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Estreia amarga para o Benfica neste campeonato, que empatou a dois gols, sem sócios e adeptos nas bancadas da Luz. Já o Futebol Clube do Porto cumpriu e venceu em casa o Alverca e é o único dos três grandes a entrar a vencer nesta primeira jornada do campeonato. Temas para analisar nesta edição de "E o Campeão É..." hoje com o Augusto Inácio, o Gabriel Alves e também o Pedro Henriques. Sejam todos muito bem-vindos. Eu sou o João Costa e Silva e como o jogo do Futebol Clube do Porto acabou por ser mais tranquilo e resultou em vitória, vamos começar pela surpresa. O Benfica que empatou a dois gols na Luz com o recém-promovido Académico de Viseu. Para o Benfica marcaram Pávlović e Prestianni e para a equipe de Viseu, Ruben Pereira e Clóvis. Num jogo à porta fechada, o Benfica deixou escapar aqui os primeiros pontos em casa desta temporada. E Augusto, muito boa tarde. Destaque para Prestianni, que parece estar em excelente forma, foi mesmo um dos melhores em campo nesta partida. Em relação ao jogo, este empate deve-se mais à apatia ou à descontração do Benfica ou à coragem e à eficácia com que o Académico de Viseu acabou por encarar este encontro no Estádio da Luz?

Boa tarde a todos. Deixa-me dizer que quando há uma situação desta, já há sempre mérito de alguém e demérito de alguém também. É uma coisa que conjuga com outra. Agora, deixa-me dizer que o Benfica, na minha opinião, até fez um bom jogo com o Académico de Viseu. Na primeira parte podia ter resolvido completamente o problema. Aliás, o próprio treinador do Académico de Viseu, que é um dos meus destaques, foi muito transparente, foi muito sério, foi muito limpinho naquilo que foram as suas declarações e disse isso mesmo também que eu acabei de dizer. É aquilo que se costuma se dizer na gíria futbolística: isto é futebol. É verdade que o Benfica sofreu dois gols que não devia ter sofrido, teve uma balança ofensiva muito boa, Prestianni fez um jogo extraordinário, na minha opinião. O Benfica jogou rápido, o Benfica pressionou, o Benfica teve reação à perda. Só que em pequenos momentos de descontração sofreu dois gols. E aí é o mérito do Académico de Viseu, que acreditou, que foi, não tem medo de estar a jogar no Estádio da Luz, teve a estrelinha do seu lado e as histórias são sempre assim. Um Benfica, na minha opinião, eu olho para este Benfica e vejo o Benfica a crescer. É natural que este empate possa aqui ou acolá desmotivar um bocadinho a crença e a confiança, mas eu diria que o Benfica está a jogar um bom futebol, um futebol para frente, não toca para o lado, não toca para trás, tenta ir pelas dinâmicas das combinações. O individual está aí para este ano para marcar a diferença. Eu acho o Benfica bom, sinceramente, à medida que os jogos vão avançando, o Benfica ainda vai crescer ainda mais.

Gabriel, muito boa tarde e bem-vindo. O Benfica, como dizia aqui muito bem o Augusto Inácio, podia ter resolvido o jogo na primeira parte, teve oportunidades suficientes para isso, mas há aqui a questão de sofrer dois gols em casa na estreia do campeonato. Isto pode ser também um sinal de alarme para Marco Silva?

Olha, boa tarde. Eu vou agarrar na questão dos três grandes, quatro, pegando também no Braga. Ora bem, desta primeira jornada, a verdade é que com três pontos, portanto, na tabela fica o Futebol Clube do Porto. Um ponto, um ponto, Sporting fora, um ponto Benfica em casa. Na minha opinião, portanto, vendo os três jogos e estando ligado aos três jogos, o problema reside naquilo que é quem melhor defende. E o melhor defender tem a ver com muitas circunstâncias e com muitas situações. E eu vou só aqui focar duas ou três. Em relação ao Futebol Clube do Porto, é um bloco que trabalha muito bem os aspectos de ordem defensiva. Uma boa linha de defesa, embora possa poder ter que reforçar a esquerda, tem uma casa das máquinas excelente, magnífica, toda ela mecanizada, física, concentrada, capaz, coesa, sabe o que quer sobre cultura tática de jogo, que é aquilo que implanta Farioli, e depois treina o ataque, portanto, aquilo que é, digamos, não tanto como que poderia querer, dá atenção a Mâma Guade. E agora, atenção, tem André Silva, mas falando de André Silva, que se adapta perfeitamente àquilo que são as circunstâncias e os movimentos e as combinações dos atuais campeões nacionais. Falta-lhe uma coisa que eu vou sempre dizendo, que é alguém que tenha criatividade, imaginação, seja diferencial, faça qualquer coisa de floral.

