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Sejam bem-vindos às Conversas do Fim do Mundo. Esta semana com um histórico das viagens de bicicleta. Começou lá longe, nos anos 90, quando Portugal ainda se estava a abrir à Europa e ao mundo. Fez viagens com motivação política, mas não partidária. Ficou o bichinho e seguiram-se muitas outras pelas mais diversas razões. Jorge Cintra Pereira, bem-vindo às Conversas do Fim do Mundo.
Olá, muito obrigado.
Grande viajante de bicicleta, autor de dois livros: "Kid Carcaça: A Grande Aventura Europeia", este já mais antigo, e saiu agora recentemente o "Regresso às Origens", onde tu fazes mais ou menos um manual de como viajar de bicicleta, não é?
Sim, viajar de bicicleta, explorar e criar condições pra nós desenvolvermos o interior do país, que bem precisa de desenvolvimento e de atividade econômica.
Tem um grande potencial Portugal, não tem, para pedalar?
Tem.
Já tem essa coisa fantástica que é o sol estar sempre a brilhar. Ou quase sempre.
Quase sempre. Mas sim, temos condições e a diversidade num país tão pequeno como é Portugal, nós temos uma diversidade enorme a nível de populações, de ambientes, de paisagens que enriquecem imenso todos os que nos visitam.
É verdade, num dia fazemos planície e montanha.
Sem dúvida.
Se um ciclista bem treinado.
Nem precisa de ser muito.
Nem precisa. Se for sempre a descer.
Se for sempre a descer. Ou então podemos aproveitar algumas sinergias também com os transportes públicos, e isto dá tudo um potencial enorme pra viajarmos.
Muito bem. Eu disse na introdução do programa que tu eras um histórico, não te estava a chamar idoso ou o que quer que seja. És um histórico, porque começaste a viajar de bicicleta em 1994. Foste de Lisboa a Estrasburgo, enfim, depois seguiram-se muitas outras, vamos ter a oportunidade de falar delas. Mas tu estavas muito engajado nos anos 90 com a causa ambiental, não era, Jorge?
Era. E sobretudo porque nessa altura a bicicleta ainda não tinha vingado em Portugal. E nós tínhamos um grande gosto por andar de bicicleta, fazíamos os passeios.
Era coisa de miúdos, não era?
Sim, era.
Ainda é visto um cadinho como coisa de miúdos.
Ainda não está explorado todo o seu potencial, mas isso também traz uma certa riqueza à coisa, porque eu acho que há muito ainda pra explorar. E nessa viagem, em 94, fui pela primeira vez a Paris e cheguei lá de bicicleta. Portanto, 2000 km depois de ter saído de Lisboa, do Centro Cultural de Belém.
Esta viagem foi em 1994, Lisboa- Estrasburgo. Lisboa era na altura capital europeia da cultura, se bem me lembro.
Ou foi a primeira presidência portuguesa da Comunidade Econômica Europeia. E nós tínhamos o propósito de fazer uma ligação simbólica, na altura com apoios reduzidos, um deles era uma carta do senhor presidente da Câmara de Lisboa, na altura, doutor Jorge Sampaio, que também se associava à nossa iniciativa, que no fundo, era uma iniciativa de jovens. Eu fiz isto, tinha acabado de concluir 20 anos.
Portanto, levavam uma carta debaixo do braço pra entregar aos eurodeputados, era isso?
Aos eurodeputados. Há uma história-
A chateá-los: "Queremos uma Europa mais qué!"
Mais unida, coesa e que no fundo respondesse aos anseios da juventude.
Ok.
E depois nós constatámos-
Jovens utópicos, vocês.
Eu acho que éramos, mas também uma das grandes lições que tivemos nessa viagem, e nunca mais me vou esquecer, foi que a Câmara de Lisboa fez contatos, vários sítios onde nós passamos, e chegamos ao Parlamento Europeu, em Estrasburgo, e não havia portugueses pra nos receber.
Oh, caramba!
Fomos recebidos por um espanhol.
Oh, pá!
É verdade. E essa foi a primeira grande lição.
Então vão daqui uns miúdos de bicicleta, milhares de quilômetros nas pernas e não há nadie.
E não havia ninguém pra nos receber. Isso foi a primeira lição.
Ok.
E por que eu digo lição?
Morreu um cadinho do teu idealismo aí, à porta do Parlamento Europeu, foi?
Ou pelo menos comecei a ver que as coisas tinham que ser trabalhadas e tinham que ser conquistadas de outra maneira.
Ok.
Essa foi uma grande lição, que depois mais tarde, quando nós fizemos a outra viagem em 2000, a grande viagem que resultou o outro livro, já tínhamos muitas destas lições aprendidas.
Ok, em 2000 fizeram o Lisboa-Hanoi.
A Hanover. Ligar a Expo 98 à Expo 2000. Ligar o pavilhão de Portugal, a pala do pavilhão de Portugal, à Expo 2000. E aí, já o nível de experiência era outro. Já éramos uma associação. Demoramos um ano. Foi num evento, organizamos um evento. Demoramos um ano a preparar essa viagem.
