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Nos próximos minutos falamos de desporto na Rádio Observador, é mais uma edição de "E o Campeão É". Para o programa de hoje vou contar com os comentários do Gabriel Alves, do João Pinto e também do Pedro Henriques. Sejam todos muito bem-vindos. Meus caros, vamos começar por falar sobre um jogador do Benfica que está a tomar de assalto as manchetes em Espanha. É o caso de Scheldrup, extremo do Benfica, de novo associado ao Barcelona. Há mesmo quem escreva que o clube catalão está alucinado. Gabriel Alves, tu que tantas vezes tanta atenção dás ao que chega de Espanha, parece-te um caso para tal? Há motivos para o Barcelona estar alucinado?
Eu acho que é melhor ler tudo, porque o Fidji está também na rota do interesse do Barcelona. É um jogador que neste momento está a atuar no Maior, que é um excelente futebolista. Nasceu e foi criado em La Masia e poderá ser um jogador a ter em conta, portanto o interesse também está nele. E isto é preciso ter aqui em atenção. O Barcelona não compra porque não tem dinheiro. O Barcelona, neste momento, está a tentar resolver o problema Rashford. Depois tem outro problema que é a saída do Lewandowski e ter que arranjar um ponta de lança para substituir o polaco, que poderá ir para a Juventus, segundo as últimas notícias. Tudo isto tem muito que se lhe diga. Para Scheldrup é evidente que é importante, porque era um jogador que era zero e agora é 20, ou era zero e agora é 100, como quiserem. E naturalmente eu fico satisfeito, porque trabalharam-no, e ele acima de tudo, Scheldrup, como bom nórdico que é, com raciocínio, percebeu: "É a minha chance, eu vou trabalhar, eu vou fazer", e aí está Scheldrup. Mas isto dos mercados, quando há tudo seleções e não há pipocas para vender, vendem-se destas, vejam bem. O Sevilha, que está neste momento aflito para não cair de divisão, aquilo que é no novo treinador, e também vem de Espanha e é notícia dos jornais, em primeiro lugar, Luís Garcia, vejam bem, tem que aumentar o preço do Angomê. Portanto, tem que lhe dar rendimento pelo aumentar o preço do Angomê. Vejam bem. E mais vou dizer mais. Diogo Luís, que é um analista português, ex-jogador de futebol, trabalha na CNN e na TVI, e também escreve para a Bola. Diogo Luís, para além das suas qualidades, âmbito futebolístico, também é um homem de finanças. A propósito da crise econômica que está aí, por todas as razões, dizia ele: "O que isto é para o futebol português?" Obviamente, focando no artigo excelente da Bola, o que é para os clubes portugueses. Eu acho que devem ler, quer para o Porto, quer para o Sporting e para o Benfica, que ele diz que é uma situação que pode ser periclitante. Mas eu ainda fico mais com os mercados. Agora deixem-me dizer que isto é um remate. Rummenigge, que é hoje dirigente do Bayern, foi um grande jogador noutros anos, e eu cito, diz: "Os agentes são o maior problema do futebol" em entrevista que dá ao diário AS ontem. E cito Beckenbauer, ele a citar Beckenbauer, disse: "O sucesso é crucial, mas deve ser construído sobre uma base sólida". E eu cito ainda Rummenigge: "Em certo momento, o Bayern desviou-se desse caminho que Beckenbauer traçou e investiu demais em salários e comissões de agentes, mas já estamos a trabalhar para corrigir isso". Portanto, olha, isto são os negócios, é aquilo que aparece, é as promoções que em tudo na vida, nos vários itens. Para Scheldrup, desejo-lhe as melhores felicidades e para o Benfica, um bom negócio, se isso acontecer.
João Pinto, Scheldrup está a tornar-se aqui num dos ativos mais cobiçados do Benfica. Como é que te sentes em relação a isso?
É o normal, é a vida do Benfica. Todos os anos sai um, saem dois, saem três. Os jogadores vêm para o Benfica, valorizam-se e acabam por sair. É verdade no Benfica, no Porto, no Sporting. São realmente montras muito apetecíveis no mercado europeu, mas é como o Gabriel dizia, há muita concorrência para aquele lugar, que é um lugar de suplente do Raphinha. E muito jogador tem rodado nessas posições nos últimos anos como suplentes do Messi e agora como suplentes do miúdo, do Lamal. Portanto, aquilo que cabe ao Scheldrup é ter os pés na Terra, continuar a jogar, saber que o Benfica vai pedir muito dinheiro pelo seu passe e que isso também pode ser um entrave às finanças do Barcelona, que tem, como o Gabriel disse muito bem, outras prioridades. E para ser suplente no Barcelona, de um Raphinha que tem estado a um nível estratosférico, alguém terá que ser. A prioridade do Barcelona é continuar do Rashford. Não continuando do Rashford, há para aí muita opção. O Scheldrup está nessa shortlist. É apenas e só isso. O Benfica não pode continuar a correr o risco de mudar tudo todos os anos e se o Scheldrup apareceu e cresceu este ano, o que tem que fazer é continuar para o ano e isso para mim seria o melhor para o meu clube.
