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De maneira que no fundo é muito isto desta quinta-feira, como sempre, com o Tiago Dores, o senhor capitão.

Muito boa tarde, Hugo.

De que nos vais falar hoje, Tiago? Boa tarde.

Boa tarde. Hugo, já ouviste falar do efeito Lázaro?

Efeito Lázaro? Mas qual Lázaro? Valentino Lázaro, o novo reforço do Benfica? Achas que pode ter um grande impacto na turma encarnada, é isso?

Não e não sei. São as minhas respostas a essa tua última dupla de inquietações.

Ok. Então, a que Lázaro é que te referes, afinal?

Este Lázaro, que dá nome ao efeito Lázaro, é o Lázaro bíblico, aquele que foi ressuscitado por Jesus Cristo.

Certo, o Lázaro que se levantou e andou estúpido durante uns dias, mas depois passou. É esse, não é?

Sim, esse mesmo Lázaro. Vejo que conheces a tua Bíblia, Hugo.

Exatamente.

É fundado nos textos religiosos.

E nas piadas que se fazem à volta desses textos também.

É, és forte também em eruditário popular, não é?

Exatamente.

Atenção, eruditário popular, que é literatura também e que acaba por marcar toda uma civilização. Voltando ao efeito Lázaro, impõe-se a questão: o que é afinal o efeito Lázaro?

Não sei, Tiago. Esclarece.

Enfim, esclarecer não vai ser de todo possível, pois em lugar de seguir uma vida profissional digna enquanto, quem sabe, respeitados zoólogo, apostei antes, para grande felicidade de meus pais, nesta tentativa de via o humorismo passar pela vida sem que ninguém perceba que não sei basicamente nada de coisa alguma.

Perdeste, portanto, um grande zoólogo, é isso?

Sim, é possível que sim.

Ainda assim, Tiago, o basicamente nada que sabes do assunto permite-te explicar, afinal de contas, espero eu, o que é o efeito Lázaro de que falas.

Sim. Isso ainda permite, até porque vem escrito na publicação de onde tirei o tema desta rubrica. O efeito Lázaro é um fenômeno cada vez mais frequente, de acordo com os cientistas, em que certas espécies são consideradas extintas e vários anos depois são redescobertas, de alguma forma como o Lázaro da história bíblica, e daí o nome.

E andam estúpidas durante alguns anos?

Lá está, isso os cientistas ainda não esclareceram, mas vou ficar atento e dou-te novidades.

Significa isso que, por hipótese, nós podemos estar porreiramente a fazer a nossa emissão aqui à tarde e de repente pode entrar por aqui dentro um T-Rex?

Que estupendo! É exatamente esse o meu receio, Hugo. Porque a notícia não é esclarecedora nesse ponto. Mas os bichos são redescobertos como? Como é que eles reaparecem? Reaparecem porque estiveram imenso tempo escondidos, tipo monstros do Loch Ness ou o Abominável Homem das Neves? Ou os bichos reaparecem mais tipo truque do David Copperfield? Lembras-te dos truques do David Copperfield? Do gênero: "Reparem, não há rigorosamente nada neste hangar. Agora vou correr esta cortina. Ok, atenção. Tira a cortina". Tumba, um elefante. Lembras-te deste tipo de truque?

Claro que sim. Se calhar é mais isso, só que com mamutes em vez de elefantes.

Sim, talvez. Mas o fato é que em todo o caso podem ser muito inconvenientes estes reaparecimentos de animais. Imagina que chegas a um restaurante com uns amigos e pedes uma mesa para quatro e diz o funcionário: "Mesa para quatro? Com certeza. Tenho aquela ali no canto que é muito simpática. Não, espere. Acabou de lá aparecer um tigre-dentes-de-sabre. Peço imensa desculpa, não estava a contar com ele."

Numa mesa para quatro.

"Esse bicho já não aparecia há algum tempo." Sim, porque ocupa espaço o tigre-dentes-de-sabre. Só que o funcionário não contava com ele e acaba por dizer: "A não ser que queiram arriscar, meus amigos, fazer companhia ao felino de grande porte que se julgava extinto há cerca de 12 mil anos. Atenção, aquele menino para abrir caricas é uma ótima ajuda". Estás a perceber?

Na medida em que tem aqueles dentes.

Pois, pode ser bom para prender a carica e puxar. E este é o tipo de problema, Hugo, que podes ter com o reaparecimento de espécies que se julgavam extintas. Estás a perceber? Pode ser maçador.

Sim, Tiago, de fato isso é uma coisa para estragar o jantar a uma pessoa, sem qualquer dúvida.

Nem mais. Mas, Hugo, calma que ainda assim estes estão longe de ser os casos mais graves de reaparecimento de animais que se julgavam extintos.

É sério?

Muito longe, até.

Achas mesmo que pode haver casos mais graves do efeito Lázaro?

Então não pode. Olha, por exemplo, viste o congresso do PS, certo?

Certo, transmitimos aqui na Rádio Observador.

Agora aí está. Com todos aqueles possíveis candidatos e candidatas a futuro secretário ou secretária-geral do partido. Agora imagina, Hugo, que a juntar àquele já vasto plantel de sonho de possíveis candidatos, reaparecia o animal feroz José Sócrates. Já imaginaste este cenário? O reaparecimento do animal feroz José Sócrates.

Isso seria aquele cenário que eu posso classificar de interessante.

Achas interessante? É a palavra que te ocorre. E se o reaparecimento do animal feroz José Sócrates fosse feito ao som de um também ele reaparecido Bicho, do Iran Costa? O reaparecimento do animal feroz ao som do reaparecido Bicho, do Iran Costa. O que é que achavas? Ótimo, não era, Hugo? Estupendo, até. Cuidado com o efeito Lázaro que desejas, Hugo. Cuidado com o efeito Lázaro que desejas. Atenção a isso.