Ok. Quando dizes aí: "Já éramos uma associação", já eram os Kid Carcaça.
Já éramos os Kid Carcaça.
Já agora explica-me lá de onde é que vem este nome, Kid Carcaça. Kid é porque são miúdos, não é?
Exato.
Carcaça por quê? Porque aviavam muitas carcaças ao pequeno-almoço?
Não.
Não.
Vamos pegar na história de Grândola. A minha família é de Grândola.
Ok.
E o primeiro patrocinador do grupo informal, que era dos jovens que andavam de bicicleta em Queluz, foi um tio meu que tinha uma padaria em Grândola, mais precisamente no Isaías, que era a Padaria Alentejana.
Ok.
E então o nosso nome ficou Kids, porque éramos miúdos, e os Carcaças que vinham da padaria.
Muito bem, espetacular. Portanto, isto era tudo um grupo de jovens ali de Queluz, que depois se constituíram em associação, mas hoje vocês ainda se mantêm em contato e ainda fazem viagens de bicicleta. O que é inacreditável e incrível. Como é que fica a amizade e o gosto pelas bicicletas e pelas viagens?
Eu acho que numa viagem como Que sai um livro com 3100 km, que atravessámos a Europa em pleno mês de agosto.
O Lisboa-Estrasburgo ou está a falar do Lisboa-
Estou a falar do Lisboa-Hanober em 2000.
Ok, Lisboa-Hanober.
Foram 3000 km feitos por seis jovens. E o Lisboa-Estrasburgo foi feito por três. Foi tudo maior. Em 2000 foi tudo maior. Foram os apoios, os patrocínios, a experiência. Porque esta é a realidade, quando nós fizemos a viagem em 94, eu não sabia remendar uma câmara de ar. Enquanto havia câmaras de ar, a coisa funcionou. E depois quando já não havia, não deixava secar a cola de contacto. Aprendemos.
É a loucura dos 20, não é?
É a loucura dos 20.
Dá para tudo.
Tivemos situações, foi-me negada água em França, num hotel, por exemplo.
Foi o quê? Não percebi.
Negada a água.
Ah, negada.
Não nos deram água, porque era só para os clientes.
Caramba!
Temos histórias recambolescas numa viagem dessas.
Isso mudou ou não?
Mudou.
Hoje o ciclista ou viajante de bicicleta já é encarado de outra forma, ou não?
Já tem.
Doutora, era uma bizarrice, eram uns miúdos a fugir de casa.
Era um bocadinho. Agora não. Agora eu acho que a questão é precisamente ao contrário. Nós já somos vistos como, a nível turístico, inclusive, somos alguém que não polui o ambiente, que tem poder de compra, que usufrui dos espaços, usufrui dos territórios, provoca um impacto muito reduzido e essa é uma grande mais-valia do turismo de bicicleta.
Deixa-me aqui abrir um parêntesis, estás a tornar a conversa muito séria, porque tu fazes disto um negócio, não é? Tu tens uma empresa em Grândola, apesar de teres crescido aqui em Queluz. Aliás, descobrimos aqui antes de começarmos a gravar, que provavelmente até fomos vizinhos quando éramos miúdos. Isto o mundo é um penico.
É mesmo.
Portanto as bicicletas e o território são a tua principal atividade económica. Mas vamos centrar aqui nas viagens. Portanto, fazes em 94 o Lisboa-Estrasburgo, vais lá ao Parlamento Europeu e és recebido por um espanhol e morre um bocadinho do teu idealismo por um mundo melhor. Acho que nós não dissemos o que vocês foram fazer. Foram apelar a uma Europa mais unida, mais coesa, mais ecológica.
Respondesse, no fundo, aos anseios da juventude. Nós já sentíamos, e eu vi isso em Loque, em França, por exemplo, quando atravessámos França, era enorme a diferença para Portugal. Eu vi pela primeira vez ciclovias. Quando chegámos a Estrasburgo-
Estavas: "O que é isto?"
"O que é isto?"
Uma autoestrada para bicicletas.
Exatamente. Nós não tínhamos nada disso.
Sim, havia um grande fosso.
Havia um fosso. E várias coisas, sei lá, por exemplo, um polibã, uma torneira de poupança de água. Eu vi isso pela primeira vez em França.
Foi mesmo uma viagem transformadora, então.
Foi, para mim foi. E abriu-me muitos horizontes, quer a nível de educação, quer a nível de desenvolvimento pessoal e formal, foi uma grande viagem.
Muito bem. 94, Lisboa-Estrasburgo. Em 98 fazem o Sevilha-Lisboa. Portanto, a cidade espanhola que tinha acolhido a Exposição Universal e a cidade portuguesa que nesse ano, 98, acolhia a Exposição Universal, a Expo 98, e em 2000 fazem Lisboa-Hanober, ou seja, a cidade que tinha acolhido a Expo, com a cidade que estava a acolher ou que ia acolher a Exposição Universal, que era Hanober.
Hanober, na Alemanha.
Muito bem.
