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"Tragam a taça que nos falta." António José Seguro, Presidente da República, visitou a Seleção Nacional e pediu aos jogadores para trazerem o caneco para Portugal. Vamos falar dessas palavras do Presidente da República e também de alguns problemas que se estão a registar nesta altura com a chegada de algumas comitivas ao Mundial dos Estados Unidos da América, México e Canadá. A competição começa na quinta-feira. Eu sou Miguel Cordeiro, vou conversar nos próximos minutos com o Augusto Inácio, com o Gabriel Alves, com o Pedro Henriques e com a Mariana Fernandes. Vamos começar pelas palavras do Presidente da República. Vamos ouvir o que disse António José Seguro.

O país acredita em vós. Façam-nos sonhar. Tragam para Portugal a taça que nos falta. Vamos todos torcer por vós. E eu acredito, com o vosso entusiasmo, com a vossa força, com a vossa fibra, com o vosso talento e com o vosso trabalho, que isso é possível.

Mariana Fernandes, Roberto Martínez diz: "Portugal não é favorita, é sim uma equipa candidata". Pedro Proença colocou a fasquia mínima nos quartos de final. António José Seguro colocou a pressão que faltava?

Eu acho que António José Seguro não é um homem do futebol. Isso parece-me claro e óbvio. Fez o discurso que o presidente da República tem de fazer, ou primeiro-ministro, ou seja o que for, tem de fazer nesta altura, e não um discurso que um selecionador nacional ou um presidente da Federação Portuguesa de Futebol tem de fazer nesta altura. Eu acho que, apesar de tudo, o discurso mais importante, e se calhar o que põe essa pressão de que falas, acaba por ser o de Pedro Proença, porque coloca um objetivo. Não necessariamente um objetivo, mas coloca quase uma barreira mínima.

Uma fasquia.

Sim, quando Pedro Proença diz que os quartos de final são o mínimo, para já eu acho que tem razão, e depois coloca, se calhar, essa pressão adicional, ou seja, de que Portugal não vai lá para passar da fase de grupos, não vai lá para chegar aos 16 avos, não vai lá para chegar aos oitavos de final, vai lá para pelo menos chegar aos quartos de final. Eu acho que essa é a pressão necessária. Roberto Martínez diz aquilo que eu também já acho que é o óbvio, ou seja, que Portugal não pode surgir como favorito porque considera que os favoritos só são seleções que já conquistaram o campeonato do mundo. Todos os outros são, eventualmente, candidatos, portanto, Portugal fica nesse lote de candidatos. Acho que Pedro Proença tem razão, estamos a falar de um campeonato do mundo que tem 48 seleções, que tem uma ronda a mais do que aquilo que estamos habituados. Tem estes 16 avos de final. Não gosto de falar em hecatombes, mas acho que seria uma desilusão para todos nós e uma desilusão para os jogadores, para toda a equipa, se Portugal não chegasse pelo menos a esses quartos de final. Estão tantas seleções e é certo que podemos ter um Uruguai como em 2018 ou um Marrocos como em 2022, mas estão tantas seleções teoricamente muito abaixo do nível de Portugal, que eu acho que sim, acho que seria uma enorme desilusão se não chegássemos pelo menos aos quartos de final. Portanto, acho que esse discurso de Pedro Proença, obviamente, se calhar mais do que o de António José Seguro, até por se tratar do presidente da federação, acaba por ser o discurso que coloca essa pressão adicional que eu acho que os jogadores precisam para chegar a uma ronda onde eu acho que Portugal obviamente tem de estar.

Augusto Inácio, no teu tempo também chegaste a ter estas visitas presidenciais. Em 1986, até foram os jogadores que foram ao Palácio de Belém reunir com o Presidente da República. O que achas deste momento, que é uma tradição, não só em Portugal como em muitos outros países, e também daquilo que disse o Presidente da República?

Boa tarde a todos. Estes são sempre aqueles momentos antes da partida para estes grandes eventos como é o Mundial, de sermos recebidos pelo Presidente da República para nos dar força, mais motivação para que as coisas possam correr dentro daquilo que é a expectativa de um povo, que toda a gente sabe, toda a gente diz também isso, que Portugal tem dos melhores jogadores do mundo, Portugal tem dos melhores treinadores do mundo e até os jogadores, mesmo em conferências de imprensa, disseram que iam para o Mundial para ganhar. Pedro Proença, presidente da Federação Portuguesa de Futebol, diz que pelo mínimo os quartos de final. Mas claro, o presidente da República, como um adepto qualquer na rua, vais perguntar e vão dizer assim que nós temos capacidade para ganhar, embora a gente saiba, quem está dentro do futebol, que há muitas seleções com poderio muito grande e que também têm capacidade para ganhar este mundial. Diria que se Portugal não chegar aos quartos de final, fica uma sensação de frustração de que, afinal, o nosso valor não correspondeu àquilo que era a expectativa daquilo que era chegar aos quartos de final, meias-finais ou final. Eu diria que se olhares para dentro do interior de uma equipa, eu creio que todos eles, e até o selecionador, que não diz publicamente, mas pensa por dentro, que podem chegar lá. E o podem chegar lá já está a dizer que pode estar no lote daqueles que são candidatos a ganhar. Uma coisa é ser candidato, outra coisa é ganhar. Mas Portugal tem essa capacidade e o presidente da República tinha que dizer aquilo que tem que dizer, que é o presidente do país. Agora, nós sabemos que temos capacidade para fazer um grande feito. E o que quer dizer isto, um grande feito? O grande feito é estar nas decisões e estar nas decisões é estar na final.

