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Portugal já está no Campeonato das Américas, edição 2026. No próximo ano, a seleção portuguesa vai estar entre as melhores seleções do mundo e lutar, mais uma vez, por um troféu. Continua pleno neste milênio, com Portugal a carimbar, mais uma vez, a passagem ao mundial e, mais uma vez, sem necessitar de playoffs. Foi preciso chegar à última jornada para carimbar este passaporte, mas foi feito esse carimbo com uma vitória por 9 x 1 frente à Armênia. Vamos analisar este encontro, este apuramento de Portugal. Eu sou o Miguel Cordeiro, comigo nesta edição de "E o Campeão É?" estão o Gabriel Alves, o Augusto Inácio e o Pedro Henriques. Augusto Inácio, vou começar por ti. Nove x um. Isto é um resultado de futebol ou início do número de telemóvel?
Boa tarde a todos.
Boa, boa.
Bem metido, Miguel. Estiveste muito bem. Olha, eu fui ver o jogo ontem lá no Estádio do Dragão e estava um ambiente espetacular, realmente extraordinário, para que Portugal pudesse fazer uma extraordinária exibição e carimbasse o passaporte para o mundial. E deixa-me te dizer que Portugal fez 1 x 0, e depois a Armênia empatou e as bancadas não estavam muito empolgadas. Sinceramente, não estavam. Só depois do 2 x 1, 3 x 1, aí é que Portugal parece que começou a encerrar bem e começou a marcar gols. Não chegou para o 96, que é outro número de telemóvel, o 91 é mais esse número. Mas diria que Portugal, à medida que o tempo foi passando, se realmente houvesse mais tempo de jogo, acho que Portugal iria fazer ainda um resultado mais histórico àquilo que foi. Mas fica na retina aqui algumas coisas, que às vezes o 9 x 1 pode deslumbrar só pelo resultado, mas há coisas que temos que ver. Eu não achei a defesa portuguesa boa, sinceramente. Acho que não é pelo gol que o Armando marcou, é pelas facilidades com que tiveram tempo e espaço para desenvolver o seu jogo. Em equipas com outro tipo de futebol, mais robustas, Portugal vai ter dificuldades, como teve na Irlanda, atenção. Eu acho que estes 9 x 1 traduzem realmente as dificuldades que Portugal teve num adversário bastante passivo, convém dizer. Mas sinceramente, no global, naquilo que é a segurança, o coletivo e aquilo que é a força de uma equipa, eu sinceramente não gostei muito da parte defensiva portuguesa, e quando digo parte defensiva, não é só os defesas, é a equipa no seu coletivo, que deixa alguns reparos.
Mas achas que é saudade do Nuno Mendes? É essa falta que vai marcando esses problemas defensivos ou vês algo mais?
Deixa-me dizer que o Nuno Mendes, para mim, é o melhor defesa esquerdo do mundo, claramente titularíssimo desta seleção nacional, assim como também do lado direito, o defesa direito é o João Cancelo. É a minha opinião, são os dois melhores laterais que Portugal tem. O Cancelo jogou na esquerda, mas não é igual à direita. Isso, claro, se ele tiver uns dias bons de cabeça, que às vezes parece que lhe para o relógio. Mas diria que é mais conjuntural também, porque a qualidade individual dos jogadores está lá. Temos um problema também do defensor do lado esquerdo, porque Rúben Dias é titular, mas ainda não se sabe se Renato Veiga é aquele jogador, Gonçalo Inácio é aquele jogador, António Silva é aquele jogador ou Tomás Araújo é aquele jogador. Falta saber quem é mesmo esse jogador, mas depois é um conjunto de dinâmicas da equipa que, na perda da bola, deixa muito espaço para o adversário jogar e é isso que temos que melhorar.
Gabriel Alves, o que achaste deste encontro? Tivemos aqui algumas notas importantes. Bruno Fernandes a passar Rui Costa e Hugo Viana na lista de melhores marcadores. É já o sexto melhor marcador de sempre da seleção. João Neves a estrear-se a marcar, a estrear-se a visar e a estrear-se com um hat-trick. E depois, ótimas exibições de vários jogadores.