E foi uma viagem. Nós passámos 28 dias a andar de bicicleta.
Uau!
Se todos os dias andámos, houve 1001 peripécias.
Conta, conta. Aí já sabias remendar pneus.
Levámos umas bicicletas touring, novinhas, preparadas. E uma das grandes dificuldades, nós chegámos a levantar-nos às 05h para fugir ao calor de Espanha. Ainda acendemos as luzes das bicicletas. Chegámos a apanhar 43 graus em Cáceres. Era 1 L de água por hora. Depois houve um colega nosso que, por não levarmos os selins adequados, também teve um problemazinho no traseiro.
Ui!
Ui, é sério. Teve que ser lancetado num hospital em França.
Não.
É sério. E como bom raiz transmontano que ele é, felizmente ia conosco o Pedro Soares, que é enfermeiro e tinha acabado, também é uma história engraçada, ele tinha estado pela AMI em Timor-Leste, tinha chegado um mês antes da viagem, trabalhou ininterruptamente um mês para conseguir ter uma licença especial para nos acompanhar na viagem.
Para fazer este tal Lisboa-Hanober.
Para fazer Hanober connosco. E por sorte tínhamos, e podia fazer o penso todos os dias, mas eu tenho essa imagem, porque eu estava também lá no hospital, foi em Tours.
Ah, a cidade de Tours.
E ele foi lancetado, cortaram-lhe lá, meteram-lhe um dreno e o médico disse assim: "Ó senhor Rui, olhe, você agora, durante uma semana, nada de pôr-se em cima da bicicleta". E ele só disse ao médico: "Olhe, faça o que quiser, mas eu amanhã estou em cima da bicicleta". E assim foi. E no dia seguinte, ele já pedalava, na fase mais crítica era com uma toalha à volta do selim e era de lado. Estamos a falar de fazer 100 km por dia.
Pois, que é uma brutalidade, são muitas horas.
Cinco horas, seis horas.
Seis horas, sim.
De bicicleta, com peso. Temos um monte de histórias. Perdemo-nos, na altura não havia GPS.
Mas a malta é jovem nessa idade e aguenta tudo, faz tudo.
Mas a aventura também é muito isto. Eu lembro a primeira vez que eu vi um GPS, foi com o repórter da RTP, Pedro Mariano, em Paris, que nos disse, nós estávamos aflitos, "épá, agora temos que atravessar Paris, passar todo o TERRI, como é que a gente vai sair daqui?" E ele: "É pá, isso não há problema. Eu tenho aqui no carro um GPS e eu digo-te já qual é que é o caminho".
Venham atrás de mim.
E foi, e foi. Estávamos a sacar imagens, indicou-nos o caminho.
Ah, que bom!
São estas histórias que ficam. Era tudo de mapa. E quando nos perdíamos, como aconteceu em Bordéus, que tínhamos uma receção às 18h, chegamos às 23h, porque fizemos mais 30 km em sentido errado, quando descobrimos que estávamos errados. São estas peripécias todas que hoje parecem coisas do outro mundo, mas que se temos um apagão, temos que as conseguir resolver.
Exato.
E podemos ficar sem bateria no telemóvel, há 1001 cenários e temos que saber lidar com os imprevistos.
Verdade. Tu fizeste isto em grupo. São estas pequeninas aventuras e estas pequeninas coisas que nos acontecem e que são grandes na altura, mas depois percebemos que não são nada no futuro, que nos aproximam.
Que nos aproximam.
Fizeste grandes amigos entre a grupeta das bicicletas ou não?
Nós somos amigos, este grupo, desde os tempos primórdios da associação. Eu moro em Grândola, mas venho regularmente a Lisboa. Almoçamos, damos umas voltas de bicicleta juntos e fazemos essas viagens de dois em dois anos, fazemos uma viagem, uma saída para destinos, para tirar a cabeça do estresse, do cotidiano e, sobretudo, conhecer novos sítios, novas pessoas, enriquecermos, tomámos este gosto único.
Muito bem. Vamos falar dessas viagens mais à frente. Queria só explorar também uma que fizeram em 2004. Ligaram a cidade de Roterdão, agora diz-se Países Baixos, até ao Porto, no ano em que Portugal acolheu o Euro 2004. Portanto, foram até ao Porto, porque era aí o jogo inaugural. Como é que fizeram? Entraram com as bicicletas no Estádio das Antas? Não.
Não. E isso também é outra história engraçada.
Conta!
Porque nós não conseguimos nestes grandes eventos, tirando a Expo 2000 em Hanover, que o comissariado do Pavilhão de Portugal conseguiu que nós entrássemos com as bicicletas, que participássemos no desfile que todos os dias acontecia lá no Pavilhão de Portugal, nem quando chegamos ao Porto, nem quando chegamos à Expo 98, no dia da inauguração, nos deixaram entrar com as bicicletas. Tivemos que ir, neste caso, foi onde era o Instituto Português da Juventude, à delegação, e fomos recebidos na delegação do Instituto Português da Juventude.
Ok.
Os santos da casa fazem milagres.