Uhum. Criativo.

Sim. E acima de tudo, tem um guarda-redes. E isso viu-se ontem no jogo frente à Estrela da Amadora. Quando o Porto sentiu-se menos conjugado, estava lá Diogo Costa, senhor Diogo Costa. Quatro, cinco defesas, a última fabulosa. Portanto, tem guarda-redes. Falemos agora dos outros concorrentes. O Sporting tem uma defesa frágil, centrais frágeis, tem um guarda-redes de engate, que não serve para quem quer discutir títulos, tem o meio-campo, sim, com valores, mas ainda não conjugado, ainda não concentrado naquilo que são os movimentos, aquilo que são as rotinas que têm que vir a ser conseguidas, para além daquilo que é a parte dianteira, onde parece que o Luís Suárez não está em Portugal, está já de cabeça, pelo menos, fica-se a pensar noutro sítio. Quanto ao Benfica Centrais, vou ali, já venho. Disseram tanto que o Lenglet era tão bom. Eu acho que fui o único que disse que o Lenglet não era central pra categoria de um clube como o Benfica. Disse eu aqui no campeão, logo que disseram. Mas depois ouvi: "É um central fantástico". Pois é. Vão ver os vídeos dos gols mais bizarros a época passada ao serviço do Atlético de Madrid, quando ele estava ao serviço do Atlético de Madrid. Depois, se quiserem, têm a oportunidade de ver quando passou pelo Barcelona. Naturalmente, acompanhei essa carreira onde ele nunca vingou. E a verdade é que o Benfica não tem centrais. E também falta guarda-redes. Pra frente, tem Pavlídis, precisa de conjugações, se o dar COVID. E tem, como disse muito bem, Presteani, que fez uma excelente exibição, aliás, dando seguimento à grande exibição que já tinha feito na partida europeia do meio da semana.

E falando em guarda-redes, anda por aí um ativo português que até esteve na seleção nacional neste último campeonato do mundo, Ricardo Velho, que está a treinar à parte no Farense e à espera de ofertas. Esteve na última temporada emprestado a um clube da Turquia, tem 27 anos e parece ser também uma ótima opção. Não se sabe se poderá ter um desfecho em algum clube português ou poderá mesmo ir para o estrangeiro. Pedro Henriques, sobre este Benfica, há também um ponto importante, que é a questão dos adeptos. Ainda que muitos fizeram questão de estar no estádio, da parte de fora, cerca de 5 mil adeptos para mostrar apoio à equipe. Isso tem peso nesta exibição do Benfica? Acreditas que não? O técnico do Académico de Viseu disse em conferência de imprensa que isso acabou por ser mais fácil também pro conjunto de Viseu.

Bom dia. É lógico que os adeptos, sobretudo das equipes grandes, que movimentam 40 ou 50 mil, no caso do Benfica, enche o estádio normalmente, às vezes até com 60 mil, têm sempre importância, quer no apoio que dão ao Benfica, quer naquilo que é a pressão que criam nos adversários. Claro que sim, mas isso não justifica que o Benfica, à porta fechada, perante uma equipe que acabou de subir à Primeira Liga, não tivesse mais que a obrigação, até porque tem jogadores e qualidade pra isso, de cumprir o papel, que era, mesmo que não jogassem por aí além, porque nesta fase nem é isso o mais importante, que ganhassem, que fizessem os três pontos. E era um pouco essa a obrigação que o Benfica tinha, que era de cumprir. De resto, Presteani, obviamente, já foi aqui dito, é claramente o melhor em campo, mas a figura é o Everton, que eu acho que acabou por dar pontos. Lá está. Sabemos que os guarda-redes nas equipes grandes não podem sofrer gols. Quando sofrem é um caso sério. Nas equipes pequenas, mesmo sofrendo muitos gols, destacam-se quando, mesmo sofrendo um, dois ou três gols, fazem sete, oito ou nove defesas e têm essa questão. Depois quando passam e são dados oportunidades para ir pras grandes, é que às vezes, como costuma dizer, a porca torce o rabo, com uma expressão que é utilizada que é totalmente diferente. Foi um pouco disso e um Benfica que tem, no meu ponto de vista, um problema em comum com o Sporting, e não deixa de ser curioso no final desta primeira jornada eu estar a dizer isto, porque pensava que não iria dizer, é que tem um problema central. E quando eu digo central, não é que não tenham falta de centrais e que não tenham qualidade, é falta ali um patrão. Quer queiramos quer não, o Otamendi foi esse patrão, no Sporting, por exemplo, se calhar, não quer dizer que seja patrão pela personalidade, mas um Diomande dava outras características ao eixo central.

