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Está tudo pronto para avaliarmos os principais protagonistas do desporto. Começa agora o "E o Campeão É..." das manhãs 360. Hoje, na análise, juntam-se a mim e ao Júlio Magalhães, o Gabriel Alves, o Bruno Vieira Amaral e o editor de desporto do Observador, Bruno Roseiro. Bom dia, boa semana.

Olá, bom dia.

Bom dia. Bruno Roseiro, ainda no rescaldo do jogo da seleção, começava por ti para perceber quem podemos encontrar pela frente nos playoffs. Quem são os potenciais adversários de Portugal? Suécia, Noruega, Gales, Rússia?

Ou no limite, Itália. Se nós quisermos todos passar aqui ao lado.

Nós falamos muito de Portugal, mas se calhar todos. Itália também vai aos playoffs.

Sim, eu acho que as pessoas não perceberam muito bem que uma coisa é jogar as meias-finais e partir como cabeça de série. Joga-se em casa, pode ser a Áustria, pode ser uma história do Norte, pode ser essas seleções mais simpáticas. Sempre com essa parte de perceber se existem ou não seleções simpáticas, porque se jogarem a três já vai ser uma complicação. Percebemos isso do próprio Fernando Santos. Mesmo que seja o País de Gales, pode ser um problema. A questão é: a seguir a uma meia-final, vem também uma final e é nessa final que podemos cruzar, eventualmente, com o vencedor da eliminatória da Itália. Não me parece que tenhamos um caminho propriamente muito simpático, e não me parece que estejamos a ir também num caminho interno correto depois daquilo que aconteceu na Luz.

O que queres dizer com isso?

Uma coisa é todos percebermos que o Fernando Santos é culpado, ou o principal culpado, não será o único. Fernando Santos vai fazer o playoff, Fernando Santos só vai sair da federação se não se qualificar para o Campeonato do Mundo ou se na fase final as coisas correrem muito mal, porque ele é um selecionador de mandato, ou seja, tem contrato até 2024, que é quando Fernando Gomes vai sair.

Aqui não há dúvidas se ele tem ou não condições de continuar.

Não há a mínima dúvida. Porque Fernando Gomes e a própria estrutura da federação sempre entendeu, e na minha ótica, bem, que Fernando Santos vai ser o treinador que vai, entre aspas, reformar Ronaldo. O que isso quer dizer? No dia em que o Ronaldo disser: "Eu, mesmo sendo o melhor jogador desta seleção, acho que está na altura de dar lugar a outros." Não pode ser um novo selecionador a ficar com essa batata quente e, eventualmente, Fernando Santos sair e ficar a olhar para Ronaldo e perceber: e agora, o que ele vai fazer, o que não vai fazer, e ficar condicionado nas suas opções. Isso sempre foi uma ideia de Fernando Gomes e sobre isso não há a mínima dúvida. Não me parece que seja um caminho muito simpático para nós e, sobretudo, favorável para haver esta redenção que terá de haver em março, quando começam a sair notícias a dizer que, por exemplo, o Rafa não é propriamente um jogador que esteja muito empenhado, que tem uma personalidade complicada. Acho que não é por aí. Não vale a pena começarmos a andar por esse caminho. Porque isso é a clubita chegar à federação. Já basta o exemplo, recentemente, dos últimos dias do Benfica, das guerras internas, para se perceber que isso depois não acrescenta nada. Se infelizmente já existe isso nos clubes, não vale a pena a federação também acolher esses males dos clubes.

Júlio, isto vem ao encontro daquilo que tu dizias. Este começar a falar menos bem dos jogadores, do selecionador, não ajuda em nada a equipa e a seleção.

