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Ouço o apito, coisa que não ouvimos muitas vezes no jogo de ontem. Vamos falar nesta edição de "O Campeão É", principalmente do Boca Juniors-Benfica e para isso juntam-se a mim, para dar notas de campeão, de 0 a 20, o Augusto Inácio, o João Pinto e o Pedro Henriques. Boa tarde, meus caros, como estão? Bem-vindos. Hoje um bocadinho mais tarde do que o habitual. Também é normal, os jogos estão a acabar mais tarde, precisámos de dormir um bocadinho mais e, portanto, começamos aqui um bocadinho mais tarde. Vou começar pelo Augusto Inácio, que não ouvimos ontem, porque o João Pinto e o Pedro Henriques estiveram conosco na nossa emissão. Augusto Inácio, foi um jogo entretenido, podemos dizer, não se calhar pelo futebol em si, mas por tanta coisa que foi acontecendo. O que destacas desta partida entre Benfica e Boca Juniors, que deu empate 2-2?

Boa tarde. O que eu destaco é a reação do Benfica a perder por 2 a 0 e depois ainda fez o 2-1 antes do intervalo e a jogar com menos um com a expulsão do Velotti. O Benfica ainda teve a capacidade para fazer o empate. E diria que até ao longo dos 90 minutos, pareceu-me a mim que o Benfica é a melhor equipa do que o Boca Juniors. Agora, o Benfica também, na segunda parte, cometeu um erro, na minha opinião, crasso, que é o Boca Juniors a ganhar e os sul-americanos gostam muito das perdas de tempo, das confusões, dos empurrões, enfim, de arranjar tudo e mais alguma coisa para que o jogo não se jogue. E o Benfica, muitas vezes, alguns seus jogadores entraram nessa parte em que não favorecia nada o Benfica. Depois, de resto, o Boca Juniors teve poucas oportunidades e aquelas que teve, soube aproveitá-las bem. O Benfica teve algumas na primeira parte do lado oposto e as bolas não entram, mas mesmo assim o Benfica lá conseguiu a igualdade e se tivesse ganho era bem melhor, porque como sabe o Auckland, os jogos que o Boca jogou na Argentina com o Benfica é que vai decidir depois quem é que vai passar, julgo eu, juntamente com o Bayern de Munique. Por isso, foi o menos mal daquilo que aconteceu o resultado, mas claramente que o Benfica é uma equipa em desestruturação e houve muita coisa que não funcionou. Na ala direita, o Dalot com o Di María não funcionaram os dois, porque ambos são canhotos, ambos têm a tendência para vir para dentro. Enfim, houve ali alguma confusão. O Coxo não jogou, não sei se por problemas físicos ou não. O Pablo Díez também esteve dentro daquilo que é o seu jogo, tentou realmente prender os centrais do Boca Juniors. Eu diria que, como tu disseste bem, foi um jogo entretenido, não muito bem jogado, mas acima de tudo com muitas faltas e muitas picardias.

Olhando aqui para as escolhas iniciais de Bruno Lage, tivemos algumas surpresas. Bruma no 11 inicial, Samuel Dalot também no 11 e à direita, Renato Sanches no 11 inicial no meio-campo. O que achas que Bruno Lage tentou fazer para colocar estas peças? De que forma é que tentou surpreender o Boca Juniors? Porque a verdade é que estes jogadores que eram as principais novidades, foram precisamente os jogadores que passaram um pouco mais ao lado do jogo. Bruma, lembro que já a meio da primeira parte, durante a emissão, nós já estávamos a dizer que o Bruma estava fora dela. O Renato Sanches também com muita corrida, mas o Benfica teve pouco critério no meio-campo. Samuel Dalot, já disseste aqui, também mencionamos essa questão. Ou seja, parece que as novidades foram precisamente aquilo que correu pior. Qual é que seria a ideia de Bruno Lage, na tua opinião, Augusto?

