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Apito inicial na Liga das Nações. Portugal vai defender o título, arranca mais logo com esta competição frente ao País de Gales, 19:45. Relato aqui na Rádio Observador. Como é que se vai apresentar esta seleção na nova era Jorge Jesus e o que disseram ontem o selecionador e o capitão das Quinas numa conferência de imprensa, no mínimo, diferente das habituais? Vamos saber hoje com Gabriel Alves, João Castro, João Pinto e Pedro Henriques. Muito boa tarde, campeões. Queria hoje começar com o João Pinto, até porque ele é humorista, é alguém que conhece como ninguém a natureza humana. João, quem é que quer matar Cristiano Ronaldo? E já agora, o futebol é arte?
O futebol é arte e querem matar Cristiano Ronaldo, são duas coisas que andam em conjunto e em comum. Aquilo a que assistimos ontem foi um bocado aquele sketch do Gato Fedorento, da empresa publicitária de Chelas. Parecia uma conferência de imprensa tirada do Graça. Mas foi giro. Foi entretenido e percebemos que virámos a página. Estamos numa nova fase da seleção, uma fase em que vai haver mais divertimento nas conferências de imprensa, mais alegria nas comunicações. Vamos ver como é que vai ser em campo e estamos todos um bocado interessados em ver esse espetáculo paralelo que é os miúdos a jogar à bola, enquanto nos preparamos para realmente aquilo que nos interessa, que é a conferência de imprensa.
Pedro Henriques, o que é que achaste deste formato de conferência de imprensa? Estamos a assistir aqui também a várias mudanças ao nível da comunicação da FPF. Foi uma conferência de imprensa com público, algo mais ou menos inédito, não me lembro de ter acontecido.
Tivemos uma conferência de imprensa que também está enquadrada num contexto diferente, porque neste momento está a decorrer o summit. Eu acho que tem muito a ver também com isso. Não acredito que todas as conferências de imprensa, no futuro, tenham este tipo de formato. E também para marcar aqui um ponto de viragem. Ou seja, para mim, faz sempre sentido em termos de comunicação, e de não só, que quando alguma coisa se torna diferente, e houve aqui uma mudança claramente ao nível daquilo que é o selecionador, que haja também alguma diferença na forma como vais fazer as coisas, ou seja, como comunicas, seja o cenário, o que quer que seja. E a federação tentou fazer exatamente essa diferença, pôs logo o topo máximo dos máximos nesta conferência, além do Mister Jorge Jesus, que tinha que ser, levar o capitão, o Cristiano Ronaldo, numa fase também que percebemos que está a terminar. Eu acho que inclusivamente o facto, vale o que vale, provavelmente será o último jogo que o Cristiano Ronaldo vai fazer no Estádio de Alvalade, pelo menos um jogo oficial, com a sua ligação que tem também àquilo que é o Sporting. Tentar marcar a diferença até na maneira mais ágil e mais descontraída e ao mesmo tempo mais direta, como o Jorge Jesus, que é típico dele, obviamente, dar as respostas, por exemplo, em oposição, não é oposição, em comparação do que era o Sr. Roberto Martínez, pessoas com personalidades diferentes. E daquilo que eu vejo também da conferência de imprensa, se calhar é isso que vamos falar daqui a um bocadinho, sobre quem vai jogar, não vai jogar. Aquilo que acontece neste momento é que o selecionador também não quis operar alterações estruturais porque não teve tempo para fazer absolutamente nada sob o ponto de vista de treino. Por isso vai se socorrer muito daquilo que é a base, e a base era boa e é boa. Aquilo que vai ser diferente, e eu acho que isso é que vamos ver agora como é que vai ser no terreno, nem é tanta mudança de jogadores, mas é sobretudo aquilo que serão as colocações dos jogadores no terreno, já percebemos isso, o tal segundo avançado, João Félix, eventualmente o Rafael Leão. Também esta perceção de que o treinador vai se apoiar muito nos jogadores, ou alguma grande parte, que já conhece, o que também pode fazer algum sentido. E portanto, vamos ver agora em termos de jogo jogado, não estamos à espera que o selecionador agora passe a jogar, a fazer pontapés de bicicleta e a fazer coisas extraordinárias. Vamos é se calhar ver uma disposição no terreno diferente e aquilo que eu acho que vai ser o marco do Jorge Jesus, não sei se em todos os jogos, que é ir buscar aquela ideia menos romântica de que por se jogar no Paris Saint-Germain, aquele meio-campo tem que ser só aqueles craques, mas aqueles craques jogam no Paris Saint-Germain ou noutros clubes com outros jogadores atrás à frente. E ir buscar aquilo que me parece mais pragmático, jogadores como o Rúben Neves, como o Palhinha, que farão ali uma posição de ligação mais defensiva ou mais destrutiva ou mais de equilíbrio, e não jogarmos com o romantismo todo, que é termos jogadores que são muito craques pra frente, mas é preciso perceber quem são os nossos centrais e é preciso perceber o que é precisamente defender.