Não somos só nós, é em todo lado, mas nós particularmente. Fernando Santos sofreu a primeira derrota em casa desde que é selecionador. Ganhou um Europeu, ganhou uma Liga das Nações, está a fazer este caminho e deve continuar a fazê-lo. A proposta é que vamos mudar de selecionador. A Itália ontem foi o que se viu, o grande campeonato do mundo, a grande seleção reformada, com grande treinador, grandes jogadores e ontem ficou em segundo lugar e vai como nós ao playoff. E se o nosso caminho é muito difícil e podemos apanhar, como disse o Bruno, a Itália, a Itália pode apanhar Portugal. Portanto, acho que é assim, quando perdemos 5 x 0, como se perde, parece que vem uma catástrofe. Hoje o futebol, três dias depois, há uma grande vitória para conquistar. E acho que era assim que devia ser. Não faz sentido. O Fernando Santos cometeu erros? Pois cometeu. Eu já aqui disse, os melhores treinadores do mundo não estão nas seleções, estão nos clubes. As seleções vão buscar treinadores, alguns já em fim de carreira, como acontece com o Fernando Santos, que está em fim de ciclo, e claro que vai terminar este ciclo na federação, seria ridículo e absurdo. Só porque perdemos com a Sérvia, vamos ao playoff, acharmos que o treinador tem que sair, tem que se fazer aqui já uma reforma, os portugueses todos a pedir.

Os dentes brancos no Estádio da Luz.

As máscaras. Eu estava lá e reparei, agora são máscaras.

Está mais à mão.

Os fóruns todos das rádios era tudo a dizer que o treinador tinha que sair, o treinador tem que ir embora, o treinador não presta, o treinador joga defesa, o treinador é conservador. Não é verdade. Nós temos feito caminhadas e nós estamos num patamar mais alto, porque Cristiano nos transportou para aqui, porque o nosso patamar não é este. Agora é, mas não vai ser no futuro este, porque vai haver uma diferença grande. Nós temos bons jogadores, mas, neste momento, é a minha opinião, claro, um absurdo retirar a responsabilidade ao treinador. A única coisa que poderia, de facto, acontecer era: há um ambiente, os jogadores já não querem este treinador. O Paulo Bento saiu um bocadinho por causa disso, porque já não havia boa relação entre os jogadores e treinadores e a seleção vivia numa turbulência, numa confusão grande. É isso que acontece neste momento na seleção? Não creio que seja. Não creio que estes jogadores estejam a pedir a saída do Fernando Santos. Portanto, agora é preciso jogar o playoff, ganhar. E se perdermos, não vamos ao mundial, é desporto, vão outros, mereceram mais. Alguém vai morrer por causa disso?

Falaste aqui em Cristiano Ronaldo. Bruno Vieira Amaral, não sei se podemos considerar o vitai do dia, mas temos de falar nas declarações de CR7 depois do jogo com a Sérvia. Disse: "Resultado duro, mas não o suficiente para nos abater." E é deste espírito que precisamos, não é?

É o levantar a cabeça, temos que dar a volta, é o comum, é o vital, não se esperava que dissesse outra coisa. E está aí um playoff, e é óbvio que o Cristiano Ronaldo é talvez dos jogadores, se não é o que está mais motivado, é dos que está mais motivado, porque o próximo mundial vai ser o último. Eu creio que na cabeça dele já existe essa ideia há muito tempo de se despedir da seleção, ou pelo menos dos mundiais, neste próximo mundial do Qatar. Ora, seria um anticlímax se Portugal não conseguisse lá chegar, como é óbvio. Esta mensagem vem nesse sentido. Quanto às críticas ao selecionador, as críticas fazem parte Do futebol, as críticas fazem parte.

Fazem parte e são justas, Bruno.

