Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Bem-vindo a mais um episódio do "Conversas Sem Riscos", um podcast patrocinado pela seguradora Allianz Portugal, Allianz Commercial Seguros para Empresas. Eu sou a Maria João Simões e no episódio de hoje vamos falar sobre o risco que os fenômenos sísmicos e incêndios representam para as empresas e também sobre as medidas de proteção e prevenção que podem e que devem ser tomadas. Para discutir o tema, estão comigo João Moreira e Miguel Amaral, analistas de risco da Allianz Portugal. Sejam bem-vindos, é um gosto tê-los conosco.
Muito obrigado.
Obrigado.
As catástrofes naturais, onde se incluem sismos e incêndios, ocupam este ano o terceiro lugar no barômetro de risco da Allianz. Em Portugal, também está em terceiro. Em termos globais, sobe três posições, em Portugal, duas. E por isso pergunto-vos o que é que leva as empresas a preocuparem-se hoje mais com estas questões do que há um ano?
Eu creio que o facto de ter existido em 2023 alguns eventos muito relevantes e que foram muito badalados pela comunicação social, traz alguma perceção e consciência para as nossas empresas do risco efetivo que está presente a nível de catástrofes naturais. Nós estamos não só a falar de sismos, mas também de incêndios florestais, cheias, tempestades, e são tudo eventos que têm um impacto muito catastrófico. Daí, eu julgo que as empresas levam mais a sério estes riscos porque estão mais presentes.
Sim, por outro lado, também a frequência destes eventos tem sido maior, associada às alterações climáticas também, e mais imprevisíveis. Estão a ocorrer em locais e com intensidades que não eram normais, quer para aquelas zonas e com aquelas intensidades.
Não sendo eu uma especialista nesta área, eu gostava de perceber como é que são feitas as avaliações de risco para terremotos e para incêndios, como é que são identificados e priorizados?
Ora bem, nós internamente temos uma série de critérios que são muitas vezes coordenados com a nossa subscrição. Esses critérios estabelecem quais são as empresas que devem ser visitadas para nós identificarmos os riscos. Para o efeito, nós temos que ir ao terreno. Sem esse fator é impossível nós termos uma perceção só secretária de quais são os riscos aos quais uma empresa, uma unidade industrial está sujeita. Portanto, nós depois de irmos ao terreno, visitarmos o local, ponderamos diversos fatores, nomeadamente as características construtivas, os meios de proteção, todos os sistemas de prevenção que estão presentes, e com isso conseguimos chegar a uma conclusão e tentar perceber, de facto, quais são os riscos mais elevados a que aquele local está sujeito.
Em Portugal, há um problema que certamente não será fácil de contornar, é que em todo o país, muita da construção é anterior à primeira legislação antissísmica nacional de 1958. Perante isto, e no seguimento daquilo que falávamos, que medidas de mitigação estão a ser tomadas para reduzir os riscos, sejam políticas de construção, regulamentações de segurança contra incêndios, sistemas de alerta precoce?
Existe uma panóplia muito grande de medidas que têm vindo a ser implementadas. Mas na verdade, ainda há um grande trabalho pedagógico e de consciencialização, especialmente em termos de sismos. Por quê? Porque é um evento para o qual a maior parte de nós não tem perceção direta porque nunca testemunhou, nunca esteve presente. E isso torna-o esquecido. Portanto, esse trabalho nós fazemos, há muitas entidades que também o fazem, e é essencial até para que a administração pública, o poder decisório, possa tomar medidas que depois tenham consequência direta no terreno. Nós, de facto, ainda temos um déficit muito grande a nível sísmico e há muitos especialistas da área, nomeadamente a Sociedade Portuguesa de Engenharia Sísmica, que têm vindo a chamar a atenção para esta temática. Portanto, ainda há um grande trabalho a fazer. Mesmo a própria Associação Portuguesa de Seguradores tem vindo a alertar para este tema. Já fizeram muitos estudos e andam em conversações com o governo para o efeito.
Eu pegando na parte da regulamentação contra incêndio, parece impossível, mas só desde 2009 é que nós temos uma regulamentação de segurança contra incêndio aplicável à indústria. E mesmo assim, lá está, a legislação baseia-se fundamentalmente na proteção da vida humana. E nós precisamos de ir um pouco mais além na proteção do patrimônio e sobretudo na proteção da continuidade do nosso negócio ou do negócio dos nossos clientes.
E quais são as principais medidas de proteção ou de prevenção que as empresas devem adotar?
Na verdade, cada caso é um caso. Há, de facto, princípios gerais genéricos e transversais a todas as empresas, quer a nível de sismos, quer a nível de incêndio, mas em concreto para o edifício específico.
Mas é muito específico, não é?
Exatamente. E para o risco específico devem ser adotadas medidas concretas para aquele caso em particular. Por exemplo, nós temos sempre que pensar na evolução do próprio risco, que ele pode ser alterado ao longo do tempo, e adaptar a proteção exatamente para essa evolução. Quando falamos em incêndio, temos que ter em atenção o conteúdo que está lá dentro.
O recheio.
