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Duas horas. As notícias com o João Lourenço.

Muito boa noite. Antes de irmos até aos últimos desenvolvimentos acerca das manifestações pelo direito à habitação, digo-lhe que as autoridades portuguesas estão em alerta elevado para as ameaças de bomba e ciberataques. Isto depois de três dias seguidos de ameaças em vários países na Europa. Em Portugal, um voo da Ryanair com destino a Roma foi impedido de se deslocar na hora prevista, nesta sexta-feira, por suspeitas de que teria uma bomba a bordo. O caso foi reportado publicamente pela PSP. O Observador sabe que este não foi caso único, isto porque também durante esta sexta-feira, outros dois voos da TAP, um com destino a Paris e outro que viajava para Copenhaga, foram alvo de ameaças de bomba. A informação tornada pública fazia referência a uma comunicação através dos mecanismos de cooperação entre polícias no panorama internacional. O Observador sabe ainda que em todos estes casos, as informações foram transmitidas à PSP diretamente pelo FBI, a Agência Norte-Americana de Investigação Criminal. Não há, ainda assim, uma certeza absoluta da origem destas ofensivas, mas o que chocou os especialistas na área da defesa no meio digital, foi o fato de ter havido uma segunda ronda de ataques nas estruturas de refrigeração que afetou vários supermercados por toda a Europa durante esta última semana. Pode ler mais sobre este tema no site do Observador, o artigo que está em manchete e tem autoria dos jornalistas Pedro Rainho e Martim Andrade. Renata Câmara acusa a Câmara Municipal de Lisboa de não estar a executar a sentença do tribunal, isto que o tribunal tinha reconhecido durante esta semana o direito da manifestante de continuar na acampada dos protestos pelo direito à habitação. A acusação visa diretamente o autarca Carlos Moedas. A defesa de Renata Câmara denuncia a existência de um despacho do autarca a impor a saída da acampada no Rossio, por considerar que o protesto das tendas e a realização do mercado natal são inconciliáveis no mesmo local. No entanto, a advogada de Renata Câmara, Leonor Caldeira, refere também que a Polícia Municipal já se deslocou ao Rossio para avisar que iria ser cumprido aquele despacho. Há momentos, Renata Câmara falou aos jornalistas em declarações à Sic Notícias. A manifestante pede mais explicações à autarquia de Lisboa.

Carlos Moedas saltou diretamente para o último recurso, que é dizer: "Ok, vocês agora têm estes três sítios, vão para um deles à vossa escolha." Só que antes de chegarmos a esse ponto, existe efetivamente a responsabilidade, por parte de Carlos Moedas, de explicar quais é que foram as soluções procuradas de compatibilização e por que é que nenhuma delas-

As soluções não foram apresentadas.

Não foram. Ainda ontem eu tinha pedido exatamente por escrito quais é que elas tinham sido, por que é que elas não seriam válidas. O meu e-mail foi absolutamente ignorado e hoje recebi então o despacho onde se tenta forçar, no fundo, abrir as portas para uma intervenção policial.

Renata Câmara aponta ainda para a data da votação final do Orçamento de Estado como um pilar de referência para este movimento da acampada no que toca a estas manifestações pelo direito à habitação.

Queremos, sim, ir construindo os passos deste processo de luta, averiguando sempre tudo. A disponibilidade das pessoas, as condições de segurança, que às vezes têm a ver com a segurança em relação à repressão policial. O que nós sabemos é: neste momento, o governo está pressionado em relação às medidas em torno da habitação. O Orçamento do Estado é votado, na sua votação final, no dia 24 e nós não podemos desarmar.

A intenção de Renata Câmara, a referir que e insistir que todas as decisões são tomadas em assembleia popular. Há, neste momento, na Praça Dom Pedro IV, centenas, dezenas de tendas que continuam montadas em mais uma manifestação pelo direito à habitação. Para este sábado está reservada uma vigília na capital portuguesa, da autoria do grupo Mães pela Acampada. Este movimento exige o fim imediato das cargas policiais sobre as acampadas e também pede respeito pela liberdade de expressão e de protesto. A concentração está marcada para a zona virada para o Rossio, isto na Praça dos Restauradores. O início está marcado para às 19h, uma hora e meia depois, a manifestação desloca-se em silêncio para a Praça Dom Pedro IV, no Rossio. Vai realizar um cordão humano à volta da praça, com as pessoas viradas para a estrada, isto a decorrer até às 21h. E no último dia para a entrega de propostas de alteração do Orçamento de Estado, o Chega insiste na descida da idade da reforma e na descida do IVA dos combustíveis para o próximo ano. São algumas das 600 propostas de alteração ao documento apresentadas pelo partido de André Ventura e tome nota, no total, entre todas as forças partidárias no Parlamento, são mais de 2500 propostas. Ora, em declarações aos jornalistas no Parlamento, André Ventura insiste que não abdica da descida da idade da reforma.

Há uma proposta de que nós não abdicamos e que eu entendi, e que dei também indicações ao grupo parlamentar nesse sentido, que era uma imagem da coerência e da insistência do Chega Do ponto de vista das políticas públicas, a descida da idade da reforma. É fundamental começar uma trajetória para descer a idade da reforma em Portugal.

André Ventura a dar conta da vontade de diminuir a idade da reforma, insiste ainda que não se pode separar a alteração da lei das rendas das medidas relacionadas com o custo de vida. Já o secretário-geral do PS insiste que está disponível para construir soluções para a habitação. Lembra que foi o Chega que aprovou a lei das rendas na generalidade. Em declarações aos jornalistas na cidade da Guarda, José Luís Carneiro admite negociar, caso caia o conceito de renda moderada por parte do executivo de Luís Montenegro.

