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E ao quarto dia de campanha, a política entrou no discurso dos dois candidatos que sobram ao Palácio de Belém, António José Seguro e André Ventura. Ainda assim, o mau tempo e os efeitos da depressão Kristen têm sido praticamente tema único. Chamo, por isso, à conversa o Vasco Maldonado Correia, que segue a caravana do António José Seguro. Vasco, a verdade é que António José Seguro tem mantido praticamente uma agenda secundária para fazer visitas ao terreno mais afetado. Bom dia.
Bom dia, João. É verdade, essas visitas acontecem. Hoje, também deveriam ter acontecido, estava marcada uma viagem esta manhã a Soure, que seria também uma das regiões não só afetadas, mas que poderia também ser afetada ao longo das próximas horas, isto porque a previsão para hoje e amanhã é mais uma vez de chuva forte. Mas uma, duas horas depois de ter sido anunciada aos jornalistas essa passagem por Soure, houve uma conversa entre António José Seguro e a Proteção Civil dessa região, também os autarcas dessa região, e logo se percebeu que o melhor seria não passar por lá por razões de segurança e, por isso, tão rápido como foi adicionada essa passagem por essa região ainda ontem, foi logo também cancelada. E por isso, sim, António José Seguro tem feito essa agenda paralela em que vai ao terreno, vai a essas regiões mais afetadas sem jornalistas. Hoje teria sido a exceção, hoje teria ido com a comunicação social. A ver vamos se nos próximos dias isso vai ou não acontecer.
Vasco, e a política voltou ontem ao discurso de António José Seguro, como tu resumes na tua reportagem de ontem à noite. Quando fala de política, António José Seguro fala do quê?
Fala de estabilidade, acima de tudo, foi o que falou ontem à noite. Disse que só ele, nesta segunda volta, pode aliar diálogo, experiência, a capacidade de agregar de que tem falado desde a primeira volta, e que tudo isso junto, essa equação, dá estabilidade. Ou seja, entre António José Seguro e André Ventura, só ele dá estabilidade. É também importante dizer, João, que é verdade que não fala diretamente de política, António José Seguro, mas todas estas mensagens que tem passado por causa do mau tempo, quando não quer ficar em jantares por respeito às vítimas e diz que não vai passar mensagens políticas, quando vai marcando essa diferença para André Ventura, isso também é política, isso também tem, no mínimo, uma mensagem eleitoral, no fundo, de mostrar que é um candidato mais responsável do que André Ventura, que tem estado no terreno com a comunicação social, que tem feito recolhas de alimentos filmadas, por exemplo. E tudo isso também tem um objetivo claramente eleitoral, porque não nos podemos esquecer que daqui a menos de uma semana, ou que hoje já há pessoas a votar.
Vasco, e qual é que será a agenda para o dia de hoje do candidato apoiado pelo PS?
Hoje há duas sessões, uma em Gouveia, outra no Fundão, a seguir ao almoço. Sessões é aquilo a que António José Seguro costuma chamar ao que é normalmente um comício.
Vasco Maldonado Correia segue a caravana de António José Seguro até ao dia das eleições. Adeus, Vasco, bom trabalho para o dia de hoje. Vamos agora ao Miguel Vitor Dias, que está a seguir a caravana de André Ventura. Miguel, bom dia. Uma caravana que tem merecido algumas críticas de aproveitamento político por causa das ações de campanha que tem realizado no distrito de Leiria. Ainda assim, André Ventura acredita que ganha votos todos os dias ou não?