Claro. E eu acho que são mais saudáveis do que alguns falsos consensos patrioteiros, como nós já vimos noutras épocas, com outros treinadores, em que não se podia dizer nada, não se podia apontar uma crítica. Estou a lembrar-me, por exemplo, da altura do Scolari, em que andávamos todos de bandeirinha na mão, não se podia fazer uma crítica. E quem fazia críticas na altura, por acaso, por falar em clubites, eram alguns adeptos do Porto que se queixavam do ostracismo a que o Scolari tinha votado alguns jogadores. Mas isso já foi há muitos anos, já ninguém se lembra disso, já ninguém se lembra dessas épocas e dessas histórias dessa seleção, apesar de o Ronaldo ser o ponto em comum com essa seleção do Scolari. Eu acho que estas críticas são absolutamente normais e têm que ver não com os resultados, e também não acho que faça sentido a comparação com a situação de Itália, porque temos que ver de onde é que vinha Itália, quando e como Mancini pegou na seleção e aquilo em que transformou a seleção, ganhou o Campeonato da Europa. E não acho que faça sentido essa comparação, porque temos que analisar, acho eu, mais do que os resultados, a qualidade de jogo. E é isso que creio que a maior parte das críticas contesta, é a qualidade de jogo da seleção portuguesa. Não tanto os resultados, porque os resultados têm sido, se calhar, até melhores, como dizia o Júlio, num patamar que não é o nosso. Eu lembro que nos últimos mundiais e europeus, apesar de não termos tido desempenhos também extraordinários, conseguimos passar a fase de grupos. Não houve nenhuma campanha que tivesse sido verdadeiramente catastrófica, como tivemos outras no passado. Portanto, em termos de resultados, temos também conseguido os apuramentos diretos. Desta vez, com o Fernando Santos, é a primeira vez que vamos a um playoff, os resultados têm sido até positivos. Na minha opinião, ou pelo menos as minhas críticas a Fernando Santos vão nesse sentido, tem que ver com a qualidade de jogo da seleção e de sentir que esta seleção tinha que jogar mais. Agora, os resultados, para ser honesto, acho que até têm sido bastante razoáveis.

Pois, Bruno, o que eu queria dizer era, de facto, a Itália partiu de um ponto diferente, porque também ficou ausente de um Campeonato Europeu. Fez uma reforma, acabou um ciclo e não foi ao Europeu. No último Europeu não esteve lá. E se calhar vai ter que nos acontecer isso.

Foi no Mundial.

No Mundial, julgo eu, sim. Foi uma catástrofe fatal e eles aproveitaram isso, não foram e fizeram uma reforma. E a nós, se calhar, vai nos acontecer a mesma coisa, um fim de ciclo, não vamos a um Mundial ou a um Europeu e há um treinador novo que pega nuns jogadores desta nova geração e vai nos acontecer.

Não vamos fazer disto uma tragédia.

Claro. Não faz sentido, é meio de agora assim, é isso que eu defendo, meio pesada a qualidade e de haver críticas, agora também interrompermos este ciclo quando há um playoff para jogar.

Não, eu também não.

Já percebemos pelo Bruno Roseir que isso não vai acontecer.

Quando há um playoff.

Não, isso não, mas queria só acrescentar só uma coisa. A única catástrofe que existe não é a desportiva, é a financeira.

Claro. Sim, sobre isso o Gabriel queria falar nisso.

A Federação aumentou muito as receitas, mas também aumentou muito os custos. E nós vemos o que é o peso daquela estrutura. E vemos até quase a reação que houve por ter sido um jornalista do Zerozero a fazer uma pergunta mais incômoda ao Fernando Santos, quase que foi idolatrado como herói nacional, porque nesta altura, tudo que seja o universo Federação é impoluto e não se pode colocar. E isso é um ponto importante.

Isso é outro problema.

Então estava a deixar a deixa para o Gabriel Alves, que queria falar precisamente dos prejuízos financeiros deste não apuramento, não é, Gabriel?

