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Muito boa tarde.
Muito boa tarde, Rita. Boa tarde, Judite.
Olá, boa tarde.
Rita, Judite, tudo por cá, não é?
Tudo.
Cá estamos então naquela que é a última emissão, é a derradeira emissão. De maneira que no fundo é muito isto. Ouvi um respirar fundo, como que denotando grande alívio, ou foi impressão minha?
Não foi grande alívio.
Não foi grande alívio, de certeza?
Não foi.
Desconfio um bocadinho.
Foi o suspiro.
Desconfio um bocadinho, mas tudo bem. É verdade, chega ao fim este género de coisa que andámos por aqui a fazer e chega ao fim também o próprio ano de 2021, que não pode ver nada sem ir logo copiar a minha rubrica.
Sim, digamos que é o fim de um ciclo, que pede reflexão, análise, balanço.
Meio pedinchão este fim de ciclo, não acham?
Um bocadinho.
Uma reflexão, uma análise e um balanço? É que isso são três desejos de uma vez só, senhor fim de ciclo.
O mais provável é que o fim de ciclo tenha confundido esta rubrica com um ovo Kinder.
Sim, é o mais provável, de facto, Rita, por causa dos três desejos num só. E atenção, o ovo Kinder acaba por ser das coisas mais simpáticas e deliciosas com que esta rubrica foi confundida ao longo de mais de 300 emissões. Fico até muito satisfeito com esta confusão.
Para seres comparado com um chocolate. Mas se estou a perceber, apesar de esta ser a última emissão da tua rubrica, não vai haver aqui lugar para melancolias.
Nem pensares, Judite, nada de melancolias. E por quê? Porque na Alemanha uma senhora atacou outra senhora mais jovem à dentada. E quando assim é, não é tempo para melancolia. É tempo, isso sim, para reforçar a vacina da raiva.
Ainda bem que não andas cá a perder tempo com melancolias quando há assuntos tão importantes a tratar, Tiago.
Nem mais. Obrigado por esse reconhecimento.
Conta-nos, por favor, mais em detalhe o que se passou entre estas duas senhoras na Alemanha.
Com certeza, Rita. Estamos aqui é para levar aos nossos ouvintes o que de mais relevante sucede no panorama internacional. Nesse caso, o que sucedeu foi que estas duas senhoras estavam a passear os seus cães, sendo que uma delas estaria a enfardar forte no seu cachorro. Este é o ponto de partida desta situação.
Ok, portanto, nesse momento deve ter sido abordada pela outra senhora, indignada com o que estava a ver.
Exatamente, nem mais, Judite. Vai daí, as senhoras pegam-se, há uma escarmuça e a senhora mais velha acaba por ferrar o dente na senhora mais nova. A senhora era velha, mas atenção, era mais velha, não era velha. Não ficou lá o dente. Eles não referem isso na notícia, mas era o dente, só isso.
Mas espera lá, então e os cães?
Os cães lá acabaram por se entender, Rita. A conversa começou um bocadinho mais acesa, o que dadas as circunstâncias não surpreenderá, mas depois de uma troca de argumentos, os cachorros lá concluíram que o diálogo construtivo e franco é sem dúvida nenhuma a forma mais civilizada de levar a bom porto qualquer quezília.
Ou seja, não só se confirma que com o tempo os cães tendem a ficar mais parecidos com os donos, como também que os donos tendem a ficar mais parecidos com os cães, não?
Bem visto, Judite. E é precisamente desse teu tipo de comentário perspicaz que os nossos ouvintes vão sentir mais falta.
E tu, espero.
Lá está, incluo-me nos ouvintes.
Disso não tenho dúvidas nenhumas. Mas ainda em relação a este caso, na Alemanha.
Queres saber mais?
Sim. Destas duas senhoras que saíram à rua sem ensaio. O que irá acontecer agora, Tiago? O caso segue para tribunal?
Sim, Rita, será mesmo isso. Portanto, o caso segue para tribunal. A senhora em cujo lombo foi cravada uma dentição seguiu para o centro de saúde e a senhora raçada de pit bull seguiu para a escola de treino e comportamento canino mais próxima. Foi isto que as autoridades decretaram.
Ok, isto já me parece um bocadinho de exagero, não?
Mas não é, Judite. Repara, a senhora ficará no centro de condicionamento canino só até, não somos animais, conseguir controlar os seus ímpetos agressivos, saber passear de trela sem puxar e completar o percurso de obstáculos em menos de 1 minuto e 20 segundos. Além de que a escola serve umas refeições secas muito nutritivas e completas.
Então tudo acaba bem, não é?
Eu penso que é isso. Mais ou menos, enfim.
Espera, significa isto que ficamos já por aqui?
Em termos disto tudo, de rubrica? Não ficamos, não. Falta só uma coisa antes de isto terminar, que é isto. Agora sim, avança, Rita.
E de maneira que no fundo é muito isto.