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Estamos de regresso para mais uma edição do Direto à Campanha, hoje com as jornalistas do Observador, Rita Penela, que tem acompanhado a campanha de João Ferreira, e também a jornalista e grande repórter do Observador, Rita Tavares, que tem acompanhado também estes últimos desenvolvimentos da recandidatura de Marcelo Rebelo de Sousa à Presidência da República, numa altura em que surge uma notícia de última hora: o presidente da República testou negativo. Aguardava-se pelos resultados de um novo teste, depois desse teste PCR ter dado um resultado positivo. Ora, o resultado do último teste realizado ontem à noite pelo Instituto Ricardo Jorge deu negativo para COVID-19. O presidente da República mantém-se, ainda assim, em isolamento. Aguarda a realização de um teste confirmativo, enquanto aguarda por um resultado, mas também pelas novas orientações das autoridades de saúde. O presidente da República, para já, sabe-se que vai assistir por videoconferência à reunião desta manhã no Infarmed. Rita Tavares, Rita Penela, bom dia a ambas. Começo pela Rita Tavares, em particular para perguntar sobre estes últimos desenvolvimentos e também a propósito da campanha, de que forma é que estas novidades podem gerar também algum tipo de alterações naquilo que pode ser a campanha eleitoral do atual chefe de Estado e recandidato à Presidência da República.

Isto parece quase um carrossel.

Não há minuto em que não haja um outro desenvolvimento.

Um teste com resultado diferente do presidente da República. Mas a verdade é que isto não nos faz, de repente, adivinhar aquilo que não sabíamos ontem à noite. Também continuamos sem saber hoje de manhã. Sabemos, sim, que o presidente vai participar na reunião do Infarmed, que decorre agora de manhã, por videoconferência, mas dificilmente fará as reuniões com os partidos esta tarde, diria eu, porque com esse teste de hoje contraditório relativamente àquele que tinha dado positivo ontem, ainda aguarda um contacto das autoridades de saúde para saber, afinal, se tem de se cumprir o isolamento ou não. Ontem, a perspectiva que tínhamos à noite era de que a campanha de rua para Marcelo tinha acabado. Ele, que já tinha dito que até ao dia 18, por causa do contacto de baixo risco que tinha tido com o elemento da sua Casa Civil que está infetado, não tinha se retirado de ações de campanha com mais gente, numa altura em que o país vai estar também confinado, que vai acontecer a partir de quarta-feira, não haveria assim tanta gente. Mas o que é certo é que Marcelo avisou logo que estava de vigilância passiva, portanto, não iria estar onde tivesse muita gente por causa desse contacto e que esse tempo dessa vigilância só terminaria no dia 18, na próxima segunda-feira. Portanto, só teríamos o presidente da República, que também é candidato às presidenciais, na rua a partir desse dia, a partir do dia 19, para aquela reta final de campanha. Por agora, não havia mesmo nada previsto em termos de campanha eleitoral para Marcelo, ele que até prescindiu dos tempos de antena e com isso, com tudo junto ontem, no segundo dia oficial de campanha, foi criticado por alguns dos seus adversários nesta corrida a Belém.

Rita Tavares, são muitos os desenvolvimentos a propósito desses testes que têm sido feitos ao presidente da República. Falamos agora também com a Rita Penela, jornalista do Observador, que tem acompanhado também a candidatura de João Ferreira, candidato à Presidência da República, apoiado pelo Partido Comunista Português, que cancelou as ações de campanha. Ontem à noite tinha dito João Ferreira que estava tranquilo relativamente ao fato de Marcelo Rebelo de Sousa estar infetado. Era essa ontem a informação. Rita Penela, neste caso, o que é que se passa agora com a campanha de João Ferreira? Quais são as perspectivas para o imediato e também para os próximos dias?

É uma boa questão e já começa a ser a million dollar answer. Não só para João Ferreira, mas para todos os candidatos que estão na estrada e tinham a intenção de manter as ações da campanha eleitoral. O PCP, que ontem informou os jornalistas às 11:00 da noite, um bocadinho antes, quando se soube que Marcelo Rebelo de Sousa tinha testado positivo, o candidato apoiado pelo PCP ainda estava numa ação de campanha em Lisboa, em Campo de Ourique, e foi questionado o candidato João Ferreira logo no imediato sobre a intenção ou eventualidade de cancelar as ações de hoje de manhã, que decorriam em Lisboa e em Almada, uma vez que o candidato estará a participar também por videoconferência na reunião do Infarmed, mas teria ali um bocadinho de jogo de cintura para manter na mesma as ações, uma delas com a Isabel Moreira, deputada do PS, que já manifestou publicamente o apoio a João Ferreira.

Esse poderia ser também um momento importante para o arranque da campanha.

Precisamente desde o início que João Ferreira apresenta a candidatura como congregadora de várias áreas políticas e seria a prova em como realmente existem e publicamente. Há alguma expectativa, exatamente porque ontem, durante a primeira ação, João Ferreira deixou cair que provavelmente esta semana seriam conhecidos mais apoios e tornados públicos, e à partida haveria a expectativa que isso acontecesse esta manhã. Mas de facto, depois de dizerem que manteriam tudo e à partida, claro, condicionada à reunião dos especialistas, mas que seria para manter, não deixa de ser surpreendente que algumas horas depois tenham decidido cancelar a agenda toda de um dia que só por si já tinha sofrido muitas reviravoltas em relação ao primeiro plano que João Ferreira tinha. Portanto, continuamos a aguardar. Ainda não houve mais indicação nenhuma da parte da assessoria da campanha, o telefone tem estado inclusivamente impedido. Estamos desde manhã a tentar chegar à fala para tentar perceber se há aqui mais alguma novidade, mas tudo leva a crer que está completamente em standby até que sejam ouvidos os especialistas e que haja alguma intervenção ou algumas guidelines para os próximos dias.

Rita Penela, de uma forma muito breve, pergunto se havia grande expectativa na campanha de João Ferreira para este arranque da campanha eleitoral, depois dos debates em que marcou presença o candidato apoiado pelo Partido Comunista. Este início de campanha era um início para apostar forte?

Era um início, mas não deixa de ser uma campanha muito diferente e onde claramente aquela mobilização e aquele captar de voto e de eleitores fora e nas ruas e em ações mais abrangentes abertas ao público, não se aplica aquilo que vimos ontem durante todo o dia, é que há o aparelho partidário a funcionar. Portanto, as pessoas que estão nos locais são conhecidas de todos, são caras conhecidas, são pessoas que fazem as suas intervenções agora e que estiveram, por exemplo, no Congresso em novembro, também a falar no púlpito. Uma campanha muito diferente com todas essas contingências e que não só com João Ferreira, mas com todos os candidatos e que poderá também alterar aquilo que depois os votos expressarão na urna no dia 24.

Obrigado, Rita Penela, jornalista do Observador que está a acompanhar a campanha de João Ferreira. Um obrigado também à Rita Tavares, que entretanto vai estar também muito atenta àquilo que se vai passar esta manhã nessa reunião no Infarmed, em Lisboa, encontro que vai reunir responsáveis políticos, também vários especialistas da área da saúde. Olhos postos também nessa reunião daqui a pouco aqui na Rádio Observador. Hoje o direto à campanha. Para já, uma campanha eleitoral praticamente em suspenso.