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Rádio Observador. E começa agora o Jornal das duas, edição do jornalista Miguel Videira. E Miguel, começamos com a reação do ministro da Educação ao ranking das escolas, hoje divulgado. Fernando Alexandre pede que se evitem leituras simplistas.
O ranking do ensino secundário, por exemplo, que tem em conta os resultados obtidos pelos alunos nos exames nacionais, revela que entre os primeiros 50 lugares só constam 13 escolas públicas, a primeira é na posição 44, as demais são todas instituições privadas. Ora, o ministro Fernando Alexandre pede cautela na forma como são interpretados estes dados.
A leitura não pode ser feita de uma forma simplista e crua. Nós temos que ter em conta os contextos. As escolas trabalham em situações muito diferentes. De facto, nós temos muitas desigualdades em termos territoriais. Não é na qualidade dos projetos pedagógicos que há uma distinção entre o privado e o público. É, de facto, o contexto socioeconômico dos alunos que é muito diferente. Continuamos a ter, felizmente, uma escola pública de qualidade. Temos que lutar para que o contexto socioeconômico não tenha efeito no percurso escolar do aluno, mas nós sabemos que tem, e por isso, o que a escola pública faz é esse trabalho muito difícil de integração de alunos com necessidades educativas especiais, de integração de alunos que não falam português, que hoje tem uma expressão cada vez maior, que essas escolas privadas muitas vezes não têm.
A declaração do ministro da Educação, captada pela RTP. O ranking das escolas foi tema do Explicador desta manhã aqui na antena da rádio. Um dos convidados foi Filinto Lima. O presidente da associação que representa os diretores das escolas públicas lamenta que alguns critérios não sejam considerados para a elaboração da lista, embora reconheça alguns avanços.
Este ranking se diz que essas escolas têm sido aperfeiçoadas, reconhece-se isso perfeitamente, está muito diferente de há 25 anos pra cá, melhorou com certeza, mas ainda há critérios que eu acho que se quisermos comparar as escolas, devem ser tidos em conta. Por exemplo, o número de alunos estrangeiros que as escolas têm. Não têm em conta, por exemplo, que na escola pública, como sabemos, nós recebemos todos os alunos. A escola privada, que eu saiba, não recebe todos os alunos, desde logo há uma seleção para critério de matrícula.
Filinto Lima sugere que se utilize como método comparativo a avaliação externa realizada pela Inspeção-Geral de Educação.
Também o investigador Pedro Freitas defende que é preciso aperfeiçoar os rankings e avança com algumas explicações para o fato das escolas do norte continuarem a liderar o ranking.
São avançados três motivos.
A questão da falta de professores a sul, como o professor Filinto Lima disse, até porque muita da formação inicial de professores está concentrada a norte. Eu acho que é uma discussão a ter sobre a descentralização de algumas responsabilidades na educação, porque houve alguma descentralização para as autarquias, e eu acho que nem todas as autarquias assumiram esta responsabilidade da mesma forma. E terceiro fator, e isso, por exemplo, a professora Luísa Loura do Parlato aponta muitas vezes, se nós olharmos para as vagas do ensino superior, do ponto de vista de proporcionalidade em relação ao número de alunos, o norte tem menos vagas proporcionalmente em função do número de alunos, ou seja, o norte tem menos vagas no ensino superior em relação ao número de alunos que estão a estudar no ensino secundário. E o que isto cria? Isto cria uma pressão para ter melhores notas pra poder entrar na universidade a norte.
As explicações avançadas pelo investigador na área de educação, Pedro Freitas, para o fato das escolas do norte do país estarem mais bem posicionadas no ranking hoje conhecido.
Menos trica partidária, mais foco na resolução dos problemas, é o que pede o presidente da República.
E hoje veio responsabilizar a classe política. António José Seguro visitou esta manhã duas escolas requalificadas depois dos estragos provocados pela passagem da depressão Cristi no início do ano. Num discurso dirigido aos mais jovens, assumiu Vasco Maldonado Correia que está preocupado com a falta de coesão do país.
Diante de uma plateia de jovens estudantes e depois ter acusado os partidos de estarem demasiado preocupados com o passa-culpas, o presidente da República aconselha: não sigam o exemplo.
Envolvam-se na política, na política do P grande, porque é a política que resolve os problemas das pessoas. Não é a política da trica, do passa-culpas, do adiar constante. Assim não saímos da cepa torta.
Com a crise na habitação em mente, Seguro garante que não se vai calar.
Eu vejo alguns dizer: "Bem, mas o presidente da República faz esses apelos, mas isso está tudo condenado ao fracasso". Isso deve ser motivo pro presidente da República ficar de braços cruzados? Pelo contrário, eu olho pros problemas do país e é aí que eu sinto a urgência, sinto a responsabilidade.
E volta a pressionar uma.
Eu ontem convoquei os partidos para irem a Belém, porque considero que os partidos são essenciais em democracia. Eles têm divergências, mas faço-lhes uma pergunta: a divergência deve ser uma desculpa pra inação?
E outra vez.
Então não é responsabilidade dos partidos políticos, do Parlamento, dos governos, de contribuírem com soluções em conjunto para resolver essa situação? Sobretudo numa área em que ninguém tem a solução de criar casas de um dia pro outro.
Sem balas de prata, o presidente da República continua a exigir entendimentos duradouros.
Precisamos de anos. E esses anos ultrapassam legislaturas, mudam governos. Então os partidos não têm o dever e a obrigação de se pôr de acordo em soluções que possam ajudar os portugueses, designadamente os jovens, a ter esse acesso à habitação?
Até porque avisa que a consequência é um descrédito da política em toda a linha.
E o deslaçar social começa precisamente aí, quando as pessoas sentem que não fazem parte, que não beneficiam da riqueza que é gerada, do progresso que é gerado.
Novo aviso do chefe de Estado, desta vez diante uma plateia de alunos do ensino secundário em Leiria, num discurso em que quis sair do guião para abordar o problema da coesão social.
Vasco Maldonado Correia, que acompanha esta visita do presidente da República ao distrito de Leiria. Ora, precisamente com o tema da coesão social em pano de fundo, está agendada uma reunião do Conselho de Estado para a próxima segunda-feira.
E a ministra da Saúde admite que as listas de espera para cirurgia vão continuar a aumentar.
Sim, reação da ministra aos dados conhecidos ontem, que dão conta que há 284 mil pessoas em lista de espera a aguardar por uma cirurgia. São dados referentes a julho, representa mais 2% face a junho, é o número mais elevado de sempre. Ora, de acordo com estes dados, o número de cirurgias também baixou. A reação de Ana Paula Martins.
As listas vão continuar a aumentar, porque isso significa que temos mais consultas, temos mais diagnósticos, temos mais rastreios. É verdade que, apesar de tudo, estamos melhor se compararmos com o ano 2023, na maioria das áreas, mas nalgumas, em setembro, já não foi assim, o que significa que está a instalar-se uma tendência de não conseguirmos responder em algumas especialidades no tempo que precisamos.
A reação de Ana Paula Martins a estes dados, a lista de espera para cirurgia é a mais elevada de sempre, 284 mil pessoas a aguardar por uma cirurgia. Em julho, mais 2% face a junho, o número de cirurgias também está a baixar. Declaração da ministra da Saúde no Hospital de Santa Maria, à margem da assinatura de um protocolo de partilha de meios desta unidade local de saúde com o INEM, o Instituto Nacional de Emergência Médica.
E assim que fechamos o Jornal das duas da tarde, edição de Miguel Videira. Já a seguir temos Capitães na América.