Acima de tudo, a gente não sabe como é que está o estado físico dos jogadores depois deste tempo em que não houve férias quase para ninguém. Eu, sinceramente, continuo a dizer que o Dalot é um jogador que pode ser útil aqui ou acolá, mas tem que se fixar num lugar, seja defesa esquerdo, seja médio esquerdo. Agora, lateral direito não me parece, a não ser que o Benfica jogasse num sistema, por exemplo, como os Sporting jogam, que joga muitas vezes o Dijoni e o Catano, joga ali o Kanda, mas tem um outro estilo de jogo, uma outra profundidade, uma outra variante que o Benfica não tem. E o que é certo é que não entendi essa situação. Se calhar o Bruno Lage entendeu que aquela era a melhor opção. Acho que aquilo não rendeu, não funcionou. Essa é que é a grande verdade. O Renato Sanches, não sei até que ponto aquilo foi uma montra para ele aparecer, para ver se alguém olha para ele e dizer que o Renato Sanches ainda está vivo, porque muita gente se calhar já se esqueceu do Renato Sanches devido à época que ele fez e tantas lesões que ele teve. O Bruma foi realmente de fogacho. O Toko Ekambi parecia que estava bem, não foi a aposta inicial. O Di María é por ser o Di María, por ser o cartaz, porque provavelmente tinha que jogar este jogo, que era com o Boca Juniors, porque era a imagem do Benfica, a cara do Benfica, mas claramente que, na minha opinião, aquele que mesmo assim incorporou aquilo que devia ser o espírito do Benfica, o espírito vencedor e o espírito de realmente não ter medo de nada nem de ninguém, foi Otamendi, que mesmo assim marcou um golo, foi penálti sobre ele, foi realmente o homem do jogo, na minha opinião. Mas tudo o resto, as dinâmicas, as variantes, as coisas não funcionaram porque os jogadores provavelmente não estão trabalhados, principalmente Dalot e Di María, não estão trabalhados para isso e aquilo foi sempre um franco-cocho para aquilo que era não só a parte ofensiva do Benfica, como também a parte defensiva.

Otamendi que fez ontem o jogo número 64 desta temporada, isto já contando com os jogos também da seleção e também pela equipe olímpica da Argentina, porque relembrando que Otamendi começou a época nos Jogos Olímpicos 2024 em Paris e, portanto, já são 64 jogos esta época. Vamos ver se ainda não vai chegar aos 70 jogos. É algo realmente impensável João Pinto, ontem estiveste aqui conosco, na nossa emissão especial, aqui na Rádio Observador, durante o relato. Olhando para estas alterações de Bruno Lage, gostava de perguntar por algo que tu também mencionaste ontem, que é o fato de termos aqui alguns jogadores que à partida poderiam ser opções, como o caso, por exemplo, do Leandro, que poderia ser opção à direita. Até o próprio Tiago Gouveia já fez a ala, mas aqui tivemos esta adaptação de Samuel Dahal a um lado que não é o melhor. Temos o caso do Scheldrup, que acaba por não entrar, entra o Perestiani. Conseguiste perceber qual é que era a ideia do Bruno Lage nestas alterações, nestas mudanças?

Olá, boa tarde. Sinceramente, não, não consegui. Concordo com o Augusto. Há aqui uma sobreutilização dos nórdicos. O Ósnes e o Dahal a dada altura devem ter quatro cacifos no balneário, porque é difícil.

Mas não são todos os nórdicos, porque o Scheldrup também é nórdico.