Sim, é uma das situações que eu quero abordar, mas tenho aqui mais algumas coisinhas para falar. Pego pela questão, e bem, que o Bruno Roseir trouxe a terreiro, desta clubite na seleção, que é algo que se passou durante muitos anos e que de fato terminou com Scolari e depois teve sequência, e bem, com esta administração do Fernando Gomes. Mas Fernando Gomes, presidente da Federação, deveria, na minha opinião, e eu já disse isso ontem e já tinha dito anteontem, de vir a terreiro, ou com comunicado, ou publicamente ele próprio, a própria Federação, e não mandar notícias assim para o jornal como eu estou a ver. Estou a citar: "Segundo os dados recolhidos por A Bola, a estrutura dirigente da Federação Portuguesa de Futebol mantém total confiança no treinador que levou Portugal à conquista dos seus únicos dois títulos internacionais." Não. Se é para Fernando Santos, e de facto estou de acordo, ficar, dada a onda de críticas que existe, é a Federação que tem que vir a dizer: "Fernando Santos é o treinador para o playoff. Ponto. Depois logo se vê." Esta é uma questão, senão vamos ter aqui muitas fotonovelas, telenovelas, muitos romances, muitos contos. Quanto à questão das clubites, eu também queria focar aqui. Aqui ao lado, aqui em Espanha, o Luis Enrique acabou com isso. E ele não tem os jogadores do Real, tem os do Barcelona. "Mas o Barcelona está em queda e ele tem os jogadores do Barcelona." Pois tem, tem lá os melhores, o Gavi, o Pedri, etc. E o Busquets, que é a alma da seleção. Só que tem outra situação em relação a isto, é que o Luis Enrique dá o peito às balas.

Só tem uma ideia de jogo, que é uma coisa que o Fernando Santos também tem.

Sim, mas isso é outra questão, Bruno. Repara bem, ele tem a ideia de jogo, que é a ideia do jogo espanhol. Esta que é a verdade. Ele não sai dessa ideia. É evidente que lhe dá o seu cunho pessoal, o seu caráter.

E convoca os jogadores. Os jogadores que estavas a dizer, são convocados em função dessa ideia.

Claro, exatamente, estou de acordo com isso. Mas enquanto 100% da seleção nacional que jogou com a Sérvia não joga em Portugal, os jogadores 90% dos que jogam na seleção espanhola, jogam em Espanha. Há aqui também algumas nuances que nos levariam a um outro tipo de diálogo.

Gabriel, e quanto à questão financeira? Para não nos desviarmos muito e falarmos do óbvio.

Quanto à questão financeira, evidente, o Bruno levantou a questão. Esta não ida, se não acontecer, a federação vai levar um rombo nas suas contas enorme. Porque obviamente planificou-se um determinado plafond e esse plafond vai desaparecer. Porque nestes últimos anos, com as qualificações para os europeus e para os mundiais, trouxe obviamente toda uma dimensão a uma federação que mal se fala dela, mas se calhar haveria coisas para falar. Quanto às responsabilidades de Fernando Santos, claro, todas vão lhe cair em cima e estão a cair pela sua ideia de jogo, etc. Mas os jogadores também têm as responsabilidades. Esta é que é a verdade, porque os jogadores querem estar no mundial, eles estão nos grandes clubes, nas grandes provas, nas grandes competições, estão todos no estrangeiro, mas se não forem a um campeonato do mundo pela sua seleção, aquela luz tão grande que eles têm, fonte-se, acabou, não há. Porque um jogador que não esteja ao nível de um campeonato do mundo, de um campeonato da Europa, de uma fase final, são jogadores por mais bem pagos, o mercado cai. Cai o mercado, para a federação também cai os patrocínios, tudo se vai por aí abaixo, porque não é só o dinheiro que vem das vitórias, é também dos patrocinadores. Queria também chamar aqui dois detalhes. Em relação à Itália e a Portugal. São coisas diferentes, são coisas diversas, mas vejam lá. Portugal poderia ter se qualificado se houvesse VAR no jogo da Sérvia. Esta é que é a verdade. Portugal teria ganho o jogo, teria mais três pontos que a Sérvia. Portanto, é um erro de estrutura administrativa da própria UEFA e da FIFA, que permite que isto aconteça. Embora seja diferente, Mancini e a Itália vão ao playoff. Mas vejam bem, são condições de jogo, por isso eu estou a dizer. Jorginho frente à Suíça, no minuto 90, teve um pênalti a favor da Itália, que destroçou com uma bola nas nuvens. Portanto, isto faz parte também do jogo e do futebol. Aí estão duas situações, embora não paralelas, que entram também na situação do playoff, onde estão Portugal e Itália. Uma diferença: Fernando Santos era um homem derrotado na conferência de imprensa. Mancini: "Talvez ganhemos o Mundial." É o meu campeão de hoje pelo seu otimismo e pela sua força.