Quanto tempo durou esta viagem em 2004? Ou seja, quanto tempo duraram?
Demoramos três semanas. Foi menos, fizemos toda a parte norte de Portugal e de Espanha, e foi uma viagem que se fez muito já também em paralelo com a parte do Caminho de Santiago, conhecemos imensos peregrinos, que depois também fiquei com vontade e voltei a fazer mais tarde o caminho francês para Santiago.
Ah, fizeste o caminho francês?
Isto também foi.
O tal que vai de Hendaye, não é?
Fizemos de Saint-Jean-Pied-de-Porte até Santiago de Compostela, uma semanita.
Ok, boa, fantástico. Muito bem. Jorge, já vamos abrir o álbum de viagem, deixa-me só dizer isto: já se imaginou a pedalar pelos canais de Amsterdão ou a perder a noção do tempo nas luzes de Tóquio? De 9 a 23 de abril, aproveite os Go2know Deals em klm.pt e marque a próxima escapadinha. Se não for, nunca saberá. Agora sim, vamos abrir o álbum de viagem. Então, Jorge, guardas contigo algum objeto que tenhas trazido das tuas viagens e que seja especial?
O objeto que pra mim é especial é o conjunto das bandeirinhas das 12 bandeiras que na altura compunham a União Europeia, que foi entregue pelo tal espanhol numa malinha pra miúdos com meia dúzia de pinos.
Em Estrasburgo.
Em Estrasburgo. E essas bandeirinhas que estão num suporte, estão neste momento na casa dos meus pais, no meu antigo quarto, e tenho lá esse objeto, que foi no fundo o mote pra todas as viagens e pra toda a descoberta que eu tenho feito depois disso.
Muito bem. Essa viagem em 1994 ligou Lisboa a Estrasburgo, como já tivemos a oportunidade de escutar, imbuída de votos da criação de uma Europa mais unida, mais coesa, mais ecológica, preocupada com o futuro. Tantos anos depois, Jorge, achas que valeu a pena fazer essa viagem ou não?
Valeu.
Valeu pra ti, do ponto de vista pessoal, mas em 94 era assim que tu imaginavas 2026? Era assim que achavas que o mundo ia estar em 2026?
Sinceramente, esperava que estivesse bem melhor, esperava que estivéssemos com outras atitudes perante o mundo, a sociedade, outra relação entre as pessoas. Esperava, mas acho que ainda pensando positivo, explorando o melhor que há nós, eu acho que a Europa ainda acaba por ser um continente que felizmente partilha dos valores da igualdade, da coesão, da solidariedade. Obviamente, há muitas diferenças, sem dúvida. Mas eu tenho amigos em Itália, tenho amigos na Alemanha, tenho amigos em França e na Holanda, e esse espírito, eu acho que somos portugueses, mas acima de tudo, somos todos europeus e partilhamos de uma linha condutora comum que eu acho que é fundamental e devia ser um exemplo pra muitos outros continentes.
Pro resto do mundo. E somos uns privilegiados.
Somos.
E tendemos a esquecer isso.
É verdade.
Vamos fazer aqui uma pausa, Jorge, na nossa conversa. Regressamos já a seguir. Até já. Estamos de regresso pra segunda parte das Conversas do Fim do Mundo, esta semana com o cicloviajante Jorge Cintra Pereira. O Jorge começou a fazer longas viagens de bicicleta nos anos 90, já contou aqui algumas delas. Em 2016, Jorge, tu e a grupeta que nasceu em Queluz nos anos 90, chamada Kid Carcaça, o nome é muito sugestivo, está explicado na primeira parte o nome, vão daqui pro Chipre fazer os dois lados da ilha. Uma ilha desavinda, não é?
Exatamente.
Qual era a vossa missão? Era ir lá fumar o cachimbo da paz e pôr aquela gente toda junta?
