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E no inquérito de verão de hoje temos conosco o Carlos Fiolhais, que assina aqui na Rádio Observador com o João Miguel Santos, o Ciência Pop, que todos gostamos muito de ouvir ao fim de semana. Eu gosto, Carlos.
Eu adoro. É o nosso professor de Física favorito.
Sem dúvida.
Eu sabia que tinha dois ouvintes. Já sei quais são.
Somos nós. Sou eu. Nelson Ferreira e Rita Camarneiro, os dois ouvintes da Ciência Pop. Carlos, vamos ao inquérito de verão. Imagine esta situação: vai de férias com um grupo de amigos, vão dividir a casa durante uma semana, mas quando está de partida, recebe um telefonema de uma pessoa com quem esteve a jantar na véspera a dizer que tinha testado positivo à COVID-19. Vai abdicar das suas férias? Avisa os seus amigos?
Essa é uma situação complicada, mas eu quero crer que o COVID é uma coisa que já passou. Estamos a falar da hipótese do passado. Não estou em qualquer coisa do futuro. Arrisco a um outro vírus diferente.
É muito de "modus" este. Siga. Está a dividir a casa de férias com um casal amigo. Ele tem problemas de higiene pessoal. Diz-lhe alguma coisa?
Depende do quão pessoal é a higiene. Depende de quão amigo ele é.
E o quão próximo estará.
Exatamente, talvez.
Talvez. Olhe, e esta aqui: vai para uma praia isolada e vê o marido de uma amiga sua com outra mulher. Eles não estão a fazer nada, estão só no areal a apanhar sol. Mas vai contar à sua amiga?
Claro que não. Essa é fácil.
É fácil.
As pessoas têm todo o direito de se mostrar no areal sem serem vistas.
Boa.
Carlos, está na piscina de uns amigos e o seu filho mais novo diz-lhe, em segredo, que fez xixi na água. Conta aos seus amigos?
Não, obviamente, porque não é uma coisa que uma pessoa se possa orgulhar. Já agora, não façam xixi na piscina. É uma coisa que tem muitos inconvenientes, mas temos de dedicar um Ciência Pop a esse assunto. Porque é uma coisa que prejudica, de facto, a água da piscina. No mar, façam à vontade. Xixi no mar é permitido. É até muito bom para os ecossistemas marítimos. Além de ser uma gota no oceano.
Claro. Carlos, imagine esta situação: quando chega ao seu destino de férias, percebe-se que se esqueceu de levar o peixinho da sua filha e inevitavelmente o peixinho que ficou em casa vai morrer. Conta isto à filha ou guarda segredo e quando regressa substitui à pressa o peixe sem que ela dê por nada?
Eu nem tenho filha, nem tenho peixe.
Para mim, ajuda.
Mas eu acho que optaria pela hipótese da substituição do peixe. Há peixes muito parecidos. A filha é que não pode trocar.
Ora.
Lá está. Carlos, no grupo de trabalho do WhatsApp recebe uma fotografia que foi enviada por engano. É uma imagem constrangedora de um colega seu em calções de banho ou biquíni. A imagem é apagada de imediato. Finge que não viu ou comenta alguma coisa no grupo?
Claro que finge que não viu. Há mentiras piedosas, quer dizer. Uma pessoa não tem que ver tudo aquilo que vê. E eu acho que está a falar demasiadas coisas que não deviam ser faladas.
O Carlos é muito discreto. Eu gosto de amigos assim. É o amigo que eu queria ter.
É o amigo que toda a gente deveria ter.
Sem dúvida. Carlos.
Coisas pessoais são coisas pessoais. E isso é um direito que todas as pessoas têm, as suas coisas pessoais.
Concordo.
E enganar, isso não é toda a gente tem esse direito.
Carlos, imagine esta situação: está de férias no estrangeiro e pede a um amigo que lhe vá registrar o Euromilhões com os seus números de sempre. Ganha € 1 milhão. Vai dividir o prêmio com esse seu amigo?
Primeiro, eu não jogo Euromilhões porque a probabilidade de ser premiado é mais remota que a queda de um meteorito.
