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Vai arrematar para felicidade do atacante André Silva. Gol! Portugal, Portugal, Portugal!
E temos Diário do Euro na Rádio Observador com o André Maia, o nosso enviado especial do Observador ao Euro. André, muito bom dia, estás por aqui.
Bom dia, Filipa. O Miguel Cordeiro está a tratar-te bem?
Até agora não tenho razão de queixa. Como eu lhe disse, é um santo que fez aqui uma aparição nas manhãs de quinta-feira.
Mas é um bocadinho pior, não é? Eu sei.
Não me ponhas nesta posição, André.
É o que temos, André. É o que temos.
É o que temos, eu sei.
André, e há mais.
Tomamos conta dela.
E há mais. Eu estive a ver, e já revi várias vezes, eu não tenho Nunes no meu nome.
Então, Nunes?
Eu sempre achei que tu voltarias da Alemanha com outro nome. André Maia Schmidt, qualquer coisa assim.
Agora é Nunes.
Afinal é Nunes.
O mais fácil seria simplesmente alterar o meu apelido e passar para Maier, porque eu sempre que digo André Maia a algum alemão, eles ouvem Maier e põem o Y, o E e o R, e eu tenho sempre que corrigir.
Lamento, vais ficar com Nunes.
André, para quem não sabe por que estamos a tratar por Nunes, é ir ouvir o primeiro episódio do Diário do Euro, que está disponível em podcast, em que tu contas toda essa aventura. O que estamos a ouvir em fundo, André? Parece junto a uma escola, junto a um treino, parece crianças.
Onde é que tu andas?
Não sabes?
A segunda hipótese está certa. Eu estou neste momento a assistir a um treino aqui de, não tenho certeza porque ainda não consegui falar com eles, mas diria que seja benjamins, por aí, mais ou menos, são ainda muito pequeninos, mas aonde? No primeiro clube de sempre de Franz Beckenbauer. E eu tenho de dizer, eu ainda não estou em mim com aquilo que consegui há uns minutos, porque eu vim para esta rua porque sabia que o Franz Beckenbauer tinha nascido aqui, que não vou tentar dizer o nome. Posso tentar?
Por favor, tenta.
Sucksdorfstraße. É isso.
Não vamos poder saber se está certo ou não, mas portanto.
Sim, é isso.
É dizeres com confiança.
E eu sabia que ele tinha morado neste número seis, mas não sabia o andar. E o número seis, o prédio, tem cerca de 30, 40 andares, é um prédio que está dividido em duas zonas e, portanto, era um tiro no escuro, sendo que não fazia ideia qual era o andar em que ele morava. Esta era a casa de infância do Beckenbauer.
Não tocaste às campainhas?
Não.
Imagina, o Nunes a tocar em todas.
Só toquei duas campainhas e em dois andares. O primeiro acordei a senhora, peço desculpa a esta simpática alemã.
Já sabes dizer desculpe em alemão?
Já sei dizer desculpa e disse desculpe em alemão. Ela foi muito simpática, disse-me que achava que a casa do Beckenbauer era o terceiro ou quarto andar, e eu lá fui, e o terceiro ou quarto andar tinha umas sete portas, provavelmente. E eu fui pela porta que tinha mais som. Ouvi uma criança a falar com a mãe, toquei à campainha, perguntei se era a antiga casa do Beckenbauer e foi. "Namuch", era mesmo aquela. E eles convidaram-me a entrar, então eu estive na última hora a beber café na casa onde o Beckenbauer nasceu.
Isso é onde? Não sei se chegaste a dizer o local, a cidade.
Em Munique. Estamos em Munique e estamos no bairro de Zising, acho que é assim que se diz, mais ou menos. E portanto, obviamente que esta família que mora aqui agora já não tem absolutamente relação nenhuma com o Beckenbauer. Não são familiares, não são amigos, nunca conheceram o Beckenbauer. Também não ficou nada, ou seja, nenhum objeto da altura do Kaiser para agora. Mas não deixa de ser a casa. É isso. Ficou ali a aura e os donos, o Rafael e a Mônica, estiveram a me contar que sempre que vai alguma visita ou sempre que têm de dizer alguma coisa sobre a casa, fazem questão de dizer sempre: "Nós moramos na casa do Beckenbauer". É um bom título.