Não. Não. Era só ir curtindo. Era ir curtindo. Basicamente, era essa. Era nos juntarmos, alugamos bicicletas lá, deve ter sido das poucas viagens que fiz com aluguer de bicicletas lá, e fomos com o objetivo de, obviamente, atravessar Nicósia para a parte turca. Estivemos muito tempo na parte turca, gostámos imenso da parte turca. É uma ilha muito diferente, o lado grego e o lado turco. Qual é o lado mais desenvolvido, Jorge? O lado mais desenvolvido não deixa de ser o grego. No entanto, o lado turco tem aqueles extremos que tens Famagusta, se não estou em erro, por exemplo, que é uma estância balnear que vê-se de luxo completo. Mas depois nós atravessamos aí, andámos lá por zonas mais hardcore, que as bicicletas possibilitam-nos isso, entrar nos sítios. Tenho imagens de chegar lá a um sítio e entrar lá num sítio com uns quantos polícias turcos, todos a ver o chá, verem chegar seis maduros de bicicleta. "O que é que estes homens estão aqui a fazer?" E aquilo não se passava ali nada, mesmo rural, ermo. Portanto, tens umas desigualdades enormes do lado turco, que não encontras tanto do lado grego. Portanto, há mais coesão no lado grego. Sim. E mais contraste no lado turco. Sim. Fomos tirar fotografias numa zona onde não podíamos sequer tirar fotografias e fomos logo avisados pelas autoridades militares, porque os turcos invadiram a ilha, se não estou em erro, em 75 ou 76. Acho que aquilo foi mesmo, entraram por ali dentro e as pessoas tiveram que sair das casas e ficaram lá muitas casas, tal e qual como estão. E aquilo está ocupado ainda pelos militares turcos. E nós pusemo-nos para lá, armados à portuguesa, a tirar fotografias e estávamos a ver que fomos desavindos, que demos correr dali para fora. Mas pronto, depois partes giras da aventura. Sim. Tem partes giras? Tem. Tem. Conta! Posso já contar a primeira. Ninguém foi preso? Estivemos quase. Quase? Estivemos quase. Então, o que é que fizeram? Estivemos quase. Na saída, por incrível que pareça- Na saída de? De Lisboa. Nós fizemos o voo de ligação em Londres. Depois apanhamos o voo para Chipre. E, por incrível que pareça, um dos viajantes, o Armando, levava uma faquinha corticeira, daquelas faquinhas pequeninas. Ou seja, por incrível que pareça, a faquinha passou na bagagem de mão no aeroporto de Lisboa. Ok. Mas não passou em Londres. Então em Londres, quando vai a passar, dispara os alarmes todos. Lá vai o Armando para o gabinete com o polícia. "E pronto, o que é que você tem aqui? Uma faca deste tamanho." "É, isto é para cortar o pão" e tal, aquelas coisas à portuguesa. Lá com muita conversa, lá ficou a faca lá. Isso. E pronto. Portanto, começaram logo as peripécias logo no primeiro dia da viagem. E no último dia também. Estivemos no limite, pois nós tivemos que alugar uma carrinha para nos trazer de volta para o aeroporto, pelo lado grego. E também andámos ali numas noitadas, coisa da malta jovem, estávamos a ver que estávamos a chegar ao limite para o voo. Mas isso também é uma história que já é comum a vários episódios das outras viagens. Eu depois já conto mais à frente, nomeadamente em Hannover. Em Hannover. O que é que aconteceu? Não, conta já! Conto, eu vou contar. Uma das histórias mais recambulescas da viagem a Hannover foi que a comissária do Pavilhão Portugal, a doutora Simona de Afonso, no dia em que nós chegamos, diz-nos assim: "Vamos ter um jantar de encerramento, vamos a um concerto de piano e depois tivemos um jantar", passe a publicidade, "no Chimarrão". Comemos e comemos e ela disse assim: "Vocês são uns gajos porreiríssimos, agora uma coisa. Nós temos um contrato, nós fizemos um contrato com o Comissariado do Pavilhão Portugal, temos que chegar lá, temos que estar sempre com as camisolas vestidas. Agora sim, vocês não podem perder o avião de Frankfurt, têm que ir de comboio de Hannover para Frankfurt e têm que apanhar. Portanto, não se atrasem, que a gente já percebeu que no final de um mês todo juntos, já estávamos num registo completamente à vontade com tudo". À vontade, à vontadinha. À vontadinha, à portuguesa. Parte engraçada: no último dia da nossa saída, estivemos na noitada, nos bares na Expo 2000, de Hannover, muitos deles que eram geridos por portugueses. E encontrávamos, passe a publicidade, cerveja portuguesa, ficamos até ao limite. Limite dos limites. Até ao limite, até ao fecho dos bares. Até ao fecho dos bares e até à hora que tínhamos que apanhar o comboio às 6:00 da manhã. E não podíamos perder o comboio, porque senão perdíamos o avião. Era tipo 05:50 ou 05:45, a estação era muito próxima da Expo, e nós vamos dizer: "Vamos indo embora". O Soares nesse dia tinha ficado a dormir, foi o único que não foi para a noitada, que estava cansado, já não sei porquê. E o que é que acontece? Nós agarramos e vamos, paramos de ir embora, vamos entregar as chaves do quarto e toca a fugir para não ir embora, que já estávamos atrasados. Quando estamos a sair, estávamos alojados num acampamento gerido pelo exército alemão. E quando íamos para sair, o senhor do exército diz assim: "Olhe, espera aí, vocês não se podem já ir embora, têm que fazer o espólio". Ou seja, têm que entregar os lençóis, as fronhas, aquela coisa toda. Eu estou assim, 10 minutos para o comboio, não sabemos onde é que era a estação. E então, um dos meus amigos diz assim: "Epá, ó Jorge", o Soares, que entretanto já tinha acordado, que é das pessoas mais certinhas, diz assim: "Ó Jorge, vamos fugir". E foi o que a gente fez.
Fogiram?
Fogimos. Pegamos nas bicicletas.
Fogiram da base alemã?
Da base alemã. Pegamos as bicicletas.
E o alemão? E o guarda alemão?
Ele ficou de tal forma surpreendido.
Isso não estava no manual.