Claro, a tal casa das máquinas de que fala Gabriel Alves. Já vou ao Gabriel, mas João Castro, vamos a este jogo de mais logo. Que surpresas é que esperas neste 11 e também no posicionamento em campo da equipa portuguesa?
Boa tarde a todos, não espero nenhuma grande surpresa. Espero mais com que o Jorge Jesus seja consistente com aquilo que tem sido a carreira dele, ou seja, jogar com os dois avançados, embora um não seja propriamente avançado, mas jogar mais atrás do outro avançado. Isso nove e meio, 10, vai surgir de certeza. Jogar com um médio mais fixo, como o Pedro Henriques agora mencionou, Rúben Neves ou Palhinha, é o que irá acontecer. E é por causa de uma questão de coberturas e questão de equilíbrio. Até projetar os outros pra frente, é preciso ganhar ali o equilíbrio e o equilíbrio do Jorge Jesus passa muito por um jogador mais posicional, que tenha uma grande capacidade de cobertura de terreno também. E é isso que vai acontecer. Quantos treinos é que eles tiveram? Dois, máximo três, diria. Eu acho que se vai sentir um bocadinho mais Portugal ou da forma de jogar, mais lá pra frente, no final destes últimos jogos. Ou seja, o último jogo é contra a Noruega no Dragão, se eu não me engano. Desta sequência. Aí já se pode, com alguns dias de treino, já se pode ver ali algumas dinâmicas do Jorge Jesus mais acentuadas. Agora ainda é muito cedo, vai-se ver uma estrutura diferente Ligeiras coisas diferentes, porque os jogadores também são muito inteligentes e o Jorge Jesus apontou um aspecto que eu acho importante, que é o treino em sala, o treino tático, e acho que como são jogadores inteligentes, a capacidade de entender o jogo é superior, até porque estão no nível topo e portanto vai ser muito por aí. Vamos ter essas coisas diferentes. Do outro lado também uma equipa diferente, com um sistema um bocadinho diferente e vamos ver o que dá. É esperar para ver, mas claramente Palhinha ou Rúben Neves a titulares e depois algum jogador atrás do Cristiano e Félix, eu acho que o Félix vai ser titular.
Gabriel, este País de Gales tem algum potencial para ser uma ameaça a Portugal? E já agora, Portugal tem aspirações para ser o novo campeão desta competição, para revalidar este título?
Boa tarde. Parece-me dizer que Portugal é uma das 20 equipas, das 20 seleções que mudou de treinador e que estiveram no Mundial. Portanto, 41%. E hoje até há jogos muito interessantes com os novos treinadores à frente das seleções dos seus respetivos países. Quanto ao País de Gales, o historial de Portugal nos jogos que teve, o menos bom foi um empate. É uma equipa que acima de tudo ganha por aquilo que é a técnica da força e que Portugal, naturalmente, e o Jorge Jesus e os jogadores estão perfeitamente conscientes daquilo que é um 4231, que na minha opinião será muito 4141, naquilo que é o desenvolvimento da partida ao longo dos 90 minutos. Vamos ter o primeiro jogo de Jorge Jesus, que é no fundo aquilo que é uma enormíssima, uma grande atração para hoje. Quanto à formação da equipa, eu acho que o Pedro e o João Castro já aqui explanaram. Parece-me a mim que este 442 do Jorge Jesus será um 441+1, onde Félix e Ronaldo embora na frente, mas é um mais um. Ronaldo vai haver ali um Félix que está atrás, mas vai sair muitas vezes de jogo exterior para jogo interior, com uma ala muito mais vertical e outro ala que será um médio. Não sei, não vou dizer qual, não faço ideia, mas que será um médio que sairá mais da ala para o meio com os laterais, naturalmente muito verticais e muito profundos. Quanto ao mais, está na minha opinião, tudo dito. Atenção, fazemos parte daquelas 20 equipas que mudou de selecionador e que há muita curiosidade ao nível global. Quanto à pergunta da revalidação do título, há muitas pessoas, muita gente que despreza esta competição. Por quê? Falta-lhe charme? Tenham atenção, esta competição vai ser extremamente importante naquilo que é a qualificação, quer para o próximo Europeu, quer para o próximo Mundial.
