Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Catrapum, pum, pum. Foi com estrondo que o Benfica perdeu ontem à noite, no Estádio da Luz, na estreia na fase liga da Liga dos Campeões. Contra todos os prognósticos, os encarnados perderam por 3 x 2 frente ao Karabakh do Azerbaijão, depois de terem estado a ganhar por 2 x 0. Os assobios e os lenços brancos no final do jogo foram o pronúncio para o que haveria de anunciar Rui Costa já madrugada adentro. Bruno Lage deixou de ser treinador do Benfica. José Mourinho é o nome que tem sido apontado com mais insistência à sucessão. É tema desta edição de "E o Campeão É". Hoje com o Bruno Roseiro, Gabriel Alves e Pedro Henriques. Mas não é por aqui que começamos, não tivéssemos aqui em estúdio um convidado muito especial. Dêem-lhe uma bicicleta, metam-lhe uma montanha à frente, uma qualquer, até pode ser o Alto de Angliru, a mais de 1500 metros de altitude, e ele, o nosso convidado especial, é capaz de fazer coisas como esta.

João Almeida tem tudo para ganhar esta etapa, a etapa mais dura até agora. Há mais etapas duras também nesta edição da Vuelta.

Está quase a terminar. Nota-se que o João agora força mais um pouco, a cara dele não engana.

Impressionante.

Já estamos na zona rápida.

Agora vamos ver se o João consegue manter-se nesta posição e ser o ciclista que nos pode dar a 13ª vitória na Volta à Espanha. Já temos 12, pode ser a 13ª.

500 metros para o final da etapa. João Almeida pode vir a ganhar também no Alto de Angliru. Pode ser nosso o Angliru. Vamos embora, João. João na frente. Já está quase. João na frente. Vamos à vitória, João. Faz a curva por dentro, faz a curva à frente. João Almeida na frente, pode ir para a vitória na Volta à Espanha, pode ir para a vitória no Angliru. Vitória do João no Angliru.

Uau!

Primeiro lugar no Angliru. Grande vitória, grande João. Está na luta pela classificação geral. Vingegaard que se cuide.

E assim, com a ajuda da narração dos nossos companheiros do Eurosport Portugal, Luís Piçarra, Paulo Martins e Olivier Bonamici, damos as boas-vindas ao nosso convidado, João Almeida. Obrigado por ter aceitado o nosso convite. Obrigado por ter vindo aos estúdios da Rádio Observador. É este o momento que guarda com mais saudade da sua participação na Volta à Espanha em bicicleta, a vitória no Alto de Angliru?

Olá a todos, é um orgulho estar aqui, eu morro. Sim, sem dúvida, foi uma Volta à Espanha muito boa e esta vitória no Angliru foi histórica, diria, foi especial.

Com que sabor termina esta Vuelta? O doce de um segundo lugar numa grande volta, igualou feito a Joaquim Agostinho, ou trava mágoa por não ter conseguido chegar ao lugar mais alto do pódio?

Eu acho que o doce. Acho que foi muito bom. A sensação que eu tenho é que não daria para vencer e o atacou o Vingegaard. Então acho que terminamos num belo segundo lugar e com aspirações para o futuro fazer ainda melhor.

João, acreditou até o fim que era possível chegar à vitória ou a dada altura atirou a toalha ao chão e concentrou-se acima de tudo na manutenção do segundo lugar?

O único momento de dizer que atirei a toalha ao chão foi o último quilômetro da etapa 20, que o Vingegaard já ia sozinho na frente e eu penso: "Já está feito".

Foi aí que percebeu que está perdido.

Sim, já sabia que sim, mas até lá sempre acreditei, porque há momentos bons, há momentos maus e o adversário nunca se sabe, pode ter um momento mau. Há muita coisa que acontece em que nós não temos capacidade de saber se o atleta está bem, se está mal. Há tanta coisa que pode interferir com o atleta. Então temos de acreditar sempre nisso e também em nós próprios. E foi isso que eu fiz.

