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Bom dia, Tiago Dores.

Bom dia.

É quinta-feira.

É pseudo sexta-feira. Boa pseudo sexta-feira para vos. Como está tudo por aí?

Tudo ótimo, estás bem disposto.

Disposição ao rubro, não é?

Sim, máximo. Upa, upa.

Sim, também.

Vamos lá. Do que nos vais falar hoje? Estou curiosa.

Hoje trago informação interessantíssima para vos.

Então.

Por acaso sabiam, Maria João e Judite, e Carla, que também nos está a escutar, e toda a gente que está a ouvir.

Claro, toda a gente. Agora disseste tudo.

Por acaso sabiam que a mineração de bitcoins consome mais energia do que países inteiros, como a Argentina?

Não acredito, Tiago.

Também não é para acreditar, Judite. Não te esqueças que hoje é dia 1 de abril.

É verdade, tens razão, não sabia que ainda se fazia dessas coisas. Boa tentativa de peta, Tiago. Thumbs up. Optaste pela tecnológica ou choninhas peta, não foi? Bem visto.

Não.

Mas foste apanhado. Choninhas é a palavra ideal.

Não é peta, juro.

Como assim?

Mineração de bitcoins consome mesmo mais energia do que a Argentina. É verdade que não é a forma de buscar moedas que consome mais energia, mas a informação que vos dei está corretíssima.

Espera lá, mas afinal há uma forma de procurar moedas que consome ainda mais energia do que a mineração de bitcoins?

Sim, senhora. É aquela busca incessante e desenfreada que os portugueses levam a cabo já perto do final de cada mês, à cata de alguma moeda que tenha ficado perdida num bolso das calças.

Isso sabe tão bem quando encontramos, não é?

Ou entre as almofadas do sofá.

Também.

Ou no chão do carro, entalada mesmo dentro de uma daquelas calhas que servem para ajustar os bancos para trás e para a frente.

Quando isso acontece é horrível.

É, não é?

Mas este tipo de mineração, já acredito que consuma mais energia do que a Argentina, principalmente quando a moeda está na tal calha dos bancos.

Ui, a calha dos bancos. Pois é, porque uma pessoa acaba por fazer imensas viagens do carro para casa e de casa para o carro, até acertar no utensílio ideal para extrair a moeda daquela espécie de carril. Uma pessoa traz uma faca, não dá, é muito larga. Volta para trás. Traz uma palhinha, não dá, é muito mole. Volta para trás. Traz o puto mais novo, que tem os dedos mais fininhos. Não dá, volta para trás. Sem o puto, que ficou com o dedo preso na furação da tal espécie de carril. É muito complicado.

Sim, sem dúvida que esta é a forma de procurar moedas que consome mais energia e não aquela peta das bitcoins.

Não é peta. Eu nem sequer acredito nisto do Dia das Mentiras. Acho que nos tempos atuais não faz qualquer sentido. Portanto, isto do Dia das Mentiras não faz qualquer sentido.

Mas não faz sentido como? Trata-se de uma tradição que surgiu em França e que perdura já desde o século XV ou XVI.

Espera lá, mas agora vamos abraçar tudo o que são seculares tradições francesas? Então boa sorte com o ir comprar baguetes e trazê-las da mercearia debaixo do braço, principalmente em dias de verão e para quem não é apreciador de refogado. Não, o Dia das Mentiras deixou de fazer sentido com o aparecimento do fact check.

Espera, do fact check como fazemos aqui na Rádio Observador, na rubrica adequadamente denominada fact check?

Nem mais. É que as coisas poderem ser apenas verdade ou mentira é pobre, é pouco preciso. Será mesmo verdade que o governo PSD/CDS decidiu pagar a Alfredo Casimiro para comprar a Groundforce? Não. Sejamos precisos. É praticamente certo. Não é meramente verdade.

Exato. Rigor antes de todos os rigores.

Nem mais. Ou então, será que as vacinas para a Covid não foram aprovadas e os fabricantes não podem ser responsabilizados? Isto também não é falso, é enganador.

Pois é, nisso estou contigo na importância destas nuances.

Nuances. Ora aí está, nuances. É mais do que tempo de abandonarmos esta coisa de é verdade, é mentira. Somos capazes de melhor do que este gnosticismo dualista.

Gnosticismo dualista. Queres elaborar sobre esse fabuloso conceito?

Não, pois não sou capaz de melhor do que este copiar da expressão do dicionário online. Mas portanto, o que interessa assinalar é que o Dia das Mentiras não faz qualquer sentido, a não ser que a peta seja mesmo muito boa, como a que um indivíduo, que há uns dias foi acusado pelo Ministério Público, inventou de ser familiar de António Costa para arranjar emprego em várias entidades públicas.

Pois, não correu muito bem a aldravice.

Pois não. Porque logo na primeira entidade pública a que foi, o aldrabão chegou e apresentou-se: "Ora bom dia, eu sou familiar do Primeiro-Ministro. Arranje-me emprego". E diz o funcionário: "familiar do Primeiro-Ministro? Eu sou familiar do Primeiro-Ministro e nunca o vi mais gordo". E diz o aldrabão: "Chame o seu supervisor". Vem o supervisor e diz o aldrabão: "Eu sou familiar do Primeiro-Ministro, arranje-me emprego". E diz o supervisor: "Como assim? Eu também sou familiar do Primeiro-Ministro e não o conheço de lado nenhum". "Mau", diz o aldrabão, "chame o seu chefe". Chega o chefe e diz o aldrabão: "Não me diga que você também é familiar do Primeiro-Ministro". E diz o chefe: "Claro que não, que disparate. Então agora somos todos familiares do Primeiro-Ministro. Não, eu sou primo do Carlos César. Diga, por favor".

Tu tinhas jeito para radionovelas.

Uma espécie de "A Dotta", não é?

É. De maneira que no fundo é muito nisso.

Radionovelas, vamos apostar nisso, vamos falar nisso.

Radionovelas era muito bom.

Muito boa ideia.

Fica a ideia. Tiago Dores, sempre na Rádio Observador, de segunda a sexta, bem, esta semana, de segunda a quinta, sempre depois das 21h30.

Até semana que vem.