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Eu também sou interveniente, logo estou tramado.

Também. A responsabilidade acaba por ser muito tua, por isto.

Pois, mas com um disclaimer desses, eu não sei.

É muito bom que isso fique. Vamos avançar e ver quem é que se responsabiliza por isto?

Exato.

Eu hoje trago estupendas notícias. Esta, meus amigos, era a boa-nova por que todos aguardávamos ansiosamente. Vamos ter, finalmente, uma enciclopédia online dos cheiros europeus.

Uma enciclopédia online dos cheiros europeus. Ok, o que tu te lembras?

Perfeita acuidade auditiva, Judite.

Muito obrigada.

Trago-vos não apenas uma mordaz rubrica, que era já por si motivo mais que suficiente para o vosso profundo interesse, mas trago-vos também um teste rápido de audição: enciclopédia online dos cheiros europeus. Nem mais. Ora, quantas vezes vocês não se perguntaram a que cheirou o velho continente nos últimos cinco séculos? Confessem lá.

Deixa-me pensar um bocadinho, Tiago. Zero vezes. Pensei exatamente zero vezes, nunca, a que cheirou o velho continente nos últimos cinco séculos.

Como é evidente, Paulo, uma pessoa nem imagina que seja possível saber a que cheirou a Europa nos últimos 500 anos. A que cheirou, por exemplo, no bunker do Hitler, quando este soube que os russos estavam às portas de Berlim. É uma coisa que uma pessoa nem imagine.

Tiago, por acaso esse odor não deve ser dos mais difíceis de imaginar.

Pois não. Escolhi mal o exemplo, mas de resto, nem nos passa pela cabeça a que cheirou a Europa nos últimos cinco séculos. A verdade é essa.

É que é esse o objetivo do projeto Odor Europa, composto por cientistas, historiadores e peritos em inteligência artificial, que quer recriar os aromas que caracterizam a Europa do século XVI ao século XX. É a isto que te referes, certo, Tiago?

Impressionante o olfato jornalístico deste Miguel. Como ele topa logo onde é que está a notícia. É que não há hipótese nenhuma de a notícia passar despercebida. Nem que a metam dentro de embalagens de gel de banho embrulhadas em papel celofane para disfarçar o aroma, este jovem deixa escapar a notícia. Impressionante.

Eu concordo em absoluto, até porque o trabalho do Miguel é a única coisa de impressionante que aconteceu até agora. Mas tu prometeste estupendas notícias e uma boa-nova que todos aguardamos ansiosamente. Ora, pivetes europeus não se enquadram exatamente nessa categoria de notícia.

O quê? Mas então os cheiretes agora não se enquadram?

Não, não se enquadram. Eu, aliás, pensei que vinhas falar da nova e promissora vacina AstraZeneca, que Portugal comprou. E eu disse vacina. Vou corrigir: vacina.

Judite, calma, isso também entusiasma, claro, entusiasma e muito. Então, não. O que se pode dizer da vacina da AstraZeneca?

Espera, é "Zênca" que se diz, não é "Zêneca". É "Zênca" que se diz, Tiago.

Exato, "Zêneca". Portanto, há uma farmacêutica, que é a AstraZeneca.

Tiago, vou ajudar aqui o Paulo também. "Zênca".

Como é que é?

"Zênca".

Miguel, sim senhor, és um jornalista de prestígio, mas eu gostava de explanar os meus raciocínios, está bem? Onde é que eu ia? Lembrem-me lá.

Ias na parte em que teimavas em pronunciar mal "Zênca".

Exato. A farmacêutica AstraZeneca, que é propriedade de um casal, a senhora Astra e o Zêneca, que ainda é primo direto do professor Neca, que chegou a ser por duas vezes treinador adjunto do Benfica, ali a meio dos anos 90. O professor Neca.

Lembro-me perfeitamente.

O professor Neca subiu duas vezes o Aves, é mais importante isso.

Ora aí está, o professor Neca. E o que eles lá na AstraZeneca fizeram? Fizeram uma vacina que tem 70% de eficácia.

Fica atrás das vacinas da Pfizer e da Moderna, com 95% e 94,5% de eficácia, respetivamente.

Sim, Judite, é facto, mas 70% já é muito aceitável. Também não vamos ser lambões, calma. Repara, tu tens Covid-19, levas a vacina da AstraZeneca, que tem 70% de eficácia, vens para casa com o quê? Para aí com Covid-5, no máximo Covid-6, que já é bem bom, que é os tais 70%.

Exato. É um bom ponto de vista esse. Além de que esta vacina da AstraZeneca, que foi desenvolvida também, já agora, em parceria com a Universidade de Oxford. Mas também é mais barata e por isso também é mais fácil de armazenar.

Sim, pois é. É uma vacina para pelintras que se pode arrumar à balda. Mas há mais, Paulo. Mesmo a eficácia da vacina vai aumentar muito já nos próximos dias.

Vai aumentar? Como é que tu sabes disso?

Muito, já nos próximos. Sei porque a Universidade de Oxford já pediu reforços lá para as investigações e o reforço já vai a caminho.

Mas que reforço é que vai a caminho da Universidade de Oxford?

Judite, o professor Neca, como é óbvio, que é um professor. Lá vai ele a caminho da Universidade de Oxford. E fica-se a subir por aí acima. Tudo graças ao professor Neca.

Nas manhãs "360", com o Tiago Dores, também sempre disponível em podcast.