Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Muito bom dia, está com o Observador. Se só agora ligou o seu rádio, seja bem-vindo, está na hora do Último, direto à campanha. Carla, estamos no último dia, as eleições estão marcadas para domingo e nas últimas duas semanas os partidos estiveram na estrada a apresentar ideias de norte a sul do país.

Foram duas semanas intensas, com muitos quilômetros, vários comícios, discursos e arruadas. Houve também espaço para novas formas de fazer campanha. No arranque, ela fica marcada por esclarecimentos de ideias que foram transmitidas nos debates, mas o caso de Tancos acabou por ocupar todos os discursos, da esquerda à direita. Já esta semana, o destaque vai para vários apelos ao voto e para o abrandamento da campanha ontem, depois da notícia da morte de Diogo Freitas do Amaral, histórico dirigente fundador do CDS. São destaques de duas semanas de campanha que o Observador acompanhou de muito perto e, por isso, sem mais demoras, vamos dar voz aos nossos repórteres.

Vamos ter com eles, vamos para a estrada. Carla, e hoje, porque estamos no último dia, vamos chamar todos os nossos repórteres que durante estas duas semanas tiveram junto das caravanas dos partidos.

Duas semanas de muito trabalho, de muitos quilômetros. Vamos começar pelo Partido Socialista. Chamo a repórter Rita Tavares, esteve com a campanha do PS. Rita, bom dia. Que balanço é que fazes destas duas semanas?

Bom, faço o balanço de um partido a fintar sempre um caso que é muito sensível para o Partido Socialista e que rebentou, digamos assim, mesmo no meio desta campanha, que foi a acusação do caso de Tancos, e que fez com que o PS tivesse que reajustar a estratégia permanentemente, centrando, a partir dessa altura, de uma forma mais clara, a campanha nos ataques ao PSD, logo com aquela declaração bastante dramática de António Costa a acusar Rui Rio de fazer um ataque de caráter com o caso de Tancos. Além disso, é de referir também nesta campanha que depois da solução governativa encontrada em 2015, o PS não veio para a estrada para malhar, utilizando aqui a expressão de Augusto Santos Silva, na esquerda. Acabou por poupar um bocadinho os parceiros. Apareceram dois ou três elementos com avisos para a irresponsabilidade, como lhes chama o Partido Socialista, desses partidos, mas verdadeiramente aquele que foi o adversário que o PS começou a identificar, até pela subida do PSD nas sondagens, foi Rui Rio, e os ataques acabaram por centrar muito assim. Portanto, António Costa acaba esta campanha com esse adversário e também com o apelo ao voto, que já vai em um tom bastante dramático.

Rita, a fasquia do PS foi baixando ao longo destes 15 dias, não é? Afastamo-nos da fasquia da maioria absoluta.

Sim, é curioso porque na caravana começa-se a ouvir dizer: "Ah, a maioria absoluta nunca foi um cenário". Que é um pouco uma justificação para aquilo que nós fomos vendo acontecer desde que começou a campanha, porque a verdade é que se arranjaram aquela questão da justiça, o que é da justiça e a política, o que é da política, para controlar o caso de Tancos, também é verdade que isso provocou alguma mossa. Isso além das sondagens que mostraram ali a margem entre PSD e PS a estreitar, e isso fez com que a maioria absoluta e essa perspectiva tivesse desaparecido nos discursos.

Rita Tavares, a acompanhar a campanha do PS. Passamos para o PSD agora, vamos chamar a Rita Diniz, que neste momento está em viagem entre o Porto e Lisboa. Rita, bom dia. Este dia começa com uma viagem. É precisamente uma viagem que peço agora que faças, uma viagem rápida pela campanha do PSD. O que destacas?