Mas é difícil. É difícil conseguires ganhar os jogadores e conseguires ter a confiança dos jogadores. Aliás, o Bruno Lage, na conferência de imprensa, diz: "Eu preciso de um lateral direito" e o Leandro Santos deve ter ficado lá atrás a levantar o braço, a dizer: "Olha, estou aqui". O jogo foi aquilo que o Augusto disse. Foi um jogo incaracterístico, entre duas equipes que não sabiam muito bem o que é que iam encontrar, o futebol muito físico do Boca, um árbitro a permitir esse jogo muito físico, o Benfica a tentar ter a bola no chão, mas depois sofre dois gols e perde a cabeça. Mas eu acho que o Bruno Lage não esteve bem. Tanto os erros na colocação do Dahal à direita logo de início, e depois a maneira de corrigir isso, tirando o Ósnes no meio-campo, metendo o Ósnes lateral, e o Ósnes passou quase de ponta de lança. Ele estava a ser o apoio do ponta de lança. Passou quase de ponta de lança pra lateral direito.

Exato.

O Benfica perdeu completamente o meio-campo, a bola passou a estar do lado argentino, quando rolava, porque na segunda parte acho que devem ter jogado sete minutos e meio. Foi um jogo pouco conseguido. Depois, claro, aquele pênalti à beira do fim ajudou a recuperar algum fôlego e depois o lance de bola parada, da mesma maneira que tinha sido o Boca Juniors, foi para o Benfica e o Benfica empatou. Mas foi um jogo que acabou por ser feio, tarde e a más horas e aquilo que fica realmente é um bocejo grande e a ideia de que isto se vai resolver com a diferença de gols com o Auckland.

Olhando aqui pra o tempo útil, estavas a falar, isto são contas do site 365scores.com, que faz regularmente essa conta, 46 minutos e 21 segundos de tempo útil.

Do jogo todo.

Do jogo todo, exatamente.

Só na segunda parte. Toda a segunda parte deve ter sido maluca.

Sim, estamos a falar de uma parte.

Vês depois.

Sim.

Exato.

No final, e sendo que no total se jogaram, em teoria, 103 minutos, desses 103 minutos, 46,21 apenas. Eu gostava de perguntar também, João, tivemos entretanto, ao longo destas últimas horas, muitos conteúdos que foram surgindo e um deles foi a flash entrevista que está aí a circular também, por parte do adjunto do Bruno Lage, que é o irmão do Bruno Lage, que na altura, logo ao intervalo, isto era uma flash entrevista à DaZone Portugal, logo na altura, ao intervalo, dizia que o Benfica ia logo colocar um ponta de lança e foi o que aconteceu com o André Belotti. Achas que também devia ter colocado logo o Orkun Kökçü logo ao intervalo, até porque o Turco entrou muito bem?

Mas o Kökçü, o Bruno Lage disse isso na conferência de imprensa, ele estava todo ligado desde a virilha até ao joelho. Havia claramente ali limitações físicas. O Kökçü jogou praticamente os jogos todos da época. Quando fica de fora, é mesmo uma questão física. Sim, ele entrou, fez o que pôde, mas estava muito limitado fisicamente. O Arthur Foglu, já não tenho uma explicação tão boa. A entrada do Belotti e estarem ali dois pontas de lança um ao lado do outro, sem o Pavlídis recuar e vir buscar a bola e ajudar o meio-campo, também não tenho explicação. Acho que dois irmãos não chegam, devia ter aparecido um terceiro pra explicar melhor.

João, uma última questão antes de irmos ao Pedro Henriques. Achas que teria feito falta, até por aquilo que já foi acontecendo noutras ocasiões, Rui Costa ter falado no final do jogo, tendo em conta tudo o que aconteceu em termos de arbitragem, mas também o que aconteceu em termos de resultado do jogo?

Eu acho que essa pergunta é malandra. Eu acho que tu já sabes o que é. Porque agora o Rui Costa fica de bobo. Quando é na final da Taça vem falar, mas agora que é FIFA, tem medo à palmada e já não fala. Pois, fica mal. Fica-lhe mal. A verdade é que o Benfica volta a ter uma arbitragem, ou jogar contra um árbitro. Mas este nem sequer foi tendencioso, foi mesmo só mau.