Pedro Henriques, quero também ouvir sobre este tema. Bom dia.
Para acrescentar aquilo que já foi dito, e bom dia, que foi dito e muito bem. Em primeiro lugar, estava com a ideia que o Scheldrup ia ser dispensado em dezembro, alguma coisa qualquer, o que não deixa de ser curioso, que o futebol é o momento e muitas vezes os jogadores sentirem-se felizes, jogarem às vezes nas suas posições, os treinadores apostarem. E há uma coisa que é quase, há exceções também, que é aqueles que jogam sempre no banco e depois saem do banco e jogam sempre bem, tipo Gonçalo Ramos no Paris Saint-Germain. Mas há jogadores que precisam mesmo de jogar e se não tiverem essa oportunidade para o fazer, e muitas vezes é compreensão com o treinador. E acho que nesse aspecto o Mourinho teve aqui um papel importante de ir buscar o melhor do Scheldrup, pois estamos em ano de seleção, em ano de mundial, portanto, em princípio vai haver. Os jogadores de uma maneira geral e aqueles que são selecionáveis e aqueles que podem ir às seleções, e aqui falo em termos gerais, todos eles fazem deste ano um ano muito importante e especial, porque sabem que na perspectiva de melhorarem os seus salários, melhorarem às vezes até de sair de clubes, fazem também aqui o seu grande ano. E é sempre bom que um clube, e o João Pinto disse e é verdade, os Benficas, os Sportings e os Portos vão sempre tendo sempre jogadores, jogadores esses que dão nas vistas, muitas vezes é uma grande montra, às vezes não é as provas nacionais, são as provas internacionais e a Champions League aí tem um papel muito importante. E é aquela questão, há sempre um ou dois jogadores que têm de ser vendidos Quando vêm perguntas ou questões que vai para o Barcelona, nós ficamos logo com aquela ideia: como é que isso vai funcionar em termos financeiros? Porque parece que as coisas para o lado de lá não estarão a funcionar da melhor maneira e é aguardar para ver o que é que vai acontecer. Última nota, só para dizer que é normal, porque o mesmo problema que está em Espanha, está em Portugal, está em França, é que agora não há muita coisa para dizer. Os campeonatos estão parados. E como não há muita coisa para dizer, há malta que planta notícias e que cria aquela coisa, andam doidos por não sei o quê. Esqueçam isso. A malta tem que ter aquela perspectiva que é: leiam, vejam lá se é inteligência artificial ou se é real, que a gente agora também tem essa desconfiança, e depois percebam o contexto. Neste momento, não há muita coisa para dizer e qualquer assunto tem que ser chamado à primeira página, sobretudo o que envolve os grandes e clubes como o Benfica, que tem uma dimensão que puxa sempre mais adeptos ou mais pessoas para ler. Eu acho que é muito por aí, porque não há mesmo nada para fazer neste momento, a não ser esperar pela meia-noite amanhã para os portugueses e para outros países, a hora que as suas seleções também vão jogar.
Para já, mantém-se essa notícia que chega de Espanha. O Barcelona está no mercado por um extremo e Shell Drup é um dos nomes apontados ao clube blaugrana. Vamos avançar na edição de hoje de "E o Campeão É" para voltar a um tema que tem sido polémico no andebol. O Sporting fala em ações repugnantes do Futebol Clube do Porto e pede uma reunião com a ministra do Desporto. Em causa, o alegado cheiro estranho no balneário da equipa leonina, que obrigou duas pessoas a terem de ser assistidas antes do jogo com o Futebol Clube do Porto. A equipa portista que já negou qualquer tipo de prática errada e fala em insinuações muito graves por parte do Sporting, sendo que o clube leonino quer agora essa reunião com a ministra do Desporto. Pedro Henriques, és o nosso homem do protocolo e das questões mais técnicas, quais é que te parecem que vão ser os próximos passos em todo este caso?