O recheio que está lá dentro, e adaptar os meios de proteção exatamente para conseguir fazer face a esse risco. Ou se existem riscos novos, como os painéis fotovoltaicos ou baterias, que alteram completamente a conceção de risco que existia no interior daquela ocupação.
E como analistas de risco que são, se tiverem de elencar três das melhores práticas para as empresas em termos de planos de evacuação ou até de treinar os colaboradores para situações de emergência como estas que estamos aqui a falar, quais é que destacariam, Miguel Amaral?
Eu aqui volto a frisar, como tipicamente estes casos são muito raros, são eventos com uma alta severidade, mas não são frequentes, eles tendencialmente são muito subvalorizados.
Só quando acontece, não é?
Só quando acontece, exatamente. É mesmo isso. Casa roubada, trancas a porta. Só depois de acontecer é que se faz qualquer coisa. Ora bem, as seguradoras, de facto, têm aqui um papel fundamental e podem ajudar a criar alguma consciência sobre estes temas. Fazer parcerias com as empresas para as ajudar, apoiando-as ativamente a implementar medidas E dar-lhes a nossa perspectiva sobre o risco de acordo com a nossa experiência que nós temos de visitar diversos clientes ou potenciais clientes. No fundo, há aqui uma troca de conhecimento. Esse é o grande objetivo e é benéfico para ambas as partes, quer para o cliente, quer para a seguradora, porque o objetivo é comum: é evitar que hajam perdas ou, que se existirem, sejam os menores possíveis. Portanto, em termos de práticas, eu diria que é mesmo praticar.
É preciso praticar com os materiais que nós temos, no sítio onde nós estamos, conhecer quer os materiais de combate a incêndio, quer as matérias-primas e os produtos que nós temos que extinguir, porque é diferente ser um quadro elétrico ou ser um papel ou uma palete. Tudo é diferente, portanto é preciso conhecer, é preciso treinar, é preciso verificar o que é que correu bem e mal nesse treino e corrigir para a próxima vez.
E com a evolução da tecnologia, há atualmente sistemas de detecção mais eficazes para prevenir incêndios e responder a terramotos, Miguel?
A nível de terramotos, nem por isso. A evolução tecnológica existe, tanto no lado da prevenção como no lado de acrescentar risco, tal como eu estava a dizer há pouco, os painéis fotovoltaicos ou as baterias que existem cada vez mais, são riscos novos, recentes e aos quais nós nos temos adaptado e temos que saber conviver com eles. Mas de facto, mais a nível de incêndio, a evolução tecnológica, por exemplo, a inteligência artificial, pode ajudar na detecção precoce de determinados incêndios. Há que acompanhar quer a evolução do risco devido à evolução tecnológica, quer a prevenção e proteção também associada a essa evolução.
Sim, na detecção estamos à espera que haja alguma melhoria nesse sentido, porque há equipamentos que no passado não eram muito fiáveis e que agora poderão ganhar alguma fiabilidade.
Há requisitos legais que as empresas devem cumprir para garantir a segurança contra estes tipos de desastres que aqui falámos?
Claro que há. Só falando aqui um pouco da parte de sismo, convém sempre não esquecer que os sismos são inevitáveis e vão acontecer mais tarde ou mais cedo. Pode não ser durante o nosso tempo de vida, pode ser daqui a umas gerações, mas é inevitável. O que não precisa de acontecer é a consequência, é a destruição, os danos que daí advêm. A implementação das medidas que estão preconizadas nestes regulamentos é fundamental. E ainda podemos ir mais além. Tal como eu estava a dizer há pouco, não é suficiente eu proteger o meu edifício de raiz na sua concepção, no seu projeto, com medidas anticísmicas. Eu posso ir mais além, algo que não está sequer previsto na lei. Mas sim, existem muitos regulamentos, medidas de autoproteção. E aqui relembro sempre: o objetivo destes regulamentos é a salvaguarda da vida humana, não tanto do patrimônio. E o grande objetivo nosso, enquanto seguradora, é ir além da salvaguarda da vida humana, que é o fundamental, sem dúvida, mas proteger também o patrimônio e a continuidade do negócio.
No fundo, é garantir que salvamos as pessoas, mas que elas continuam com trabalho.
Com trabalho, exatamente.
E com maneira de sobreviver e a própria empresa sobreviver a um evento destes. Para além da recuperação dos danos em si, temos a recuperação da viabilidade do negócio, que é absolutamente fundamental.
E assim chegamos ao fim de mais um episódio do podcast "Conversas Sem Riscos" da seguradora Allianz Portugal. Miguel Amaral, João Moreira, analistas de risco da Allianz Portugal. Muito obrigada por partilharem conosco o vosso ponto de vista sobre as medidas que as empresas devem tomar para se proteger e precaver de fenômenos sísmicos e incêndios. Obrigada por terem aceitado o nosso convite. Foi um gosto.
Muito obrigado.
Eu é que agradeço. Igualmente, foi um gosto.
Este podcast é patrocinado pela seguradora Allianz Portugal. Allianz Commercial, seguros para empresas. Para a semana regressamos com mais um episódio. Contamos consigo. Até lá.