E até esse derradeiro quilômetro da etapa 20, a penúltima, o João olhava para o Vingegaard e pensava: "Ele não está bem, eu vou conseguir." O que é que passa pela cabeça de um ciclista nesse momento?

Sim, quem não estava bem era eu. Não me sentia muito bem, que nos últimos dias já estava sentindo-me doente, estava engripado. Mas não tinha nada a perder. A única coisa que estava na minha cabeça era dar o meu máximo e tentar metê-lo em dificuldades, mas não deu, mas demos o nosso melhor e tentamos.

Olha, posso fazer aqui uma pergunta? Dentro da excelência de corredor que o João é e que é apontado, há aqui alguns pontos, principalmente este, que eu gostaria ter a sua explicação. Por exemplo, a sua colocação em corrida no pelotão. Por que aquela colocação?

Sim, tem vindo a melhorar bastante, já foi bem pior. Normalmente, eu coloco-me sempre da forma em que dá para poupar mais e gastar menos energia. Às vezes estar muito na frente acaba por não ser positivo. Podemos estar mais bem colocados, mas depois gastamos muita energia que nos vai faltar mais tarde. Então, às vezes, o segredo é saber quando não gastar e daí, às vezes, a colocação não ser a melhor, mas é sempre obviamente com um bom pensamento.

E a tal capacidade que não se nota, uma capacidade de explosão. Nota-se que há outros ciclistas que fazem aquilo que se chama os esticantes, esticam. O João vai buscá-los, mas vai depois, mas o João não estica. Por quê?

Sinceramente, acho que a minha capacidade de esticar, como está a dizer, até acho que é bastante boa, mas às vezes já estou muito no limite e já não consigo ou não é bom fazer nessa altura, porque o que a gente gasta numa altura, depois vai nos fazer falta mais tarde. E numa subida, aquilo que se gasta já não se vai buscar.

É melhor recuperar.

Eu prefiro deixar para o fim o esticão, porque depois esse esticão a fadiga é superior e pode ajudar a deixar ali um momento mau. Eu tento sempre correr da forma mais inteligente que consigo e mais econômica, por assim dizer.

E deixar para o fim as chamadas "Almeidades".

Exatamente, sim, exato.

Aquelas recuperações que já são muito típicas do João Almeida. Sim, eu agora agarrava a questão da equipa. Naquela primeira semana, chega uma certa altura onde o Oe começa a distribuir cartas. Ganha o contrarrelógio individual, depois tem Vine, tem Ayuso e no meio de tudo isto e quando o João sozinho conseguia dar cabo do comboio da Visma, na primeira semana ainda foi assim, aparece a notícia do Ayuso ser despedido. Como é que um líder de equipa consegue ir falando aos microfones da Eurosport sem nunca tocar muito no Ayuso, porque é um companheiro, mas ao mesmo tempo digerir em termos internos essa saída?

Sim, é algo que a gente já sabia. Nós sabíamos que ele ia sair da equipa.

Antes do início da volta?

Sim. Nós já sabíamos entre nós que ele ia sair.

É que ficou um pouco aquela ideia que foi o fato do Ayuso não lhe dar ajuda nesta volta, que acabou por precipitar a sua saída da equipa.

Sim, mas não. Talvez a equipa quisesse anunciar nessa altura, não sei por quê, mas não. Ele já ia sair há mais tempo. Já se falava há uns meses que ele ia sair.

Foi-te explicado por que ele ia sair?

Não. Eu penso que ele simplesmente queria oportunidades. Talvez não volta à França, sendo líder único, etc. Também numa equipa com o Tadej Pogačar não é fácil fazer toda a gente feliz e há atletas que querem a oportunidade no Tour.

Para quem não percebe de ciclismo, Tadej Pogačar é o melhor ciclista do mundo.