Cá está, é cientista, nota-se logo.
E ele a dizer isto é porque é mesmo. Eu pensei que isto era uma coisa que as pessoas diziam, mas se o Carlos diz é porque é mesmo.
É mesmo. Segundo, no caso hipotético disso acontecer, dividir não sei, mas seria generoso com o amigo. Trouxeste uma sorte grande, também tens direito a uma parte da sorte grande, como é óbvio.
Claro. Boa.
Carlos, a namorada do seu filho de 15 anos vai passar o dia convosco na praia. Ela deveria voltar à casa depois de jantar, mas o seu filho pede-lhe para ela dormir lá em casa. O Carlos deixa?
Acho que sim. Embora eu não tenha nenhum filho de 15 anos.
Mais uma vez, nem uma filha com peixinho.
Eu acho que o Carlos está se a pôr no lugar do filho de 15 anos. Como se fosse seu, claro.
Eu, se fosse o filho, até queria zangar-se com o meu pai.
Se ele não deixasse.
Hoje em dia, os 15 anos de hoje são diferentes dos 15 anos meus que já tive.
Sem dúvida. Olhe, a caminho das férias, está um homem à beira da estrada com o carro avariado a pedir boleia. Ele também vai para o Algarve, como o Carlos Fiolhais. Vai lhe dar uma boleia ou não?
Isso depende de tanta coisa, com quem estou, do tipo de situação com que uma pessoa se depara. Mas a verdade é que a probabilidade é pequena. Eu não costumo dar boleias.
Boa.
Um princípio, lá está, cientista. Há que ouvir. Carlos, encontra o seu chefe ou a sua chefe numa praia de nudistas. O que faz? Vai cumprimentá-lo ou cumprimentá-la, finge que não o vê, desvia o olhar?
Eu não tenho agora chefes Já me reformei. A vantagem de eu estar reformado é que não encontro os chefes da praia de nudistas.
Ou se é um colega. Imagine que encontra um colega seu.
Mas é evidente que fingir que não vê é o pior, o melhor é cumprimentá-lo.
Acho que sim. Até porque se estaria na praia de nudistas, estariam ambos nus e confortáveis com essa situação.
Como é evidente. Quer dizer, na praia de nudistas não se pode andar assim muito esquisito.
Carlos, está a tentar estacionar o carro junto à praia, sempre cheio de estacionamentos junto à praia. De repente, vê ali um carro a sair, alma aberta, mas à sua frente está uma velhinha, que também está ali à procura de estacionamento, muito atrapalhada e nem sequer se apercebe que aquele lugar ia ficar vazio. Vai avisar a senhora?
Eu sou muito mau em estacionamento e não costumo ter essa sorte imensa de ficar no lugar que eu quero, perto do sítio onde eu vou. Mas as velhinhas devem sempre ser ajudadas, isso é um princípio da vida. Quer dizer, se eu pudesse ajudar.
Ótimo.
A última: às duas da manhã, Carlos, depois de um jantar animado, pega no telefone para ligar a um amigo, mas engana-se e liga ao seu patrão, que está a trabalhar. Se não houver patrão, pode ser um colega mais velho. Ele não tem o seu número gravado. Admite que é você ou desliga o telefone?
Claro que admito que sou eu.
Até porque é impossível com a sua voz.
Exatamente. Peço desculpa e digo: "Isto era para outra pessoa" e, de facto, a verdade é que nos salva. Neste caso, a verdade é redentora.
Ótima forma de terminarmos esta enquete de verão com o Carlos Fiolhais. Podem continuar a acompanhar aqui na Rádio Observador, o "Ciência Pop" com o Carlos Fiolhais, aqui ao fim de semana e sempre disponível em podcast.
Novos episódios domingo depois do jornal das 21:00.
A Rita confirma que é uma das ouvintes do "Ciência Pop".
Sou mesmo fã.
Carlos, muito obrigado.
É uma coisa fantástica ter ouvintes como vós.
Obrigado, Carlos. E é um prazer também tê-lo connosco. Boas férias, Carlos. Bom verão.
Obrigado.