Gabriel Alves, o presidente da República falou em representação da massa adepta portuguesa?

Boa tarde. "Façam-nos sonhar." Eu registei esta palavra de António José Seguro.

Onde é que já ouvimos isto, não é?

Sim, mas falou também outra palavra que eu acho que é extremamente importante: trabalho. Portanto, sim, sonhamos, mas temos que trabalhar para poder sonhar. No fundo, aqui está a conjugação das palavras portuguesas, e bem definidas por António José Seguro.Portanto, Portugal tem que olhar e acima de tudo olhar para si, trabalhar, respeitar todos os adversários. Não há nenhum adversário que seja fácil, são todos adversários ao nível de. E obviamente lutar por aquilo que é o ideal da seleção enquanto equipa, que é o ideal de um país, porque essa seleção não é do clube A, B ou C, é do país, é de um clube chamado Portugal, é de uma nação. Portanto, os jogadores têm essa noção e são jogadores maduros, jogadores muito bem entalhados naquilo que é a grande alta competição internacional e obviamente que, na minha perspectiva, irão estar devidamente talhados. E é verdade quando se diz não é favorito, mas é candidato, porque não podemos extrapolar determinado tipo de situações. E acho que Pedro Proença, na minha opinião, ao colocar a fasquia onde colocou, colocou bem, deixando aos jogadores, à equipa técnica, à estrutura, a todos nós, aquilo que é a utopia de poder fazer mais, mas para já, chegar ali.

Pedro Henriques, gostaste do que ouviste do Presidente da República?

Muito boa tarde a todos. Eu espero que a prestação da seleção portuguesa seja um bocadinho mais empolgante que o tom e que o discurso do nosso presidente da República. Eu quase que ia adormecendo, mas eu também ando cansado, que andei a levantar-me muito cedo. Não é propriamente uma pessoa que tem o dom da palavra e portanto foi pouco empolgante e foi muito monocórdico. Agora, o que importa para mim é a mensagem, e a mensagem é essa, sim, como já foi aqui sublinhado por todos, e agora o próprio Gabriel Alves falou e muito bem, que é esta questão de trabalhar, de sonhar. Também às vezes utiliza-se aquela frase que o próprio selecionador tem utilizado muito, que é da música do Pedro Migos, que é o "vamos fazer aquilo que ainda não foi feito". E portanto, estas palavras acabam sempre por cair bem, mas no fundo refletem um bocadinho aquilo que é o mais relevante e importante, que é o estado de espírito. E isso é fundamental, porque esta é uma competição curta. O Inácio melhor do que todos nós sabe, porque passou por essa experiência prática. Isto é uma competição muito curta, depende de muitos pormenores e depende, sobretudo, muitas vezes, motivados estão todos, mas é muitas vezes da atitude que na realidade se coloca dentro de campo. Uma coisa é nós estarmos motivados, outra coisa é um jogador achar que para proteger o seu colega, mete as mãos nos pescoços do adversário. E são estes pormenores que depois podem fazer a diferença. Refiro-me àquele episódio de Rafael Leão, que são este tipo de coisas que às vezes fazem a diferença numa competição que é curta e que já não podes voltar atrás. No sentido, não tens 30 não sei quantas jornadas para corrigir. Não tens, embora na fase de grupo ainda tenhas ali três jogos. Quanto ao caminho que Portugal vai percorrer, quanto ao caminho onde Portugal pode chegar, eu percebo que haja esta cautela, porque se calhar eu também se estivesse por dentro do processo, tinha sempre um discurso mais cauteloso. Mas honestamente, e de acordo com a minha maneira de ser, isto é uma coisa muito pessoal, eu prefiro o discurso que uma vez o Fernando Santos teve, que é: "Eu só regresso dia 11 ou dia 12", já não me recordo. Eu prefiro assim. Eu vou também usar um clichê, mas eu gosto muito deste clichê, que é: aponta para terrares na lua, se correr mal, aterras numa estrela. E aterrar numa estrela é extraordinário. Eu acho que nós somos favoritos e somos candidatos, porque quando tu tens a melhor competição do mundo chamada Champions League, está bem que um deles não é titular, e tens três jogadores que são titularíssimos do Paris Saint-Germain, que são titularíssimos da nossa seleção. Praticamente estamos a falar de 30% da equipa, tiramos aqui o guarda-redes, dá-nos muitas e boas indicações. Depois olhamos para o Bruno Fernandes, para mim o melhor jogador da Liga Inglesa e depois por aí fora. Talvez no eixo central não temos ali as maiores dúvidas, sobretudo nos defesas centrais, não temos aquela qualidade de outrora de Pepe, etc. Mas eu acho que temos que ser candidatos e favoritos. Percebo o discurso, se lá estivesse também era um bocado mais contido, mas mal será que Portugal não consiga mesmo chegar aos quartos-final. Depois há aqui caminhos, e os caminhos vão sendo importantes, que às vezes ficar em primeiro ou em segundo torna caminhos mais fáceis ou não. Vamos ver, mas estou muito confiante em relação àquilo que Portugal vai fazer. Termino só com isto: é só irem à Rádio Observador, ao Total Mundial. Eu e o Gabriel Alves, há um mês atrás, já dissemos que Portugal vai à final. Mas qual é a dúvida? Já dissemos qual é o caminho, é só lá irem ver. Joguem no Total Mundial e vão lá ver, que eu e o Gabriel já fizemos os prognósticos todos.