Olá, bom dia. Na verdade, eu diria que Rui Rio não podia errar muito nestes 15 dias. Não tinha muita margem para errar, porque partia para a estrada com uma expectativa muito baixa. Portanto, a margem que ele tinha era de ir subindo. E de fato, foi o que ele fez, foi subindo, não só nas sondagens, como também na percepção de que a coisa estava a correr bem. Foi isso que ele conseguiu logo no caso de Tancos, quando saiu a acusação. A maneira como o PSD agarrou o tema acho que surpreendeu, de certa forma, até o próprio PSD, e conseguiu bipolarizar a campanha em torno dos dois principais partidos, que era uma coisa que não estava a acontecer muito. Ficou tudo muito centrado, a partir daí, no PS e no PSD, e Rui Rio continuou a fazer isso, pondo outros temas na agenda, como, por exemplo, o duelo de Centenos, que foi uma questão que Rui Rio começou a levar para a campanha ainda na fase de debates da pré-campanha, e parecia que não era um trunfo muito bem jogado, mas acabou por ser na medida em que bipolarizou novamente a questão em torno dos dois grandes, neste caso, Mário Centeno e o Centeno de Rui Rio, Joaquim Sarmento, quem é que afinal é o dono da credibilidade das contas públicas.

E hoje vamos, quase certeza, ter Rui Rio a responder ontem àquela mensagem direta de Mário Centeno. Vamos acompanhar e vamos esperar, Rita, que dês conta dessa resposta de Rui Rio. Agora o foco para o CDS, que acabou por cancelar e por alterar alguns dos pontos da agenda devido à morte de Freitas do Amaral. Chamamos o repórter Rui Pedro Antunes. Rui, estás no Porto, estás a preparar uma viagem para as Caldas da Rainha. Vamos olhar para a campanha e, de fato, esta foi uma semana difícil para os centristas. Estamos a tentar o contacto com o Rui Pedro?

Não temos o Rui Pedro?

Não temos o Rui Pedro.

Está difícil isso no CDS.

Vamos para o Bloco. Rui Pedro.

Olá, tudo bem?

Olá, então.

Lá está, estou a seguir um bocadinho aquilo que é a campanha do CDS.

Com algumas incidências.

Se alguma coisa tem que correr mal, vai correr mal. E pela primeira vez na vida esqueci-me de levantar a via.

Muito bom. Pois, duas semanas e esqueces-te no último dia. Bom, vamos lá então.

Muito rapidamente, foi isso que aconteceu. Foi tudo acontecendo ao CDS já partia de uma base muito curta. Logo na primeira ação de campanha, a líder vai para o Barreiro, num sítio onde o partido teve 2%, num conselho onde teve 2% nas europeias e começa a ser ignorada. Depois vai por aí fora até que chega o caso Tancos e Assunção Cristas e o próprio CDS conseguem crescer um bocadinho e durante uns dias ganham ali um tema que é fundamental para se imporem à agenda, consegue chegar a fazer manchetes de jornais com a conferência de imprensa que a líder dá a dizer que era uma segunda comissão de inquérito e outro tipo de diligências políticas que o CDS quis fazer sobre o caso Tancos, mas depois foram sempre acontecendo várias incidências, desde a líder ir a Coimbra e ser insultada, até à tentativa de agressão no Porto e depois a morte do fundador. Tudo o que podia acontecer de mau ao CDS acabou por acontecer.

Rui Pedro, estamos com pouco tempo, mas eu não resisto. No primeiro direto à campanha, disseste que ias partir sem saber se ias dar um beijinho ou dois. Já aprendeste como é que se faz? São três.

Exato. É que há dias tive a oportunidade de contar no Caso ao Voto que a própria líder do CDS fez questão de esclarecer isso comigo logo no Barreiro. Veio ter comigo e disse: "Este senhor, como não sabe se é um ou dois beijinhos, eu vou lhe dar três."

É bom sinal. Andou a ouvir a Rádio Observador. Portanto, no Barreiro são três beijinhos. Rui Pedro, boa viagem para ti. Vamos já para a campanha do Bloco chamar o José Pedro Mouzos. José Pedro, que imagem fica destas duas semanas de campanha do Bloco de Esquerda?