Sim, é a pior nota de sempre do "Sem Falta", dada pelo Pedro Henriques.

Não sei quanto é que foi, ainda não tive a oportunidade de ouvir.

Nota um.

Mas se for mais do que um, acho que já é favor.

Sim. Pedro Henriques, vamos então a ti. Olha, posso começar-te já por essa questão, o fato do Rui Costa não ter falado no fim, nenhum elemento do Benfica, quando lá está, estamos perante aquela que na tua opinião não é a pior arbitragem sempre no Mundial de Clubes, é a pior arbitragem sempre do Benfica e desde que há "Sem Falta". O programa já é feito desde quê? 2020, por aí, Pedro Henriques?

Por aí.

Portanto, temos a pior arbitragem sempre. Teria feito falta alguém do Benfica falar no final do jogo?

Boa tarde. Eu achei que a questão de ser num plano internacional e depois ser no plano nacional, muda completamente os comportamentos e as atitudes, quer dos jogadores, quer também da parte, neste caso, dos elementos da direção. Sobretudo quando é pra UEFA, aqui pra FIFA, enfim, não temos tanta referência, até porque esta competição é nova, porque sabemos que as penalizações da UEFA nestas circunstâncias, quando é as constatações em relação às arbitragens, são sempre penalizações muito mais duras e muito fortes do que é normalmente as penalizações de consumo interno. Mas fica um bocadinho, como tu disseste, essa é uma pergunta um bocadinho marota, sobretudo pro João Pinto. O problema é que as pessoas depois gostam, com as redes sociais, gostam logo de dizer: "É porque és do Benfica, é porque é do Porto, és do Sport". Vamos pôr isto em termos genéricos Não é um problema do Benfica, do Porto ou do Sporting, é um problema de cultura desportiva ou falta dela, que é sempre que nós somos prejudicados, fazemos todas as guerras possíveis e imaginárias, sempre que somos beneficiados, ficamos calados. E esta perspectiva tem a ver com a questão cultural e eu diria até uma questão ética de comportamento e de postura. Não vou estar aqui a fazer comparações daquilo que deveria ter sido feito ou não. Obviamente que houve respostas e reações diferentes por parte, neste caso, do Rui Costa, porque foi a pergunta que me fizeste. Eu não sou contra que sempre que há uma arbitragem que é errada, ou que é incorreta, ou que tem erros, que os dirigentes, não tanto os jogadores e os treinadores, que eu acho que isso, se eu estivesse a trabalhar com clubes, faria sempre o possível para que os jogadores e os treinadores saíssem fora desse plano e deixar isso para uma direção, um diretor desportivo, um presidente, quem quer que seja. Aqui a ideia é termos sempre esta questão que é: eu não sou contra que haja um comentário ou que haja uma crítica, mas o problema é a maneira como se faz e os clubes ainda não aprenderam isso. Tiravam muito mais partido, e eram muito mais assertivos e eram muito mais eficientes se, por exemplo, dissessem no jogo X ou Y, "realmente sentimos que fomos prejudicados, porque houve erro, se calhar era pênalti, se calhar era fora de jogo", mas diziam isso com elevação. O problema é que, associado sempre ao erro do árbitro, está sempre a teoria da conspiração. Há alguém, há sempre uma terceira força, a força do mal, o árbitro está cá para nos prejudicar, houve essa intenção e as pessoas ainda não compreenderam, porque é só pôr adeptos uns a falar com os outros, de clubes diferentes, para as pessoas perceberem que se eu arranjar um adepto do Sport, do Benfica e do Porto, todos eles me arranjam 10 lances, e com razão, atenção. 10 lances em que o adversário foi beneficiado. E portanto, digamos que acaba por não dever haver essa contagem de espingardos. A arbitragem foi má, acima de tudo, naquilo que é o controle emocional do próprio jogo. Sabes que para mim é mais grave, claro que depois no contra-senha é o pênalti, há um penal claríssimo sobre o Pavlídis.