A inteligência artificial dá Portugal na final. Com a Holanda. Embora depois dê o título.

Nós sabemos que a bola no Mundial só vai começar a rolar na quinta-feira e aí começa a rolar no México, no Azteca, mas até lá parece que vamos continuar a ter notícias todos os dias sobre problemas na entrada nos Estados Unidos da América. Mariana Fernandes, mais do que desporto, este mundial está a ser notícia por problemas logísticos.

E vai continuar a ser até o final. E o problema é que não são problemas logísticos. Eu acho que com problemas logísticos estávamos todos bem. O problema são com problemas criados pela logística ou por quem cria a logística. Acho que é esse o problema e é isso que se está a passar. Entretanto, durante a manhã, a Federação Iraniana de Futebol também já disse que os bilhetes que estavam alocados ao Irão, portanto, cada seleção tem direito a 8% dos bilhetes de cada jogo que essa seleção vai disputar, que os 8% de bilhetes que estavam alocados ao Irão foram revogados, ou seja, o Irão já vendeu os bilhetes aos adeptos, os adeptos já compraram as viagens, já marcaram os hotéis, entretanto esses bilhetes não estão válidos. Portanto, vamos continuar a ter isto todos os dias e não vamos continuar a ter isto no México e no Canadá, vamos continuar a ter isto nos Estados Unidos.

E a FIFA está com a viola no saco?

Gianni Infantino está com a viola no saco do Donald Trump. Isso parece evidente desde o dia um. A FIFA está com a viola no saco dos Estados Unidos. Isso também me parece evidente, tal como em 2022 estava com a viola no saco do Qatar e tal como em 2018 estava com a viola no saco da Rússia. Espero que daqui a quatro anos as coisas estejam diferentes, até porque é cá. Espero muito que Portugal, Espanha e Marrocos consigam quebrar este ciclo de três mundiais polêmicos e com contornos que começam a roçar o surreal. Mas eu acho que sim, eu acho que vamos continuar a ter este tipo de problemas até o final do Campeonato do MundoE não deixa de ser muito curioso que o futebol, que é aquele sítio e aquela modalidade tão democrática, onde poderíamos ter eventualmente um árbitro somali a mostrar um cartão vermelho a um jogador norte-americano, acaba por impedir que isso aconteça e que essa democracia de que nós tanto gostamos, ou que essa igualdade que às vezes está demonstrada em campo, acabe por desaparecer.

Omar Abdulkadir Artan, melhor árbitro africano. Pedro Henriques não pode entrar nos Estados Unidos e a FIFA diz que são as regras do país que organiza.

Sim, então vou já dar a minha nota de campeão, se me permites.

Força, vamos a isso.