Sim, notas. Boa tarde. Notas boas que tu acabaste de referir do Bruno, que é sempre uma alavanca muito importante no âmbito da seleção, um jogador que arrasta no positivo a seleção e o João Neves, que está em crescimento. Ainda bem que tem um treinador que tira partido dele, que o ensina. E também ele, João Neves, tem vontade de crescer, chamado Luís Henrique. Porque também isso é importante, saber quem são os treinadores que estão à frente das estruturas onde os jogadores jogam. Tudo acordo com aquilo que o Inácio acabou de dizer, a reação à perda da bola cada vez é mais intensa, as equipas cada vez mais trabalham isso, todas elas, quer a nível de clubes, quer a nível de seleções. Eu dou aqui exemplo de um clube que tem um déficit nisso, que é o Real Madrid, e está a sofrer por isso. Portanto, isto fica só um exemplo. E está sempre no alto gabarito da alta competição. Portugal vai ter que, de facto, melhorar muito, mas de resto, eu quero dizer isto, depois que é um resultado, que é o ego, o futebol joga. Não, tudo isso é muito bonito, mas vencemos a Armênia por 9 x 1, mas é o 104° no ranking da FIFA, como já tínhamos vencido o Luxemburgo por 9 x 0, é o 97° do ranking da FIFA e Portugal, por sinal, é o quinto do ranking da FIFA. Eu não quero dizer que os jogos não se disputam na relva, nas quatro linhas, nos 90 minutos. Sim, mas é preciso também ter em atenção toda uma série de factos, de pormenores e de detalhes, e não sair daqui a dizer que já somos campeões do mundo. Não, não vamos por aí, porque isso é muito mau Sentirmo-nos felizes, sentirmo-nos satisfeitos por uma bela vitória, por uma bela paz interior com o futebol, não nos leva a dizer que já somos, porque eu começo a olhar para outras equipas, como a Espanha, como a Inglaterra, como o Brasil, de um tal senhor Ancelotti, que é um grande treinador. Não vou adiantar muito mais. Espera aí, não vou esquecer aqui da Noruega, até porque o meu campeão hoje vai ser noruês. Acho que temos que ter muita atenção. Nós temos uma plethora de jogadores fantásticos, mas temos sempre que pensar que os outros também têm. E que os jogos, de facto, quando estamos aos mesmos níveis daquilo que são os rankings, as coisas são diferentes. Qualquer das maneiras, eu individualmente destacaste o João Neves e o Bruno Fernandes, eu também. Gostei do Gonçalo Ramos, gostei do Rúben Dias, porque é de facto um pivô fortíssimo, é um homem de grande intensidade dentro do campo, e Renato Veiga. Renato Veiga tem vindo a crescer desde que está nas mãos de um grande treinador. Lá volto eu outra vez aos treinadores. Pois é, Marcelino García Toral tem feito crescido. Eu tenho acompanhado o Villarreal e tenho percebido o crescimento dele no âmbito daquilo que é a tática e os movimentos da equipa. Agora, a verdade é que vamos olhar tudo para o futuro e atenção, com um relva, não fiquem pelos 91.
Pedro Henriques. Bom dia. Se a pessoa que ficou aqui talvez um pouco mais triste por não ter estado neste festim de gols, foi Cristiano Ronaldo, que precisa de uns quantos para chegar à marca do gol mil. Mas eu não queria ir tanto por aí. Queria perguntar se compreendes alguma onda de críticas que tem surgido de que Portugal nunca teria chegado a este resultado se Cristiano Ronaldo estivesse em campo.
Então, bom dia uma vez mais. As minhas notas também passam por isso e pelo Cristiano Ronaldo. Em primeiro lugar, o 91 não é número de telemóvel, mas é 9 do nono mundial e 1 porque vamos para o pote 1. E por isso é que Portugal fez 9 a 1, foi exatamente para casar isso tudo. Depois dizer que, no meu ponto de vista, os dois hat-tricks, quer do João Neves e do Bruno Fernandes, são realmente fantásticos. O João Neves, que para mim foi o melhor jogador em campo, o Bruno Fernandes, que como já disseste aqui, acaba por passar uma série de Malta, dentro de Portugal, e torna-se o sexto melhor marcador. Isso não é de menos, bem pelo contrário, portanto, fantástico. O João Neves que marca um grande gol de livre direto e o que também abre perspectivas para outros jogadores poderem marcar livres, além do crónico Cristiano Ronaldo e Bruno Fernandes, sendo que, segundo o selecionador, foi o Bruno Fernandes que obrigou o João Neves a bater o livre, o que não deixa de ser bastante interessante. Depois dizer ainda que invasores no início do jogo, eu fico logo nervoso. Eu digo à Malta, se quiserem a solução, telefonem-me. Nós na tropa temos um método para resolver essas coisas. Depois dizer que o dragão é talismã, no que a apuramentos diz respeito, é o quinto apuramento que conseguimos lá, um foi para a Liga das Nações, e o dragão que em 16 de novembro de 23 foi