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Bem-vindo ao quinto e último episódio do "Conversas Sem Riscos", um podcast patrocinado pela seguradora Allianz Portugal, Allianz Commercial Seguros para Empresas. Eu sou a Maria João Simões e nos próximos minutos vou conversar com Carla Gama, diretora de Recursos Humanos da Allianz Portugal, sobre a forma como as empresas devem gerir, adaptar-se ou potenciar novos modelos de trabalho. Carla Gama, bem-vinda.
Obrigada, bom dia.
É um gosto tê-la conosco. É inevitável falarmos de uma tendência crescente que surgiu com a pandemia, a do teletrabalho. Carla Gama, de que forma as empresas estão a adaptar as estratégias de gestão de pessoas, de Recursos Humanos, para acomodar os modelos de trabalho remoto, híbrido ou flexível?
Na realidade, tivemos que flexibilizar um pouco as nossas políticas, os nossos horários, o nosso workplace, portanto, adaptar os nossos espaços a este novo modelo de trabalho e depois criar novas competências, sobretudo ao nível da liderança, ao nível da comunicação, do digital, e reforçar muito aquilo que é a nossa cultura organizacional para criar aqui a base de sustentação deste novo modelo. Eu diria que, sobretudo, o que eu destaco nesta necessidade de adaptação é a humanização das empresas. Na realidade, o que tivemos que fazer foi focar-nos nas pessoas, no seu bem-estar, e humanizar aqui, centrar a nossa gestão nas nossas pessoas.
E Carla, quais são os principais desafios que as empresas enfrentam ao implementar estes novos modelos de trabalho?
Eu talvez destacasse quatro grandes desafios. O primeiro é que temos que aceitar efetivamente que isto é tudo novo.
E para todos, para ambos os lados, não é?
Não, claramente.
Para as empresas e trabalhadores.
Temos que aceitar que nada está totalmente certo ou totalmente errado. Temos que ir testando, pedindo feedback, ouvindo atentamente o feedback que nos dão e ajustando. E esse é o grande primeiro desafio que temos que todos, como empresas e colaboradores, aceitar. Depois, o segundo é que nada funciona sem uma comunicação muitíssimo transparente e muitíssimo clara, porque hoje não estamos todos sentados no mesmo espaço e temos que saber comunicar com as novas ferramentas e assumindo que não nos vemos a toda hora, e que conseguimos efetivamente transmitir aquilo que precisamos e que queremos das pessoas. Depois, a liderança, mais uma vez, é fundamental, porque houve a necessidade de mudar claramente aquilo que era uma liderança muito presencial, muito mais centralizada no controle e não tanto na orientação e na motivação, e isso também foi fundamental para as empresas. E por fim, aquilo que também já referi, a cultura organizacional, que tem que ser muito fortalecida e que tem que ser um desafio constante naquilo que é hoje a gestão das nossas pessoas neste contexto.
A Carla falava em ferramentas, que tipo de ferramentas e de tecnologia também facilitam a produtividade em ambientes de trabalho remoto ou híbrido?
Claramente todas as que potenciam a comunicação, tudo o que é partilha, colaboração online, mas depois também uma vertente que se tornou particularmente importante, que é a gestão de tempo. Hoje em dia, nós trabalhamos em espaços diferentes, em tempos diferentes, por vezes, e é essencial que consigamos gerir muito este equilíbrio do nosso tempo pessoal com o nosso tempo profissional, e que consigamos planear bem as nossas atividades, até porque impactamos diretamente nos outros. Depois, uma outra coisa também que me parece importante é que cada vez mais temos que nos centrar na objetividade, porque exatamente o fato de estarmos distantes, por vezes, não torna tão concreta algumas das situações que hoje comunicamos e é fundamental ter também os dados como base daquilo que é a nossa atividade, a nossa sustentação e a nossa comunicação.
E Carla, como diretora de Recursos Humanos, como é que as empresas avaliam o desempenho dos colaboradores que estão em teletrabalho?
Esse, como já disse, é o grande desafio e acho que é fundamental que todos tenhamos a consciência, e nós na Allianz Portugal o que fizemos foi apostar claramente no desenvolvimento de competências da nossa liderança. Muito no foco, obviamente, de todas as novas ferramentas. Isso é essencial para todos os colaboradores, não só para os líderes, mas também naquilo que são ferramentas específicas de liderança. Isto porque neste momento um líder não pode ser obviamente aquela pessoa que nós víamos muito sempre perto da equipa, muito centrado no controle do tempo. Hoje, um líder tem que ser uma pessoa inspiradora, tem que ser uma pessoa que seja empática. Obviamente que antigamente também tinha que ser, mas na realidade, hoje ainda mais do que antes. Muito mais orientador, muito objetivo naquilo que espera das suas pessoas, da performance da equipa, com uma definição clara de objetivos. Na realidade, também com um sentido de meritocracia muito apurado e o reconhecimento do trabalho de cada um e da individualidade de cada uma das pessoas. E mais uma vez, muito humano, muito centrado naquilo que é a saúde e o bem-estar.
