A Tesla parece ter regressado aos seus bons velhos tempos, em que em cada trimestre as vendas dos seus modelos eléctricos tendiam a subir, em vez de descer. No 3º trimestre de 2026, o construtor norte-americano entregou a clientes 486.532 unidades, o segundo melhor valor da história da marca, batido apenas pelo alcançado no 3º trimestre de 2025, em que colocou nas mãos de clientes 497.099 modelos eléctricos.
Comparado com as previsões de Wall Street, cujos especialistas apontavam para um volume de vendas de apenas 464.974 unidades, o volume de Julho a Setembro acabou por 6,9% acima do antecipado pelos especialistas. Curiosamente, no mesmo período a Tesla produziu 464.391 unidades, menos cerca de 22 mil veículos dos que entregou a clientes.
Vender mais carros do que os que fabrica é sobretudo motivado pela situação inversa que se verificou nos trimestres anteriores, período em que acumulou um inventário bastante generoso. Com o desempenho registado no 2º e 3º trimestres de 2026, a Tesla limpou do stock mais de 50 mil veículos, o que deverá conferir alguma folga às finanças do construtor.
Os modelos mais vendidos foram, como sempre, os Model 3 e Model Y, sem que a marca os diferencie, com o construtor a anunciar que no 3º trimestre de 2026 vendeu ainda 8.295 unidades do que afirma serem “outros modelos”. Isto pode ser representativo de vendas da Cybertruck e do Semi, o tractor para camiões semi-reboques, mas é igualmente provável que exista um número significativo de Model S e Model X a figurarem entre as vendas, modelos cuja fabricação em Fremont, nos EUA, terminou em Maio deste ano.
Apesar de ter subido nas vendas, a Tesla foi ultrapassada no trimestre pela BYD, na batalha para o fabricantes de eléctricos líder a nível global, com o construtor chinês a transaccionar cerca de 762 mil veículos. Como já aqui tivemos ocasião de prever, a BYD ultrapassar a Tesla era algo que estava condenado a acontecer, tendo em conta que o construtor chinês oferece uma gama mais numerosa e com preços substancialmente mais baixos, com o Dolphin G e o Dolphin Surf a serem propostos por cerca de 28 mil euros, e este último modelo a oferecer versões ainda mais baratas (com bateria de 30 kWh) em alguns mercados do Velho Continente que lhe permitem ficar próximo dos 18 mil euros.