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O Benfica está na próxima fase do Mundial de Clubes. Passa em primeiro no grupo depois de um feito histórico. Em solo americano, o Benfica conseguiu bater o Bayern de Munique. Aconteceu pela primeira vez na história do clube encarnado, o clube português. O primeiro duelo entre Benfica e Bayern de Munique tinha sido em 1976. Desde então, olhando para a estatística, somavam-se 11 vitórias do Bayern, com o Benfica sem conseguir vencer o clube germânico, e ontem a conseguir fazê-lo numa competição oficial. Tem também destaque nesta edição de "E o Campeão É". Vamos falar do Mundial de Clubes, vamos falar dessa vitória do Benfica. Hoje, no nosso programa, contamos com os comentários de Mariana Fernandes, João Pinto, Pedro Henriques e João Castro. Vou começar hoje pelo nosso João Pinto para lhe perguntar: João, ontem, o que achaste deste Benfica, deste feito histórico e desta exibição que teve também muito de sucesso defensivo?
Muito boa tarde. E eu acho que pelo "boa tarde" tu percebes que eu fiquei muito contente. Sim, acho que foi uma jornada muito boa do Benfica. Foi um grande jogo, especialmente aquele arranque, que foi fundamental, porque o Benfica acaba por marcar no período de maior ascendente no jogo, portanto, consegue materializar a superioridade, que é uma coisa que nem sempre acontece. E depois, a partir daí, o plano de jogo encaixou, o Benfica conseguiu ir controlando. Algumas vezes foi encostado, outras vezes foi mesmo preciso ir buscar reforços à Ucrânia. Mas a verdade é que o Benfica tem uma belíssima jornada, consegue ficar em primeiro no grupo, consegue trocar um bocado as voltas do enquadramento dos quartos de final e dos oitavos de final do Campeonato do Mundo de Clubes. Mas mais do que tudo, fica essa alegria, porque o Benfica teve as duas primeiras jornadas meio tristonhas. Na primeira, aquele empate arrancado a ferros, na segunda, jogar contra uma equipa amadora, com aquela questão do Kokchu pelo meio. E agora, finalmente, o Benfica tem um sorriso largo, tem um dia muito bom. E isso para os benfiquistas, depois daquele final de época um bocado triste, é bom, sabe bem e obviamente que me caiu muito bem ontem à noite.
Mariana Fernandes, o que dizer desta exibição do Benfica? Entrou bem, chegou ao gol, soberano na primeira parte, na segunda, remeteu-se praticamente ao trabalho defensivo, mas com sucesso.
Sim, remeteu-se ao trabalho defensivo, sem ser um daqueles jogos sofridos ou sofríveis, não só do Benfica, mas de outras equipas, que às vezes vemos jogar contra adversários teoricamente superiores quando estão em vantagem. Ou seja, o Benfica conseguiu, obviamente resguardando a sua vantagem, que era uma vantagem importante para ganhar o grupo, não ser completamente anulado e asfixiado pelo Bayern de Munique. Eu acho que isso é principalmente o que se deve louvar daquela segunda parte.
Como, por exemplo, tinha acontecido na Liga dos Campeões, quando se encontraram nesta temporada, em que o Benfica se remeteu também a esse trabalho defensivo, mas neste caso já durante os 90 minutos, e acabou por perder.
Sim, são duas estratégias de jogo completamente diferentes. Claro que a competição é diferente, o 11 inicial do Bayern de Munique, é preciso também sublinhá-lo. Não podemos fechar os olhos a isso. O 11 inicial do Bayern de Munique também era diferente face a esse jogo, mas a abordagem de Bruno Lage a esse jogo da Liga dos Campeões e a isto é completamente diferente. Eu lembro-me que nesse jogo, Bruno Lage abdicou por completo de atacar, preocupou-se por inteiro com não defender o gol.
Ele também referiu isso no fim do jogo desse encontro.
Exatamente. E tentou apenas depois marcar gols ou tentar atacar a baliza do Bayern de Munique através da transição rápida do contra-ataque. Portanto, foi um jogo em que o Benfica, aí sim, pôs o autocarro, talvez o jogo desta temporada em que o Benfica pôs o autocarro à frente da baliza. Isso não aconteceu.
