é muito difícil, porque é só uma portinha.

Ok.

E é necessário descer para esse-

Descer para esse alçapão, galpão.

No fundo é o porão do barco, não é?

Porão do barco, exatamente. Nós começamos a descer com as nossas mochilas, 20 quilos às costas, mais a mochilinha à frente, tudo apertado. As pessoas vão entrando e saindo, não há respeito de quem entra, quem sai. Então quando começamos a descer, eu comecei a ficar apertado, um calor, eu pensei: "Bem, vou desmaiar aqui. E se eu desmaio aqui, ninguém me tira daqui."

Ele seria pisoteado. Pronto. Ele olha pra mim e fala: "Elettra, vou desmaiar". É que vocês não estão a ver, mas eu sou pequena, eu tenho um metro e meio. O Zé Pedro tem um metro e 80 e eu estava também com 23 quilos nas costas. E eu pensei: "Ok, acabou pra mim". E aí comecei a gritar por socorro. Vem uma mão, não sei de onde veio essa mão, agradeço essa mão pro resto da minha vida, e puxa o Zé Pedro pela mochila.

Porque eu estava no início das escadas, então conseguiu puxar-me.

E eu só olho e falo: "Vão sem mim. Ok. Aqui eu fico". E depois essa mão vai e me tira, e também consegue sair dessa situação.

Foram salvos por uma mão.

Exatamente.

Salvos por uma mão que eu não sei.

Muito bem, mas portanto, foi o maior momento de estresse da viagem. Mas entre vocês, se chatearam? Do gênero: "A Elettra não quer vir, vai."

Eu acho que sim, porque o Zé Pedro foi uma pessoa que planeou toda essa viagem. Foi ele que fez tudo. Eu era a pessoa que pega a mala e vai. E às vezes eu perguntava: "Onde hoje? O quê? O que tinha pra esse lugar?" Eu era assim. E ele planeou tudo e pronto, foi perfeito.

Boa.

Só que 90% da viagem foi feita via terrestre. E principalmente na África, isso não é uma coisa muito fácil. Então são muitos autocarros, chapas, que são as vans, e não tem nada na internet, é tudo no boca a boca.

Informal.

É, o horário suaíli, que é um horário específico deles. Então aquilo ali já é muito difícil de conseguir informação e eventualmente pegar o transporte. E tinha algumas situações que o Zé planeou, vamos de Zimbábue a Moçambique de autocarro. E na minha cabeça, um autocarro, imagina um desses que faz viagens, deita a poltrona e tal.

Flex van.

Wi-Fi.

Ar-condicionado.

Netflix.

E chega um momento, nós estamos no autocarro, que não tem vidro. Não tem vidro mesmo, do motorista, da parte da frente.

Vidro da frente.

Não tem vidro. São 400 pessoas, 200 pessoas, e são 20 lugares.

Todas encavalitadas.

Nós estamos sentados. Por sorte, estamos sentados, mas entre a gente tem duas crianças nas nossas pernas, pessoas segurando galinha que ficam batendo assim no nosso rosto. Param no meio da estrada, buscam cabras, e vai a cabra 14, 18 horas de viagem, gritando. E naqueles momentos, eu olhava pro Zé Pedro e falava assim: "Você me odeia? O que eu te fiz?"

Zé Pedro, e tu?

E era difícil gerir, porque eu era muito estressada mesmo.

Eu acho que os momentos mais difíceis eram quando, ou seja, são viagens muito longas. E eu tenho um problema, que eu tenho bexiga pequena.

Ok.

Então eu preciso ir muito à casa de banho. E aquilo para no meio do mato, porque o motorista decidiu, às vezes é noite, e ele arranca quando quer. E eu: "Sim, Elettra, eu tenho que sair". E ela diz: "Tu não vais sair do autocarro". E eu: "Elettra, tens que respeitar, eu não vou fazer aqui nas calças".

Eu falava: "Faz, faz nas calças".

Eu acho que esses eram os momentos que nós discutíamos mais, que ela não queria que eu saísse do autocarro, e ela dizia: "E se o autocarro arranca e tu não estás aqui?" E eu: "Elettra, eu vou estar sempre a olhar pro autocarro". "Sim, mas tu estás no mato, não vais saber se ele arrancou." Acho que esses eram os momentos mais tensos.

Então depois disto, o vosso casamento sobreviverá a tudo, não é?

É, acho que sim. Acho que não vai ser Portugal que vai destruir isso.

Espero que não.

Não, claro que não, que é onde vocês agora vivem. Olha, haveria muito mais pra falar, só quero uma resposta rápida a esta pergunta. Portanto, depois de África, de Ásia, a vossa viagem acaba na Oceania, aí já foi pra descansar e disfrutar.

Aí foi a parte lua de mel da viagem.

Aí sim, finalmente. Águas cristalinas, foi? Peixes, frutas.

Almoçar com tubarões, ver vulcão.

Vulcão foi impressionante no Vanuatu.

Muito bem, vocês foram à Austrália, Vanuatu, Ilhas Fiji e acabaram na Polinésia Francesa.

Ilhas Cook, também.

Ah, Ilhas Cook, muito bem. Vocês acabaram em grande.

Sim, acabamos em grande.

E agora estão aqui em Portugal.

E demos a volta ao mundo, literalmente.

Exatamente. Muito bem. Estamos a chegar ao fim. Vamos fazer check-out? Vamos embora. Então vou pedir-vos para completar as habituais frases: na minha mala vai sempre, Elettra?

Telemóvel.