Ficou de tal forma surpreendido que nos vê correr a pegar nas bicicletas e sair para fora. Até uma cena de filme, que os outros já cá estavam fora, porque era eu e ele que íamos entrar. Depois havia um cabo a passar, a delimitar o espaço, e era um a puxar para cima e outro a puxar para baixo, e a gente tinha que passar com as bicicletas. Há uma cena entre nós, que a gente está sempre numa private joke, puxa para cima ou puxa para baixo, porque tem um que puxava para um lado e outro para o outro, e a gente não conseguia passar com as bicicletas. Mas no meio disso tudo, e essa é uma história incrível que me vai ficar sempre dessa viagem, foi que nós chegamos em cima do horário do comboio. Entretanto, ainda cai uma garrafa e eles até pensaram: "Os alemães estão a disparar". Mas não, não estava ninguém a disparar, aquilo foi só a garrafa a partir, que levava uma bebida qualquer, ice tea. E chegamos à estação. E está um senhor para nos oferecer uns livros de Amel, que era a cidade anterior onde nós tínhamos estado. Estivemos lá com esse senhor e umas casas de família. Ele acordou de propósito. Vejam, eu acho que isto é a sensibilidade e o espírito que a Europa existe e aqui vem-nos de propósito se despedir de nós, para nos oferecer os livros. Ele acordou para aí às 04:00 ou 05:00 da manhã, porque a cidade ainda ficava para aí a 30 km ou 40 da Hanover, veio de bicicleta e foi ele que nos salvou. A gente até tinha dado o nome, que era o Coronel Van Carxofa. E ele então estava na plataforma a indicar-nos qual é que era o comboio e a linha. E a gente nem teve tempo a se despedir. Foi entrar para dentro do comboio com as bicicletas, pegar nos livros e siga.
E ao filazinho.
E ao filazinho e conseguimos apanhar o avião.
Muito bem, isso nessa viagem de Hanover. Essas histórias são sempre incríveis. Mas regressando ao Chipre em 2016, esta viagem durou quanto tempo? 10 dias, não foi?
Sim, foi 10 dias.
10 dias. Vale sempre a pena, mas o que há para ver no Chipre?
Muita coisa romana. Muito boa a comida, eles fazem umas mesas ali, a gente chegou a almoçar, coisas assim espetaculares, comer. Também queimávamos alguma coisa de bicicleta. E também tem praias brutais, praias muito giras. E lembro-me de comer, lá voltamos, a parte da gastronomia, que é sempre importante. Lembro de comer lá umas especialidades gregas muito interessantes, que gostei imenso de partilhar aquelas experiências gastronômicas que são muito diferentes do que nós temos aqui.
Muito bem. Não acabaram aí as vossas viagens de bicicleta, porque em 2018, dois anos depois, Israel e Jordânia. Por quê? Não é o sítio mais óbvio para andar de bicicleta, pois não, Jorge?
Havia aqui uma primeira referência, que eu conheci duas raparigas no Caminho de Santiago, quando fiz o Caminho de Santiago em 2004, se não estou em erro. E ficamos amigos. Elas estavam a fazer, tinham sido militares as duas.
Eram israelitas?
Eram israelitas. E eu fiquei sempre com aquele apelo de Israel. Também tinha aquele gosto do Mar Morto e do Mar Vermelho, eram sítios que eu gostava de conhecer. E foi passar do pensamento à ação. E em 2018 lá arrancamos com as Brompton.
Brompton são bicicletas de roda pequenina, são bicicletas dobráveis.
Metemos as bicicletas no avião.
Nada indicadas para fazer voltas grandes de bicicleta. Parecem uns hamsters a pedalar, não é?
Mas tem uma grande vantagem.
Qual é? Cabem no bolso.
É, é um pouquinho. Conseguimos pôr em quase todos os transportes. E foi o que nos salvou em duas situações, sobretudo quando voltamos da Jordânia para Israel. Por quê? Porque nós fizemos a Cisjordânia, que é dos sítios mais amistosos para se passar, para andar de bicicleta. E tivemos uma situação na fronteira, que foi graças às Brompton, conseguimos meter as Bromptons dentro de um táxi e arrancar para a fronteira seguinte, porque aquela já estava fechada. Não estava fechada, queriam-nos cobrar um balúrdio para passar num serviço VIP.
Para passar de onde?
Para passar da Jordânia para Israel.
Ok.
Depois fomos à fronteira da Ponte Hussein, que é uma fronteira mais a norte, porque aquilo não há muitas passagens livres entre aqueles territórios. E as Brompton, de facto, desenrascaram-nos e foi uma solução para nós conseguirmos passar a fronteira.
Quantos quilômetros fizeram, tens isso contabilizado, nessa viagem por Israel e Jordânia e também Cisjordânia?
E também Cisjordânia. Foram também 10 dias, devemos ter feito nas Brompton para uns 300, 400 km. Não fizemos muito mais. Porque jogamos muito com troços de ligação, metemos em autocarros. Jogamos aí nessa questão, fazemos mais as partes mais interessantes. No entanto, no dia entre Omã e que depois voltamos para Israel, aí pedalamos bem. Aí vimos a dureza daqueles territórios da Cisjordânia, como aqueles povos vivem. Aquilo ficou-me para sempre na memória.