Ainda mais atrasa o Coates também.

Pronto, e o Coates recuando um pouco. E quando nós olhamos pros dois centrais do Porto, sobretudo pro Bendarek, percebemos que assim que ele recuperou, foi logo utilizado. Portanto, o Porto nem sequer teve aquela coisa: "Não, temos aqui alternativas". Não, já tá recuperado, é jogo, por alguma razão é. É um pouco esta a história do jogo relativamente ao Benfica e só pra passar a bola em relação ao futebol do Porto.

Já lá vamos, Pedro. Ao Porto, vamos em seguir. Até porque se este Benfica teve aqui uma entrada em falso, o Porto entrou a somar três pontos no campeonato, bateu o Alverca em casa por 2 x 0, fruto de duas grandes penalidades marcadas por André Silva e também Gabri Veiga. Jogo resolvido na primeira parte, com esse resultado a ficar em 2 x 0. Augusto, um Porto muito seguro atrás, muito pragmático à frente, no fundo, muito à imagem da época passada.

Sim, o Porto tá a ser igual àquilo que foi a época passada, com um guarda-redes que dá pontos, fez três, quatro defesas extraordinárias, e diria que aí tá a diferença. Imagina tu que o Porto empata com o Alverca e o que este não dizia da exibição do foco do Porto. Mas o Porto ganhou e passa pra segundo plano aquilo que não foi, as oportunidades que o Alverca criou. Diria que é um Porto igual à época passada, muito combativo, a tentar ser consistente na defesa e tá a ser, porque tem um guarda-redes que dá essas garantias. E é um Porto que na primeira jornada ganha pontos aos três a seguir. Ao Sporting, ao Benfica e ao Braga. É um Porto que começa bem, isso dá moral, dá motivação e acho que não podemos fugir muito disso, daquilo que vamos esperar das exibições do foco do Porto no futuro.

Gabriel Alves, tu já falaste um pouco sobre este futebol clube do Porto, o destaque talvez maior pra este Alverca que surpreendeu aqui pela organização tática nesta visita ao Dragão e por alguns momentos, se não fosse Diogo Costa, como tu dizias há pouco, podia ter criado problemas maiores.

Sim, Diogo Costa. Lá está, o Sporting não tem guarda-redes, o Benfica não tem guarda-redes, só que o Porto tem guarda-redes. Só que o Porto tem centrais, Sporting não tem centrais, Benfica não tem centrais. Portanto, a questão resume-se, um pouco básica, mas vai muito nesse sentido. De facto, o foco do Porto acima de tudo sabe segurar a bola quando é preciso, sabe que o resultado de 2 x 0 é daqueles resultados manhosos, que parece que está ganho, mas não está nada ganho. E obviamente o foco do Porto tem consciência disso, concentrado. Portanto, disciplina tática e depois o guarda-redes. Esta é que é a verdade. Quanto ao Alverca, sim, deixa uma lufada de ar fresco E atenção àquele rapazinho Chiquinho. Vamos ter que observá-lo muito bem. Vai ser para ver, porque quem gosta de futebol vai gostar de ver o Chiquinho.

Pedro Henriques, o que tens a dizer sobre esta entrada dos Dragões? Não foi assim tão imponente como se esperava, mas venceu 2 x 0 e, como dizia o Augusto, o facto de ter Diogo Costa na baliza e um patrão na defesa ajudam a mascarar algumas debilidades do Futebol Clube do Porto neste início de época.