Foi o jogo em que o Benfica mais se descaracterizou.
Exatamente. Isso não aconteceu neste jogo, não aconteceu na primeira parte e mesmo na segunda, com mais tarefas defensivas e mais preocupações defensivas, também não aconteceu nessa dimensão. Portanto, foi um jogo completamente diferente nesse sentido. Depois, não deixa de ser curioso e irônico que no dia em que se fala da saída de Scheldrup e na possibilidade de Scheldrup rumar ao Como e ao futebol italiano, ser Scheldrup a tornar-se decisivo. Eu não sei se ele também lê as notícias, eu não sei se ele quer ficar no Benfica e se não está muito interessado nessa ida para o Como, mas a verdade é que deu uma resposta à altura. Acho que é uma jornada, obviamente, muito positiva por parte do Benfica. Acho que consegue, de alguma maneira, não apagar, mas esconder muito tudo aquilo que aconteceu durante a primeira parte contra o Auckland City, esconder muito aquela discussão com o Kokchu, ou seja, já ninguém está a falar sobre isso. Está tudo já a falar sobre os oitavos de final do Mundial de Clubes. E depois o Benfica ganha aqui também a partir do demérito do Futebol Clube do Porto. E a verdade é essa, porque se formos fazer o comparativo entre a prestação de uma equipa portuguesa e a prestação da outra equipa portuguesa nesta fase de grupos do Mundial de Clubes, aquilo que um alcançou, que o outro não alcançou, são coisas completamente diferentes, não há qualquer tipo de ponto em comum e isso obviamente atira ainda mais o Futebol Clube do Porto para o fundo e dá ainda mais impacto e mais relevância a tudo aquilo que o Benfica conseguiu fazer.
Mas há também mais carga em cima desta equipa, que já leva muitos jogos na temporada e vai agora pelo menos fazer mais um, certamente, nestes oitavos de final. João Castro, o que achaste desta prestação do Benfica frente ao Bayern de Munique? Bem, creio que não temos João Castro nesta altura. Vamos tentar estabelecer essa ligação. Agora sim, João, acho que já conseguimos ouvir. Agora sim.
Desculpa.
Consegues me ouvir? Desculpa. O que eu achei do jogo? Em primeiro lugar, boa tarde a todos. Acho que é uma boa vitória do Benfica, obviamente. Num jogo que se tornou favorável pelo adiantamento do marcador, mérito para o Benfica nisso. E acho que o Benfica jogou da forma que gosta mais de jogar, que é em transição, ou seja, mais fechado e depois sair em transição, às vezes com critério, às vezes sem muito critério, mas a verdade é que o Benfica é sempre melhor quando não tem que assumir o jogo e tem que jogar mais em transição. Portanto, eu acho que encaixa no plano preferencial do Bruno Lage e da forma como este Benfica atua. Claramente, o Bayern começou com os oito titulares ao banco, isso também ajudou na primeira parte, depois quando começou a meter a carga toda, ou parte dela, na segunda parte, houve mais dificuldades para a equipa do Benfica, mas depois defendeu bem. Os dois centrais estiveram muito bem e depois teve um grande Trubin e isso ajudou, obviamente, que o Benfica conseguisse uma vitória importante para o Benfica e para o futebol português ficar em primeiro do grupo e, neste caso, atirando o Benfica para o lado menos forte da fase a eliminar, o que pode ser muito bom para a equipa encarnada. Apesar de terem agora um calendário ainda mais apertado, face que vai ter a pré-eliminatória da Champions, menos tempo de férias, é verdade que também há aqui um sucesso financeiro importante e de relevo para a equipa encarnada e agora é deixar os adeptos sonharem e desfrutar desta passagem, porque eu acho que a partir de agora, tudo que vier é lucro para o Benfica e para os adeptos do Benfica. Portanto, acho que foi uma bela vitória.