Só para ficar aqui para os nossos ouvintes que não ouviram, mas que vão ouvir, certamente, sem falta depois disto. Que erros principais é que detetaste, para além desse pênalti de Pavlídis?

Em termos de arbitragem, propriamente dita, há ali sim grandes casos. Dois são resolvidos pelo VAR. O pênalti sobre o Otamendi, o árbitro falhou, o VAR apareceu. E se olharmos para a questão da arbitragem com o VAR, então tem uma decisão correta. O Belotti levou amarelo, vem o VAR e tornou no cartão vermelho. Portanto, aqui está o segundo lance, neste caso, bem resolvido. Mas depois, isto para ter estes dois lances. Eu acho que o caso, para mim, mais importante e mais relevante, tem a ver exatamente com a questão do pênalti sobre o Pavlídis, porque é um varrimento, é uma varridela forte e feia do Figal, em que o árbitro depois começa o jogo com um fora de jogo do Artur Thugull. E se virem o lance, as pessoas depois, claro, podem repetir, o fora de jogo do Artur Thugull é na sequência do pênalti. Primeiro é o pênalti e a bola depois sobra para o Artur Thugull, que vem supostamente da frente para trás para buscar a bola. E este pênalti não tem duas leituras, nem leitura e meia, é uma varridela, ele leva a perna e vai o pé direito e, portanto, era aqui um pênalti claro, que ficou aqui naturalmente por mostrar. Mas eu termino com isto. Para mim, o mais grave, claro que para as pessoas ou o adepto comum é o pênalti que se marca, é o gol, é o fora de jogo, etc. Mas os erros mais graves da arbitragem, e para nós que somos árbitros, sentimos muito isso, estamos todos muito zangados e tristes, tem a ver com a maneira como ele geriu ou, neste caso, não geriu o jogo. Por exemplo, ajuntamentos. Final da primeira parte, o Boca Juniors em cima do árbitro. Final da segunda parte, é o Benfica, neste caso, por causa dos ditos descontos, que isso foi outro disparate total. Cinco minutos foi só o tempo de paragem, que culminou com o Marchesín depois no chão, quando houve ali uma paragem de jogo. Só aí foram uns cinco minutos. Só aí, fora as substituições, fora todo o resto, todas as perdas de tempo. Mas não pode haver esse tipo de ajuntamentos, o árbitro não pode permitir isso. O próprio Bruno Lage, logo no princípio do jogo, no momento de marcar lance, vai por cima do Salvadoran, que era o quarto árbitro.

Sim, coloca os braços por cima.

Isso é impensável poder acontecer. Quer dizer, nós temos aqui diversas situações. O árbitro ia ao monitor e vinha toda a malta atrás dele. Quando um árbitro vai a correr para o monitor e vem a malta toda atrás dele e ainda aceito que ele nos primeiros cinco segundos diga para pararem, para ficarem. Assim que corre atrás deles, é só parar e puxar o cartão. Se ele fizer isto uma vez no jogo.

Não volta a acontecer. Há aqui dois momentos que eu destaco também, que ontem mencionámos um deles, que também diz muito a questão da comunicação, que foi o facto do árbitro não ter respeitado a sinalética do protocolo, de não ter mostrado o amarelo e removido. E depois temos agora até aqui esta imagem que já falámos. Exato, quando o árbitro mostra o cartão vermelho ao jogador do Boca Juniors, neste caso, ao central Nicolás Figal, mostra o cartão vermelho e ao mesmo tempo mostra um cartão com a Nossa Senhora de Guadalupe.

