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A Rádio Observador. Jornal das 17 horas com edição do Miguel Pina Andrade. Miguel, começamos com os protestos pela habitação em Lisboa, com várias centenas de pessoas reunidas no Largo de Camões.
E já iniciaram a marcha até ao Rossio, que nas últimas semanas tem sido o palco das acampadas. A acompanhar esta manifestação está, e vai estar, o repórter da Rádio Observador, Martim Madeira, que se junta em direto a nós neste jornal. Martim, com os manifestantes ainda no Largo do Camões, já foram várias as figuras de esquerda que mostraram apoio a este novo protesto.
Vê-se, pelo menos, os partidos do Bloco de Esquerda e também no LIVRE, numa altura, como dizias, Miguel, em que vão começar agora a sair do Largo de Camões em direção ao tal destino do Rossio. Tivemos a oportunidade de falar com Isabel Mendes Lopes, deputada do LIVRE, que nos diz que não vê disponibilidade do governo para falar.
O governo tem dito sempre que está disposto a dialogar, mas depois, na prática, o diálogo é inexistente. Eu espero que o governo perceba que tem mesmo de dialogar em relação à habitação, porque é isso que todas as pessoas que manifestam diariamente estão a pedir. É isso que as pessoas no país estão a pedir. Mas o que nós dizemos é: a base de diálogo tem de ser com a retirada desta lei do arrendamento, porque não há base nenhuma naquela lei que nós possamos aproveitar para começar esse diálogo. Portanto, essa lei tem de cair.
É a mensagem principal de Isabel Mendes Lopes. A lei tem de cair e têm de ser criados consensos entre o governo e os restantes partidos e, para esses consensos existirem, têm de ser criadas bases a partir de uma lei totalmente diferente, uma nova lei. Também encontrámos aqui vários manifestantes que também pertencem ao Bloco de Esquerda. Estava, por exemplo, Mariana Mortágua, antiga líder do Bloco de Esquerda, e também estava Catarina Martins, que falou aos jornalistas, questionada sobre se o governo ia ouvir ou não os manifestantes e se está à espera que as manifestações acabem por cansaço. Catarina Martins diz que deve ser essa a intenção do governo, mas que, como podem ver, o cansaço não vai abater estes manifestantes.
Pois estava, já percebeu que não. Mesmo que acabasse hoje, já tinha sido inédito. Algum de vocês, que são jornalistas, se lembra, neste século, de 22 dias seguidos de manifestações pacíficas em vários sítios do país? Eu não me lembro. Isto é uma força extraordinária que não pode ser ignorada, que o governo não pode ignorar.
Uma força extraordinária, é o que diz Catarina Martins, deputada europeia e ex-líder do Bloco de Esquerda, nesta manifestação no Largo do Camões. Ainda não começaram a andar, deram-nos essa indicação de que começariam a andar por volta das 17h. Está aqui uma carrinha com várias colunas a passar os cânticos e a dar a ordem dos cânticos para todos os manifestantes. E Miguel, há pouco falavas de centenas, eu arrisco-me a dizer que até ao Rossio vão pelo menos marchar milhares.
A reportagem do jornalista Martim Madeira, que vai acompanhar este protesto que se dirige até ao Rossio. O Movimento Acampada de Lisboa diz que o objetivo é voltar a erguer tendas na praça, mas a PSP já avisou que a tolerância para novos acampamentos vai ser zero. As tendas têm de sair até à 00h30, numa posição avançada ao Observador pelo Comando Metropolitano da PSP em Lisboa.
E no Porto, Miguel, várias centenas de manifestantes já saíram da Praça da Batalha.
A Invicta também sai à rua pela habitação. A marcha termina na Praça Dom João I, o palco das acampadas no Porto. Ainda na Praça da Batalha, o coordenador do Bloco de Esquerda, José Manuel Pureza, diz que a mobilização dos portugueses é símbolo da democracia.
Acho absolutamente admirável, acho que é uma lição enorme de democracia, de cidadania, manifestações sempre grandes, em crescendo, com gente de todas as idades, com gente de todas as geografias, espalhadas cada vez mais pelo país. Vejo isto como manifestações grandes, pacíficas, democráticas. Pena é que a estas manifestações grandes, pacíficas e democráticas, o governo responda com violência policial.
O coordenador do Bloco de Esquerda, José Manuel Pureza, aqui no registo captado pela RTP Notícias, ainda na Praça da Batalha. O protesto pela habitação na cidade Invicta já arrancou, termina na Praça Dom João I.
E o ministro da Administração Interna já apelou à tranquilidade e ao cumprimento da lei durante estas manifestações.
Luís Neves reconhece a legitimidade destes protestos, ainda assim, sublinha que as pessoas não podem pôr em causa a ordem pública.
Nenhuma manifestação pode pôr em causa os direitos de terceiros. E é isso que nós estamos a falar. Portanto, grande apreço, respeito, por tudo, pela legitimação do que está a passar e que cá acontecer. Como eu já disse, e o senhor primeiro-ministro já o falou, o meu colega do governo, Miguel Pinto Luz, responsável das infraestruturas e da habitação, este é um tema central deste governo. Estamos a procurar encontrar soluções legais e também de amplificar a questão da construção, juntamente com autarcas. Portanto, este é um objetivo comum.
O ministro da Administração, Luís Neves, aqui no registo da SIC Notícias, captado à margem de uma cerimônia dos 100 anos dos Bombeiros de Ponte de Sor.
E em França o clima está tenso. Já houve confrontos entre os manifestantes e a polícia.
Em Paris e em Marselha, a polícia já teve de utilizar gás lacrimogêneo, é o que avançou o Le Figaro, que refere também que o dispositivo policial já recorreu a canhões de água na cidade de Toulouse. Isto numa altura em que o governo francês aponta para 320 mil os participantes nas manifestações de hoje. São pelo menos 70 mil nas ruas da capital. É uma diminuição considerável. Há uma semana foram contabilizadas cerca de 400 mil pessoas em todo o país. Mais de 70 mil agentes da polícia foram mobilizados para as manifestações. O ministro do Interior francês já avisou os manifestantes de que cobrir o rosto com máscaras ou disfarces de Halloween pode resultar na aplicação de multas, algo que já aconteceu na Alemanha. A polícia alemã cancelou a marcha em Colônia devido à presença de manifestantes mascarados e também devido ao lançamento de bombas de fumo.
E assim terminamos o jornal das 17h, edição de Miguel Pina Andrade. Está de regresso às 17h30. Miguel, até já.
Até já, Rita.