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Muito boa tarde, Tiago. De que é que nos vens falar hoje?
Boa tarde, Nelson. Nelson, tu ouviste aquela história do indivíduo na Nova Zelândia que levou 10 vacinas contra a Covid no mesmo dia?
Ouvi, sim senhor. Não me digas que ele apanhou Covid.
Não apanhou Covid. Isso seria impossível do ponto de vista científico. Nelson, com 10 vacinas contra a Covid no bucho, este indivíduo tem a toda a sua volta, uma espécie de um daqueles escudos de campo magnético. Os coronavírus vão, em voo picado, como eles costumam fazer, mesmo com a intenção maldosa de contagiar o homem, e tumba. Ressaltam nesse escudo de campo magnético proporcionado pelas 10 doses de vacina.
Estou a ver isso acontecer, mas naqueles filmes de naves.
É, não é?
Na verdade, não sei que eu abomino filmes de naves.
Ah, pois é, não és a pessoa certa para esclarecer como isto funciona.
E será que lá na Nova Zelândia as autarquias também fornecem aqueles kits farnel? Quem se vai vacinar com um suminho e umas bolachinhas.
Pois, é uma boa pergunta. Isso realmente não sei, Nelson, mas em caso afirmativo, para este indivíduo das 10 vacinas, essa oferenda de víveres acaba por ser, no mínimo, infrutífera. Para já, porque com tanta bolacha no bucho, boa sorte para esse diabetes, meu amigo. Dez vacinas dá muita bolacha. Essa é logo a primeira. E por outro lado, nestas circunstâncias, ingerir tantos líquidos acaba por ser inglório, embora proporcione espetáculo.
Mas como é que é inglório, mas proporciona espetáculo?
É isso mesmo. É inglório porque com tanto furo que fizeram ao homem para levar aquelas vacinas todas, o líquido acaba por ter inúmeros orifícios por onde se escapulir do organismo, o que é realmente inglório, mas proporciona espetáculo, Nelson. Quantas vezes, Nelson, é que já tiveste a oportunidade de ver uma fonte humana a esguichar joy laranja e maracujá?
Uma fonte humana a esguichar joy laranja e maracujá. É joy laranja e maracujá?
Sim, exatamente. Joy laranja e maracujá.
Então isso já vi zero vezes.
Zero vezes. Exatamente o mesmo número de vezes que eu vi uma fonte humana a esguichar joy laranja e maracujá.
Agora uma coisa é certa, Tiago, pelo menos Covid esse senhor não apanha. Esse homem neozelandês com 10 vacinas no mesmo dia não lhe chega.
Na verdade, olha que não sei, Nelson, que isto das vacinas vai-se a ver e não protegem tanto quanto imaginávamos. Aliás, o Primeiro-Ministro já começou a falar de se avançar para a quarta dose da vacina, quando ainda há pouquíssimo tempo levámos a segunda dose. Pelas minhas contas, Nelson, umas contas que eu fiz aqui rápido, isto lá para agosto, setembro do próximo ano, também por cá estaremos a levar 10 vacinas contra a Covid por dia. E cheira-me que não será por opção, como sucedeu com este neozelandês.
Não é uma perspetiva muito otimista, Tiago, confiamos.
Não é. De facto não é. Até porque pode haver riscos sérios para a saúde associados à acumulação de tantas novas doses.
Pois pode, porque afinal são vacinas experimentais. Ainda não temos perfeita noção das consequências a longo prazo para a saúde das pessoas.
Eu, por acaso agora estava mais a referir-me era à nova dose de António Costa. Com que levaremos logo a partir do fim de janeiro. E já relativamente a essa nova dose de PS, temos uma noção bastante clara de quais as consequências a longo prazo para a saúde do país.
Certo. Mas eu gostava de acabar isto com uma nota mais positiva. Não tens aí uma nota de esperança no futuro?
Ah, queres futuro? É futuro que desejas? Se calhar futuro é bom, não é? Então tenho a novidade perfeita para ti, Nelson. Escuta isto, que isto não deves ter conhecimento. Então não é que no Norte Shopping agora há um robô que serve as mesas?
Um robô que serve as mesas?
Isto é futuro.
É espetacular. Para uma pessoa não ter de estar ali na fila do restaurante, à espera, e depois ainda por cima temos que colocar aquele tabuleiro naqueles carrinhos. Prevejo um grande futuro para esses robôs.
É? Pois. Eu prevejo um futuro de cerca de nove a 10 meses para estes robôs.
Nove a 10 meses? Mas porquê nove a 10 meses?
Nove a 10 meses. Nelson, porque prevejo que lá para agosto, setembro do próximo ano, quando já tivermos nova dose de António Costa, e apesar das 10 vacinas diárias contra a Covid, e seja proibido sair de casa, estes robôs do centro comercial vão chegar à triste conclusão que o suicídio eletronicamente assistido é a melhor forma de pôr fim à sua profunda solidão.
Pobres robôs.
Eu acho que sim, eu não antevejo nada de bom para estes robôs.
Nove a 10 meses, vá lá, coisas que duram menos.
Nove a 10 meses.
É a esperança média de vida de um robô.
De um robô, sim, de robôs que servem em restaurantes.
E de maneira que no fundo, é muito isto.
Rádio Observador