E talvez sempre também.

O melhor de sempre?

Sim, eu diria que sim. É um ciclismo muito competitivo hoje em dia e acho que o que ele faz, quase ninguém fez.

Deixa-me só recuar um pouco, João. Ficou a ideia em algumas etapas que o João chegava ao final sem os companheiros de equipa, enquanto o Jonas Vingegaard, o seu rival direto da Jumbo, tinha dois ou três a acompanhar até aqueles 3 km derradeiros onde cada um está entregue à sua sorte. Faltou-lhe equipa, João Almeida?

Talvez um diazinho faltou. Não vou desmentir, porque eu acho que houve ali um dia que podíamos ter feito melhor e não fizemos, mas no geral, nos outros dias todos estivemos excelentes. A equipa apoiou-me bastante. Há muito trabalho que é invisível, que não se vê nas câmaras e que é na parte inicial e quase até ao fim. Depois chega a um certo ponto que é cada um por si e ter um companheiro não faz absolutamente diferença nenhuma. Por exemplo, em subida, não faz qualquer diferença. Portanto, acho que nenhuma equipa é perfeita e nós não estivemos perfeitos, mas demos o nosso melhor e também acabou ainda com os erros.

Mas pagou-se algum preço pelas fugas que o Vine, o Soler ou Ayuso foram fazendo. Depois disso, pagou-se algum preço na terceira semana com esse tipo de estratégia?

Eu diria que não. Acho que a minha equipa na terceira semana esteve bastante bem. Estivemos lá quando tínhamos de estar. Há etapas que não são etapas para geral e para corredores como é o Vingegaard. As etapas são para fuga e as etapas que eles venceram são dias para fuga que não são essenciais para a geral e eles estarem comigo ou não estarem é insignificante.

Vou já passar aqui a bola ao Pedro. Vou só fazer uma última pergunta, que é a minha curiosidade: esta edição é marcada inevitavelmente também pelos protestos pró Palestina, contra a Israel, e são protestos também que encurtam o contrarrelógio de 27 para 12. Pergunto se antes de começar a volta, se o contrarrelógio era um ponto estratégico para, caso estivesse atrás do Vingegaard, pudesse recuperar muito mais tempo e depois decidir a volta na Volta do Mundo.

Sim, se não contrarrelógio plano, obviamente que dá mais vantagem a mim, sendo que corro mais pesado do que ele. E a vantagem estava do meu lado. Em 12 km consigo ganhar algum tempo, em 27 talvez ganharia mais, mas pessoalmente acho que não faria a diferença para vencer a volta, mas nunca se sabe.

Pedro.

Boa tarde. Em primeiro lugar, dizer que temos aqui um extraordinário ciclista, mas que tem sido defesa de futebol pelo João dos Cunhados e, portanto, nada melhor que dar-lhe os parabéns por tudo o que tens feito pelo ciclismo, porque é um orgulho para nós e uma honra e portanto vou-te já oferecer, às pessoas que estão a ouvir-nos, vou tentar visualizar um cartão amarelo e vermelho, porque nunca se sabe se podes voltar um dia ao futebol e assim ficas já com o cartão amarelo e vermelho, até mesmo para a questão de arbitragem. As questões que eu tinha aqui colocadas, sobretudo, são questões um bocadinho mais técnicas e até mais viradas para a questão desportiva. Não é fugir do alinhamento, mas fugir um pouquinho da pergunta, porque sendo eu professor de nutrição na faculdade, eu vou fazer perguntas para as quais sei as respostas. Então a ideia é: eu vou fazer as perguntas para as pessoas lá em casa perceberem um pouco daquilo que é algo que é muito relevante e importante. A ver exatamente com a alimentação, com a hidratação e com a própria suplementação. E às vezes os meus alunos perguntam-me pelos diversos desportos. E o que é que pessoas que estão 15 dias na estrada, normalmente vocês terminam a prova cá em Portugal eram 16h, 17h, lá seriam 17h, 18h, depois há aquelas gemas todas. E o que é o jantar? O que vocês se hidratam? As pessoas às vezes perguntam: "Está ali uma malta a beber umas bebidas roxas". Atualmente a grande moda, que é tudo que é suplementos de cereja, por causa da recuperação. Depois no futebol, temos muito aquela questão do pickle juice, não sei se vocês também utilizam isso ou não, por causa das cãibras e depois os vasodilatadores. A minha questão aqui é de formas mais básicas e simples. O que é o jantar e o que é o teu pequeno-almoço e a parte de hidratação, para além daquilo que acontece durante a prova, obviamente.