O que ficou na memória, Jorge?
Olha, desde ver pessoas a viver em tendas das Nações Unidas, mas um espírito de dentre judeu. E uma coisa que eu nunca mais me vou esquecer, que depois de uma grande subida, fizemos uma descida e ver as pessoas no rio Jordão Junto ao rio, famílias inteiras a conviver. O rio todo sujo. Eu até comento isso no meu livro, no "Regresso às Origens", a importância do território e do espaço. Eles sentem aquele espaço como deles. E a maneira como vivem e o valor que dão ao fato de estarem juntos em família, aquela história dos piqueniques, que nós já perdemos um pouco, ali vê-se isso. Isso ficou. E uma coisa que também nunca mais me hei de esquecer, que é um hábito árabe. Por muito sujo que tu estejas, nós temos sempre um sítio onde lavar as mãos e que se encontra sabão e água para lavar as mãos. Nunca mais me hei de esquecer disso. Há sempre um sítio para lavar as mãos.
Muito bem. São coisas que ficam na memória. Também encontraste isso em Marrocos, porque em 2024 também foste para Marrocos.
Fui para Marrocos numa aventura a solo.
Essa foi sozinho?
Essa foi sozinha. Essa foi a minha primeira.
Quantos dias?
Foi uma semaninha.
Também de Brompton, a tal bicicleta dobrável?
Não, aí foi numa Touring. Porque eu depois tenho esta vantagem.
Touring, para quem não percebe nada de bicicletas, é uma bicicleta maior.
Maior, roda 28, de estrada transformada para levar alforjes.
Preparada para levar os sacos.
Pronto, eu depois tenho esta vantagem de estar ligado a uma empresa de animação turística.
Vais à garagem e escolhes uma.
É um bocadinho isso.
"Hoje vou na amarela."
Exatamente, é um bocadinho isso. E peguei nessa bicicleta e usei comboio. Fiz a volta toda de comboio até Vila Real de Santo António. Depois fiz a parte do Huelva lá para baixo, andei por ali, fui até Cádiz e depois tive que agarrar e passar a fronteira de Algeciras para Ceuta e depois fiz de Tetuán até Tânger, toda aquela parte norte de Marrocos, fiz de bicicleta e depois voltei de Tânger para Tarifa. Numa viagem a solo, uma grande aventura também.
Recomendas?
Essa é uma boa questão.
Então.
Eu não tenho muito aspecto de árabe. A solo em Marrocos, honestamente, não recomendo.
Por quê?
Se quisermos sentir, ou se tem muita experiência. Se tem muita experiência, eu estar a puxar para mim. Mas mesmo assim, envolve alguns riscos. Para já, porque se formos entrar nas profundezas das cidades, das vilas, há um choque cultural. Não nos vamos enganar, há um choque cultural a todos os níveis. Ao nível da alimentação. Ou vamos para a parte turística e estamos tranquilos, ou se queremos sentir como é que as pessoas vivem o dia a dia, entrar lá envolve algum risco. Portanto, temos que estar preparados para tudo. Não estou a dizer sermos assaltados, que há gente de bicicleta, não estou só a entrar por aí, estou sempre a falar na questão da alimentação. Temos que estar preparados.
É tudo diferente.
É tudo diferente.
Até a forma como eles se movimentam no espaço.
As questões da estrada, o comportamento deles na estrada.
Os condutores.
Não é igual. Por exemplo, logo na fronteira, a preocupação deles é: "Mas você tem drones?" Fizeram-me tirar tudo da mala e eu só tinha uma máquina fotográfica. Eles têm um nível de preocupação, um nível de segurança, depois também é aquela fronteira de Ceuta para Tetuán, que é as fronteiras da imigração, do Norte África. São zonas um bocado sensíveis.
E depois nós, portugueses, já vivemos há muitos anos sem fronteiras, sem postos fronteiriços.
E aí sentimos a diferença.
Baixam uma raquete a dizer "stop", o coração começa logo a bater mais forte.
Porque já não temos o hábito disto. E há um grande choque. Não é que não recomendo, vamos ver, mas ponho reticências, sobretudo a quem não tenha muita experiência, de se meter numa viagem e seguir é complicado.
Muito bem. Não foi a tua última viagem, porque depois no ano seguinte, em 2025, fizeste o Báltico também com os teus amigos de muitas aventuras de bicicleta e também o ano passado fizeste a costa espanhola. De onde a onde?
Fiz de Almería a Málaga. Ainda fui ao Cabo de Gata ver as gaivotas.
Almería é aquela zona. Exatamente.
Fiz no fundo a ligação Eurovelo 8.
Muitas estufas.
Não é propriamente.
Agressivo.
É muito agressivo. Mas é bom para nós também termos o contacto. E por exemplo, eu que sou da área do território, do ordenamento rural, ver aquelas estufas com aquela água azul, que é o que nós andamos a comer aqueles mirtilos e aqueles morangos. Eu que moro numa aldeia ainda consigo buscar uns limões ali.