Bom dia. Sim, é uma estratégia antagônica de António José Seguro. Desde o primeiro dia que André Ventura tem trazido para o plano oficial de campanha esta resposta aos prejuízos causados pelo mau tempo. Já esteve em Leiria duas vezes, uma vez no centro da cidade, outra numa freguesia mais rural. Diz que levar os jornalistas até lá na campanha, na caravana oficial, é também uma forma de dar mediatismo ao que estas populações estão a passar, estão a sofrer, uma forma de que o país não se esqueça de que esta catástrofe aconteceu. E também há boleia disso dizer que neste momento a única coisa que importa é ajudar. É claro que a forma também como André Ventura vai procurando ajudar é com objetivo eleitoral, isso está presente, até porque esta tempestade acabou mesmo por entrar de rompante na campanha e marcar estes últimos dias. Nos últimos três dias, André Ventura falou apenas da gestão política, despiu quase o fato de candidato presidencial para vestir o de líder da oposição. As críticas têm sido única e exclusivamente ao governo e também ao presidente da República. António José Seguro ficou esquecido durante uma grande parte das últimas 72 horas numa campanha que parece que teve uma espécie de interrupção, apesar de não ter sido oficialmente suspensa, mas em que para André Ventura tem sido apenas de sentido único. E hoje, já depois de um ligeiro atalho ontem à noite, o tema já vai ser também única e exclusivamente a resposta política a esta tempestade e aos problemas que se vão colocando no país.
Tal como António José Seguro, a política voltou ontem a entrar no discurso de André Ventura, que ensaiou até um novo lema. Miguel Vitor diz que se lixem as eleições, foi uma das coisas que o candidato presidencial disse ontem na visita a uma das zonas mais afetadas.
Resgatou essa frase de Pedro Passos Coelho, quando ele disse na altura do resgate da troica que não estava a pensar em ganhar as eleições, apenas em recuperar financeiramente o país. Ontem, André Ventura utilizou novamente essa expressão para dizer que não está preocupado com a campanha eleitoral. Numa espécie de encolher de ombros, diz que a campanha está marcada e, portanto, tem que ser feita mesmo perante este tema que vai marcando e dominando toda a agenda, que é a tempestade Cristine, e repetiu essa frase de Pedro Passos Coelho. Ontem, a política entrou um bocadinho na campanha à noite, na sessão do Clube dos Pensadores em Vila Nova de Gaia. Aí, sim, André Ventura voltou a lembrar-se que António José Seguro é o adversário nesta corrida. Fez muitos ataques a António José Seguro, mas também àquilo que André Ventura apelida do sistema, a comunicação social, os comentadores, os principais protagonistas políticos. Diz que se António José Seguro ganhar, será apenas porque está a ser carregado ao colo e diz que não reconhece no adversário socialista qualquer tipo de competência para desempenhar o cargo de presidente da República. Ainda assim, António José Seguro e há pouco o Vasco estava também a dar conta disso, tem-se preocupado aqui e acolá em lembrar que é preciso ir votar, que não se ganham as eleições com as sondagens. Já André Ventura não fez qualquer tipo de apelo ao voto num dia em que muitos portugueses já podem votar, no voto antecipado em mobilidade. André Ventura não fez um apelo direto ao voto e quando questionado até sobre quais as vantagens para votar, por que se deve votar em André Ventura e não em António José Seguro, optou apenas por criticar o candidato apoiado pelo PS e não apontou propriamente as vantagens que terá um voto em André Ventura.
E com o mau tempo no centro da agenda, por onde vai passar hoje o candidato presidencial, Miguel?
Hoje a agenda indica-nos que voltamos a esse tema único da resposta à tempestade. Ao final da manhã, uma visita aos Bombeiros Voluntários de Braga. A meio da tarde, ainda no distrito de Braga, em Vila Verde, uma sessão com autarcas, também no Salão dos Bombeiros de Vila Verde, sobre como é que o poder local, como é que o Estado pode dar resposta a catástrofes. Portanto, o dia voltará a ser marcado por este tema único que é a resposta à tempestade Cristine e na antevisão de dias que se preveem complicados com mais chuvas e ventos fortes.
E Miguel Vitor Dias vai continuar a acompanhar a caravana de André Ventura, tal como Vasco Maldonado Correia vai acompanhar a de António José Seguro. Foi uma edição especial deste direto à campanha no dia de voto antecipado para a segunda volta das eleições presidenciais.