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Notícias. Começa agora o Jornal das Quatro, edição do jornalista Miguel Pina Andrade. Miguel, está marcado para esta hora o início das manifestações pela habitação em Lisboa e no Porto. O ministro da Administração Interna voltou a apelar à tranquilidade e ao cumprimento da lei.
Luís Neves reconhece a legitimidade destes protestos, mas reforça o apelo feito ontem. Espera que as manifestações corram bem.
O que se espera é que, de facto, as manifestações decorram como normalmente acontecem, quase a 100%, com toda a ordem, com toda a civilidade. É isso que se espera e que, de facto, cada um faça o seu trabalho e cada um cumpra a sua missão e, sobretudo, que se cumpra a lei.
O ministro diz que respeita o direito à contestação e sublinha que a habitação é uma prioridade para o governo e tudo está a ser feito para mitigar esta crise. Ainda assim, Luís Neves afirma que nenhum protesto pode pôr em causa a ordem pública.
Nenhuma manifestação pode pôr em causa os direitos de terceiros. E é isso que nós estamos a falar. Portanto, grande apreço, respeito, por tudo, pela legitimação do que está a passar e que cá acontecer. Como eu já disse, e o senhor primeiro-ministro já o falou, o meu colega do governo, Miguel Pinto Luz, responsável das infraestruturas e da habitação, este é um tema central deste governo. Estamos a procurar encontrar soluções legais e também de amplificar a questão da construção, juntamente com autarcas. Portanto, este é um objetivo comum.
O ministro da Administração Interna, Luís Neves, aqui num registo captado pela Sic Notícias, à margem de uma cerimónia dos 100 anos dos Bombeiros de Ponte de Sor.
E em Lisboa, Miguel, a manifestação convocada pelo Movimento A Acampada começa no Largo de Camões.
E por isso fazemos o primeiro contacto com o repórter da Rádio Observador, Martim Madeira, que vai acompanhar este protesto. Martim, agora em direto, já há muita gente no Largo de Camões preparada para rumar em direção à Praça do Rossio.
Sim, Miguel, o Largo está mesmo completamente cheio. Não sei se consegues ouvir agora, está-se a cantar bastante. Isto porque houve muito barulho devido a várias pessoas que vieram aqui com caixas de papel simular uma casa, vestidas com essas caixas de cartão como se fossem casas e estão agora a cantar aqui no Largo de Camões. Tenho comigo uma das porta-vozes do Movimento A Acampada de Lisboa, Adriana Lima. Boa tarde, Adriana. Perguntar-te o objetivo desta manifestação de hoje. A polícia deu o aviso de que à meia-noite e meia era para retirar as tendas. Perguntar-vos qual é o vosso plano para esta noite.
Olá, muito boa noite. Nós estamos aqui a lutar pela crise da habitação, como vocês já sabem. Nós trazemos tendas de forma simbólica em nome de todas as pessoas que não conseguem ter direito a uma habitação, não conseguem ter direito à casa. Efetivamente, existem pessoas que realmente vivem em tendas, mesmo que estejam a trabalhar e a ter um full time. Relativamente a isso, juridicamente, já foi até muito falado que não há qualquer lei que faça com que haja a retirada das tendas. Nós temos o direito fundamental a manifestar, ao protesto, à reunião e à liberdade de expressão, são direitos fundamentais que estão na Constituição, assim como o da habitação. Claro que todas as decisões, como vocês sabem, são tomadas pelas pessoas que estão aqui. Nada disto é uma decisão tomada de uma forma arcaica, é tudo tomado pelas pessoas que estão a construir este movimento. Portanto, apesar de a intenção ser sempre fazer uma acampada e continuarmos a luta, se vamos pernoitar ou não, isso tudo, depois, também depende das decisões coletivas que vão havendo.
Adriana, ainda perguntar-te isto, porque o ministro da Presidência, António Leitão Amaro, disse ontem, ou pelo menos sugeriu e deu-vos essa meio que proposta de que seria melhor vocês cumprirem a lei e abandonarem à meia-noite e meia. Deu essa indicação como um sinal de que a vossa luta seria mais simbólica. Queria apenas perguntar se concorda com essas declarações do ministro.