Porque a minha nota de campeão é exatamente, e eu até tirei aqui umas notas muito rápidas, estamos a falar do árbitro internacional do Somália, o Omar Artan, que tem 34 anos. É só para relembrar que ele não falhou testes físicos, não falhou avaliações técnicas, não perdeu o lugar por falta de mérito, foi pura e simplesmente afastado por estas circunstâncias, vamos chamar administrativas, mas que são muito mais do que isso, políticas, que nada têm a ver com a competência enquanto árbitro. E por isso, a minha nota hoje, que é de zero, é para a FIFA de Gianni Infantino, o tal, com todo o respeito, quando digo tal, que recentemente distinguiu o Donald Trump com o chamado Prémio da Paz. E que está a organizar uma competição em território de um país que decide quem pode e quem não pode fazer parte da festa do futebol mundial. Eu não sei se isto é só ridículo, se é só estúpido ou se é os tempos que correm. Eu sei é que isto não podia estar a acontecer. E espero que depois destes mundiais todos controversos por diversas razões, que se pense que quem está a mais não pode estar, ponto final, e este tipo de competição é para unir. Portanto, vamos organizar isto em países, em locais, seja mais do que um, onde os respeitos pelos direitos humanos sejam uma clara evidência e não se faça este tipo de atropelos, como aconteceu aqui com o árbitro e está a acontecer com seleções e jogadores que são revistados até em jogos particulares, como vimos hoje nas notícias, quando iam do Paquistão, quando iam fazer um jogo particular. É só ridículo. Portanto, a minha nota zero é para a FIFA do Gianni Infantino, não é para a FIFA, é deste senhor.

E vamos seguir nesta toada, até porque hoje temos casa cheia, mas o relógio continua a ser o mesmo. Seguimos nas notas de campeão, Gabriel Alves, para poderem destacar também aquilo que querem. Gabriel Alves, campeão do dia?

É este mundial que ainda há bilhetes para vender para o jogo da abertura, estás a perceber? Que há dificuldade em vender bilhetes. O preço dos bilhetes, aliás, já falámos aqui disso, e que agora começa a aparecer bastante na imprensa. Parece que andava tudo aí fora disso. Pois, como há muitos bilhetes, é que o futebol é um futebol povo, é um futebol popular, é um desporto popular, quer dizer, nem toda a gente tem o dinheiro suficiente para pagar isto que se está a pagar. Portanto, eu estou com o Pedro Henriques neste zero para a FIFA. Eu não sei se é do Infantino, se é de quem. É a FIFA, porque obviamente que desde o momento em que se deixa manipular completamente por aquilo que é o dinheiro, está tudo estragado. Eu vou ficar por aqui, porque apetecia-me dizer mais umas coisas, mas hoje ficarei por aqui. Há só a chamar a atenção de uma coisa: cuidado, Portugal vai jogar com a Colômbia. Cuidado que os sul-americanos não são só os chilenos, são muito emotivos. O Pedro Henriques só o disse há dias. Atenção, conversem lá com o Rafael Leão e com todos. Ok?

Certamente o teste no fim de semana serviu para tirar isso a limpo. Augusto Inácio.

Eu vou dar a nota 17 para aquilo que se passou ontem na Assembleia da Liga, por causa da centralização dos direitos audiovisuais e que foi aprovado com 80% dos clubes. Diria que é um passo importante para o futebol português. Vamos ver se as coisas correm normalmente com esta aprovação e vamos aguardar que as equipas fiquem mais competitivas. Mas também queria dar a nota 18 para alguém que trouxe algo de novo ao futebol português, ideias novas, discursos positivos, futebol positivo, e que vai deixar a Primeira Liga Portuguesa, que é o Estoril, que eu estou a falar do Yannick Kakuta, que vai para o Saint-Étienne da segunda divisão francesa, mas que deixa aqui uma boa imagem em relação àquilo que é o sair fora da caixa do normal dos treinadores com discurso e acima de tudo, com futebol dentro do campo bastante positivo.

Para fechar, Mariana.

Para quebrar aqui um bocadinho com o Campeonato do Mundo, porque entretanto o mundo continua a girar noutros sítios, aquilo que o Nuno Miaqueta está a fazer pelo basquete português, às vezes passa um bocadinho ao lado de toda a gente. O Nuno Mia está em Portugal, trouxe o Joe Mazzulla, que é o treinador dos Boston Celtics, ao jogo um da final do campeonato, um Benfica-Porto, que o Benfica ganhou, e entretanto esteve no Pavilhão do Barreirense para muita gente ver a treinar com o Joe Mazzulla. Isto há 10 anos era uma coisa surreal para todos nós. Há cinco, há cinco anos era uma coisa surreal para todos nós.

E não fosse o Campeonato do Mundo.

Exatamente. Aquilo que o Nuno Mia está a fazer, a trazer o treinador dos Boston Celtics, que foram campeões no ano passado, é preciso recordar, à final do campeonato nacional, é extraordinário para o basquete português, para os jogadores portugueses, para os jogadores estrangeiros que jogam em Portugal. Eu acho que é preciso falarmos um bocadinho sobre isso também. Eu adoro futebol, adoro o Campeonato do Mundo, mas o mundo continua a girar noutros sítios.

Mas a notícia é que Donald Trump adormeceu num jogo de basquetebol. Está feita esta edição de "E o Campeão É". Estamos de regresso já amanhã.