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De maneira que no fundo é muito isto: uma rubrica patrocinada por Tiago Dores. Boa tarde, Tiago. De que nos vais falar hoje? Patrocinada e executada. É o patrocínio da execução. Muito bem. Boa tarde, Vicente.
Olá, boa tarde.
Já repararam que se aproxima a grande velocidade o Ano Novo, não é? Que é impressionante. Exato, tipo carros de dez ministros. Já começaram a pensar nos vossos desejos para o vindouro 2022?
O meu desejo, mais tendo em conta o que foram os dois últimos anos, vai ser o clássico: saúde.
Certo, é um bom desejo, dito e um pouco visto, mas é sempre um bom desejo. Precisamente pelo que se passou nos dois últimos anos e pelo facto do desejo de saúde ser tão comum, a ideia que me dá é que o funcionário que está encarregado de tomar nota dos nossos desejos de Ano Novo não estará propriamente na calha para funcionário do mês. É a ideia que me dá. Que não está na calha para funcionário do mês. O funcionário que está encarregado de tomar nota dos nossos desejos de Ano Novo, esse mesmo. Estás a insinuar que há realmente alguém, Tiago, cuja função é anotar os nossos desejos na passagem de ano? A sério, é isto mesmo? E tu também não estás propriamente na calha para funcionário do mês, Vicente. Então mas por que raio é que havíamos de formular desejos para o Ano Novo se não houvesse ninguém a tomar nota desses mesmos desejos? Isso seria desejar por desejar, seria mero desperdício de desejos.
Realmente. Alguém no seu perfeito juízo ingeriria uma dúzia de uvas semipodres.
Semipodres, exactamente.
Semipodres. Se não fosse para ver os seus desejos para o novo ano realizados?
Não tem noção este miúdo, Judite. Não tem qualquer noção. Mas eu explico qual é o problema. Eu explico para vocês perceberem. O problema é que as pessoas chegam ao final do ano e desejam, por exemplo, saúde, alegria e prosperidade. E nisto, o funcionário da passagem de ano, enfim, não sei bem como é que isto funciona, mas imagino que o funcionário da passagem de ano, que tem a tarefa de transmitir os nossos desejos a quem tem a função de realizar os nossos desejos, este funcionário da passagem de ano não tem sequer uma caneta e um caderninho para apontar os nossos pedidos. Então Tiago, vai-se a ver. Estão a perceber? Acho que esta é a prova. Vai-se a ver e não quer gastar papel. É um funcionário ecológico. Incompetente, exatamente. Muito bem, desta feita, Vicente. A tempo de seres funcionário deste, mas já não vais. Podes tirar este cavalinho da chuva, mas o janeiro está aí à porta. Atenção que ainda está em aberto o janeiro. Parece que seja esse o teu desejo para 2022. Olha, porque não? Para começares o ano com o pé direito. Mas voltemos ao funcionário da passagem de ano incompetente. Ora, o referido funcionário não aponta devidamente os desejos que nós solicitamos e depois, claro, quando chega lá ao sítio onde se manufaturam os desejos e tem de comunicar os pedidos dos convivas da passagem de ano, o funcionário incompetente baralha-se todo. "Como é, Fernando, o que é que as pessoas pediram para 2022?", pergunta o patrão. E responde o Fernando, o funcionário bardinas, que nem um bloquinho e um lápis leva para o trabalho e que tendo já olvidado tudo o que lhe foi pedido, se põe a inventar: "Ó chefe, então os pedidos para 2022 são os seguintes, a ver se não me escapa nada. Portanto, de entrada vão ser as gambas à guilho e os ovos com farinheira, não é? E depois vai ser o bife à casa".
Olha, menos mal. Pelo menos o desejo de alegria continua a ser atendido, mesmo com esse engano do funcionário da passagem de ano.
Ó sim, Judite, mas e o desejo de prosperidade? A pedir imensas entradas em que os restaurantes metem sempre a unha? Vai por água abaixo qualquer vislumbre de prosperidade, estás a perceber? Já para não falar, Tiago, do desejo de saúde, que isso é uma refeição carregadinha de colesterol, vai tudo por água abaixo. Ora a marcar pontos para funcionário do mês de janeiro, Vicente Figueira, nem mais. O mínimo que se pedia ao funcionário da passagem de ano incompetente é que mandasse subir uma posta de garoupa, que o molho do bife à casa é todo ele feito à base de farinha, sal e sucedâneo de cogumelos.
Sim. Eu passo. Mas aqui chegados, há uma pergunta que se impõe: quais serão os teus desejos para 2022, Tiago? Também andarão em torno de saúde, alegria e prosperidade?
Sim, mais ou menos, Judite. Para 2022 formularei apenas um desejo, que será o seguinte: ser a esposa do rei de Tonga. A esposa do rei de Tonga. Devo confessar que, como muitas vezes, desta também não estava à espera.
Nem eu.
Pois, eu também não estou à espera, Vicente. Estou é a contar que o incompetente do funcionário da passagem de ano oiça o meu desejo de ser a esposa do rei de Tonga e que a sua manifesta inépcia me torne, isso sim, na ex-mulher do príncipe do Dubai, que parece ser uma coisa que pode ser gira e trazer uma prosperidade capaz de adquirir até alegria e saudinha.
Muita prosperidade acabaste de dizer.
É capaz, não é, de ajudar um bocadinho. E é este o meu desejo. Ser a esposa do príncipe do Dubai. Fica já formulado.
Espero que não te canses ser a esposa do rei de Tonga.
Cuidado com o que desejas. De Tonga. Não, eu aposto é apostar no equívoco do funcionário. E ainda em 2021, quase a chegar a 2022, continua a dizer-se a mesma coisa, de maneira que no fundo é muito isto. Ora, não é verdade, Tiago? É isso mesmo, Vicente.