inaugurado e portanto estávamos a fazer precisamente 22 anos, por assim dizer, ontem. O número sete do Forbes e uma estreia fantástica, e só para as pessoas que já lavou o Cristiano Ronaldo, porque as críticas depois para o Cristiano Ronaldo também se encaixam aqui. Vamos às redes sociais: "Ei, no Forbes a estrear-se com o número sete, não fazia sentido". Não faz sentido. Só para relembrar que há regras, há leis, e as regras dizem que os jogadores têm que ser numerados de 1 a 23 nos jogos da seleção e portanto ninguém pode ficar sem número, ninguém pode ser 60 ou 75, e daí este número que foi atribuído, porque alguém tinha que ficar ali com o número sete. Interessante, mas é uma mensagem que as pessoas, eu sei que muita gente critica o Pedro Proença, eu sei que também o elogio bastante e portanto se calhar estou no polo contrário. O Pedro Proença não faz nada por acaso e não foi por acaso que ontem, de forma inusitada, interrompeu o flash interview do seu selecionador e foi dar um grande abraço, como se fosse uma coisa absolutamente normal e extemporânea. Não, foi uma forma de dizer, por outras palavras, mesmo para aqueles que criticam e acham que o selecionador devia ser corrido, etcetera, no sentido, antes de terminar o seu contrato, que ele foi uma forma de dizer que realmente conta com o selecionador. Selecionador esse que eu também critico. Não gostei dele ter dito que não merecemos as críticas após a Irlanda. Claro que mereceram, porque aquilo que aconteceu contra a Irlanda foi mau demais e espero que seja um abre olhos. E finalmente, Cristiano Ronaldo, que veio rapidamente às redes sociais celebrar também fora de campo. Podem dizer o que quiserem com Cristiano, sem Cristiano. Cristiano Ronaldo é uma figura extremamente relevante e importante. Basta ver tudo o que aconteceu. Até a própria expulsão advém da sua relevância e importância. Não sei se com ele ou sem ele poderíamos dar nove. É um fato que demos outro jogo nove e foi sem Cristiano Ronaldo, mas o fato é que a seleção nacional ganha e ganha muito com ele, seja na bancada, no banco, 11, porque realmente o Cristiano Ronaldo é ímpar, é único e quando nós vamos começar pela lista dos melhores marcadores da seleção, vejam quem está em sexto, Bruno Fernandes, depois o quinto, o quarto, sexto, segundo e depois vejam até que horas é o segundo para o primeiro. Cristiano Ronaldo, enquanto respirar, estiver vivo e fizer parte da seleção, e portanto estiver como jogador, tem que fazer parte da seleção, porque ele é uma figura e espero que depois de terminar a carreira, continue a fazer parte da seleção e da Federação Portuguesa de Futebol, senão as Arábias vão resgatá-lo e nunca mais o vemos.
Olha, Miguel, deixa eu dar aqui só uma nota. Uma adenda. São números. Até ontem, segundo o WhoScored, ele era quem tinha participado em maior número de gols, 45%, cinco gols marcados. Mas CR7, atenção, desde a chegada do Roberto Martínez, tem 0,83 gols marcados, isto é, 25 gols. Com Fernando Santos, 68 gols em 82 jogos, 0,71. Com Paulo Bento, 27 gols em 38 jogos, 0,11. Carlos Queiroz, dois gols em 18 jogos. Com Scolari, 21 gols em 58 jogos, 0,36. Tem 143 na seleção, em 226 jogos. Opiniões para Ronaldo há de todos os gostos. Mas eu queria te dizer, estes nomes que acabei de dizer vêm na imprensa internacional. Eu não li ainda hoje a imprensa nacional toda, mas li alguma coisa e não os vi.
Há no mundo do futebol, Augustinasso, costuma-se dizer, muita gente a papaguear e à procura de protagonismo. Na Irlanda, está lá um Parrot que esta semana não precisou de falar muito para ser a estrela da companhia.
Olha, e vai ser o meu destaque também do campeão, não só para o Parrot, mas também para a República da Irlanda. A República da Irlanda, como sabes, tinha que ganhar os dois últimos jogos para pelo menos ir ao playoff, e conseguiu ganhar a Portugal e conseguiu aos 96 minutos ganhar na Hungria depois de estar a perder por duas vezes, 1 a 0, 2 a 1 e depois virou para 3 a 2 aos 96 minutos. E este tal Parrot, que joga no AZ Alkmaar, foi realmente a grande figura da sua seleção. Eu diria que aquele Parrot demonstrou, na minha opinião, aquele espírito que eu sempre imaginei que os irlandeses tinham. É morrer até o fim e ver o que é que dá o resultado final. E eles morreram, mas morreram. Quer dizer, morreram, não morreram para a competição. Eles morreram de cansaço, morreram de entrega para obter aquilo que foi o sucesso e a alegria que tiveram no final do jogo. Por isso, olha, fala-se de muita gente, mas este homem também merece ser destacado. Para já, vou-te já dizer, nota 18 para este Parrot e para a República da Irlanda.