Bom dia. Eu diria que fica uma imagem de um partido que tentou por tudo fugir às polémicas, mas que acabou, em parte, por também fugir um bocado da agenda mediática e, por consequência, não conseguir muitas vezes abrir noticiários e a marcar passo. Ou seja, o Bloco de Esquerda entrou para esta campanha com uma ideia, que era a de evitar que o PS tivesse uma maioria absoluta e de surgir como o partido que mais quer repetir a experiência da geringonça. Para isso precisava de criar uma polarização entre o PS e o Bloco de Esquerda. Foi isso que tentou Catarina Martins logo no primeiro dia, quando entrou para a discussão sobre a paternidade da geringonça. Depois Tancos acabou por tomar conta da campanha. A Catarina Martins fez sempre o mínimo indispensável, sempre que havia uma novidade comentava, mas eles não queriam fazer parte dessa polémica, então desapareceram um bocadinho. E agora mais para o fim, voltaram a insistir nestes ataques ao PS. E eu diria que o melhor do Bloco de Esquerda também é um bocado o pior. Eles conseguiram manter a estratégia, mas muitas vezes ficaram apagados das histórias que se contavam dos dias de campanha.

José Pedro Mouzos, obrigada pelo resumo que fazes desta campanha do Bloco de Esquerda. Vamos até à CDU com a Rita Penela. Rita, bom dia. A CDU continua a ser a coligação mais organizada, com ações de campanha sempre pontuais, mas estas duas semanas ficam também marcadas por discursos de posicionamento com ataques ao PAN e aos socialistas.

Olá, bom dia. Sim, essencialmente aos socialistas, aliás, um ataque cerrado ao PS. A CDU a dizer e a marcar a posição que nenhum dos dois partidos teria mudado a sua identidade, é um dois em um. É uma crítica ao PS e que tantas vezes colou à direita e a famigerada lei laboral. E por outro lado, também a garantia de que não perde o eleitorado mais sensível a esta espécie de aliança, à geringonça, por assim dizer, dos últimos quatro anos. A CDU que foi pra estrada com o argumento de se querer reforçar e de eleger deputados, aliás, onde ainda não tinha, mas a verdade é que se olharmos para a rota da caravana nestas duas semanas, houve um dia em que se arriscou e se esteve em três distritos onde a CDU ainda não tem deputados no Parlamento, mas também com uns discursos muito mornos e que não levavam a crer ou não deixaram a sensação que se quisesse assim tanto. Depois, por outro lado, o facto de na rua haver muito pouco contacto com o secretário-geral do PCP, aliás, que também não deixa grande margem para intervenção ou para haver um contacto mais próximo com a população.

Rita Penela, com a campanha organizada da CDU. Vamos ainda ao PAN, com o João Francisco Gomes. João, depois de duas semanas, ontem podemos dizer que o PAN mostrou as garras?

Sim, é verdade. Bom dia, Carla. Eu acho que o que resta destas duas semanas de campanha do PAN é que ficamos com a sensação que o PAN já não quer ser aquele pequeno partido dos animais, apenas dos animais, que era quando surgiu. E de fato, ao fim de duas semanas relativamente discretas, em que André Silva procurou ficar alheio a casos e a acusações contra os outros partidos, de fato ontem mostrou as garras num discurso duríssimo, em que atacou todos os partidos do sistema e em que mostrou, de facto, que o PAN veio para jogar na Liga dos Campeões e já não quer ser considerado um partido pequeno. O PAN soube capitalizar muito bem as questões do ambiente. Nota-se ainda alguma inexperiência, mas é o que eles querem resolver nos próximos quatro anos ao tornarem-se um dos partidos com assento

No Parlamento, com um grupo parlamentar na Assembleia da República.

É esse o grande desafio com que partiu o PAN. Vamos ver no domingo. João Francisco Gomes, que acompanhou esta campanha, Rita Penela, José Pedro Moses, Rui Pedro Antunes, Rita Diniz e Rita Tavares. É o olhar dos seis repórteres que estiveram a acompanhar de perto estas duas semanas de campanha.

E hoje partimos para o último dia, são os últimos cartuchos. Olhemos então, Carla, para a agenda desta sexta-feira.

