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Uma hora. As notícias com Hugo Fortunato de Oliveira. Muito boa noite. Começamos pelas acampadas pela habitação no Porto e em Lisboa. Na Invicta, os manifestantes decidiram voltar a passar a noite na Praça Dom João I com tendas, mesmo depois da carga policial da última madrugada. A decisão foi aprovada por maioria em assembleia popular. Os manifestantes diziam ter a garantia de que a PSP não ia intervir, mas Miguel Pinheiro Correia, agora em direto nesta edição da uma da manhã, a polícia já está na Praça Dom João I.
É, ao contrário dessa indicação da assembleia, Hugo, a polícia está presente na praça e acabou agora mesmo de chegar mais um carro. Até há pouco, estava apenas um carro da polícia, que também tinha chegado por volta da meia-noite e meia. Durante o final da tarde e a noite, não estiveram aqui carros da polícia, nem da Polícia de Segurança Pública, nem da Polícia Municipal e por isso também havia essa indicação dos membros da assembleia popular de que não haveria intervenção policial, que depois, em conversa com os jornalistas, fomos percebendo que era baseado em alguns rumores que foram ouvidos, não era nada concreto e, por isso, acaba por não se verificar essa situação. A polícia já está aqui, foi chegando na última meia hora, primeiro um carro, agora outro. São seis agentes da Polícia de Segurança Pública que, entretanto, poderão começar esse diálogo e perceber se há abertura por parte dos manifestantes pra retirada de tendas. São poucas, sobretudo quando comparadas com as que estavam aqui ontem à noite. Eram bastantes tendas e pessoas. Neste momento, já são menos de 100 manifestantes que resistem na Praça Dom João I. E por isso mesmo, sendo poucos, há pouco iam falando também com os jornalistas e explicando que não têm propriamente condições para resistir a uma eventual carga policial e por isso não o pretendem fazer esta noite, estando em pouco número. Por isso mesmo, se a polícia pedir, esses manifestantes admitem que irão retirar as tendas, mas para já, ainda não houve esse contato entre polícia e manifestantes. É isso que esperamos para ver se acontecerá nas próximas horas.
O relato em direto do Miguel Pinheiro Correia, o jornalista do Observador que tá a acompanhar este protesto no Porto, a dar esta hora conta de uma Praça Dom João I algo despida e com os manifestantes a admitirem desmobilizar. Na assembleia popular desta noite, no Porto, foi ainda rejeitado o convite do presidente da Câmara do Porto, Pedro Duarte, para uma reunião na próxima terça-feira. Já em Lisboa, a marcar esta noite buzinadelas e petardos, viveram-se alguns momentos de tensão na Praça do Rossio. O último aconteceu depois do rebentamento de petardos e levou a uma perseguição ao presumível responsável, que se refugiou no interior de um restaurante. Por razões de segurança, este estabelecimento foi obrigado a fechar o gradimento à porta. Um dos elementos da organização afirmou que o homem em causa, suspeito de ter rebentado o petardo, seria um agente da polícia à paisana. A PSP já identificou, entretanto, este homem, ao que o Observador apurou junto de fonte oficial da PSP, tem 41 anos e é gestor de profissão. Nega ter sido ele a lançar este engenho pirotécnico. Ainda antes deste episódio, o ambiente já tinha aquecido, depois da polícia ter multado alguns condutores que buzinavam em solidariedade com a manifestação. A esta hora, no Rossio, permanecem menos de duas centenas de pessoas. Olhamos agora para os sinais claros vindos de Belém. O presidente da República está disponível para uma reunião com os manifestantes das acampadas do Porto e de Lisboa. António José Seguro quer ouvir as propostas que os manifestantes querem discutir com o poder político, mas também olhar para os últimos acontecimentos no Porto. Um dos porta-vozes da acampada, Henrique Blanc, confirmou que já foi contactado pela Casa Civil da Presidência da República. O convite foi recebido de forma positiva, mas terá ainda de ser discutido em assembleia popular. Explica.
Hoje, às 19h30, entraram em contato comigo, através da Casa Civil, a Presidência da República, a pessoa responsável, informou-me que o presidente da República estava disposto a reunir conosco para discutir as propostas que nós temos e também estes últimos acontecimentos relacionados com a acampada. Está claro que foi uma proposta recebida de muito bom agrado da nossa parte, mas que ainda irá ser discutida por nós todos, de forma democrática, como tem sido tudo até este momento.