Pedro Henriques, as tuas notas para esta prestação do Benfica. Ontem não acertaste no 11, mas também avisamos que seria difícil nesta competição, até porque há aqui algumas mudanças que os treinadores estão a operar. O que achaste desta prestação do Benfica? Ontem abordaste esta questão da liderança, porque estavas com dúvidas se Bruno Lage iria colocar Kokçu no 11, não colocou. Pedir também um comentário a isso.
Bom dia. Em primeiro lugar, a minha nota, fora daquilo que já foi dito, para não estar-me a repetir, tem a ver com o Bruno Lage. Eu acho que ele tem que mudar claramente o chip. Marcou um gol do Benfica, virou-se para todo lado, parece que está zangado com toda a gente, irritado, não faz sentido nenhum. Depois, em inglês, quando fez os comentários em relação ao jogo, "tem que acreditar mais em nós, as pessoas confiam em nós." O homem está zangado com ele próprio, portanto ele deve acordar, olhar para o espelho e ver se tem algum problema, porque isto não faz sentido em termos de liderança, nem de postura. Ele tem é que se focar naquilo que é a alegria da vitória, do jogo, e estar menos focado com aquilo que são os comentários e as críticas que muita gente lhe faz, inclusive internamente, porque isso é que é o internamente, no sentido da própria nação benfiquista. Portanto, todo o body language do homem é de irritação. Isso não faz sentido, não é bom líder e, portanto, a minha crítica em relação a isso. Depois, dizer que obviamente ontem foi uma vitória muito importante para o futebol português e também em termos de média e para o Benfica em especial. Não é menos estes 400 milhões que o Benfica pode encaixar. Com tudo o que se possa dizer em relação ao Mundial de Clubes, fora do tempo, grandes cargas, muito calor, como foi ontem o caso, quase a rondar os 40 graus, o facto é que financeiramente isto para os clubes é extremamente importante. Será à custa do esforço dos jogadores e vamos ver o que isto vai ter de repercussões quando nós lá para dezembro, janeiro, estivermos aqui a falar das condições internas e daquilo que são as lesões e das cargas que resultam deste campeonato. Acho que o Benfica ter passado em primeiro lugar, por um lado, aquilo que é olhar até à final, é bom, porque acho que vai para o lado menos forte da coisa, mas eu acho que para as oitavas de final, acho que é muito mais fácil ganhar uma equipa brasileira do que ganhar ao Chelsea e portanto, nesse aspeto ficou menos bom. Finalmente, em relação a dois outros apontamentos. Trubin esteve numa noite fabulosa, como muitas vezes vem habituando, mas é para isso que estão lá os guarda-redes. Às vezes vejo as outras equipas a dizer: "Se não fosse o guarda-redes." Se for um ponta de lança que marca, é normal, mas se for um guarda-redes que faz 50 defesas, ele está lá exatamente para isso. E, portanto, uma nota elevadíssima, porque acho que foi claramente o homem mais decisivo do jogo de ontem e a última referência para dizer o seguinte: é só para lembrar a malta que agora na comunicação social vão sair sempre 50 notícias sobre transferências. Dessas 50, 48 não são verdade. Portanto, é só por causa disso. O Shell Group vai para ali e declara. 48 não são verdade, é para entreter, é para encher. É claro, se eu disser 50 transferências e acertar uma, o que é que eu depois vou fazer? "Estão a ver como eu tinha razão? Acertei nestas. Falhámos foi nas outras 49." Era só isto, até já.
Bem, só ainda abordar esta questão do Benfica, João Pinto, perceber contigo se achas que de facto os encarnados cá em equipa para o caminho mais fácil, se é que podemos dizer assim, nestas competições em que temos fase de grupos e depois fase a eliminar, nos europeus, nos mundiais de seleções. Discutimos sempre isto. Achas que está no caminho mais fácil?
