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E o Campeão é edição especial até às 22h. Olhamos para o que poderá ser a convocatória desta tarde pro Mundial de 2026. Roberto Martínez faz o anúncio à 13h, vai poder acompanhar em direto aqui na Rádio Observador. Eu sou a Maria João Simões, comigo e com o Bruno Vieira Amaral, estão o Gabriel Alves e o Pedro Henriques. Bom dia, bem-vindos. Muito obrigada por se juntarem a nós. Bom dia. Já vamos à convocatória, mas olhemos primeiro para o mercado. Tudo indica que José Mourinho vai mesmo voltar a ser treinador do Real Madrid por duas épocas. Gabriel, depois da contestação que sofreu na Luz, este é o passo certo para o special one e para o Real Madrid?

Special o quê?

Já sabia que ia chegar por aí.

Olha, que seja feliz.

Em tempos.

Que seja feliz, não lhe desejo mal nenhum. Que seja feliz, que tenha sucesso, mas desejo ao Real Madrid que tenha sucesso e também seja feliz. Cá estaremos para observar. Naturalmente, eu vou continuar próximo de José Mourinho, vou continuar a comentar e analisar os jogos do Real Madrid na La Liga e Sports, e obviamente que estarei sempre muito atento e muito cuidadoso. Agora, a verdade é esta, sempre que ele trouxer alguma coisa de novo ao futebol, obviamente que não deixarei de sublinhar, de relevar e obviamente de aplaudir. Pois se não for mais do mesmo, naturalmente.

Foi o que aconteceu esta época no Benfica, foi mais do mesmo.

É sempre mais do mesmo e eu ontem fiz aqui uma nota acerca daquilo que, em Espanha, porque isso não é só hoje, em Espanha é a era do Mourinho, mas que há análises, é um país grande, o Real Madrid é um clube enorme, e obviamente que José Mourinho tem o seu lema, o seu tema. Mas há uma coisa que José Mourinho e eu acho que acima de tudo aqui os adeptos benfiquistas, o mundo, o povo Benfica, com todo o respeito, tem que perceber. Mourinho serviu-se da marca Benfica para poder estar no Real Madrid, ou melhor, para poder voltar à crista da onda, de modo a poder estar no Real Madrid ou poder estar noutro clube qualquer da dimensão que é aquilo no futebol europeu, da grande dimensão do futebol europeu. O Benfica é que foi o trampolim e, portanto, o Benfica, ele deve muito ao Benfica e tem que dizer muito obrigado ao Sporting Lisboa e Benfica.

Com a saída de José Mourinho, os nomes de Marco Silva, que tem o contrato com o Fulham a chegar ao fim, e Rúben Amorim são os nomes de que se fala. Pedro, qual destes dois perfis encaixaria melhor para acalmar a Luz e trazer o Benfica de volta aos títulos na próxima época?

Bom dia. Eu acho que a Luz neste momento, se calhar, não está em modo LED. Está em modo um bocadinho mais antigo, daquelas fluorescentes com dificuldade em arrancar, porque repara.

Velhas.

Na perspectiva dos rivais, o Sporting e o Futebol Clube do Porto já estão com a certeza dos treinadores, a trabalhar nas contratações, o caso do Sporting mais evidente ainda, e já estão a preparar a próxima época. E quem está de fora, como é o meu caso, fica com a ideia que o Benfica não sabe quem vai ser ainda o treinador da próxima época, fica-se com a probabilidade do Mourinho sair. O tal Mourinho que dizia que tinha 99%, eu não percebo nada de estatística e matemática, para ficar, e ontem já, segundo Rui Costa, passou para 90% de já não poder estar no Benfica. Portanto, ficamos com muitas dúvidas e depois, uma vez mais, vai-se buscar.

Pedro?

São dois nomes poderosíssimos, mas também ainda sem certezas. E depois é o quê? É o treinador que se vai buscar ou é um perfil para depois ir buscar o treinador? E depois, uma vez mais, o Benfica em modo reativo. Repara, até o amadorismo na forma como eles puseram, não percebo, tem lá pessoas que trabalham na comunicação. Repara o comunicado da saída do Otamendi. O que o Benfica devia ter posto no comunicado era dizer: agradecemos muito pelo tempo, aquelas coisas todas. Não, porque ele não quis ficar. Não foi esta bem a expressão, mas é uma coisa parecida. Então isto é reagir. E agora vamos à pressa dar uma braçadeira ao António Silva para ver se ele fica. Quer dizer, isso não faz sentido absolutamente nenhum. O Benfica está sempre acima de treinadores como clube, como instituição, e não pode estar nesta questão de parece que está sempre a reagir e atrás do que vai acontecendo. E é isto que o Benfica neste momento mostra em termos públicos, mesmo que não seja assim, é isto que passa.