Como não dizer.
É uma boa coisa, mas mais pormenores eu deixo para a reportagem que vamos publicar.
Sim, não deste tudo já. André, tu tens dito que o ambiente tem estado morno ainda neste Euro, até porque só começou mesmo ontem à noite, ainda não tiveste Diário do Euro. Ontem já foi melhor, sei que estiveste rodeado de escoceses.
Sim. E estive com os escoceses por quê? Porque como disseste, e muito bem, isto tem estado morninho. Aliás, ontem também publicamos um texto em que fazíamos a comparação entre o Mundial 2006 e agora 2024. Houve um estudo de uma universidade de Augsburgo que fez um estudo em abril que dizia que grande parte dos alemães nem sequer sabia, em abril, que o Euro ia ser aqui na Alemanha e acho que 88% tinha dito que gostava mais dos torneios antigamente. Ou seja, nota-se que há muitas pessoas que estão um bocadinho desligadas do Campeonato da Europa. E depois há aqui um ponto que eu acho que é muito importante, que é o tempo. O tempo está mesmo muito, muito triste. Eu ainda não vi, e não estou a exagerar, isto não é uma hipérbole, eu ainda não vi o sol uma única vez desde que cheguei a Munique.
André, isso também já é um bocadinho de uma doença que me parece que está a todos, não é? Somos portugueses.
Queremos sol 24/7.
É isso. Eu sinto que estou em Londres. É um tempo muito tristonho. Já também na zona de Dortmund, onde estava, estava muito parecido, mas o céu está sempre nublado, cinzento, há pouco estava a chover. E pronto, obviamente que isso também faz aqui um pouco o mood estar um bocadinho mais tristonho e mesmo as próprias esplanadas não estão tão cheias como se calhar os donos dos cafés esperavam. As pessoas não vão sequer tanto para a rua, mas sim, está um bocadinho tristonho e por isso é que eu fui ter com os escoceses, porque os escoceses têm sido uma lufada de ar fresco aqui, têm sido eles a cantar. Há uma música que eu, olha, posso já deixar aqui uma aposta. Acho que vai ser a música deste torneio.
Qual é que é?
Os escoceses, eu ainda não percebi muito bem por quê, mas os escoceses fazem questão de onde quer que passem, colocar aquela música, creio que é da Baccara, acho que é assim que se diz, que é o "Boogie, Boogie", "Yes Sir, I Can Boogie", e põem essa música a tocar em todo lado.
O Miguel já está aqui a fazer uma pequena pesquisa. Vamos tentar perceber qual é que é a música. Mas olha, já que estamos aqui a falar dos escoceses.
Eu pelo nome também não ia lá, mas quando ouvirem vão saber.
Vamos saber. Já que estamos aqui a falar dos escoceses, tu ontem viste o jogo de abertura, precisamente com os escoceses, num pub. Como é que isso correu? Como é que estava o ambiente?
O ambiente estava incrível. No pub estava incrível.
Muita Guinness na espalm.
Sim, muita Guinness e outras marcas de cerveja e muita cerveja que já não se via porque já estava na barriga deles.
Olha, o Miguel já está aqui com a música.
É isso mesmo. A parte do refrão, certeza que vocês vão conhecer.
Vamos lá.
Agora vamos chegar.
Já lá chegaremos. É essa.
Ah, já sei.
Pronto, então os escoceses fazem questão de colocar essa música oficial deles.
Agora vamos ficar com música de fundo, está bem, André? Agora vais ter de aceitar a música.
Sim, à vontade. Por exemplo, foi lançado um livro sobre o selecionador da Escócia, precisamente com esse título: "Yes Sir, I Can Boogie". E portanto, tem sido o hino oficial da Escócia e em todo lado eles cantam isto. E tem ajudado um bocadinho a animar um pouco o ambiente, a deixar isto um pouco mais colorido, mais quente. E Filipa, estavas a perguntar sobre o pub.