O caminho para nós é o Chelsea. O caminho acaba aí. Depois o Benfica passando o Chelsea é que passa a ter caminho outra vez. É tudo muito bonito quando está no quadro, mas para passar o Chelsea, uma equipa que esteve muito melhor o ano passado do que tinha estado no ano anterior, ganhou uma Conference League, acabou por se qualificar para a Champions. Portanto, acaba por ser uma equipa com muita gente com muita qualidade. Nem sempre é uma equipa, nem sempre é um coletivo, mas obviamente que são uma série de jogadores com muita qualidade, a começar naquele miúdo que saiu do Benfica por mais de 120 milhões. E, portanto, o que o Benfica tem que fazer é fazer aquilo que fez ontem contra o Bayern, ser uma equipa muito unida, muito capaz, a acreditar muito no processo e depois ter um treinador. Eu concordo em absoluto com aquilo que o Pedro Henriques disse sobre o Bruno Lage. É um homem que não sabe ser feliz. Que pena que eu tenho que ele entre tanta coisa que vê, não veja as conferências de imprensa e as reações do Jürgen Klopp, que esse devia ser o tipo de atitude que ele devia ter.
Bem, vamos falar aqui também um pouco do Futebol Clube do Porto. Ana Fernandes, parece que há revolução à vista. O que podemos esperar? Prometeu-se um murro na mesa, Anselmi até já disse que o murro na mesa tem que ser planeado. O que temos pela frente ou o que podemos perspetivar neste universo Futebol Clube do Porto?
Eu acho que André Villas-Boas estará nesta altura, desde ontem, desde anteontem, por hoje, a pensar também no que vai fazer à própria vida, porque eu tenho a certeza de que existiram poucos timings tão favoráveis, não estou a dizer que é um bom timing, mas tão favoráveis, para tentar de alguma forma mudar o futuro ou mudar aquilo que está a acontecer no Futebol Clube do Porto. Vimos do Mundial de Clubes, que é completamente ao lado e para não dizer embaraçoso e constrangedor para Martín Anselmi e para a equipa do Futebol Clube do Porto. Vimos de uma temporada que é constrangedora também para o Futebol Clube do Porto, não só com Vítor Bruno, mas que piorou a partir do momento em que Martín Anselmi também chega ao comando técnico da equipa. Estamos nesta altura nos últimos dias de junho e ainda aqui a algumas semanas do início da próxima temporada. Eu acho que André Villas-Boas não tem um indicador positivo nesta altura por parte deste treinador que lhe dê garantias para a próxima temporada. Acreditar que Rodrigo Mora é o herói da companhia e pode ser aqui o único traço positivo de uma equipa ou a única esperança de uma equipa é muito pouco para um clube como o Futebol Clube do Porto, que em teoria luta por todos os troféus internos em que está inserido. Não me parece que Martín Anselmi nesta altura tenha condições para continuar. Acho que não fez o suficiente nem durante a temporada, nem em Portugal, nem neste Mundial de Clubes para ter condições para continuar. Acho que ainda não mostrou absolutamente nada de positivo desde que chegou ao Futebol Clube do Porto. Ainda não mostrou nem justificou o porquê de ter sido esta aposta tão grande e até tão periférica por parte do Futebol Clube do Porto. Portanto, eu acredito que André Villas-Boas esteja aqui a tentar repensar se de facto acredita neste treinador, se é uma aposta sua, se mantém para a próxima temporada ou se já viu o suficiente e precisa de muito mais. Agora acho que aquela receção, por muito que não tenha sido muito efusiva, não estavam lá muitas pessoas, mas acho que ter vários adeptos, dezenas de adeptos à chegada de um mundial de clubes, de uma viagem tão longa como vir dos Estados Unidos e perceber o descontentamento que se está a viver, parece-me que é suficiente para perceber também o ambiente que se vive nesta altura no Futebol Clube do Porto.
João Castro, como é que vês esta situação no Futebol Clube do Porto, que já tinha tido uma época aquém das expectativas, mesmo sendo chamada a época zero desta nova realidade do Futebol Clube do Porto. Há uma competição que criou muitas dúvidas no início, para uns já uma afirmação, para outros ainda gera essas dúvidas, mas fica certo que a posição do Futebol Clube do Porto, principalmente no grupo em que estava, fica aquém das expectativas.