Passa.

E uma vez mais esta ideia de que esta semana vai ser falado aos sócios, mas quando? Depois do Mourinho sair, é com o Mourinho ainda a dizer, e o Real Madrid não vai ter eleições, e o presidente vai assumir já um treinador sabendo que poderia eventualmente perder as eleições. E depois o Benfica vai ficar à espera 10 dias ou 15 que haja essas eleições e depois é que vai dizer. Há aqui qualquer coisa que o Benfica devia começar a liderar já este processo em relação a tudo e a todos, neste aspecto internamente. Dos dois nomes que me disseste, os dois nomes são muito fortes. A questão é perceber.

Marco Silva e Rúben Amorim.

Se o Marco Silva sai de Inglaterra, mesmo vindo pra um clube, tem outra dimensão. O Benfica é muito acima do clube, mas é a questão da visibilidade e o próprio Rúben, que realmente era um nome bastante importante, e sabemos da sua ligação também com o Benfica, mas não sei se estará disponível ou se não estará à espera também de se manter numa liga inglesa, por isso ele fez este período. São dois nomes fortíssimos. Agora, mais importante que os nomes, é o que se pretende. É aquilo que o Mourinho disse, que há um Seixal e há depois, deduzo eu, um Benfica de Lisboa, diferente em relação ao Seixal. É apostar na formação, é ir buscar mais 10, deitar fora 10 e buscar mais 10. Não se percebe, é isso que falta explicar.

Bruno, em tempos disseste que gostavas de ver o Rúben Amorim no Benfica. Manténs essa vontade mesmo depois dele ter estado ali no rival Sporting ou Marco Silva é um alvo muito mais viável e que pode também ser mais consensual nesta altura?

Consensual, tenho algumas dúvidas que algum deles seja. Não por eles, não pelos nomes em si, mas pelo momento que o Benfica atravessa, porque eu acho que é sempre melhor ter um nome assim, assim, mas em que a direção tem total confiança e que lhe dá todo o apoio para desempenhar um

A função como se espera e conquistar títulos, do que um nome muito forte em que a direção não confia completamente ou vai buscar exatamente por ser esse nome forte, porque acha que de alguma forma está blindado às críticas, mas que não é um nome para um projeto a longo prazo. E aquilo que temos visto, sobretudo no Sporting e no Porto, mas também no Benfica, é que houve treinadores que não seriam assim tão consensuais, tiveram bons resultados. O Benfica teve um campeão em Roger Schmidt, Bruno Lage, na primeira passagem por Benfica, foi campeão. Aliás, o Benfica tem uma série de treinadores que passaram agora nos últimos anos pelo clube, que foram campeões. Jorge Jesus, Roger Schmidt, Bruno Lage. Bruno Lage voltou, Jorge Jesus voltou. Não houve bons resultados, acabaram por sair do clube cedo.

Saíram cedo demais?

Não sei se saíram cedo demais. No caso de Roger Schmidt e de Bruno Lage, os despedimentos no início da época são claramente um erro. Mas o problema não está aí, o problema está em por que se vai buscar esses treinadores se não existe um plano, se não existe uma estratégia bem definida.

Portanto, concordas com o que o Estávio Pedro Henriques está a dizer?

Claro, o problema não é dos nomes. Pode-se ir buscar o melhor treinador, pode-se ir buscar o Jürgen Klopp, pode-se ir buscar o Pep Guardiola, que agora deve sair do Manchester City, que isso não resolve o problema. Quando a direção não sabe bem para onde caminhar e aos primeiros sinais de turbulência acabam por se livrar do treinador. Qualquer treinador, seja ele Ruben Amorim ou Marco Silva, o Leonardo Jardim, o Guardiola, o Klopp, podem vir para o Benfica, podem chegar e até ser bem recebidos pelos adeptos, mas se aos primeiros maus resultados, a direção começar a tremer e não apoiar o treinador, nenhum treinador vai ter sucesso no Benfica.