Mas são as debilidades que o Sporting, o Braga e o Benfica têm. As mesmas. Uns é às centrais, outros é o guarda-redes, o que quer que seja. E o Porto fez aquilo que tinha que fazer, que é mesmo com debilidades ou com algumas fragilidades, o tal ponta de lança que falta, etc. A incerteza se o Diogo Costa fica ou não, enfim, o que quer que seja, questão das vezes dos laterais. O facto é que o Porto cumpriu. E cumpriu, em primeiro lugar, com dois penáltis que foram bem marcados ou bem assinalados. Foram mesmo penáltis, aqui com um papel muito importante do vídeo-árbitro, não obstante as redes sociais. A malta que nem vê o jogo e diz: "Ei, já há penálti." Não, penáltis bem assinalados, com o André Silva que acaba por ser o destaque, porque não marca os dois gols, marca um gol, mas sofre os dois penáltis e isso é importante. Um Chiquinho do lado, que já foi destacado pelo Gabriel Alves, que realmente é um jogador aparentemente diferenciado, vamos ver agora na continuidade, e o Diogo Costa que dá pontos, porque no momento em que se calhar sofres, repara o que aconteceu com o Sporting. Se o Rui Silva, em vez de defender perdendo, faz uma defesa, se calhar o 2 x 1 não passava a 2 x 2 e se calhar podia ser ou não diferente. E é esta a diferença que os guarda-redes muitas vezes têm importância. E como o Gabriel Alves destaca sistematicamente, e o Inácio reforça muitas vezes isso também, as defesas é que ganham os campeonatos. Os tais ataques são capazes de ganhar na quarta-feira a final da Supertaça, olhando aqui para a Supertaça Europeia, mas as defesas é que ganham na continuidade e na regularidade. E nós sabemos que muitas vezes, e muitos treinadores têm essa filosofia, que é da construção do ponta de trás para a frente, primeiro a segurar um patrão, um guarda-redes de confiança, uma posição de seis que é muito relevante, tipo Palhinhas e companhias limitadas, e depois o resto logo se vê. E portanto, acho que o Porto não só ganhou e cumpriu, como neste momento, em relação àquilo que nós esperamos, que é a classificação dos quatro primeiros, já tem dois pontos de avanço para o Sporting, para o Benfica e para o Braga.

É isso mesmo, o Braga que também ontem entrou a empatar a dois gols em Moreira de Cónegos, frente ao Moreirense, o Gil Vicente. Gabriel.

Estive a ganhar duas vezes. Portanto, há mérito do Moreirense e o Braga não conseguiu segurar tanta vantagem.

Aconteceu o mesmo que aconteceu na Luz. O Gil Vicente venceu por 1 x 0 o Rio Ave em casa. Apenas quatro equipas venceram nesta primeira jornada. Reinaram os empates. Falta ainda o jogo que fecha esta primeira jornada, que é o Santa Clara Nacional, às 20h15, jogo que se joga nos Açores. Na segunda liga, há ainda hoje Lusitânia Lourosa-Futebol Clube do Porto B e o Benfica B-Leixões, dois jogos para acompanhar às 18h. Entretanto, uma notícia também praticamente confirmada, Ivanovic já foi autorizado a viajar. Ao que tudo indica, o avançado do Benfica, que vai rumar ao Lens, segundo classificado da época passada em França, por empréstimo, sem opção de compra, mas vamos ter mais detalhes também deste negócio, possivelmente em breve. É uma notícia que está a ser avançada na imprensa desportiva. Na volta, dentro de poucos minutos, a Volta a Portugal em bicicleta começa daqui a pouco. Hoje temos uma estreia na camisola amarela, o francês Alexis Guerrin vai vestir essa camisola amarela pela primeira vez depois dessa subida à torre no dia de ontem e portanto, temos aqui novidades para tornar esta etapa ainda mais interessante. Vamos avançar para as vossas notas de campeão. Eu vou começar por ti, Pedro Henriques, o que tens para destacar hoje?

Estava aqui com dificuldade. Pelo que aconteceu nesta jornada, vou dar ao pragmatismo do Futebol Clube do Porto, para não falar do Benfica, do Sporting, do Braga, que já tinha que dar nota positiva, baixa ou negativa, vou destacar pelo adjetivo ao pragmatismo do Futebol Clube do Porto.

Pedro, vou te pedir para não teres o microfone tão próximo da boca.

Ok, só para destacar o pragmatismo do Futebol Clube do Porto, nota 16.

Muito bem. Vamos avançar para o Gabriel, as tuas notas, Gabriel.

Para o Futebol Clube do Porto, que nesta primeira ronda, naturalmente, vou lhe dar 14, porque está à frente. Vou dar 7 ao Benfica, ao Sporting e ao Braga. E vou dar a Diogo Costa, porque de facto se destaca, vou lhe dar 18, continua a ser o guarda-redes nacional e o guarda-redes de uma equipa que é candidata a um título. Os outros clubes que estejam atentos.

Augusto Inácio, vamos fechar contigo e com as tuas notas para esta segunda-feira.

Nota 17 para o Académico de Viseu e para o Estrela da Amadora, que fizeram dois excelentes resultados. O Académico de Viseu subiu de divisão e foi logo empatar ao Estádio da Luz. Mas também queria dar aqui uma nota 17 para os adeptos do Benfica, mesmo jogando a porta fechada, foram lá para a volta do estádio tentar apoiar a equipa, sinal claro de que os adeptos também acreditam muito na sua equipa.

Fechamos assim esta edição de segunda-feira de "E o Campeão É". Amanhã há mais, logo depois do Jornal da Uma. Um abraço a todos.