Já sabemos, o CDS vai cancelar todas as ações de campanha a partir das 15h. Mantém-se o programa no Majestic, no Porto, segue depois para as Caldas da Rainha, almoça em Setúbal e termina em Lisboa. Ficam anuladas a arruada pela Baixa de Lisboa e a festa comício em frente à sede do partido, no Largo Adelino Amaro da Costa. O PSD visita o mercado de Alvalade, aqui ao lado, almoça no Parque Mayer antes da arruada no Chiado, o último dia da campanha social-democrata por Lisboa. António Costa, como já é tradicional, almoça na Cervejaria Trindade, desce depois o Chiado, apanha o comboio e encerra a campanha com um comício no Coliseu do Porto. O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, tem um dia a norte, com uma visita a uma pedreira em Penafiel, um almoço com mulheres da CDU no Porto, onde participa depois numa arruada na Rua de Santa Catarina. Termina com um comício em Braga. A coordenadora bloquista Catarina Martins está em Setúbal para uma arruada e depois um jantar no Clube Naval. O porta-voz do PAN, André Silva, passa também a ludiar em Lisboa, tem ações sobre habitação, apoio à vítima, direitos dos animais e um jantar de encerramento no restaurante onde o atendimento é feito por pessoas que já estiveram ou que estão em situação de sem-abrigo.

E agora o fact-check. O Partido Ecologista Os Verdes diz que, ao contrário dos restantes partidos, o PEV tem feito propostas centradas na ecologia desde o século passado. Verdade, mas não é o único, como nos esclarece a editora de sociedade Sara Antunes de Oliveira. É caso para perguntar: "Espelho meu, espelho meu, quem é mais ecologista do que eu?" Hoje vamos tentar perceber quem é mais verde ou verde há mais tempo. Numa espécie de o meu verde é mais verdinho que o teu, um deputado do Partido Ecologista Os Verdes disse que, ao contrário dos outros partidos, o PEV não acordou só agora para o tema das alterações climáticas, do ambiente e da natureza. Pelo contrário, faz propostas nessa área desde o século passado. Para dar um exemplo, José Luís Ferreira lembrou um projeto para a Lei de Bases da Proteção dos Animais Não Humanos, apresentado pelos Verdes em 1988. Esse projeto foi, de facto, apresentado naquele ano e debatido na Assembleia da República dois anos depois. Parece um verde muito sólido, certo? Mas não. Com este exemplo e com a argumentação que o antecedeu, o PEV queria fazer crer que naquela altura só os Verdes pensavam estes temas. E é bem verdade que o partido era o único no Parlamento com um foco tão centrado na ecologia. Mas, no mesmo dia em que o plenário debateu a proposta para proteger os animais não humanos do PEV, debateu uma outra semelhante apresentada por PSD, PS, PRD e CDS. Há, aliás, uma curiosidade. O projeto dos Verdes foi apresentado em outubro. O dos outros partidos já tinha sido apresentado primeiro, em junho. Assim, o carimbo de hoje não pode ser verde, tem de levar ali um desconto na cor para os bater um bocadinho. Embora seja verdade que os Verdes se preocupam com o ambiente desde o século passado, não é verdade que sejam os únicos. E é isso que a argumentação do deputado deixava a entender, o que faz com que seja esticada. E agora, Paulo Ferreira: não foi para isto que se fez o 25 de Abril.

Os inquéritos de opinião dizem que há dois temas que dominam as preocupações dos portugueses: os serviços de saúde e o combate à corrupção. Ora, nesta campanha eleitoral, o Serviço Nacional de Saúde foi discutido. Falou-se dos meios que há e não há, do público e do privado, liberdade de escolha. Mas sobre corrupção, foi um silêncio quase absoluto. Sobre prevenção e sobre o funcionamento da Justiça, não houve mais de duas ou três frases. Ora, num país que tem um ex-primeiro-ministro e o maior banqueiro acusados de corrupção, onde os grandes e pequenos casos se vão sucedendo, o desprezo que o tema merece dos líderes políticos é a melhor forma de afastar os cidadãos da coisa pública. E não foi para isso que se fez o 25 de Abril.

Mas, Judite França, foi para isto que se fez o 25 de Abril.

Foi para ir às urnas votar e escolher. E foi para isso, nesta sexta-feira, que quem já programou o fim de semana longe de uma mesa de voto, deve pensar duas vezes. Se olharmos para os números da abstenção nos últimos 40 anos, entre 1975 e 2015, vemos como o desinteresse dos portugueses disparou. De pouco mais de 8% em 75, quando o país foi às urnas pela primeira vez em democracia, aos 44% nas últimas legislativas. É caso para dizer que os portugueses tomam por garantida a democracia e deixam por mãos alheias a escolha de quem os irá governar. Ora, não foi para isso que se fez o 25 de Abril. O 25 de Abril fez para que pudéssemos exercer esse direito, que é também um dever. Foi para isto que se fez o 25 de Abril.