O governo também viabilizou com o Chega os € 2.300 como uma renda moderada. Eu pergunto ao país: quem é que pode pagar uma renda moderada de € 2.300? Se calhar, se vos perguntar a vós, talvez não tenham rendimentos suficientes para pagar uma renda moderada de € 2.300 por mês. Portanto, é disso que nós estamos a falar. Portanto, quando me perguntam se o PS está disponível para construir uma solução para a habitação, nós estamos. Agora, tem que ser com condições de justiça social.

A opinião de José Luís Carneiro, essa barreira negocial do Partido Socialista, o PS que continua aberto para negociar relativamente à crise da habitação, mas diz que se recusa a viabilizar o que diz que faz mal à vida das pessoas. No mesmo dia, o ministro das Finanças insiste que o principal problema da crise da habitação é falta de casas disponíveis no mercado. Garante que o atual executivo já fez mais do que os anteriores. Durante a discussão, na especialidade da proposta de lei do orçamento, o ministro das Finanças voltou a falar sobre a questão da renda moderada, que o governo coloca no máximo de €2.300. Joaquim Miranda Sarmento reitera que o principal problema é falta de oferta.

Nós temos um problema de falta de oferta e temos que aumentar a oferta de casas novas e temos que aumentar a oferta de casas que podem ser arrendadas. E mais uma vez, a renda é até €2.300. Nós estamos a incentivar a entrada de casas com rendas de 800, de 1.000, 1.200, bastante mais baixas do que aquele limiar que o senhor deputado refere muitas vezes como se fosse um valor único, quando, na realidade, a função é contínua.

Declarações de Joaquim Miranda Sarmento. O ministro das Finanças regressa assim à ideia de que o governo já fez quase tudo para responder à crise na habitação. Garante ainda que já fez muito mais que executivos anteriores. E atenção ao mau tempo. Portugal já está a sentir a passagem da Depressão Bruna. A Proteção Civil avisa que, a partir desta sexta-feira e durante a totalidade do fim de semana, há risco de inundações em zonas ribeirinhas e os efeitos devem fazer-se sentir até segunda-feira. Muita chuva por todo o país, rajadas de vento de 70 km/h no litoral oeste e nas terras altas. Por isso, o comandante Pedro Araújo, da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, deixa alguns conselhos.

A desobstrução dos sistemas de escoamento de águas pluviais, a não atividade próximo de linhas de água, evitar estacionar veículos em zonas historicamente inundáveis, ter particular atenção com a circulação de veículos, nomeadamente em zonas onde se possam formar lençóis de água e ter também especial atenção a estruturas que estejam temporariamente montadas, como também ter cuidado com as janelas e com estruturas que são montadas, nomeadamente nos varandins dos edifícios.

O comandante Pedro Araújo, da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, adverte assim para o eventual impacto destes efeitos da Depressão Bruna. Diz que estes impactos podem ser minimizados através da adoção de comportamentos adequados. E no desporto, o Sporting recebe o Moreirense este sábado para o campeonato. É a estreia de Paulo Fonseca no banco dos leões, que garante que não sente pressão. O primeiro jogo do técnico de 53 anos, apenas três dias depois de ter sido apresentado. Assim, o novo técnico leonino garante que os jogadores já lhe deram muita confiança. Para o novo treinador, a defesa tem sido um ponto fraco dos leões. São 11 gols sofridos em apenas 10 jogos. Por isso, diz que respeita Rui Borges, mas garante que vai ter de mudar a maneira como o Sporting defende.

Na minha opinião, sem ser uma crítica ao trabalho do Rui, nós somos diferentes, mas eu acho que se o Sporting não defender bem, é impossível lutar por títulos. E, para mim, é uma das prioridades, neste momento, é meter a equipe do Sporting a defender bem. Não é que eu queira passar muito tempo a defender, mas quando defendermos, temos que defender de acordo com aquilo que eu acho que nos torna mais fortes.

Do outro lado, está o Moreirense, treinado por Vasco Botelho da Costa. O técnico da equipa de Moreira de Cónegos atira todas as responsabilidades de favoritismo para a equipa leonina, deixa elogios a Paulo Fonseca, garante que vai jogar com ambição, apesar de jogar, neste caso, em terreno adverso.

Independentemente do momento, sabemos que a responsabilidade está toda do lado de lá, mas nós, quando eu digo que temos que nos focar em nós, é não perder a ambição, porque obviamente que respeitamos este adversário como respeitamos todos os outros, mas o jogo tem que ser jogado de alguma maneira e nós sabemos como é que o queremos jogar. E, portanto, não é por jogarmos em Alvalade, deixamos de ter a ambição de conseguir um resultado positivo e esse é, sem dúvida, o nosso grande foco.

A equipa de Moreira de Cónegos está neste momento no nono lugar da tabela, com 14 pontos. Já o Sporting aparece em terceiro com 21 pontos. Esta partida, que tem a apito inicial às 20h30, tem a arbitragem do árbitro da Associação de Futebol do Porto, João Gonçalves. Já sabe, tem emissão especial aqui na Rádio Observador, depois do noticiário das 20h. Tudo dito neste noticiário das 02h. Meu nome é João Henriques, regresso dentro de 20 minutos para síntese informativa.