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Mundo IA, o jornal diário da Rádio Observador, em que damos conta das novidades, curiosidades e alertas sobre inteligência artificial. Edição hoje com o jornalista Carlos Pedro. Carlos, vamos começar pelo mundo da banca. O banco britânico Barclays quer tornar-se mais eficiente e por isso está a apostar forte na inteligência artificial.
Mas o banco anunciou também que vai despedir 5 mil trabalhadores. Os planos para esse despedimento coletivo foram anunciados hoje durante a sessão de divulgação dos resultados financeiros, que revelaram que o lucro líquido do Barclays cresceu 13% no primeiro trimestre. Dizer que os cerca de 5 mil postos de trabalho que vão ser eliminados correspondem aproximadamente a 5% da força de trabalho global do Barclays. O grupo afirma que pelo menos mil postos de trabalho já foram encerrados. Espera agora uma redução adicional de mais 4 mil trabalhadores. A maior parte das perdas é esperada no mercado doméstico e afetará principalmente funções operacionais. Em causa está a vontade de o banco britânico querer tornar alguns processos de trabalho mais eficientes e para isso conta com a ajuda da inteligência artificial. Relembrar que o banco Barclays está a chegar ao fim de um programa de investimentos em tecnologia. Entretanto, diz a BBC, economistas têm acompanhado com atenção os resultados das empresas bancárias e há um dado que é verificado: a inteligência artificial está a fazer a diferença nas operações diárias dos bancos, aumentando assim a eficiência e diminuindo a necessidade de mão de obra. O impacto desta tecnologia no mundo bancário é realçado pela positiva pela direção executiva do Barclays Group.
E os investimentos do grupo Barclays em IA não são de agora. A empresa britânica entrou, de resto, como investidora e membro da plataforma Common AI.
Os valores do negócio não foram divulgados, mas este investimento comprova a vontade do grupo Barclays em não depender apenas das big techs. A Common AI foi lançada em setembro do ano passado. Reúne startups, grandes empresas, engenheiros e acadêmicos. Os membros desta plataforma, como o banco Barclays, ganham acesso a modelos, dados de treino e designs de hardware.
Continuamos no Reino Unido para falar de uma outra plataforma, a Quartz. É uma plataforma lançada por portugueses que permite gerir o património com recurso à inteligência artificial.
Já está no Reino Unido, mas o objetivo é chegar também a Portugal, apesar de ser difícil prever a entrada no mercado nacional devido aos desafios de regulação, escreve o 24 Notícias. Mas como é que isto funciona, Nelson? Os utilizadores têm a ajuda de um agente de inteligência artificial denominado Charlie, que visa ajudar as pessoas a manter os seus ativos em ordem. A proposta partiu de uma problemática de que há pessoas que têm o dinheiro distribuído por várias contas, produtos de poupança ou plataformas de investimento, algo que pode tornar difícil perceber como está o património no seu todo.
Carlos, já dissemos que a Quartz usa esse agente de IA para ajudar os utilizadores, mas o que é que torna esse Charlie uma opção melhor quando comparada com um chatbot normal?
É o que explica, em entrevista ao 24 Notícias, o cofundador da Quartz, Mateus Mesquita Alves. Refere primeiro que o agente da Quartz trabalha sobre as contas reais do cliente, sempre com o consentimento do mesmo, e não apenas sobre o que é escrito numa conversa. Ou seja, enquanto um chatbot comum só sabe o que lhe dizem, o agente da Quartz analisa contas bancárias, plataformas de investimento, fundos de pensões e outros ativos que o utilizador escolha liar à plataforma. Além disso, diz Mateus Mesquita Alves, o Charlie é também capaz de identificar eventos relevantes, alertar para alterações importantes e ainda explicar o impacto destas mudanças no património pessoal.
Vamos seguir neste mundo IA olhando agora para a cultura. Isto porque uma editora canadiana reconheceu o uso de inteligência artificial na elaboração de um romance.
Da autoria do escritor haitiano-canadiano Télusson Aurélien, o caso levou mesmo a editora Les Éditions de Boréal a anunciar o corte da relação profissional com o autor. Quanto à obra literária, falamos do romance "C'était ça ou mourir". As acusações de que Aurélien terá utilizado inteligência artificial na elaboração do livro começaram a surgir no mês de setembro. No mês passado, uma investigação da editora detectou vestígios de marcadores de IA nos metadados de alguns documentos. Sem saber até que ponto a tecnologia foi utilizada, a decisão de cortar relações com o escritor foi justificada pela quebra de confiança no próprio autor. Esta é uma notícia que pode ler na seção de tecnologia do site do Observador.
Seguimos agora com um estudo na Polónia que indica que os jovens são mais resistentes à utilização da inteligência artificial em anúncios, quando comparados com os mais velhos.
Sim, são 73% dos jovens polacos que dizem que a presença de avisos a dar conta de que um anúncio foi criado com recurso à inteligência artificial fazem reduzir a confiança na marca. É um estudo da agência de marketing Tears of Joy, na Polónia. As peças de marketing cuja produção envolve inteligência artificial devem ser claramente assinaladas, de acordo com a legislação europeia. Ora, 64% dos inquiridos com idades entre os 18 e os 24 anos já repararam nessas indicações. Mas se formos olhar para a faixa etária entre os 55 e os 64 anos, apenas 31% dos inquiridos diz reparar nessas mesmas marcas. O estudo diz que os anúncios criados exclusivamente com IA levam 38% dos jovens inquiridos a desistir de adquirir o produto anunciado. A esmagadora maioria dos jovens consumidores, 76%, prefere anúncios com pessoas, locais, objetos ou animais reais. Entretanto, imagens, gráficos e personagens com aspecto artificial são o elemento das campanhas com IA que mais irrita o grupo etário mais jovem, conclui também este estudo.
Fica por aqui mais um episódio de Mundo IA, hoje com edição do Carlos Pedro. Voltamos amanhã com mais novidades sobre o mundo da inteligência artificial.