Henrique Blanc, um dos porta-vozes da acampada do Porto, em declarações à Agência Lusa. Este domingo, António José Seguro contactou também o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas, e o autarca do Porto, Pedro Duarte. Antes, o chefe de Estado falou com o primeiro-ministro Luís Montenegro e pediu esclarecimentos, tanto ao governo como à Provedoria de Justiça, sobre a intervenção policial da última madrugada. Para esta segunda-feira, o presidente da República convocou o Conselho de Estado para uma reunião sobre coesão social. Entretanto, e na sequência da intervenção policial da última madrugada nas acampadas, o Sindicato dos Jornalistas fez saber que vai avançar com uma queixa na Provedoria de Justiça contra a Polícia de Segurança Pública. A estrutura pede responsabilidades pela agressão e intimação dos jornalistas que cobriam os protestos no Porto e em Lisboa. Em comunicado, o Sindicato dos Jornalistas condena, em particular, a agressão de agentes da PSP a um repórter de imagem que estava a cobrir a manifestação pelo direito à habitação no Porto e anuncia a formalização da queixa. E continuamos ainda a olhar para as reações políticas à carga policial nas acampadas. O presidente do chega afirma que estas situações só acontecem devido à ausência do primeiro-ministro. André Ventura diz que as manifestações não deviam ser uma questão de ordem pública e que estes problemas nascem porque o governo não sabe reagir. O líder do chega aponta o dedo a Luís Montenegro e ao ministro da Administração Interna, Luís Neves, e lamenta que sejam os polícias a sofrer com a insatisfação que se gerou devido ao aumento do custo de vida.
Mas podemos dizer que são os polícias os responsáveis
Por esta insatisfação, como podemos colocar isto como um problema de ordem pública ou de caráter da polícia? Este não é um problema de caráter da polícia. No máximo, este é um problema do caráter do governo e dos vários governos que se sucederam. Esta não devia ser uma questão de ordem pública. Só nasceu uma questão de ordem pública porque o primeiro-ministro desapareceu de cena durante vários dias ou semanas.
André Ventura em conferência de imprensa na tarde deste domingo, a partir da sede do partido. O presidente do Chega anunciou ainda que vai apresentar um pacote de emergência para a habitação. Já o Livre pede mesmo a demissão do ministro da Administração Interna e anuncia que vai acompanhar o pedido de debate de urgência do PCP. Encara-se aquilo que o partido diz ser a responsabilidade política nas cargas policiais da última madrugada, que considera desproporcionais e injustificadas. A co-portavoz do Livre, Isabel Mendes Lopes, diz que o partido vai acompanhar a proposta do PCP, diz que é importante o poder legislativo debater este tema.
Todos os momentos em que seja possível o Parlamento discutir esta situação inadmissível que está a acontecer, o Parlamento deve fazer. Portanto, sim, claro que acompanharemos este debate que o PCP pede, mas também nos parece que, primeiro, neste momento, o Ministério da Administração Interna não tem condições absolutamente nenhumas para continuar. E o Livre normalmente não pede demissões, mas neste caso, parece-nos claro que o Ministério da Administração Interna não tem condições para continuar, mas é preciso fazer mais do que isso. E por isso é que vamos apresentar uma exposição ao Comissário dos Direitos Humanos do Conselho Europeu.
Declarações de Isabel Mendes Lopes, co-portavoz do Livre. Em comunicado, o partido anuncia que vai expor o caso a organizações internacionais, neste caso, ao Comissário dos Direitos Humanos do Conselho da Europa e ao Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos. O partido de Jorge Pinto, Isabel Mendes Lopes, argumenta graves violações de direitos protegidos pela Convenção Europeia de Direitos Humanos e pelo Pacto Internacional sobre os Direitos Civis e Políticos. Nesta mesma nota, o Livre condena a ação policial nas manifestações pacíficas pelo direito à habitação. Considera que as novas intervenções da polícia são profundamente preocupantes. No desporto, partiu a corda, é oficial, Rui Borges vai deixar o comando técnico dos Leões. O Sporting anunciou este domingo em comunicado que reuniu com o treinador e iniciou conversações para a rescisão do contrato com efeitos imediatos. Tiago Fernandes, atual treinador da equipe B, assume o comando da equipe principal de forma interina. A imprensa desportiva aponta Paulo Fonseca para suceder a Rui Borges, atual treinador do Lyon, deverá ser apresentado já esta semana. Rui Borges chegou a Alvalade no final de 2024, custou cerca de €4 milhões ao clube e conquistou o Campeonato e a Taça de Portugal na época 2024/2025. Na temporada seguinte, levou o Sporting aos quartos de final da Liga dos Campeões, naquela que foi a melhor campanha europeia do clube na competição. Abandona os Leões depois de uma série de exibições mais pobres, que colocaram o técnico português debaixo de grande pressão. Terminamos este jornal a alta velocidade. Na Fórmula 1, Kimi Antonelli é o novo campeão do mundo. O piloto italiano da Mercedes garantiu o título no Grande Prémio do México ao terminar a corrida na terceira posição, a pouco mais de quatro segundos do vencedor Max Verstappen, da Red Bull. Aos 20 anos, Antonelli torna-se assim o mais jovem campeão mundial de sempre e no primeiro italiano a conquistar este título desde Alberto Ascari, em 1953. Lewis Hamilton, da Ferrari, terminou na segunda posição, a menos de um segundo de Max Verstappen. George Russell, colega da equipe de Antonelli, da Mercedes, acabou em sexto. Tudo dito nesta edição da Uma da Manhã, o essencial da informação é atualizado à 13h30.