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Este é um podcast da Rádio Observador. Pode ouvir a rádio também em 98.7, na Grande Lisboa, e 98.4, no Grande Porto.

Este mês assinala-se o mês de alerta para o cancro da próstata. Há novidades no que diz respeito à cirurgia que o permite combater. Os cirurgiões podem contar agora com a ajuda de um robô.

E conosco temos Pedro Bargão Santos, é urologista no Hospital CUF Descobertas e Infante Santo. Boa tarde, doutor Pedro Bargão Santos. Como é que funciona esta cirurgia?

Olá, muito boa tarde. Muito obrigado pelo convite, antes de mais. Realmente, o robô e a cirurgia robótica foi uma evolução que surgiu já há alguns anos nos Estados Unidos pela primeira vez, em 2001, quando foi realizada a primeira cirurgia. Posteriormente, em Portugal, apareceu no ano de 2009 e hoje em dia é uma cirurgia que ganha alguma rotina na sua prática diária. Ou seja, a cirurgia da próstata é uma cirurgia algo complicada e complexa, uma vez que o órgão da próstata encontra-se numa situação de difícil acesso à cavidade pélvica, em grande proximidade. E os feixes vasculonervosos que se juntam nas faces laterais da próstata têm que ser, de alguma maneira, preservados, de modo que os resultados pós-operatórios sejam o melhor possível, nomeadamente em termos oncológicos, em termos de continência e em termos de preservação da função sexual.

Portanto, este robô veio trazer muitas vantagens. Para nós percebermos como é que funciona, o cirurgião vai comandar esta operação através de uma consola. É isso que acontece. Se nos pudesse descrever um pouquinho, é importante.

O princípio da cirurgia robótica, no fundo, é o princípio da cirurgia de laparoscopia, ou seja, a cirurgia dos furinhos, mais conhecida pela cirurgia dos pequenos orifícios, cirurgia minimamente invasiva. E a grande vantagem, principalmente na próstata, é que esta cirurgia e esses instrumentos podem ter uma articulação através dos braços do robô, praticamente semelhante à mão humana e ao punho humano. Conseguem fazer movimentos com uma destreza enorme. E esses movimentos e essa cirurgia é comandada através de uma consola pelo cirurgião, que está ergonomicamente bem posicionado e bem centrado, com uma visão otimizada a três dimensões e com essa minúcia cirúrgica que só o robô consegue dar. A cirurgia laparoscópica, é bom que se diga, é uma cirurgia muito difícil porque os instrumentos são instrumentos com poucos movimentos. Não conseguem ter a destreza que o robô permite dar, no fundo, imitando a cirurgia aberta.

E passamos agora para a prevenção, que é também muito importante. Aliás, este mês, como já referimos no início, é precisamente o mês de alerta para o cancro da próstata. Para os homens que nos estão a ouvir neste momento e andam a fugir destes exames, doutor Pedro, que conselhos é que deixa? A partir de que idade, por exemplo, devem começar a fazer estes exames?

Isso é uma questão interessante, é uma questão atual e é uma questão algo polêmica. É a questão de se devem ou não fazer o "screening" do cancro da próstata. O que se tem vindo a chegar à conclusão é que deve ser uma decisão partilhada com os doentes. Aqui é importante referir que os doentes com acidente familiar do cancro da próstata devem começar a fazer o "screening", se assim quisermos chamar, ou seja, a análise do PSA, que no fundo é o único marcador que nós temos atualmente que nos dá alguma pista para um eventual cancro da próstata, mais cedo, por volta dos 40 anos de idade. Os outros doentes também podem fazer essa avaliação do PSA, do exame objetivo, através do toque retal. Agora temos outros meios, como a ressonância magnética, e que tem que ser uma decisão combinada e partilhada com o doente. O doente tem que estar de acordo com este despiste e com esta investigação.

E, portanto, essa questão do histórico familiar é muito importante. Que outros sinais é que os pacientes devem estar atentos?

Os tumores da próstata não dão, na maior parte das vezes, muitos sinais, nem dão grandes sintomas. A outra grande patologia que dá sintomas, em relação à próstata, é a hiperplasia benigna da próstata, mas é uma patologia que afeta uma outra zona da próstata, que é a zona interna da próstata, e que, pela sua conformação e o seu crescimento durante a vida, provoca sintomas de obstrução urinária. Os doentes começam com dificuldade em urinar, e ter que ir mais vezes à casa de banho, ou levantar-se durante a noite para ir à casa de banho. Esses sim são sintomas prostáticos e são sintomas que estão relacionados com a patologia benigna. Em relação ao cancro da próstata, este, na maior parte das vezes, não dá qualquer tipo de sintomas. Só mesmo em situações muito avançadas de cancro da próstata.

Pedro Bargão Santos, só mesmo para terminar e nesta senda de conselhos, há muita gente que foge aos exames porque os exames poderão ser ou não dolorosos. Os exames são mesmo dolorosos ou não é necessário ter medo de fazer esses exames?

É uma boa questão também. Em relação aos exames, os doentes e os homens muitas vezes têm algum preconceito em relação a isso. Muitas das vezes até são as próprias mulheres que os incentivam a ir ao médico e a fazer o despiste e ver se está tudo bem. E tem que ser feito, esse despiste tem que ser feito. Os homens têm que fazer a análise do PSA, que é uma análise sanguínea, têm que fazer a palpação prostática e as ecografias prostáticas do aparelho urinário também. E atualmente, com o avanço da ressonância magnética, é um exame menos invasivo, que também nos dá muito maior informação do que só a ecografia prostática transretal.

Doutor Pedro Bargão Santos, agradeço-lhe ter estado conosco. É urologista do Hospital CUF Descobertas e Infanto Santo. Este mês de novembro é o mês de alerta para o cancro da próstata. Ajudou-nos aqui também a perceber as novidades no que diz respeito à cirurgia e os sinais que deve estar então atento para fazer estes exames. Doutor Pedro, muito obrigada. Voltamos a falar de ciência na tarde em direto amanhã. Já a seguir atualizamos toda a informação. Para já, a música nova de Ana Kim chama-se