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Vamos a mais uma edição do "De Maneira que no Fundo é Muito Isto".

É isso. Sim.

Boa tarde, Tiago.

Quando falas do nosso amigo Paulo Ferreira, olá Hugo, quando falas do nosso amigo Paulo Ferreira, eu penso sempre na família real britânica.

Sim, ele também é um grande especialista nisso.

Paulo Ferreira, por quê família real britânica? Não é disso que venho falar hoje, meus amigos.

Então, do que vens falar, Tiago?

Hugo e Judite, boa tarde, antes de mais. Meus amigos, dando resposta às solicitações de tantos e tantos dos nossos ouvintes, hoje vou falar um bocadinho de economia.

A sério? Mas os nossos ouvintes costumam solicitar-te muitas vezes que fales de economia?

Então, não, Judite, se solicitam. Tantas e tantas vezes que ouvintes que me enviam comentários do género: "Faz isso mais económico". E outras coisas deste tipo que eu ouço muitas vezes.

"Faz isso mais económico"?

Faz isso mais económico.

Tiago, eu não quero ser desagradável, mas a ideia que me dá é que esse comentário significa que as pessoas querem que faça as crônicas, se calhar, mais curtas. Querem no fundo economizar no tempo que despendem a escutar aquilo que tens para nos dizer todos os dias.

Não, negativo. Nem pensar. Para já, como é que seria possível alguém cansar-se desta rubrica? Essa é logo a primeira. E depois vê se não percebes nada de economia, Hugo. Economia, com letra maiúscula, não significa economizar. Isso é um erro infantil, de quem não percebe mesmo nada de economia. Judite, explica lá ao Hugo porque é que o comentário dele é até bastante parvo, se faz favor. Explica lá, Judite, vá.

Se calhar faço isso depois.

É?

É para não repreender o Hugo aqui à frente de toda a gente, é desagradável.

Obrigado, Judite.

Certo, claro. A dignidade da nossa Judite e a tua sorte, hein, Hugo? Livraste-te de ouvidas boas à frente de todo o nosso vasto auditório. Bem podes agradecer à Judite.

Então vamos a isso. Muito obrigado, Judite.

De nada.

E Tiago, fico-te também muito agradecido se me explicares por que é que vens falar de economia hoje. Vamos a isso?

Ora bem, Hugo, vamos a isso. O assunto crise econômica que me traz cá hoje é a previsão de crescimento do PIB português para este ano de 2021 que está a findar. Crescimento esse que rondará, espera-se, os 5%.

É verdade. É um crescimento forte do PIB.

Não me deixa mentir, Judite.

Não, mas temos que ter em conta que em 2020 o PIB português caiu mais de 8%. Portanto, esse crescimento de quase 5% deve-se em grande medida à quebra que houve no ano passado.

Não, Judite. Realmente sabes muito de economia, não és nenhum Hugo Silva, como é óbvio. Mas vais desculpar, o crescimento do PIB para este ano deve-se a outro fator.

Então, Tiago, já que sabes tanto, explica lá que outro fator é esse.

Sei muito. Hugo, o crescimento do PIB português este ano fica a dever-se ao facto, só conhecido por estes dias, do multimilionário Roman Abramovich se ter tornado português em abril. Viram isso, esta notícia saiu por estes dias.

Foi, sim, senhor. Mas em que medida é que isso contribuiu para o crescimento do nosso PIB?

Judite, contribuiu e de que maneira. Para já porque o homem, só para vir tratar das papeladas para se naturalizar à loja do cidadão, teve que tirar alguns 15 dias. E nesses 15 dias fez aquela coisa que ele gosta, que é pagar para fechar 17 restaurantes, para depois escolher um onde ir almoçar ou jantar. Só aí tens mais 1% de PIB. Só nesses restaurantes tudo. Sim, é isso.

Sendo que o Roman Abramovich às vezes acaba por nem ir a nenhum desses restaurantes, os 17 ou 20 que reservou.

Exatamente. Sim, tens razão. Às vezes o Roman Abramovich acaba por ficar a papar no seu próprio barco, em que veio tratar das papeladas à loja do cidadão. Aliás, quando isso acontece, os entregadores da Uber e da Glovo andam tanto para trás e para a frente a entregar comida no barco do Abramovich, que ao fim do dia de trabalho as motas vão para o lixo. Então as motas vão para o lixo. No dia seguinte tem de comprar motas novas e logo aí tens mais o quê? 0,25% de PIB para aí.

Pois. Eu nunca ouvi dizer que ter barcos também ficasse barato, não é?

É barcos e crianças, mas mais as crianças, que são uns trovadorzinhos. Então se tiveres uma criança num barco, esquece. Em barcos só dá para ter jacarés, como tinha aquele indivíduo do "Miami Vice". Bom, mas adiante, não era disso que vínhamos falar hoje. Olha, mas o barco do Abramovich, por exemplo, de cada vez que tem que ser atestado de gasóleo, ou para essa questão os combustíveis, faz o PIB crescer para aí mais 1,5%. Portanto, estão a somar, já estamos quase a chegar aos 5%.

Sim, mas esses abastecimentos devem dar uns bons descontos ao nível do auto voucher, não te parece?

Não, isso é verdade. Se dão belíssimos descontos. Aliás, o programa IVoucher, que é um programa que está na base deste auto voucher, foi um dos principais motivos que levaram o Abramovich a escolher o nosso país para se naturalizar. Fala-se muito do Visto Gold, mas não. Lá fora só se fala do IVoucher.

Pois, a sério? Quem é que fala do IVoucher, Tiago?

Pessoas.

Tiago, pessoas? Ok, mas que pessoas é que falam sobre o IVoucher?

Hugo, indivíduos.

Sim. Olha, mas indivíduos são pessoas.

Precisamente, pois é que eu tinha respondido pessoas quando perguntaram a primeira vez. Vocês às vezes parece que não estão atentos ao que eu digo. Assim fica muito difícil uma pessoa trabalhar. Eu para amanhã solicitava que viessem mais atentos, Judite e Hugo. Está bem, combinado? O que é que vos parece?

Está bem. Amanhã estou mais atenta.

Estava por aqui para eu não maçar mais convosco.

Eu também estou mal da garganta, portanto se calhar também encurtamos.

Estás mesmo afetada da tua garganta.

Hoje é uma boa altura para economia da tua rubrica.

Tiago, deixa-me só dizer-te uma coisa.

Viste que acaba abruptamente. Também porque eu não tinha outro final, portanto, tiveste sorte.

De maneira que no fundo é muito isto.

Ah, ok.

Já a seguir na Rádio Observador