Roseiro, queres concluir?

Não, eventualmente, só dizer, eu não estive cá ontem, dizer que no jogo com a Sérvia, mais do que nunca, eu fui ver o jogo ao estádio e até cá em cima, ou seja, conseguimos ter uma perspectiva diferente do jogo, mais do que nunca, eu aponto o dedo muito mais ao Fernando Santos do que aos jogadores, porque a mim não me faz confusão que o treinador não acerte na estratégia inicialmente. Faz-me confusão que depois do intervalo as coisas continuem na mesma. Eu para isso sou muito pragmático. Para mim, os selecionadores são, sobretudo, gestores de personalidades, de egos e de homens. Já se percebeu que é preciso um bocadinho mais também para Portugal. A estratégia não resultou na primeira parte e a mim faz-me confusão é na segunda ter sido tão má ou pior.

Bruno Vieira Amaral, depois de nos últimos dias se falar de Pepa, atual treinador do Vitória de Guimarães, substituir Jorge Jesus no final da época, o Benfica vem negar através de um comunicado emitido esta madrugada que isso vai acontecer. Perigo.

Os desmentidos que confirmam alguma coisinha, não é?

Qualquer coisinha anda aqui.

Deixam no ar que a suspeita é capaz de ter fundamento. Eu não duvido nada que o Benfica já se esteja a precaver, esta direção do Benfica, para a eventual saída, que eu creio que é muito provável, do Jorge Jesus no final da época. A não ser que o Benfica conseguisse chegar às meias-finais da Liga dos Campeões, não me parece que seja muito provável, e ganhasse o campeonato. Mas creio que esse é o destino do Benfica e de Jorge Jesus, é separarem os seus caminhos, cada um ir para o seu lado, e o Benfica tem que começar a pensar numa alternativa. E não quer que aconteça aquilo que aconteceu com Rúben Amorim, que era um treinador que deveria ali estar debaixo do radar, o Benfica deveria estar mais ou menos a controlá-lo, e depois foi para o Sporting e vimos o que é que aconteceu. Então o Benfica quer precaver-se. Com uma diferença: neste momento existe estabilidade técnica, quer no Porto, quer no Sporting. Portanto, não haveria um grande risco de Pepa sair para um desses clubes. Mas também é importante que o Benfica tome a iniciativa de reservar, como se diz, o treinador e apesar do desmentido, eu acho que existe uma grande probabilidade de ter havido movimentações nesse sentido, pelo menos conversas informais, para saber também da disponibilidade do treinador para vir para o Benfica, para a próxima época, no caso, muito provável.

O Júlio sabe de alguma coisa que nós não sabemos, quer acrescentar alguma coisa?

Não, eu tenho um amigo meu, isto é uma brincadeira, claro, mas era um amigo meu benfiquista, portanto eu dizia que o comunicado do Benfica está certo, desmente no final da época, porque é já em janeiro.

Bruno Roseiro, sabes de alguma coisa que nós não saibamos?

