A Brava — Rede de Resistência Rural apoiou no primeiro ano de existência 35 movimentos locais, de Covas de Barroso à Arrábida, que contestaram megacentrais solares, minas de lítio e outros projetos, anunciou esta quinta-feira a organização.
A Brava, uma rede nacional de resistência rural e fundo solidário, que foi criada no final de novembro de 2025, “apoia comunidades rurais que enfrentam projetos destrutivos com meios concretos: financiamento direto, apoio jurídico e técnico e ferramentas para comunicar”.
Para assinalar um ano de existência, a organização revela (num balanço que será apresentado na sexta-feira em Lisboa, com a participação de movimentos de toda a cadeia da transição energética) que as comunidades rurais bateram recordes de participação contra megacentrais solares e minas de lítio, entre os quais os da central solar Sophia, das zonas de aceleração das energias renováveis e da mina de lítio do Barroso.
Num ano, a Brava apoiou 35 movimentos locais e reuniu 280 ofertas de apoio jurídico, técnico e financeiro de cidadãos e organizações.
“O Fundo de Resistência Rural angariou 3.700 euros no primeiro ano e distribuiu 3.000 euros por cinco projetos: defesa de rios, contestação de projetos de mineração, mapeamento de lutas, organização de eventos e pagamento de custas judiciais”, segundo a organização.
A articulação entre as comunidades deu origem a novas plataformas, como o Movimento por uma Energia Solidária (MES), que reúne várias lutas contra megacentrais solares no país.
Citado no comunicado, Guilherme Serôdio, cofundador da Brava e embaixador do Pacto Climático Europeu, disse que “ninguém nestes territórios é contra a transição energética”.
“O que as populações contestam é que ela seja decidida sem elas […]. Uma aldeia sozinha contra uma mina dificilmente é ouvida. Quando 35 lutas partilham advogados, técnicos e jornalistas, a consulta pública deixa de ser uma formalidade”, disse.
A rede lançou o Manual de Resistência Rural, um guia gratuito, e o podcast “Territórios em Resistência”, tendo ajudado também a divulgar campanhas que somaram milhões de visualizações, como as dos movimentos Deslarrrguem a Arrábida! e Unidos em Defesa de Covas do Barroso (UDCB).
Para o ano de 2027, pretende-se organizar eventos nos territórios rurais, participar em novas rondas de financiamento (três em 2027, no valor de 3.000 euros cada, totalizando 9.000 euros), produzir materiais de apoio aos coletivos e dar continuidade ao podcast.