Nada do que aconteceu na noite em que a polícia agrediu fisicamente e também mesmo psicologicamente as pessoas da acampada no Porto e cá em Lisboa, o cumprimento da lei por parte deles. Portanto, eu acho muito engraçado eles estarem a utilizar isso quando efetivamente nós temos direito a estar aqui. A manifestação é legal, vir com tendas é legal também. Portanto, a mim mete-me um bocado de confusão eles estarem a dizer isso quando eles próprios não estão a cumprir a lei. Por exemplo, supostamente, via ser ilegal bastonadas na cabeça, mas nós vimos, com a perseguição policial, pessoas que levaram bastonadas na cabeça e que foram parar com a cabeça aberta. Portanto, de que legalidade é que eles estão a falar? Da nossa ou da deles, que não está a ser cumprida?
Obrigado, Adriana Lima, uma das porta-vozes aqui do Movimento A Acampada, a fazer esta questão também ao governo e ao ministro da Presidência, sobre onde é que está a legalidade, quem é que está realmente no incumprimento da legalidade, se é o governo ou se são estes manifestantes que, de acordo com Adriana Lima, estão aqui pacificamente. Estão aqui no Largo do Camões neste preciso momento. Ouvem-se os gritos, ouve-se o barulho. Muitas pessoas vestidas de casa, com cartões a fazerem o simbolismo de uma casa. Daqui a momentos, espera-se, pelo menos, que comecem a partir do Largo de Camões para chegar ao sítio, ao destino desta manifestação, que é efetivamente a Praça do Rossio, onde está planeado que este Movimento A Acampada monte, como Adriana Lima, uma das porta-vozes, dizia, monte tendas simbólicas para quem não tem casa.
A reportagem do jornalista Martim Madeira, que vai acompanhar este protesto que se dirige para o Rossio. A PSP já avisou que a tolerância para novos acampamentos na praça vai ser zero. As tendas têm de sair até à meia-noite e meia, uma posição avançada ao Observador pelo Comando Metropolitano da PSP em Lisboa. A PSP assegura que a comunicação com os manifestantes vai manter-se e avisa que não há linhas vermelhas para uma nova intervenção. A esta hora, no Porto, também sai à rua uma manifestação pela habitação. A marcha começa na Praça da Batalha e termina na Praça Dom João I.
E continuamos a falar sobre manifestações. O secretário-geral do PS diz que o governo já devia ter destacado uma delegação para falar com os manifestantes.
José Luís Carneiro apela ao diálogo do Executivo com os que continuam a querer acampar na Praça do Rossio e também na Praça Dom João I, no Porto, e acusa, o secretário-geral do Partido Socialista, o governo de ter utilizado a força da PSP para calar os que se preocupam com a habitação.
Noutros tempos, também se recorreu à força. A força nunca é a solução para esse tipo de manifestações. Eu, se estivesse, neste momento, como primeiro-ministro do meu país, procuraria precisamente enviar uma delegação do governo para falar com aqueles que estão nas manifestações e procurar estabelecer um canal de diálogo institucional para poder responder às necessidades que os manifestantes estão a colocar.
O apelo do secretário-geral do Partido Socialista para que o governo dialogue com os manifestantes. José Luís Carneiro acusa ainda o governo de ter tiques de autoritarismo nas negociações com os partidos na Assembleia da República. Foram palavras do líder socialista no final desta manhã, à margem de uma conferência sobre democracia em Coimbra.
E a PSP está a monitorizar os apelos nas redes sociais a uma alegada rebelião para hoje em vários centros comerciais em Lisboa.
No dia de novas manifestações pela habitação, fonte da PSP avança à Agência Lusa que vários centros comerciais em Lisboa já pediram reforço de agentes da polícia. Mesmo assim, a fonte diz que não foi colocado nenhum dispositivo especial da PSP para responder a esta situação. O alerta surge depois de vários apelos nas redes sociais a uma rebelião em centros comerciais da capital, entre os quais o Centro Comercial Colombo. Durante a semana passada, vários conteúdos, como cartazes, viralizaram nas redes sociais, incentivavam a rebelião para hoje às 17h30. O objetivo passava por invadir e vandalizar as lojas dos centros comerciais.
E é assim que fechamos o Jornal das Quatro, edição do jornalista Miguel Pinhandrade. Está de regresso às 16h30. Até já.
Até já.