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Vai tentar pela felicidade, batimento por dentro. Goool!
Está na hora de irmos ao encontro do jornalista do Observador, o André Maia, que está na Alemanha a acompanhar o Euro 2024. Olá, André, bom dia.
Bom dia.
Trouxe os seus passarinhos?
Olá. Mais ou menos. Hoje ouve-se mais vento.
Apareceram passarinhos? É parecido. Acho que isto com a idade uma pessoa começa a fazer confusão com as coisas. Agora é o vento.
É uma notícia positiva, é muito positivo, porque até agora tem estado um tempo muito abafado, muito calor e aqui o vento já alivia um bocadinho. Portanto, são ótimas notícias. Por aí, como é que está o tempo?
Está chuva.
E trovejou ontem à noite.
E trovejou ontem à noite, sim.
Trocamos, então.
Nem parece verão. André, ontem foste entrevistar um jovem português político aí da Alemanha. Como é que correu?
Correu muito bem. A entrevista vai sair muito brevemente. Não vou dizer prazos para depois não desiludir os nossos ouvintes e leitores, mas muito brevemente, acredito que até talvez nas próximas horas, já possam ler essa entrevista. Falo do Filipe Lourenço, que é um jovem de 25 anos, faz parte do equivalente à JS aqui da Alemanha, ou seja, da Juventude Socialista. Pertence ao SPD, que é o partido irmão do Partido Socialista. E foi muito interessante ver de que forma é que alguém que vive noutro país, mas que está completamente a par da realidade portuguesa em termos políticos, como é que faz essa avaliação da atualidade política em Portugal, até porque tem outro termo de comparação. Nós fazemos aqui na Rádio Observador uma análise constante à política, mas vivemos em Portugal, estamos habituados à nossa rotina política, vamos assim dizer. E depois temos aqui esta visão de alguém que tem outras rotinas, que tem também outros exemplos. E isso foi muito interessante ver também e vamos poder ver, ou melhor, os nossos ouvintes vão poder ler e também ouvir um bocadinho do Filipe Lourenço, muito brevemente, sendo que foi muito bem recebido. A vila é muito acolhedora.
Qual é a vila?
É Schwedtatal.
Não devia ter perguntado sem saber se conseguias dizer.
Não, esta aqui até era fácil. Mas olha que ontem fui a Mönchengladbach, que é um bocadinho mais complicado.
Já estás um profissional.
Já, exatamente. Mas as vilas são lindíssimas aqui na Alemanha, até mais do que as grandes cidades. E ontem aprendi uma coisa também, porque a vila de Schwedtatal tem 18 mil habitantes, mais ou menos, e eu a certa altura disse ao Filipe: "Esta vila..." E ele respondeu: "Não, isto não é uma vila, isto é uma aldeia." E eu respondi: "Com 18 mil habitantes é uma aldeia?" E ele explicou que sim, que na Alemanha 18 mil habitantes ainda é considerado uma aldeia, a partir dos 20 mil é que é considerado uma vila.
Um dia vais chegar lá. Um dia Schwedtatal.
São países estranhos, têm critérios bem definidos para esse tipo de classificações, não é?
Pois, sim. 20 mil, por exemplo.
Nós aqui deixamos um pouco ao critério de cada vila ou aldeia. Como se sente naquele dia. Sente-se vila ou aldeia?
Depende da Casa do Rural. Nós temos história.
Sim, eu expliquei-lhe que o sítio onde eu moro tem mais ou menos essa população e já é uma vila, e pensar que Schwedtatal seria uma aldeia, quando as aldeias que eu conheço, mais da terra dos meus avós, têm sei lá, 200 habitantes, é um bocadinho estranho. Mas a entrevista vai sair muito brevemente e vão poder ver também algumas fotografias do local, que é lindíssimo.
E como é que esse jovem está a viver o Euro 2024?
Um bocadinho distante.
Só liga à política. Só quer saber de política.
Eu acho que a prioridade dele é realmente a política, mas é mais porque está um bocadinho distante dos focos do Campeonato da Europa, ou seja, a cidade mais perto ali da zona que recebe os jogos do Campeonato da Europa é Düsseldorf, que ainda fica ali a sensivelmente 40 minutos, mais coisa menos coisa. Não é que seja muito longe, mas não é mesmo aqui ao lado.
Não é à porta de casa.
Exato, como estou eu, por exemplo, aqui mais perto de Mainfeld ou de Colónia.
André, hoje não há jogos. O que é que tu inventaste para hoje para te entreteres?
Primeiro, é sempre uma tristeza não haver jogos por aqui.
Já estás a recear. É amanhã, amanhã já voltam.
É o equivalente a isso.
Vais ficar a ver a televisão no hotel.
Sim, ainda por cima que eu percebo bem o que é que eles dizem.
Isso é uma experiência interessantíssima.
Sim, no outro dia estava a dar os Simpsons em alemão.
Ui!
Me dei, porque mesmo sendo os Simpsons eu desisti, porque não vale a pena. Hoje, o que é que vou andar a fazer? Vou experimentar aqui uma espécie de caça ao tesouro, uma segunda parte de caça ao tesouro, porque a primeira parte não correu muito bem, pelo menos como eu queria. Eu andava a tentar apanhar um tal de Otto Rehagel.
Falaste disso, é verdade.
Exatamente. Que era o selecionador da Grécia no Euro 2004 e que agora vive por aqui na Alemanha, ele é alemão, e vive aqui numa região não muito longe desta zona onde eu estou, ali perto de Dortmund, ele vive em Essen, fica mais ou menos a 50 minutos aqui da zona onde estamos. E eu no outro dia tentei encontrá-lo para fazer uma entrevista.
Fizeste uma emboscada. Desculpa, não tentaste entrevistá-lo, fizeste uma emboscada.
Sim, foi uma armadilha completa.
Quase um stalkerante.
É, eu fui ao restaurante onde ele costuma almoçar várias vezes. Fui lá e prometeram-me que o Otto Rehagel às 15h ia aparecer. E eu fiquei até às 15h05.
Atrás da porta.
E ele não apareceu.
Ele não se deixa apanhar por portugueses, aliás, como vimos no Euro 2004.
Exato. Eu acho que fui um bocadinho mais do que atrás da porta, porque eu paguei literalmente para ficar lá, porque eu almocei no sítio. E nada, não apareceu o Otto Rehagel.
Ainda não te respondeu àquele bilhete?
Não. E o bilhete estava tão querido, que eu até dizia lá: "É uma forma de compensar um jovem que sofreu tanto às mãos de gregos durante..." E nada.
Nem isso o convenceu.
Ainda assim, vou tentar de outra forma, ou seja, não literalmente tentar desta vez apanhar o Otto Rehagel, portanto, não vou perseguir o senhor, mas vou tentar contar a história dele sem falar com ele, até porque pelo que percebi, ali há muita gente naquela zona, naquele bairro, que o conhece, que o tem como símbolo e, portanto, vamos tentar contar a história dele de outra forma.
André Maia, o nosso enviado especial do Euro 2024. Bom fim de semana, André, bons jogos. Até segunda.
Obrigado, igualmente. Até segunda.
Vai tentar pela felicidade, batimento por dentro. Goool! Portugal, Portugal, Portugal!