Vamos ao João Pinto também para conhecer o campeão do João e com que nota, João?
É uma nota 15 para esta conferência de imprensa do JJ e do Cristiano. Uma coisa nova, diferente e engraçada, portanto é para repetir e vamos ver também um 15 para a estreia da seleção nesta Liga das Nações, que se espera dê para revalidar.
Vamos à nota do Pedro Henriques, mas já agora, Pedro, queria ver se conhecia aqui a tua aposta para o 11 muito rapidamente.
Vou ser rápido. Se me perguntasses: "Diz-me 14 jogadores que vão jogar 11", eu acertava. Agora dizer 11 não vai ser fácil. E por quê? Tenho dúvidas, sobretudo em duas ou três posições, por isso é que eu falo nos 14. Diogo Costa, o Nuno Mendes, o Cancelo nas alas, o Renato Veiga e o Rúben Dias como centrais. Também não tenho, entre aspas, dúvidas que lá para a frente CR7, Bruno Fernandes, não estou a colocar bem as peças no sítio, mas para perceberme, CR7, Bruno Fernandes e João Félix, também não tenho grandes dúvidas. E depois eu aposto, e é aqui que poderá haver a falha, entre João Neves, Vitinha e Rúben Neves. Onde é que eu posso eventualmente estar a falhar e meter aqui mais três jogadores que podem entrar aqui? Palhinha, o Pedro Neto e o Trincão, porque vamos jogar contra o País de Gales. Tenho aqui algumas dúvidas se algum destes jogadores não pode entrar aqui na equação. Lá está, Rúben Neves, Palhinha. Eu acho que Rúben Neves, até olhando para aquilo que ele disse, que já trabalhou com os jogadores. E depois esta questão do João Neves, Vitinha, até que ponto é que se, por exemplo, o João Neves não entra, entra o Vitinha e pode entrar um Pedro Neto. Tenho aqui algumas dúvidas nesta articulação, e depois esta gestão, são quatro jogos num espaço muito curto. A minha nota de campeão, obviamente para a seleção nacional, para o dia de hoje, para este arranque, não tanto pela Liga das Nações, mas por esta nova era, este ciclo que vai incluir Liga das Nações, Campeonato da Europa, Campeonato do Mundo, que acho que se vai manter com Jorge Jesus e com tudo aquilo que se quer, no fundo, a esperança que temos sempre de que esta seleção, que vai estar a discutir coisas, possa fazer melhor e que nos possa voltar a dar títulos.
João Castro.
Vai a nota 16 para a seleção, para a conferência de imprensa e para o regresso do Ronaldo a Alvalade e acho que foi o Pedro que mencionou que provavelmente será o último jogo, ou poderá ser o último jogo do Ronaldo em Alvalade. Foi neste mesmo Alvalade que ele fez a exibição monstruosa perante o Manchester United e que fez com que o Alex Ferguson convencesse a direção a pagar o que pagou pelo Ronaldo, pelo Balde, naquele jogo de estreia de Alvalade, com aquele relvado que parecia um batatal na altura, em que o Ronaldo deixou o adversário de rastos no final do jogo. Aliás, teve que sair mesmo. As notas para ele e espero que seja um grande dia para a seleção e que realmente seja uma nova era.
Gabriel Alves, estamos contigo e com o teu campeão.
Recordar esse jogo, tive o grato prazer de o fazer. De facto, uma bela noite e com um Cristiano Ronaldo. De facto, aquilo que já vinha naturalmente mostrando, mas ali a mostrar e agora, certamente o seu último jogo, a sua despedida. Também para todo este desafio novo à seleção e esta curiosidade, o 1016, que se estende também a outros jogos hoje importantes que eu chamo a atenção, principalmente entre dois treinadores que substituíram, que é nada mais, nada menos do que a Alemanha, Países Baixos. São duas potências do futebol mundial, hoje com Klopp e com Xavi, e depois dois dos treinadores que não estiveram, não foram mudados, Espanha, Inglaterra, que naturalmente é um jogo que também é esperado. E atenção à Espanha. Meteu mais três sub-21. Três sub-21 no escalar, nos convocados. Há muita coisa bonita no futebol. O futebol é arte, muito mais para além daquelas discussões lã na caprina que cada vez são mais usuais e que vamos tendo por aí e que vão naturalmente esgaçando a melhoridade.
Gabriel Alves, João Castro, João Pinto e Pedro Henriques. Amanhã está de regresso e o campeão é.