Surtudo.
Aqueles que cheiram a limão e depois vejo aquela água azul. É bom a gente ver como é que são as coisas in loco, aí no terreno.
Muito bem. Jorge, estamos a chegar ao fim, vamos fazer checkout. Então vou pedir-te para completares as habituais frases: na minha mala vai sempre...
Canivete suíço. Mas na mala do porão.
Para não acontecer como a outra. A viagem com mais peripécias que realizei até hoje...
Hanôver 2000.
Aquela grande de 33-
3100 km.
3100 km. O carimbo de passaporte ou o visto mais difícil de obter...
Eu aqui tenho que pôr dois apontamentos.
Rápido.
Muito rápido. O primeiro mais difícil foi precisamente na fronteira entre Israel e Jordânia, porque carimbaram-nos o visto de saída e depois queriam descobrir na outra fronteira um novo carimbo que tínhamos que pagar outra vez. Lá se conseguiu resolver. E uma outra história muito rápida, que foi quando fiz o Interrail, um dos meus amigos, que vive em Itália-
Fizeste também de bicicleta o Interrail?
Levei as bicicletas comigo.
Ah, louco.
E a parte absurda disto tudo foi que ele, jovens irreverentes, roubou um carimbo na fronteira entre a Grécia e a Turquia.
Roubou o mesmo carimbo?
Roubou o carimbo Eu só lhe disse assim: "Olha, as nossas mães nunca mais nos vão ver."
Pois.
E ele então pensou, foi a primeira vez que eu o vi a pensar e ficar assustado, e foi deitar o carimbo na casa de banho turca do comboio, mandou aquilo lá para baixo e o comboio arrancou.
Big troubles podia haver.
Exactamente.
Recordação de viagem mais cara?
A recordação de viagem mais cara é a viagem que fiz para Estrasburgo, que foi o início de tudo.
A de 94.
A de 94.
Foi grande, foi tudo pago por ti, não é?
Foi tudo pago por mim, vim de comboio no Sud Express. É verdade. Com os imigrantes portugueses da Grécia, uma experiência única. A comer sandes de chouriço e queijo. Brutal.
Incrível. Não foi assim há tanto tempo, mas foi há muito tempo. Incrível. Foi há 30 anos?
30 anos.
Mas parece uma eternidade quando se contam estas coisas. Como há 30 anos havia um mundo sem internet, sem GPS.
E com muitos espíritos arrascados, porque as coisas tinham que andar para a frente.
E as coisas aconteciam. Olha, a refeição mais estranha, qual foi?
A refeição mais estranha que eu comi foi nesta viagem de Hanover. Eu não comi, mas foi de um dos meus companheiros de viagem, que enganou-se e comprou uma embalagem que ele pensava que era de iogurte. A gente comprava as embalagens de litro de iogurte, mas não era, era maionese. E por incrível que pareça, ele limpou a maionese toda.
Tal era a fome.
Tal era a fome. Ele também comia tudo. Essa foi a refeição mais estranha, não foi minha, mas que eu assisti a ser ingerido quase um litro de maionese.
Ok, tu és boa boca, Jorge?
Muito boa.
Comes tudo, então.
Como tudo.
Estás bem no Alentejo. Olha, gostava de viajar com?
Com o nosso Presidente da República, com o Seguro.
O António Guterres Seguro?
Sim.
Por quê?
Já andei com o Mário Soares de bicicleta.
Ok.
Agora gostava que ele fosse também, porque eu complementei muito a parte das bicicletas com a parte da noite. Ouvi dizer que ele também dava um pezinho em dança, que é um algo que eu sempre também fiz, andar de bicicleta e animação noturna. Gostava de experimentar uma viagem de bicicleta com a componente de animação.
Muito bem, então fica feito o convite. Oxalá alguém em Belém esteja a ouvir este.
E depois dar uma voltinha de bicicleta e puxar cada vez mais pelo lobby da bicicleta.
Ui, lobby. Tu falas na palavra lobby e acendem-se luzinhas.
Precisamos de mobilidade sustentável, precisamos de reforço das bicicletas e ao preço que estão os combustíveis, temos que mais andar de bicicleta e dar outras formas de mobilidade ecológica.
Muito bem. Jorge, música, o que escolheste para fechar a conversa do "Fim do Mundo" desta semana?
Olha, eu escolhi a música que era a música da BR em Hanover 2000, que era o "Moment of Glory" dos Scorpions, que era o que passava nos alto-falantes e que me lembro no momento da fuga do quartel, entre aspas, alemão, era a música que estava a passar. Portanto, aquilo foi mesmo um moment of glory.
Muito bem. Jorge, muito obrigado. Agradeço. Obrigado por teres vindo de Grândola expressamente para a Rádio Observador para esta fantástica conversa. Muito obrigado uma vez mais.
Obrigado eu também pelo convite.
"Moments of Glory", dos Scorpions, a fechar a conversa do "Fim do Mundo" desta semana. Estamos de regresso daqui a oito dias. Já sabem, sejam bons e boas viagens.