Já tinha dito aqui que o maior problema do Porto foi desde logo a falta de qualidade no plantel. E venho a dizer isso desde setembro, não é de agora. Depois, as opções de Villas-Boas também não foram as mais acertadas, desde Vítor Bruno, que depois não resultou, mas que até tinha melhores resultados, e depois de Anselmi. E nós fomos aqui indicando, especialmente eu e o Pedro Henriques, que era preciso mostrar em campo aquilo que na teoria diz nas conferências de imprensa, porque o Anselmi realmente comunica muito bem. Mas será que comunica assim tão bem nos treinos? Porque os jogadores não fazem na totalidade aquilo que obviamente o treinador pretende e diz nas conferências de imprensa. E portanto, eu fui vendo os jogos do Futebol Clube do Porto, notou-se aqui e ali alguma melhoria, mas era uma melhoria que não era constante, ou seja, um jogo melhorava um bocadinho, depois baixava outra vez. E a mim parece-me que, e eu acho que isto é um dos aspectos que o Villas-Boas, até como treinador, tem que avaliar, é se os jogadores realmente estão com o treinador. E não é de estar com o treinador de apoiá-lo, é se realmente os jogadores assimilaram ou querem assimilar as ideias do treinador. Porque me parece que existe ali um distanciamento entre o treinador e os jogadores. São muitos erros individuais, são muitas alterações também do Anselmi, temos táticas de jogo para jogo, de adversário para adversário, parece que muda sempre consoante o adversário. E neste caso, estamos a falar do Futebol Clube do Porto, não é para mudar tanto consoante o adversário, o adversário é que tem que se adaptar um bocadinho mais ao Futebol Clube do Porto. E, portanto, acho que em tudo isto, o Villas-Boas agora está aqui no meio da ponte, porque tem de um lado, obviamente, o seu orgulho e seria no espaço de menos um ano da sua presidência ou de um ano, três treinadores, o que é significativo. E depois, por outro lado, está a ver se realmente há alguma hipótese de continuação do Anselmi, porque o pior que podia ter acontecido ao Anselmi era este Mundial de Clubes, porque se eles tivessem acabado a época, ido para casa, férias e depois pré-época, novos jogadores, estava tudo maravilha, porque se calhar ia ser dada. Aliás, Villas-Boas há dois meses, nem isso, disse que o treinador para a próxima época era o Anselmi. Nós não nos podemos esquecer das palavras do presidente do Futebol Clube do Porto. E agora vai ter que tomar uma decisão. E aí concordo com a Mariana, se há timing para tomar a decisão, é esta, porque provavelmente a lista de reforços já aprovada do Anselmi já está no direito desportivo a serem contratados. E portanto, se tiver um novo treinador, isso vai ter que parar todo o processo de contratação, porque depois vem o novo treinador. E portanto, o timing é agora. Eu acho que esta semana, se calhar, vamos ter novidades a partir da Torre dos Ande.
Vamos ver o que acontece. Vamos então às nossas notas de campeão. Pedro Henriques, começo desse lado, campeão do dia.
Olha, três notas, duas delas negativas e uma positiva. A nota negativa passa exatamente por isto que estamos a falar aqui do Futebol Clube do Porto, pela forma como aqueles adeptos, os tais meia dúzia, foram receber a equipa do Futebol Clube do Porto. Uma coisa é que eu acredite que a nação portista esteja toda descontente. Outra coisa é a forma como tu manifestas e mostras o teu descontentamento. E aquela demonstração de descontentamento, como foi feita, vou dizer isso de uma forma simpática, é sempre uma forma anormal de mostrar as coisas e deixa-me naturalmente preocupado, porque não consigo conviver com este tipo de anormalidades de resposta, de forma como os adeptos muitas vezes protestam. Não é assim garantidamente