Como dizia o Pedro há pouco. Diz, Gabriel.

É só muito rapidamente. O Bruno focou aí o Guardiola. É só para ver como é que é o nível das situações. Há muito que se sabia que o Guardiola estaria, portanto, em fim de ciclo. Mas enfim, as coisas foram dando, lutou, acabou de conquistar dois títulos. O título inglês ainda temos o fim de semana para saber, mas a verdade é que o Guardiola ia sair. Neste momento, a Inglaterra, o Manchester City já tem substituto para o Guardiola, é Maresca. Ponto. E está tudo decidido, o Guardiola vai sair. Chegou o seu fim, novos desafios, como ele sempre disse aos jogadores: "Queres sair, sais, tens novos desafios, o clube também quer outros jogadores com novos desafios." Tudo isso funciona dentro daquilo que é um projeto e uma dinâmica. Aqui no Benfica, é aquilo que se vê. Não podemos ter um clube de amigos. Eu acho que aqui em Portugal há muitos amigos em tudo. Os amigos, não. Isso tem que ser profissional, objetivo e pragmático.

Pedro, como dizias há pouco, Rui Costa prometeu falar aos benfiquistas esta semana para fazer o balanço da época. Mas uma coisa é aquilo que o presidente precisa de dizer para segurar o seu lugar, outra coisa é o Benfica. Do que o clube precisa para fazer esquecer esta época terrível?

Neste momento, precisa dar sinais de que a próxima época, pelo menos em termos de organização e planeamento, será melhor. E neste momento, aquilo que é a coisa mais relevante e importante é que os benfiquistas percebam quem é o treinador da próxima época. Isso para mim é o mais relevante e importante. E este impasse que está a ser gerado pela questão do Mourinho tem que ser resolvido. Eu acho que o próprio Benfica, se calhar, já está a fazer, tem que dizer: "Mourinho, tens que decidir esta semana", ou o que quer que seja, porque o Benfica não pode estar muito tempo à espera, porque o Benfica tem que planear a próxima época. E há aqui um aspecto: ainda não se sabe quando é que vai começar a próxima época, no sentido que estamos à espera do que é que vai acontecer com o Aston Villa. Porque isso vai fazer, tanto para o Sporting como para o Benfica, diferenças na questão das entradas de pré-eliminatórias ou entradas diretamente em fase de grupos. Há aí uma série de coisas que são distintas e isso tudo, para o Benfica, neste momento, o mais importante é definir o dossier treinador. Já nem falo dos jogadores, que também são relevantes e importantes, porque depois de termos o treinador definido, é muito relevante perceber o que vai acontecer àquilo, agora não vamos falar sobre isso, um grupo de jogadores que eu posso te apontar cinco ou seis, onde entram o Shudakov, etc. e fora, o que se vai fazer a esses jogadores? E isso é muito importante, que a partir daí é que se pode arrumar a casa e o Benfica, neste momento, precisa de arrumar a casa, começando pelo treinador.

Vamos lá então olhar para o mundial. Roberto Martínez anunciou hoje os 26 convocados. Bruno, esperas alguma surpresa de última hora na lista ou o Martínez vai manter-se fiel ao núcleo duro que utilizou ao longo do apreamento?

Sim, não há aqui grande margem para surpresas. Roberto Martínez também é muito conservador nas suas convocatórias. Tem premiado os jogadores que o têm acompanhado neste trajeto. Portanto, haverá ali algumas dúvidas, sobretudo para a frente de ataque, os jogadores que podem ser convocados. Creio que na defesa já não haverá grandes dúvidas. Não há grandes dúvidas também em relação aos guarda-redes, portanto, não estou à espera de grandes surpresas, porque não é esse o perfil do Roberto Martínez e porque a verdade é esta: não temos tantos jogadores, ao contrário do que às vezes pensamos, que possam entrar facilmente no lote dos 26 convocados. Eu creio que haverá para aí uns 22, 23 nomes que estão garantidos à partida, não só por aquilo que se conhece de Roberto Martínez, como porque são, de facto, as melhores opções.

Quem será o Neymar da nossa seleção? No cargo de avião.