Como em tudo, em termos de esporte, vai ter que ser ouvido pessoas. E aqui, quer os relatórios dos árbitros, quer das forças policiais, porque a polícia está presente, quer dos delegados, conforme a competição, se é da federação, se é da liga. Todas as pessoas que estão num patamar de independência, isto é, que não são especificamente do Sporting, neste caso concreto, nem do Porto, vão ter que ser ouvidas, sobretudo porque estas competições são altamente profissionais e têm pessoas destacadas exatamente para isto. Os delegados da liga do futebol, por exemplo, normalmente dois ou três, conforme o tipo de jogo, são destacados exatamente para ver essas condições todas, que passam exatamente também por isso, seguranças, pirotecnias, essas coisas todas. E estes relatórios todos vão ser relevantes e importantes. E bombeiros, aqui também, porque parece que a assistência foi feita, penso eu, também por bombeiros. Esta parte clínica ou médica, vamos dizer assim, de quem assistiu, também vai ser importante para reportar. Determinada pessoa se sentiu mal, teve vômitos, o que quer que seja. Tudo isso vai ser relevante e importante. Depois, em relação ao Sporting e ao Porto, o que a gente pode esperar é o dito por não dito, quer dizer, uns acusam que os outros fizeram, os outros dizem que não fizeram. E para nós, uma vez mais, cuidado com a leitura das notícias, porque eu vejo logo as pessoas a tomarem partido, independentemente se é do Sporting ou do Porto ou do Benfica, tomar partido, porque nós não estivemos lá dentro e não temos a certeza e a convicção do que realmente aconteceu. Agora, começa a ser um bocadinho recorrente, e isso deixa-me um bocadinho aqui preocupado, sobretudo este tipo de situações e sobretudo as consequências desta situação. E termino com isto: e qual é a minha preocupação com as consequências desta situação? É perceber que isto depois tem um efeito que é daqui a umas semanas, duas, ou coisa que o vá, dia 19 ou o que seja, o Sporting vai ao Dragão e vai jogar com o Porto para o futebol, e o futebol ainda por cima vai buscar estas dores todas. Como é que vai ser os adeptos que lá estão e os que vão para lá? Como é que vai ser o pai, o filho e o avô que vão assistir? Como é que vai ser fora do campo, inclusive dentro de campo? Depois vamos ter o quê? Se houver ali um penálti que pelo meio prejudica ou beneficia alguém, quais vão ser as repercussões na própria estrutura. Aquilo que me preocupa é esta bola de neve de que, neste momento, Sporting e Porto, independentemente das razões que tenham, estão a fazer com que cresça cada vez mais. E como eu já disse ontem, porque também tocámos nesse assunto ontem, e vou insistir nesta frase, porque esta frase para mim diz muito. Diz muito do que está a acontecer, que é: falta um adulto na sala. E esse adulto na sala tem que vir de algum lado, ou vem do Sporting, ou vem do Porto, ou vem de um dos lados, ou então tem que vir da liga ou da federação. Se não houver aqui um quebrar, vai ser muito complicado.
Essa pergunta vou fazer ao Gabriel Alves. Gabriel Alves, quem é que pode ser aqui o adulto na sala?
O adulto na sala? Olha, eu sobre esse assunto, eu acho que as acusações são globais noutras coisas. Há um velho ditado que diz em Portugal: o roto fala para o nu, o nu fala para o roto. É a mesma coisa. Olha, porque eles dizem hoje assim, amanhã assado, cozido. Tomar partido acho que é muito complicado e muito complexo. Agora, aqui uma coisa que me deixa um bocado... Ir buscar a senhora ministra do Desporto para este assunto? Sim, ela tem conhecimento, mas eu gostava que fossem buscar a senhora ministra do Desporto para outros assuntos ligados àquilo que é a base do desporto em Portugal, o que se faz, o desporto escolar, o desporto de iniciação. Acho que era muito mais concordente e será muito mais agradável para a senhora ministra, porque estes assuntos, pôs, não pôs, acho que isto é um caso de polícia, é um caso de justiça, na minha opinião. Sobre este assunto, fico por aqui e lamento que se queira falar de desporto, que se queira bom desporto em Portugal, e nós andamos imergidos, afogados nisto.
João Pinto, enquanto adepto de desporto, o que é que tens a acrescentar?
