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Muito boa tarde, Tiago. Então de que nos vens falar hoje?
Boa tarde, Nelson. Obrigado por me fazeres essa pergunta, mas ainda antes disso, há só isto.
E isto era o hino da Eurovisão.
Sim, nem mais, Nelson. Este é o clássico tema musical que, nomeadamente nos tempos da nossa juventude, indicava o início de uma transmissão televisiva que vinha lá de fora, daquilo que convencionou chamar-se estrangeiro.
Tipo o Festival da Canção, por exemplo.
Sim, tipo o Festival da Canção, mas na maior parte das vezes esta música até indicava a transmissão de algo interessante, tipo uma grande competição internacional da bola ou uns campeonatos do mundo de atletismo. À falta de melhor, naquela altura, até um Grand Prix de patinagem artística uma pessoa via com gosto.
Patinagem artística? À sério? Eu não estava nada à espera que fosses fã de patinagem artística.
Sou grande fã. De patinagem artística e de Fórmula 1. Grande fã de ambas as modalidades.
Patinagem artística e Fórmula 1. Disso não estava à espera. São duas modalidades completamente diferentes, completamente distintas. Nada é mais distinto do que patinagem artística e Fórmula 1.
Distintas? Patinagem artística e Fórmula 1? Nada disso, Nelson. A patinagem artística e a Fórmula 1 são iguaizinhas. Patinagem artística e Fórmula 1 são modalidades separadas à nascença, Nelson.
Está bem. Como assim separadas à nascença?
Na medida em que são duas modalidades cujo exclusivo motivo de interesse são os acidentes. Bate-cus e esbarradelas em montes de pneus. Bate-cus e esbarradelas em montes de pneus, Nelson. É o que eu retenho destas duas modalidades.
Certo.
Quando havia aqueles triplos axéis, sabes o que é isso?
Tu sabes, ainda por cima dominas. Certo, mas então vamos voltar ao tema da Eurovisão com que abriste a rubrica.
Sim, voltemos, até porque foi este tema da Eurovisão que me fez perceber, em definitivo, o encanto pela busca de vida extraplanetária.
À sério? Mas porquê?
Não sei se se passava o mesmo contigo, mas quando eu era puto e esta música tocava na televisão, a alegria que eu sentia, estou convencido que é muito semelhante à alegria que os cientistas da NASA sentirão no dia em que receberem uma comunicação via rádio de uma galáxia distante.
Sim, sem dúvida. Bem visto. Então foi por isso que trouxeste o tema da Eurovisão?
Não, não foi, Nelson. Trouxe o tema da Eurovisão porque não descobri o tema da Venezuelovisão.
Venezuelovisão. O que é que haverias de querer o hino da Venezuelovisão?
Nelson, eu queria o hino da Venezuelovisão para abrir esta rubrica, porque desejo falar da nova série de banda desenhada feita na Venezuela, em que o presidente Nicolás Maduro é um super-herói, de seu nome Super Bigote. Acho que é assim que eles lá dizem, ou Super Bigode em português.
Super Bigode?
Em espanhol é Super Bigote.
Estás a gozar, é mesmo a sério?
Não, a sério, Nelson. É verdade. Nestes desenhos animados, Nicolás Maduro é o super-herói Super Bigode, o que significa que aparentemente já terá terminado aquele período de nojo em que mesmo o mais tirânico dos ditadores teria algum pejo em fazer do bigode a sua imagem de marca.
Digamos que a moda que um certo determinado ditador do século XX lançou em termos de bigode não fez muito pela popularização do bigode.
Realmente não fez. Mas o que interessa, Nelson, é que estão de volta os líderes autocráticos orgulhosos dos seus bigodes.
Eu estou neste momento a ver o primeiro episódio dessas aventuras do Super Bigode.
O que é que estás a achar?
Neste episódio, o arquiinimigo do Super Bigode é um presidente dos Estados Unidos da América, louro, que imagino pelas semelhanças, seja Donald Trump.
Sim, Nelson, neste primeiro episódio das aventuras do Super Bigote, o arquiinimigo, agora vou dizer Super Bigode, teve de ser o Trump, porque o principal arquiinimigo do Super Bigode não pôde vir.
Mas qual é o principal arquiinimigo do Super Bigode?
É o Super Gillette. Só que o Super Gillette já não sai de casa para defender o povo venezuelano do Super Bigode vai para uma data de anos.
Mas porquê?
Nelson, porque graças ao Super Bigode, não há lâminas de barbear à venda nos supermercados da Venezuela. De modo a derrapar-se de uma vez por todas aquela bigodaça toda ao Super Bigode. Não há lâminas, nem papel higiénico, nem pão. Enfim, agora que falo nisso, não haver pão acaba por reduzir um pouco a necessidade de haver papel higiénico. É tramado este Super Bigode. Pensa em tudo este bandido.
Diz só mais uma vez Super Bigode.
Super Bigote. Isto é italiano, isto não é espanhol.
Não, mas é bom, não me interessa, é bom, é internacional. Adorei.
Talvez o espanhol na Venezuela tenha um som mais transalpino.
Pode ser. E de maneira que no fundo, é muito isto.