Exatamente. Em relação à primeira situação, aliás, estas duas situações, por razões diferentes, mostram muito desnorte mental por parte do árbitro, que está completamente perdido. A primeira é porque o VAR é o que está sentado e quem está mais tranquilo. E percebendo que o seu colega, ainda por cima do mesmo país, está completamente desnorteado, o que tem que fazer é quase passo a passo, para ora e acolá ajudá-lo naquilo que era a resolução. Tu agora vais ali, faz o sinal de tirar o cartão amarelo ao Belotti, que é aquela led, e depois em seguida é que mostras o cartão vermelho, tem que o ajudar.

Certo.

Isso mostra o desnorte. E finalmente, essa questão, respeito o máximo possível tudo aquilo que é de cada um, mas um árbitro pode agir nas circunstâncias. Aqui não está em questão. Onde está o amarelo e vermelho, não pode estar mais nenhum papel, nenhum documento, não pode puxar dois papéis e depois vir uma cintinha atrás, porque isso depois vai servir para tudo e mais alguma coisa. Desnorte completo e termino mesmo.

Sim, tem de ser mesmo.

A FIFA põe os olhos nisto. Isto fez-me recuar ao Mundial 2002 de seleções, em que a partir daí eles começaram a usar árbitros com outro nível, com outra qualidade. Esta coisa da democracia, vamos todos por quotas, etc. Por fora é muito bonito, mas não estão lá os melhores. E quando não estão lá os melhores, nós ontem tivemos um jogo completamente desastroso ao nível de arbitragem. O pior que eu vi enquanto comentador.

Vamos avançar para as notas e para os vossos campeões. João Pinto, começo por ti, quem é que é o teu campeão do dia e que nota dás?

O meu campeão do dia é a nossa seleção de sub-21, que daqui a pouco vai a jogo. Espero que consigam carimbar o apuramento. Um 13 para os rapazes, porque para nós já é normal chegar a estas fases da competição. E depois, um 20 para o Pedro Henriques, que ontem sangrou dos olhos a ver aquilo. E nós, que estávamos à 01h00 acompanhando o jogo, percebemos a dor e o castigo que foi para o Pedro Henriques assistir àquela arbitragem. Pedro, sê forte.

Posso dizer que, apesar de não ter sido o melhor resultado para a equipa portuguesa, acho que foi das emissões especiais de desporto que mais me diverti aqui na Rádio Observador, porque aquilo que fomos dizendo e aquilo que estávamos a ver era de tão surreal. E depois os comentários do Pedro, efetivamente, foi uma noite difícil também para ele. E quanto aos sub-21, não esquecer, a partir das 17h00 vamos também acompanhando nos espaços informativos aqui da Rádio Observador. Portugal e Geórgia, basta um empate para os nossos rapazes irem em frente na competição. Augusto Inácio, nota e campeão.

Para a seleção de sub-21, nota 20 de motivação, de força e de crença, e que consigam o objetivo, que é passar à fase seguinte. Queria dar também nota 15 para o Pedro Neto, que foi o melhor jogador em campo ontem, do Chelsea contra o Los Angeles. Marcou um grande gol, o primeiro, fantástico. E também queria dar nota 15 para a reação, não pelo jogo do Benfica, mas pela reação do Benfica, que acreditou sempre que poderia ter ganho o jogo. Ficou pelo empate, mas não perder já foi muito bom.

Vamos ao Pedro Henriques. Pedro, nota e campeão.

Não pode deixar de ser a nota negativa para a arbitragem. Não é só especificamente para o árbitro em si, mas para a maneira como o interesse, ou a ordem, neste caso da FIFA, acaba por levar estes árbitros a estes Mundiais. Obviamente que se aquilo que se vier do pescoço para baixo vale tudo, então cumpriu-se. E isto não pode acontecer e espero que este jogo muito mau ontem em termos de arbitragem, sirva de exemplo e de reflexão para aquilo que se vai seguir e para as nomeações que vão fazer.

Meus caros, amanhã estamos de volta à hora habitual, hoje um bocadinho mais tarde, mas amanhã estamos de volta para mais uma edição de "O Campeão É", sempre depois do 12h30. Um forte abraço e até amanhã.