Gabriel Alves, é disto que vive o futebol também, não é?
Claro, repara que foi ele que se estreou na Primeira Liga Inglesa pela mão do senhor José Mourinho, no Tottenham. Mas depois acabaram a dar-se mal. Acho que se dão mal, mas se calhar para aí qualquer coisa. Mas aquilo que ele mostrou em campo, quer no jogo com Portugal e atenção, ele era suplente do titular que foi o Gudjohnsen, aquilo que ele mostrou em campo por duas vezes, portanto, frente a Portugal e depois no jogo face à Hungria, acho que escreveu na relva aquilo que vale.
Estamos a chegar ao final do nosso tempo, temos que ir para as notas de campeão. Pedro Henriques, começo desse lado, campeão do dia.
Uma vez que vão destacar outras coisas, como é o caso da Noruega, e muito bem, e o caso desse avançado da Irlanda, do AZ Alkmaar, eu vou dar o destaque completo à Seleção Nacional, porque a vitória foi tão estrondosa que acabou por, de alguma maneira, abafar um bocadinho aquilo que foram as críticas. Mas atenção, esperemos que nos recordemos deste jogo, mas que nos recordemos, acima de tudo, daquilo que não conseguimos fazer, porque isso vai ser muito importante. No Mundial, depois, é tudo a doer, é competição a sério, são equipas de outro nível e podemos até não ser campeões do mundo, mas temos que dar uma imagem diferente daquelas últimas saídas que temos tido em algumas fases finais. E, portanto, nota de destaque para a Seleção Nacional, um 18, com muita esperança que daqui a sete meses, para aí, mais coisa, menos coisa, nos voltemos a encontrar todos agora em competição a sério no Mundial, o último do Cristiano Ronaldo, mas também o primeiro, se calhar, em que nós, de forma muito honesta e muito séria, se calhar podemos mesmo conquistá-lo.
Augustinasso.
Além da nota que eu já dei ao Parrot e à República da Irlanda, eu também dou à Seleção Nacional. Claramente, atingiu o objetivo, que é passar, que é ir ao Mundial. Mas também queria dar aqui uma nota de 20, para já para o João Neves. A seleção acabou. Eu acho que é melhor o João Neves começar já a escrever ou pôr no WhatsApp no grupo, ou escrever uma carta ou escrever qualquer coisa para o Bruno Fernandes, para o selecionador, se o deixam marcar mais alguma vez os livres. Se o deixam marcar. E ele convém já começar a pressionar, porque senão chega a hora, depois é a vontade do Bruno Fernandes, é depois é que diz se ele marca ou não. Por isso, a brincadeira à parte, parabéns ao João Neves e ao Bruno Fernandes, fizeram uma grande exibição e Portugal está lá, que é o que interessa.
Gabriel Alves, para fechar.
Muito bem. Aqui à parte lembro que a Itália levou 4 a 1 da Noruega, quem diria? Organizadora do Campeonato da Europa de 32, com o ministro do Esporte italiano aparece a falar e a dizer que a juventude na Itália tem tido pouco espaço. Mas não é por aí que vou falar, vou falar de Haaland e da Noruega, que 28 anos depois regressa a uma fase final do mundial. Reparem, os homens-golo são importantes, 143 em 226 do Cristiano Ronaldo. Haaland tem 25 anos, acumulou 55 gols em 48 jogos pela seleção, uma média de 1.14 e é o mesmo número, aliás, que tem esse monstro também do futebol, que é falado todos os dias, para o bem e para o mal, chamado Kylian Mbappé, marcou pela França. Apenas o jogador do Real Madrid precisou de 48 jogos a mais. Atenção a isto. Haaland, no entanto, rejeita comparações. Eu vou citar Haaland: "Acho que sou um bom jogador, mas Messi e Cristiano Ronaldo estão num patamar superior por tudo o que conquistaram ao longo de 15 anos no mais alto nível. Ninguém chega perto deles. O que eles realizaram, a rivalidade entre eles, os gols marcados, os títulos conquistados, os recordes quebrados, é incrível. Por isso não quer ser comparado com eles", admitiu em entrevista à Sky Sports. Olha, ao Haaland, não pelos gols, pela personalidade, pelo caráter, 20.
Está feita esta edição de "E O Campeão É...".