Sei muito, já tinha falado com o Gabriel sobre isto, salvo erro, há três semanas. Há três semanas falámos por telefone sobre isto. Eu, sinceramente, em relação a tudo isso do Benfica, aquilo que eu vejo é uma balcanização desnecessária e sem sentido do Benfica, que em termos futebolísticos, para as pessoas perceberem, é um bocadinho a sportingização do Benfica, neste caso, uma sportingização pré-Frederico Varandas. O que isto significa? Quando o Benfica devia estar a falar em quem é o Tomás Araújo que pode substituir o Lucas Veríssimo, porque é que o Maité não está a render e porque é que o Weigl tem estado a prestar mais atenção ao Maité. Como é que está a situação do João Mário e do Rafa para ver se estão bem para a final, entre aspas, com o Barcelona. Aquilo que fala é: coloca a notícia, que não é a primeira vez que acontece, isto já começou na TVI já há três anos. Portanto, isto é uma novela muito fácil de identificar como é que ela aparece e quais são os seus propósitos. Continua a colocar a questão do Pepa. O Pepa cada vez mais está a tentar desviar isso. Aliás, a seguir ao jogo em Alvalade, a primeira coisa que ele disse foi: "Eu estou onde eu quero estar, eu estou na minha cadeira de sonho, estou no Vitória", etc. Porque ele próprio também sabe que os adeptos do Vitória não têm muita paciência para treinadores que estão lá, mas que estão a pensar em clubes grandes. Portanto, ele próprio tem essa percepção. É verdade que as pessoas do Benfica gostam de Pepa. É verdade que estas notícias querem, sobretudo, colocar pressão em Jorge Jesus. E também é verdade que tudo isto acontece numa altura em que o fantasma Luís Filipe Vieira voltou a aparecer, em que a SIC está a preparar uma reportagem que, mais uma vez, não vai ser muito simpática nem para ele nem indiretamente para o Benfica, numa altura em que Carlos Janela, Pedro Guerra, etc., uma série de pessoas já estão a ser corridas do Benfica numa espécie de limpeza interna, que ainda para mais vem com umas faturas já também para os jornais. Ou seja, é mesmo aquela coisa de, em vez de potenciar o bom que existe em termos desportivos, o Benfica está a começar a entrar numa espiral de guerras internas e justificação de limpezas internas.

E isso também não vem ajudar.

Normalmente, aliás, basta olhar, andam 2 km em frente na Circular e veem o resultado que isso deu durante anos a fio.

Bruno, mas às vezes é preciso fazer uma limpeza. Ou seja, claro que a questão da balcanização é de evitar, de se criar essas fações, mas não vale a pena estar a fingir que as coisas estão bem quando não estão. E que é preciso ainda limpar, como dizia o Carlos Queiroz, limpar a porcaria, varrer a porcaria que existe. Tem que se assumir, tem que se aceitar que existem problemas dentro do clube, alguns dos quais não ficaram resolvidos com a saída do Luís Filipe Vieira, e é provavelmente daí que vêm estes problemas e estas tensões internas. E não vale a pena estar a disfarçá-las. Acho que é aí que se enfrentar.

Também é isso, mas em relação ao Jorge Jesus, acho que a coisa resolve-se de uma maneira muito simples, que é falar com ele e dizer o que querem. Ele não sabe. Ele, nesta altura, não sabe. É tão simples quanto isso.

Bruno Rosário, vamos então ao teu campeão do dia. Quem é?

O meu campeão do dia vai para o Gonçalo Alves. Para mim foi uma das referências, ou seja, o jogo de Portugal ontem foi quase uma espécie de um primeiro teste para o jogo com a França. A França é muito melhor do que as pessoas estavam à espera. E não foi só pela vitória na Itália. A França tem três irmãos, um deles joga no Porto, o Carlo de Benedetto. Aquele que para mim até é o melhor, joga em Espanha, que é o irmão mais novo, o Roberto, e o gêmeo ainda joga no Lleida, também em Espanha, mas é mais modesto. Chama-se Bruno, por isso se calhar é que não é tão bom, mas vai ser um jogo complicado hoje com a França. É importante ganharmos, porque é um passo também importante para garantirmos uma das duas primeiras vagas. E deixa-me só, em paralelo, dizer que acho uma vergonha, sinceramente, não haver uma linha em todos os jornais desportivos.

Sobre o que se passou.

Sobre o que se passou num particular do Valongo com a seleção italiana. Ainda para mais, até os vídeos parece que têm medo de dizer os nomes, têm medo de dizer o guarda-redes.

Estamos a falar de hóquei em patins, ainda não citámos.

Veio dizer que não tinham os números, não é, Bruno?