Nós não temos o Neymar. Não há nenhum jogador que esteja em dúvida para a convocatória, que vá ser surpreendente a sua chamada, como aconteceu no caso do Brasil, porque havia aqui uma série de dúvidas e nem podemos comparar o estatuto de Neymar na atual seleção do Brasil ao estatuto de Cristiano Ronaldo. Creio que no caso de Portugal não haverá grande margem para haver surpresas, por isso mesmo, pelo perfil de Roberto Martínez e porque o nosso núcleo, o núcleo dos jogadores convocáveis, também não é assim tão vasto que permita grandes surpresas.

Gabriel, concordas com o Bruno ou vai haver dor de cabeça na escolha final?

Estou de acordo contigo. Nem há muito para dizer. Se houver aqui alguma surpresa, é menos surpresa. Eu fico aqui um pouco na dúvida. Eu sei, ele gosta de ter a sua estrutura, aquele chamado, como se diz na bola, núcleo duro. Rafael Leão, o que vem fazer à seleção? Esta é uma questão que eu pergunto, porque Rafael Leão, nichts, patataich, para falarmos assim numa linguagem. Zero, no milhaneste tempo. Zero. Não jogou nada. E na contraponto, e será certamente selecionado, o Francisco Conceição, grande época ao serviço das juventudes. Portanto, o Rafael Leão vem para quê? Para estar com o ar indolente, mal-disposto, distante, abúlico, sentado no banco ou dentro do campo? É evidente que as qualidades de Rafael Leão, se estiver em plena forma, são altamente necessárias à seleção nacional, porque é um jogador de profundidade, é um jogador de velocidade, é um jogador de último passe, é um jogador imprevisível, de imprevisibilidade. Portanto, tudo isso são notas altamente positivas de Rafael Leão, só que essas notas saíram por chão abaixo. De resto, não sei, o Ricardo Horta vir. Entre, por exemplo, o Ricardo Horta e o Pote, com todo o respeito pelos dois, acho que o Ricardo Horta, na minha opinião, é muito mais líder, muito mais capaz de ser um jogador chamado a intervir. Portanto, o tal jogador que salta do banco e que pode pôr ordem numa equipa, ajudar a pôr essa ordem. Portanto, vamos aguardar, naturalmente, o que é surpresa que venha por parte. De resto, estou completamente de acordo, não vou adiantar mais nada do que aquilo que disse o Bruno e o Ivan.

Pedro Ronaldo chega a este mundial com 41 anos e com Roberto Martínez a garantir que ele é uma peça fundamental. O CR7 deve continuar a ser o titular indiscutível, intocável na frente do ataque ou a seleção ganharia mais se Ronaldo partilhasse o lugar com outros colegas, como por exemplo, o ponta de lança Gonçalo Ramos?

Essa é uma pergunta fácil de responder, das mais fáceis que tu fizeste nestes anos todos. É Cristiano Ronaldo mais 10. Olha, são 26 convocados. Vinte e três são certinhos. Se quiseres, tenho aqui a lista. E tenho dúvidas de três, para completar os 26, de uma lista de nove. E as dúvidas destes nove, onde vão sair três, é o Paulinho, é o Matheus Fernandes, é o Ricardo Horta, é o Pedro Gonçalves, é o Rodrigo Mora, o Nelson Semedo, os centrais António Silva e Tiago Araújo, um deles vai estar lá de certeza, e o Samu Costa. Estes são os nove dos quais três têm que entrar na lista. Depois o resto é tudo certinho. Como já foi aqui dito, de forma rápida: guarda-redes, Diogo Costa, Jessá, Rui Silva. Defesas certinhos, Diogo Dalot, Matheus Nunes, Nuno Mendes, João Cancelo, Gonçalo Inácio, Renato Veiga, Rúben Dias. Médios certinhos. Médios, porque depois há alguns que podem passar, o João Neves já jogou lateral. João Neves, Bruno Fernandes, Bernardo Silva, Palhinha, Rúben Neves, Vitinha. E avançados certinhos, CR7, Trincão, Gonçalo Ramos, João Félix, Pedro Neto, Rafael Leão e o Francisco Conceição. Depois destes 23 que são certinhos, a dúvida está nos nove, destes nove que eu falei, porque há três que vão saltar lá para dentro, se calhar o Matheus Fernandes, que tem vindo muito à convocatória, o Samu Costa, que vai pagar as contas, o António Silva e o Tiago Araújo, por mim até levava os dois, mas se calhar não terão os dois. Enfim, o Paulinho, que é de grande dúvida lá na ponta de lança, e depois essa questão também do Pote, o Ricardo Horta. Enfim, estas são as dúvidas.