Sim, como é que estava esse ambiente no pub?
Havia fish and chips?
Eles não precisavam de fish and chips, eles só precisavam de cerveja, mais nada. Exato. Eu pus na reportagem que saiu escrita, em texto, na noite passada, que os nossos ouvintes já podem ler. Eu pus lá que no início eles estavam fanfarrões. Chegaram e: "Vamos ganhar 2 x 0".
Cheios de confiança.
Acho que até há algum escocês que me disse que ia ficar 4 x 0. E à medida que a noite foi passando, foi completamente o contrário. Alguns deles, por exemplo, falei com um que já dizia: "Nós não vamos ser apurados". Houve um coitado dos escocês que eu entrevistei, que dizia que além de terem sido goleados, ele pagou o bilhete para o jogo e o bilhete não chegou.
Epá, coitado.
Não chegou e, portanto, não conseguiu ir. Foi uma dupla desilusão. Mas sim, os escoceses estão a dar aqui um colorido diferente a esta festa do futebol. E ontem no pub, e podem ler isso na reportagem, houve ali várias histórias. Uma delas, por exemplo, uma das empregadas do pub era brasileira e tem um namorado português. Estivemos também à conversa. Ouvir um bocadinho de português aqui também é bom.
Muito bem.
Claro que sim.
E os escoceses, só para fechar esta parte, os escoceses são um povo incrível. Superacolhedor.
Sim. Superacolhedor. Mas olha que também posso dizer, os alemães estão a surpreender, porque nós até agora temos aquela ideia de que os alemães são frios e distantes. Até agora tem sido precisamente o contrário. Têm sido muito acolhedores, muito simpáticos, muito sorridentes também. Olha, está-me a surpreender pela positiva.
Eu já tive a possibilidade de estar em trabalho, tanto na Escócia como na Alemanha, e o que eu melhor recordo da Escócia é a qualidade daquele povo, muito boa gente, e recebem muito bem também. Agora, André, conta-nos, o que é que vais andar a fazer hoje? Para além de beber um café na casa do Beckenbauer, o que é que tens mais para fazer hoje?
Olha, vou ainda tentar aqui falar com estes meninos e principalmente com os treinadores deles, que estão aqui no campo, que foi o primeiro clube do Beckenbauer, que é o SPV GG 1906 Adenhausen. E vou tentar aqui falar com algumas destas pessoas também para saber que legado é que fica do Beckenbauer. E depois partirei para uma das zonas mais bonitas de Munique, que é o Olympiapark, que é onde está o Estádio Olímpico de Munique, que não é casa neste Campeonato da Europa. Aliás, já não é casa de nada há algum tempo, exceto dos Campeonatos da Europa de Atletismo há uns anos, mas em termos de futebol, de grandes competições, já não tem sido casa de nenhum clube sequer. Mas é um estádio lindíssimo. Foi a sede da final, foi ali que foi jogada a final do Campeonato da Europa de 1978. O mítico gol do Van Basten foi marcado ali naquele estádio. E vamos lá não só para falar sobre o Estádio Olímpico, mas principalmente para falar do Massacre de Munique, que ficou assim conhecido em 1972, nos Jogos Olímpicos de 72, em que, e aqui está ligado intimamente com o momento atual, em que um grupo palestiniano fez refém e matou vários atletas de Israel na Aldeia Olímpica. E, portanto, vamos também tentar perceber um bocadinho dessa história. Não vou dar muitos pormenores, porque ela será lançada em texto, obviamente, no setor Observador, em observador.pt e aí poderão ler tudo. Mas há ali também muito sumo numa altura tão marcada também por esse conflito Israel-palestiniano, que está aqui presente. Israel esteve quase a estar aqui no Campeonato da Europa, não se qualificou, foi aos playoffs, mas não conseguiu seguir em frente. Mas vamos estar à conversa também com algumas pessoas que nos vão contar um bocadinho dessa triste história de 1972.
André, já nos contaste o que é que vais andar a fazer no dia de hoje.
Olha, grande gol marcado aqui.
Foi, grande gol. Conseguiste perceber quem é que marcou?