E agora, o baú. Às vezes faz falta política de proximidade. O nosso baú final recua até 2002, quando PS e PSD se aproximaram tanto quanto podiam sem qualquer interesse político. Uma peça de Nuno Viegas com sonorização de Beatriz Martelo Garcia.

Em 300 metros, na cidade invicta, as primeiras legislativas do século XXI. Na Praça da Liberdade, o Partido Socialista de Eduardo Ferro Rodrigues.

Para que um cenário de negociação se coloque, é preciso que o Partido Socialista tenha uma grande votação e seja convidado a formar governo.

Na Praça Dom João I, o Partido Social-Democrata de Durão Barroso.

A liderança do partido recebeu uma nova legitimidade.

António Guterres demitiu-se há um ano.

Continuando a exercer as funções de primeiro-ministro, o país cairia inevitavelmente num pântano político.

O país vai a eleições antecipadas, mas nos comícios simultâneos de 6 de março, o então presidente da concelhia do PSD no Porto, Luís Filipe Menezes, não vê malícia.

São meras casualidades. Nunca vi nisso uma lógica provocatória. Cada um normalmente gere os timings de campanha em função dos sítios em que acha que está mais forte ou está mais fraco. Quando isso aconteceu, às vezes havia arruadas com uma diferença de meia hora, tirando aquele pós-25 de abril imediato, nunca me lembro de haver uma zaragata ou um problema. O português ladra muito e morde pouco.

Na altura, os sociais-democratas acusaram os socialistas de organizar uma campanha de pressão contra a Câmara Municipal. É tema de capa o confronto de Rui Rio com o Futebol Clube do Porto sobre o Estádio das Antas. O PSD diz mesmo que o PS trouxe as claques do Porto para o comício. Hoje, Luís Filipe Menezes não se lembra da polêmica, mas fala de uma campanha confiante.

Havia esperança para a eleição, porque as sondagens eram boas, eram relativamente boas. E depois havia muito aquela situação do estado de alma do Partido Socialista. Sair um líder como Eng.º Ferro, que é um líder forte, carismático. O Eng.º Ferro Rodrigues nunca foi um líder, era uma pessoa respeitável, mas não é um líder carismático. E o Durão Barroso trazia um bocadinho daquela ideia da juventude, de um primeiro-ministro mais jovem.

Ainda assim, o médico e político recorda comícios pequenos, incluindo os dois que ocuparam o Porto. Fica na memória o estilo jovem de Durão Barroso.

Foi uma coisa muito mais tipo de ligação à comunicação social. Andava em contactos pessoais, um bocado à moda do Rui Rio, talvez. Andava numa van, parava-se aqui, parava-se acolá e correu-se o distrito assim numa carrinha com seis, sete pessoas e uma pequena comitiva.

O PSD ganhou as legislativas de 2002 com uma vantagem de três pontos para o PS.

O 15º governo constitucional assume a responsabilidade de corresponder à nova esperança manifestada pelos portugueses, que acreditam que é possível construir um futuro melhor para Portugal.

Dois anos depois, Durão Barroso deixou o governo para dirigir a Comissão Europeia.

Portugal deve muito à Europa e quando esta pede a colaboração de um português para uma missão importante, Portugal não deve dizer que não.

Já Luís Filipe Menezes chega à presidência do PSD em 2007, com José Sócrates no poder. Passa menos de um ano no cargo.

Mas chegou a altura de não serem só os autores materiais do terrorismo a serem candidatos, chegou a altura dos mandantes serem candidatos. Daqueles que vão com grande petulância aos estúdios de televisão dar lições ao país.

Como quem, nomes?

Chegou a altura, eu penso que é a altura-

Do José Francisco e.

Da doutora Manuela Ferreira Leite, da doutora Sónia Sanfona.

"Memórias de Sam the Kid" fecha este baú e dá o mote para o fim da nossa viagem pelo passado das legislativas. A música é de 2002, as memórias vêm de mais de quatro décadas de democracia. E o Direto à Campanha fica por aqui. A edição de hoje pode ser ouvida no nosso site e também na app do Observador.