De outras maneiras e isso também não representa aquilo que é a nação portista. Uma coisa é o descontentamento, a forma como demonstra isso é diferente. Por outro lado, a despromoção do Lyon, também como nota negativa na perspectiva de que se passássemos o caso para Portugal e tivéssemos uma direção nacional de controle e de gestão, já não estou a falar das pessoas em termos individuais, porque aí, coitadinhos, a maior parte do pessoal não dava de cara a demonstrar aquilo que não está aí. Mas é sobretudo em relação aos clubes portugueses, que temos muitos que vão sobrevivendo na mentira, com ordenados em atraso e pagamentos por fazer, e que se mantêm ao mais alto nível e depois aqueles que são cumpridores muitas vezes descem de divisão. Portanto, é bom este exemplo que venha de cima, independentemente do clube que seja, que não há hipótese se realmente as contas não estão em dia, dizendo assim de uma forma simplista, há que despromover e há que dar oportunidade a quem tem contas certas. Portanto, é negativo a descida do Lyon e tudo o que está por trás acaba por ser positivo. Finalmente, a última nota positiva é que o Morata que falhou ou que fez com que o Diego Costa tenha atendido o penálti, como é óbvio, nestas circunstâncias, infelizmente acontece por todo o mundo, tem sofrido ameaças nas redes sociais em relação a ele, à mulher, aos filhos, ameaças de morte, etc. O jovem que foi apanhado é de Málaga, tem 19 anos. E depois ainda teve este desplante de dizer à polícia, claro que a polícia já desmontou isso tudo, roubaram-me a conta e piratearam. É que já não se assumem porque ficam atrás de uma rede social escondidos. E depois quando são apanhados, nem homenzinhos, e este homenzinhos com H grande, sejam homens, sejam mulheres, têm para assumir as responsabilidades e as culpas. Algo vai mal neste mundo em que as pessoas realmente têm este tipo de atitudes e comportamentos, porque só já são negativos e depois nem alguém explicou àquele jovem que pelo menos quando erramos, temos que assumir as responsabilidades e as culpas. Lá foi apanhado, lá foi detido, lá com certeza vai ter uma penalização e continua lá em Espanha. Aqui em Portugal, é aquilo que nós sabemos, todos nós temos redes sociais e basta eu dar uma opinião que é penálti a favor do Benfica ou desfavor do Porto, vêm logo os animalescos todos para cima de mim, mas eu pronto, eu já tenho 59 anos e convivo bem, até vim logo do ginásio, fiz um exercício dorsal, costas largas, está sempre a abrir. Um abraço a todos. Um bom dia, observadores.
João Pinto, vamos à tua nota.
Nota 18 para o Benfica, com tudo aquilo que implica este 18, o Trubin que fez uma grande exibição, Renato, Leandro Barreiro, Otamendi com aquela cena final com o António Silva, uma coisa muito bonita, e o próprio António que fez uma exibição fantástica. E a minha ideia é que o Benfica precisa mais do que um médio, mais do que um extremo, precisa de um homem de área para desbloquear os jogos com os pequenos. Portanto, atenção à lista de Pinheiros que anda por aí. A única coisa que o Benfica tem que comprar para fechar o plantel.
João Castro.
Olha, o João já deu a nota positiva ao Benfica, eu vou dar a um jogador em particular, ao Trubin. Acho que faz uma grande exibição e acho que valoriza muito, não só a vitória do Benfica, mas o passe dele, porque realmente faz ali duas ou três intervenções de grande categoria e não era fácil, com a pressão que o jogo tinha também em si. E depois, obviamente, uma nota 18 para o Auckland, os amadores conseguem empatar com um histórico futebol mundial que é o Boca Juniors. Aqueles semiprofissionais ou amadores que meteram baixa algumas licenças sem vencimento para estarem no mundial, a festa que foi e a festa que será depois quando regressarem à Nova Zelândia, porque realmente foi um feito incrível terem empatado com o Boca Juniors.
Helena Fernandes, para terminar.
Olha, um cinco para o Damaiense, que chegou a ter um projeto de futebol feminino até bastante interessante, chegou a dar luta aqui ao Sporting Braga, ao Sporting, ao Benfica, às principais equipas do campeonato, e que agora, com uma espécie de truque, de sair da Associação de Futebol de Lisboa, de ir para Loulé, pelo menos com a sede fiscal, passar a jogar pela Associação de Futebol do Algarve, a verdade é que não conseguiu o licenciamento necessário para jogar na Liga BPI. Portanto, por agora está fora da Primeira Divisão, ainda vai recorrer e diz que tem tudo acertado, mas é a falência de um projeto que chegou a ser bastante interessante ali na Damaia.
Está feita a edição de hoje de "E o Campeão É?", estamos de regresso amanhã depois do 12h30.