O que eu posso acrescentar ao Agro Rasgate, não é? Não sei. Exato. Mas aquilo que me parece, e lembra-me da tragédia que foi uma final da Liga dos Campeões entre o Liverpool e a Juventus, em que depois os ingleses tiveram não sei quantos anos fora das competições europeias. E dá a ideia que tem que haver uma tragédia deste gênero
Para as pessoas depois dizerem que realmente é um problema e tomarem medidas à séria. E eu só espero, como o Pedro Henriques disse, que não seja o meu pai, o meu filho ou eu que esteja no meio dessa tragédia, porque quando as coisas vão escalando e agora aguardar está a valer, depois dizer que se pisem na cabeça está a valer, depois fazer aquilo que o Benfica também fez mal feito, que é para não só dar exemplos dos outros, também está a valer. E portanto, quando está a valer e ninguém faz nada, a coisa vai escalando e é realmente preocupante, da mesma maneira que o Pedro Henriques disse, perceber onde é que isto vai parar. E normalmente só para quando há uma tragédia e aí, sim, toda a gente diz: "Epá, tem que se fazer alguma coisa". Portanto, mais vale fazer já.
E esse é o cenário que ninguém quer, o cenário de tragédia no desporto e na sociedade em geral. Meus caros, vamos às notas e aos campeões do dia. Tenho um minuto para cada um. Gabriel Alves, vou começar por ti. Quem é que são os teus campeões e a quem queres dar nota no dia de hoje?
Olha, eu vou dar a minha nota numérica para a França. Voltou a demonstrar, de facto, que não tem uma equipa, tem duas. É, de facto, muito bom, quer sob a vista técnica, cultura tática, cultura física. Tem 15, que eu depois quero ir subindo isto, porque me dá gozo ver a equipa. Mas vou falar de arbitragem, veja lá tu. É uma nota de atenção a Inglaterra. A Inglaterra, é título em vários jornais, não quer o VAR. Ele tira o que o futebol deveria ser e seus momentos especiais. Setenta e cinco por cento, em 8 mil, portanto, de 20 clubes, adeptos de 20 clubes, deram nota. Desses, 90% discordam do VAR, 91% acreditam que o impacto é negativo, 94% acham que o VAR na TV não é uma experiência boa, 74% negam que a abordagem esteja a ser a melhor, 86% estão preocupados com as novas funções que o VAR vai ter, porque ainda vai prejudicar mais a TV. Os adeptos querem o VAR de fora. A Liga Inglesa vai dizendo: "Ah, não, isto está tudo a ser visto, está a ser melhorado", e os adeptos querem. Vamos lá ver se querem ou não, mas que o VAR mude de vida, muda. Porque realmente estares, como eu estive aí há duas semanas, a ver um árbitro, a analisar durante cinco minutos lance que o VAR viu, que o VAR viu em segundos. Todos vimos, eu também. E só ele é que viu que o jogador tocou no adversário e não tocou só na bola. Estranho, não é? Isto, de facto, em termos televisivos, é péssimo. E digo-vos, quando o share das televisões começar a cair, alguma coisa vai mudar. Vai.
João Pinto, quero também saber a quem queres dar nota hoje e quem é que queres eleger como campeão.
Os meus campeões de hoje são o Jayden Umé, o jogador irlandês que o Benfica tem nas suas escolas, e outro jogador chamado Peter Edokpolor, que é outro jogador do Benfica que também está nas escolas. São dois extremos esquerdos prontíssimos para ocupar o lugar do Scheldrup assim que ele sair. E portanto, atrás de um vem outro. Vamos a isso.
E vamos fechar com um minuto para ficarmos a conhecer as notas e os campeões do Pedro Henriques.
Miguel Oliveira. Gostei de o ver a fazer o seu terceiro lugar na parte das motos. Certo que não está no escalão do top neste momento, mas o fato é que Portimão encheu-se. E quando digo Portimão, digo o Autódromo. Muita gente que foi ver especificamente o Miguel, ainda por cima estava um dia bonito, e depois ver também os outros esportes, a maneira como eles se reinventam para muitas vezes serem atrativos. E reparem nesta ideia fabulosa: compras um gueto e se tiveres uma scooter, uma moto, tens a hipótese, no final de acabar as provas, tu próprio, em bichinha de pirlão com todos os outros, ires dar uma volta na pista onde os outros, os craques estiveram lá a circular. E realmente as pessoas pagaram o gueto, pagaram um bocadinho mais, foram com as suas motos, e isto para percebermos que o desporto cada vez mais tem esta questão, que é não só o veres, mas também o envolveres-te por dentro e as pessoas gostam de se envolver por dentro. E, portanto, ontem foi uma tarde espetacular em termos de motas e parabéns ao Miguel pelo terceiro lugar.
Ora bem, e é desta forma que fechamos a edição de hoje de "E o Campeão É". Muito obrigado ao Gabriel Alves, ao João Pinto e também ao Pedro Henriques. Nós voltamos amanhã para nova edição de "E o Campeão É".