Pronto, então eu vou ajudar. O guarda-redes chama-se Bernardo Mendes, o jogador que agride chama-se Ruben Pereira, quem conhece minimamente o hóquei, conhece-os bem. O jogo foi em San Siro, entre aspas, que é o pavilhão multifuncional.

E o jogador que agride foi o Alessandro Verona.

Foi o Alessandro Verona.

Joga no Sporting.

Que joga no Sporting e que é um coitado que deve ser dos mais sossegados em termos de jogadores de hóquei em patins, porque o Sporting também tem jogadores muito emocionais. Aliás, o Ângelo Girão, titular da nossa seleção, é um bom exemplo.

E levou duas esticadas.

Que ainda são reflexo daquilo que se passou no jogo do campeonato do Valongo-Sporting, que acabou até facas e cães havidos nas bancadas. Portanto, é bom que as pessoas comecem a ter atenção a isto só por uma razão: não matem aquela que é a nossa modalidade querida. Já basta olhar para o Campeonato Europeu e perceber que só há seis seleções. Se nos vão tirar o hóquei, que é tão querido, e não é só de grandes, é Oliverense, Barcelos, Tomar, Turquel, Sanjoanense, Valongo, se nos vão tirar também o hóquei por causa destas coisas.

Destes episódios infelizes.

Acho que vamos pelo mau caminho.

Bruno Rosário, que nota dás ao Gonçalo Alves?

Dou uma nota 15, gostei muito do jogo dele e acho que aquela meia distância vai fazer a diferença até sábado.

Juli Magalhães, quem é o teu campeão do dia?

Eu vou fazer aqui uma confidência.

Então.

Eu podia dar uma nota 15 ao meu sobrinho, que é titular da seleção de hóquei em patins.

Muito bem, quem é o teu sobrinho?

Não digo, deixa lá.

Diz lá.

É o jogador mais inteligente e mais importante para aquela seleção.

O Henrique Magalhães.

Ele vai ser sempre titular.

É o Henrique Magalhães?

É, filho do meu irmão.

Que bom! Que nota dás ao Henrique Magalhães?

Não vou dar. Isso não fica bem. Dou à seleção toda.

À seleção, que ontem ganhou à Alemanha.

Mas hoje, por acaso, até queria dar. A gente vai ter tempo para dar também notas à seleção de hóquei, porque vai ser um sucesso.

Então.

Mas vou dar ao Fernando Santos. Acho que não devemos ter memória curta e, portanto, hoje é evidente que esteve mal.

Estás a querer dar um abraço e uma força.

É verdade. Acho que nestas alturas também é preciso perceber que todos cometemos erros, a coisa não está a correr bem e provavelmente alguém vai ter que ajudar Fernando Santos para que as coisas também corram bem.

Tu começas tu. Com uma nota?

Um grande abraço, um 16 também.

Um 16. Gabriel Alves, disseste que era Mancini o teu campeão do dia, que nota lhe dás para eu passar ao Bruno?

17.

17 para Mancini.

17. Talvez ganhemos o mundial, é a resposta dele a ir ao playoff. Achei ótimo.

Bruno Vieira Amaral, só faltas tu.

Sim, eu também mando abraço para o Fernando Santos, mas o meu campeão. Não, eu tenho admiração genuína por ele.

Eu dou ele por ti.

Por ele. Tenho admiração genuína pelo homem que ele é, pela decência que ele tem sempre mostrado no futebol, e isso também é de saudar. Mas o meu campeão hoje é a Suíça. Não tenho lá nenhum sobrinho, nem nenhum primo na Suíça, nem nenhum sobrinho taxista na Suíça, mas conseguiu esse feito de ultrapassar a Itália e de conseguir o apuramento direto para o mundial. É uma seleção também com muita qualidade, a exemplo, por exemplo, da Sérvia. E a minha nota vai para a Suíça, dou um 18.

Um 18. Bruno Vieira Amaral, Bruno Rosário, Gabriel Alves e Júlio Magalhães em "Mais Um" e o campeão é. Obrigada a todos, é sempre um gosto. Até amanhã.

Até amanhã, bom dia.

Até amanhã.