Telemóvel. Zé Pedro?

Sacama.

Sacama. Foi muito usado o sacama?

Muito.

Muito. E o telemóvel também.

Muito.

A viagem com mais peripécias que realizei até hoje?

Esta.

Esta.

Esta, não é? Qual foi a maior peripécia? Em 15 segundos.

Barco Malawi, com certeza.

A travessia do lago Malawi, uma mão vinda do além.

Que nos salvou.

Puxa o Zé Pedro e puxa a Elettra.

É, e essa aí ainda tem muito mais ali dentro, mas foi por aí.

Ok. O carimbo do passaporte ou visto mais difícil de obter?

Moçambique.

Moçambique, principalmente pra mim.

Pra Elettra era mais difícil, como brasileira.

Brasileira, não é? Levantar alguns-

Eles faziam de tudo pra que eu não entrasse e pronto. E aí aquilo ali rendeu algumas histórias, porque No final, tinha que demorar horas numa fronteira. Às vezes nós estávamos de autocarro, o autocarro estava à espera com 400 pessoas, 400 vacas, galinhas e a gente tinha que abandonar o autocarro, porque eu ficava ali muito tempo à espera de um visto.

Não sabia que era mais difícil.

Mas sendo um país da CPLP, deviam ver.

Pois é.

Pedem coisas, não é? Exigências.

Exigências.

De africanas. Bom, a recordação de viagem mais cara, qual foi?

A saudade.

A saudade? A saudade de?

A saudade, acho que principalmente desse voluntariado na Tanzânia.

Ok.

As pessoas que conhecemos no geral. Essa é a que mais aperta e vai ser caro, porque é algo que não poderemos ter a toda hora na nossa vida, então será sempre caro poder reviver.

Ok.

Se for algo em aspecto físico, qualquer coisa na Polinésia Francesa.

Sim, que é muito caro.

É?

Qualquer coisa. Um imã de geladeira é um absurdo, são € 50. No aspecto físico é isso.

Depois disso já nem pergunto quanto é que custa um almoço.

Não. Façam voluntariado.

Ia fazer amizade com os pescadores e ir pra porta deles.

Fizeram muitos amigos na Polinésia Francesa?

Sim.

As pessoas são muito simpáticas.

Boa. E comeram muito peixe pescado por-

Atum maravilhoso.

Boa.

Maravilhosos.

É melhor a comida-

Na Moçambique.

Moçambique, pronto, era por aí que eu ia. Está esclarecido. A refeição mais estranha, qual foi?

Olha, pra mim todas na Índia, porque eu não gosto de picante, mas se eu tivesse que eleger uma em específico, eu acho que foi a experiência no Malawi também, no voluntariado que fizemos lá. Em Moçambique chama xima, em Malawi eu já não lembro como chama.

É tipo um purê de caçava.

É uma massa. E eles comem muito essa xima com um peixe que eles acabaram de tirar do rio, literalmente.

Como se fosse um carapauzinho.

Crú, comem crú.

Crú. E você chupa, tira o osso com a xima e sempre com as mãos, que é o costume.

E comem sempre com a mão. Esse aí não era fácil.

E tu, Zé Pedro, qual foi a refeição mais estranha?

Não, essa.

Essa. Boa.

Claramente.

Então, gostavam de viajar com? Zé Pedro.

Com a Eleúra.

Com a Eleúra. E tu, Eleúra?

Com o Zé Pedro.

Depois disto. Então, que viajem muito. Olha, já têm alguma viagem planeada para os próximos tempos?

Já, vamos a Dublin. Agora mais europeu.

Isso, muito bem. Está a correr bem a vida em Portugal, que agora vocês vivem em Portugal, não é?

Estamos a ambientar. Eu estou a me reambientar.

E eu estou bem ambientada, porque a quantidade de brasileiros que tem aqui também ajuda.

É verdade, é como se estivesse em casa.

É o Rio parte dois.

Muito bem. Tu és do Rio de Janeiro, Eleúra?

Eu sou do Rio de Janeiro.

Ok, boa. Olha, chegamos ao fim. Qual foi a música que trouxeram para fechar a nossa conversa?

Foi uma música que se chama "Eu Sou da Bahia", que também ouvimos em Moçambique e marcou muito, porque fizemos uma viagem dessa agência de turismo que fizemos o voluntariado e que nós tivemos o prazer de fazer um tour com essa agência de turismo, que era pelas praias paradisíacas da Ilha de Moçambique.

Ok.

E foi a primeira vez que essas pessoas que foram ao tour, nós estávamos como mídia pra fazer marketing, mas era a primeira vez que as pessoas que estavam no tour andaram de barco. Então tudo nesse dia foi muito especial. E ver aquelas pessoas encostando na água, o barco em movimento.

Cantando louvor, com medo.

Cantando louvor, porque tinham medo.

Depois cantavam esta música e foi por aí que esta música correu na nossa cabeça.

E fizeram uma festa, cantavam muitas e muitas músicas, até cantaram essa. E essa bateu, "Eu sou da Bahia". E pronto, acho que a gente fechou o nosso último dia em Moçambique, foi num píer lindo, um pôr do sol, com todos os amigos que fizemos e botamos essa música.

Muito bem.

E pronto, acho que essa é a música que marcou.

Ok. "Eu Sou da Bahia", a fechar a conversa do "Fim do Mundo" desta semana. Eleúra e Zé Pedro, muito obrigado aos dois.

Obrigada nós.

Estamos de regresso hoje oito dias, já sabem, sejam bons e boas viagens.