Bruno, não é de hoje, mas há quem defenda que a presença de uma figura como o Cristiano Ronaldo, por vezes condiciona, que intimida os jogadores mais jovens da seleção. Concordas ou esta geração já está madura o suficiente para jogar com ele sem pressão e o impacto, de fato, é mais sobre os adversários?

Não, eu acho que isso já passou. Essa influência, esse peso de Cristiano Ronaldo na seleção, na cabeça dos jogadores que chegavam, creio que se fez sentir mais aqui há uns anos, mas estamos a falar de um grupo já muito experiente, que tem outros líderes, Bruno Fernandes, Bernardo Silva, mesmo o Vitinha e o João Neves, apesar de serem mais novos, até por aquilo que têm feito, pela importância que já adquiriram na seleção, creio que já não são suscetíveis de ficar abalados com a influência, com a presença, com a simples presença de Cristiano Ronaldo. Agora, em relação ao papel de Cristiano Ronaldo na seleção, eu acho que, de facto, estando ele convocado, e vai ser obviamente convocado, vai ser titular. Não há outra hipótese e vai ser titular até o fim. A não ser que aconteça alguma coisa que não se espera, nem se deseja. Mas indo ao mundial é para ser titular, porque voltamos à questão que houve no anterior mundial. Se as coisas começam a correr mal.

Pois, como no Qatar.

Ou seja, tem de se tirar Cristiano Ronaldo e tirar Cristiano Ronaldo nessas circunstâncias é dizer que a culpa é dele das coisas não estarem a correr bem. E se estiverem a correr bem, obviamente, não se vai tirar Cristiano Ronaldo porque ele se mantém.

Olhando para o nosso grupo Congo, Uzbequistão e Colômbia, à partida parece ser um grupo bastante acessível, mas Gabriel, será que nos podem complicar as contas se houver excesso de confiança dos jogadores portugueses?

Oh, meu Jesus! Excesso de confiança na vida é a pior coisa que alguém pode ter, porque é caminho andado para a derrota. Esta é que é a verdade. Não, temos que ir sempre com cuidado, visto que a competição, naturalmente, resolve-se dentro daquilo que é o tempo de jogo, na pista de jogo, no futebol, é na relva. Atenção, que nós vamos defrontar, eu chamo aqui a atenção, o Congo, por uma tática de 4-4-1+1, o chamado duplo nove. Atenção que esta formação é uma formação atleticamente muito pujante. Ela é treinada por um francês, que é Sébastien Desabre.Nos 40 anos, tem dois jogadores, os tais um mais um, que é o Wissa, que joga no Newcastle, um jogador extremamente rápido, e Bakambu, que joga no Betis. Não vou agora fazer a análise da equipa, não cabe aqui, mas é esta tática, quatro-quatro e duplo nove, que é uma tática muito utilizada no futebol italiano por alguns treinadores. E temos a Colômbia com um quatro-dois-três-um. E repare na Colômbia, quem lá joga. Um tal de Suárez, que é Bola de Prata em Portugal pelos gols que marcou. Eu lembro-me de ter dito que ele, quando chegou a substituir o Guiauquer, no mínimo marcava 20, vê quantos marcou. Luis Díaz, não se esqueçam deste senhor. O Ríos, que é outro que parece que ninguém conhece, mas toda a gente sabe quem é. Tem o Mojica, que é um excelente jogador que joga no futebol espanhol. Tem o Lucumi, e estou a falar da defesa, que é um excelente central que joga em Itália. E tem um menino chamado Acepilha. Estejam atentos a este menino, joga à esquerda, à direita, à nove e meio e é um irreverente dentro do campo. Portugal tem que estar atento. Obviamente que o Roberto Martínez e os futebolistas portugueses sabem disso melhor que ninguém, até porque os defrontam nos seus clubes, nas diversas provas e obviamente têm os dados todos naquilo que é mau. Mas muita atenção e, acima de tudo, muita consciência que é alta competição, nada de facilidade. E muito bem a federação.