Outro dos desafios, quando se fala de equipas que estão espalhadas pelo país, em alguns casos até pelo mundo, é a comunicação, que a Carla aqui já mencionou. De que forma é que as empresas garantem uma comunicação eficaz entre funcionários que não dividem fisicamente o mesmo espaço de trabalho?
Tal como falamos, as ferramentas são essenciais, mas mais do que as ferramentas, eu acho que tem que haver uma base sólida de confiança, de transparência e de clareza. E isso é essencial quando ainda por cima não olhamos nos olhos uns dos outros.
Exatamente.
Eu diria que é a primeira base que temos que ter em termos de comunicação. Depois as ferramentas, como já falámos, temos que aprender neste novo contexto a usar tudo o que temos ao nosso dispor E usá-lo de forma certa no contexto certo, porque há coisas que se fazem só presencialmente, há outras que sim, podem ser virtuais. Portanto, temos que saber usar a tipologia de comunicação certa, os espaços certos para fazer e definir regras claras sobre isso.
E que impacto têm estes novos modelos de trabalho na cultura, na própria cultura das empresas?
A cultura é a espinha dorsal da empresa e se não for vivida como deve ser, na realidade, desmorona-se todo o resto. Sem esta cultura organizacional forte, e é verdade que o modelo de trabalho, seja ele qual for, impacta diretamente na cultura e pode fazê-lo de uma forma positiva ou negativa. O essencial desta espinha dorsal é que ela seja de tal maneira forte e faça sentido para os colaboradores, que eles consigam vivê-la intensamente. O propósito da empresa é fundamental. Eu costumo dizer que a Allianz tem o propósito de cuidar das suas pessoas, de todas as que se relacionam conosco, sejam clientes, sejam os nossos colaboradores, os nossos acionistas, a sociedade em geral. Este é um propósito que diz muito às nossas pessoas e esse sentido de pertença tem que ser vivido e é vivido pelas nossas pessoas.
Carla Gama, o mercado é cada vez mais competitivo. Que políticas de flexibilidade e equilíbrio entre vida pessoal e profissional estão a ser implementadas para atrair e para reter talentos?
Sim, é efetivamente essencial.
É muito importante atrair, mas retê-los também.
Claro que sim. E curioso é porque atrair estamos a falar muito das novas gerações e reter estamos a falar das pessoas que já estão conosco. As novas gerações nós sabíamos de antemão que eram gerações que pretendiam muito mais flexibilidade, mas o que fomos vendo ao longo destes últimos anos é que as nossas pessoas que já estão conosco há mais tempo, portanto, gerações que não são já esta geração que entrou no mercado de trabalho, convivem muitíssimo bem com este novo modelo de trabalho. Só para lhe dizer, por exemplo, do nosso clima organizacional, 95% das nossas pessoas estão completamente a favor e rendidas a este modelo híbrido que nós temos na empresa. Isto porque permite efetivamente gerir a sua vida de uma forma superequilibrada. Na Allianz, nós já tínhamos muitos benefícios que permitiam ter esta flexibilidade, mas reforçamos ainda mais. Imagine, por exemplo, semanas da saúde, seja ela física ou mental, foram programas que nós fazemos e continuaremos a fazer muito intensos, permitindo às pessoas ter este tempo para si, para pensar na sua saúde, para avaliar como é que se sentem, fazemos imensos rastreios. Depois temos também colónias de férias para os filhos dos colaboradores, que permite que eles tirem uma semana só para eles, e portanto, possam ter os seus filhos com cuidados durante uma semana por nós nestas colónias. Temos um espaço de refeições fantástico, onde as pessoas podem almoçar todos os dias, mas também levar jantar, de maneira a que cheguem a casa e tenham tempo para estar com os seus filhos, brincar com eles e não pensarem que têm que ainda preparar a sua refeição. Temos um conjunto de atividades, temos um ginásio, na realidade tentar também trazer as pessoas à empresa, fazer com que elas se sintam bem nos nossos espaços, que estão também todos alterados e muito convidativos à criatividade, à inovação e à colaboração. E isto atrai qualquer geração. Permite-nos reter muito as nossas pessoas, permite-nos atrair muito as nossas pessoas e também muito por isso a Allianz Portugal foi considerada a quarta melhor empresa para se trabalhar no segmento de mais de 500 trabalhadores. E isso obviamente diz muito daquilo que vamos fazendo ao longo do tempo.
Ficava aqui muito mais tempo a ouvi-la. Mas chegamos ao fim do podcast "Conversas Sem Riscos" da Seguradora Allianz. Carla Gama, diretora de Recursos Humanos da Allianz Portugal, muito obrigada por partilhar conosco a sua opinião sobre a forma como as empresas devem gerir, potenciar e adaptar-se a novos modelos de trabalho. Foi um gosto, muito obrigada.
Foi um gosto também, muito obrigada.
Este podcast foi patrocinado pela seguradora Allianz Portugal. Allianz Commercial, seguros para empresas.