Incrível, foi o número oito. Bem, espetacular.
Grande número oito, exato. Fica a tentar aí o gol.
Perdeste uma grande oportunidade.
Grande gol.
Olha, se calhar tem aqui um futuro promissor. Não, eu estava a dizer que já nos contaste os teus planos de festas para hoje, mas quanto à seleção, tu estás longe, mas o que é que os nossos jogadores vão fazer hoje? Sabes?
Hoje é um dia, pelo menos do que sabemos, que é daqueles dias que vai ser limpinho, que é a conferência de imprensa, que creio que até já terá acontecido.
Já foi, já foi. O Diogo Dalot.
Já foi, exato. O Diogo Dalot. Sim, porque eu sabia que o Diogo Dalot ia, mas isto às horas, eu há pouco, por exemplo, mandei mensagem à nossa produtora a dizer: "Já estou em linha, podemos testar?" E só depois é que percebi: "Não, espera, isto é uma hora a mais". Estou a entrar uma hora a mais.
Ainda não é.
Foi a primeira vez.
Então vou te ajudar. Já houve conferência de imprensa e está agora a decorrer o treino. Ainda está naqueles 15 minutos.
Que a comunicação social pode ver.
A comunicação social pode ver, porque nós ainda conseguimos ver essas imagens. Portanto, talvez tenha esticado ali um bocadinho que o treino era para começar às 18h ou começou mais atrasado, mas está a decorrer o treino nesta altura.
Certo. Então olha, o que eu ia dizer é: vai ser um dia limpinho, porque ontem ainda tivemos a questão do treino, o treino aberto, que obrigou aqui a várias mudanças, até mesmo do plano da seleção. Não vai, ao que tudo indica, pelo menos daquilo que sabemos, ter grandes planos assim de treino durante a tarde Vai ser um dia limpinho porque vai ser este o dia a dia da seleção, ou seja, conferência de imprensa, logo a seguir treino e portanto hoje não se espera um grande evento, tal como ontem, que estavam milhares de pessoas em Gutersloh para acompanhar o treino aberto. Hoje vai ser um dia mais calmo, até porque é preciso ter calma. Foram muitas emoções para a seleção. Chegou, teve aquela receção incrível, no dia a seguir treino aberto. Agora é preciso também resguardar um bocadinho os jogadores. Vão treinar e depois ficarão o resto da tarde por lá em Klosterfort. Nós só vamos voltar a Marienfeld, que é onde eles estão, só dia 19 à tarde. Que é também a mesma altura, mais ou menos, em que os jogadores regressam e portanto ainda vamos estar aqui uns diazinhos longe da seleção, mas lá estaremos.
Sim, mas a antena regressa já amanhã para mais um "Diário do Euro". Acredito que regresse também ao longo do dia para nos contar mais histórias da tua cobertura deste Europeu 2024. Apenas reforçar também, antes de fecharmos, a agenda de hoje a nível de jogos: 14h Hungria-Suíça, 17h Espanha-Croácia, 20h Itália-Albânia. E reforçar também que aqui na Rádio Observador acompanhamos em todos os espaços noticiosos, atualizamos o resultado e detalhamos as principais incidências de cada jogo. Fazemos também, quando chegamos ali ao minuto 85, entre os 85 e os 90, o "Minuto 90". Já o tínhamos feito também nas últimas grandes competições e o jornalista Diogo Varela vai acompanhar estes três jogos. Ao minuto 90 faz esse relato dos minutos finais e analisa também os principais destaques de cada encontro, sendo que ao final do dia há para ouvir também em podcast uma edição do "Sem Falta" com o Pedro Henriques a explicar os principais casos de arbitragem do dia e também a pontuar a arbitragem em cada dia do Europeu. Assim é a agenda para o dia. André Maia, nós marcamos encontro para amanhã, para mais um "Diário do Euro".
É isso mesmo. Até amanhã.
Até amanhã, André.
E como se diz em alemão: "Auf Wiedersehen". Goodbye.
Vai por baixo para a felicidade, para dentro. Gol! Portugal! Portugal! Portugal!