Nada está garantido.

Tens o jogo que é com o Chile no Estádio Nacional. Por quê? Porque vais ter um adversário sul-americano. Muito bem, é seis de julho. E depois tens uma equipa também pujante, forte, africana, que é a Nigéria, que vai ser um jogo a 10 de junho em Leiria. São jogos de preparação bem escolhidos. Mais fortes, sul-americano, africano, naquilo que é a nossa possível qualificação. Depois temos o Uzbequistão, naturalmente também, com todo o respeito, não desprezar.

Pedro, do nosso grupo, quem é que poderá dar mais dor de cabeça a Portugal?

Eu e o Gabriel Alves, no Totomundial da Observador, que as pessoas podem consultar e podem depois ir lá fazer as suas previsões. Já dissemos tudo, portanto, é só ir lá e ver. Portugal vai por ali fora, não é Gabriel? Portugal pinta e cheira.

É verdade.

E depois o Gabriel termina muito bem em dizer: “Observadores, vão lá e agora para a final vejam lá quem é que a gente vai ganhar.” Isto vai ser triúnfo em aparte. Estou a brincar.

Era bom.

Exatamente.

As surpresas acontecem, não é?

Eu acho que os jogos são todos de grau de dificuldade elevado, claro, uns mais fáceis que outros. Se calhar o Uzbequistão e o Congo serão naturalmente mais fáceis. Mas temos que ter esta perspectiva, porque às vezes isto é muito interessante. Nós fomos campeões da Europa com empates com a Hungria, aquilo tudo. Era de empate em empate e fomos campeões da Europa. Ainda por cima, com tantas seleções e a maneira como está neste momento projetado o mundial, não será difícil de todo passar a fase de grupos, até porque até terceiros lugares dão acesso. Nesse aspeto, Portugal claramente vai lá estar. Mas depois, muitas vezes, aquilo que é a cultura da vitória, para mim, é o mais relevante e importante. Não é só uma questão de irmos empatando ou de irmos ganhando com dificuldade, é de sermos impositivos, porque as grandes seleções, aquelas que normalmente depois até são campeões do mundo, são muito consistentes nesses aspetos. Ou seja, percebe-se que jogam bom futebol, independentemente se já estão eliminados ou não na fase de grupos, são muito impositivas e Portugal, se é candidato, que aliás é, e se quer ganhar e tem essa ambição, tem que ser muito impositivo em relação a todos os jogos, não deixando grandes margens para dúvida. É um grupo aparentemente fácil, mas estamos no mundial e todos querem se mostrar. E contra a Colômbia vai ser um jogo duro, porque a Colômbia tem realmente uma grande seleção.

O primeiro jogo de Portugal é com o Congo no dia 17 de junho, às 18h, nos Estados Unidos. Querem dar o vosso primeiro palpite, Bruno?

Uma vitória para Portugal. Mais preocupado com a Colômbia, claro, mas mal estaríamos se estivéssemos aqui preocupados com o apuramento para a fase seguinte. Eu acho que isso é o mínimo dos mínimos. Preocupa-me mais a questão da qualidade exibiçional da equipa e saber, até mais do que a questão dos convocados, é saber depois que 11 é que Roberto Martínez vai apostar, porque aí é que começam os quebra-cabeças. Porque se eu dizia que para os 26 não temos um leque tão vasto, para os 11, as coisas mudam um pouco de figura, porque há vários jogadores, dependendo também da forma como Martínez quiser jogar, que podem perfeitamente entrar no 11.

Vitória por quanto?

Três zero.

Três zero. Gabriel, teu palpite.

Para mim chega um zero, dá três pontos.

Pedro.

Como o Cristiano Ronaldo está a 29 gols de chegar aos 1000 e vai marcar o gol que vai dar o título agora ao Al-Nassr, ficará a 28. Portanto, dá trick do Cristiano Ronaldo nesse jogo que ficamos a 25 gols do Cristiano Ronaldo atingir os 1000.

Não pedes pouco. Gabriel Alves, Pedro Henriques, muito obrigada aos dois. Obrigada e um bom dia para vocês. E o Campeão em regresso um pouco antes do jornal da uma para acompanharmos em direto a convocatória do Roberto Martínez para o mundial.