Sim, essa parte diria que é quase tudo. Nossa alimentação é quase tudo hidratação. Muitos hidratos de carbono, pão, massa, arroz, batata. Evitamos carnes vermelhas e vamos um pouco mais para carnes brancas por causa da digestão. Obviamente, nós comemos muita quantidade de comida, então tudo é importante. Hidratação, às vezes bicarbonato de sódio, algumas etapas ou contrarrelógios.

Dás-te bem com o bicarbonato de sódio? Não é daqueles que vomita tanta amount?

Não. São quantidades pequenas, fazemos 19 gramas, 20 gramas.

Ah, ok.

Electrolitos. Alimentação e hidratação é tudo, porque podes ter as melhores pernas do mundo, em qualquer desporto de pernas, o corpo que quiseres, mas se não tiveres isso bem delineado, vais perder.

Já agora, para complementar esta parte mais técnica, que é uma coisa que as pessoas às vezes fazem espécie: "Eles acabaram de fazer aquela subida, cinco horas em cima da bicicleta e agora estão a dar entrevista e estão em cima de uma bicicleta a pedalar. Ou então antes do contra relógio, eles não deviam estar tranquilos, sossegadinhos e agora vão para o contra relógio, já estão ali a suar e a pingar a fazer bicicleta estática". Explica um bocadinho porque é que vocês fazem essa bicicleta estática antes e porque é que depois, terminando cinco horas em cima da bicicleta, estão a pedalar.

Sim, o nosso corpo é como um carro, tem que aquecer para estar num estado ótimo, nas melhores condições para a performance. E neste caso fazemos antes para isso, para preparar o corpo para um esforço muito intenso. E o depois é o oposto, que é acalmar, recuperação ativa, que é o método de recuperação mais eficaz que existe. E levar o corpo para a calma e recuperar, limpar, entre aspas, os nossos músculos e levar esse sangue fresco, cheio de nutrientes e coisas boas. E tirar o que é mau.

Desculpa, Gabriel. O que é afinal o pequeno-almoço e o jantar de um ciclista num dia de Volta?

O pequeno-almoço, no meu caso, com bastante pão, com doce. Temos panquecas, waffles, claro que é tudo receitas que são otimizadas para serem saudáveis e com pouca gordura. Gosto também bastante de cereais. Passa por aí um bocadinho. O almoço é meio improvisado, porque nós corremos na hora do almoço. Então temos uma refeição pós-etapa, que no meu caso costuma ser massa com omelete, que eu gosto bastante. Tenho ali uma veia, uma italiana que mete sempre um bocadinho de queijo. E depois o jantar volta a ser outra vez muitos hidratos de carbono. Mas também na corrida nós comemos imenso. Muitos gels, muitas bebidas açucaradas. Se calar, na corrida eu ingiro para aí 1500 calorias, no mínimo. A média diária deve ser sempre acima dos 5000. Há dias que mais, 6000. É muita comida.

Olha, sendo o João um nome internacional do ciclismo hoje, naturalmente, Voltas ganhas, a Volta à Suíça, Volta ao País Basco e outras onde tem estado.

Polónia, Luxemburgo. Roménia.

A verdade é esta, a pergunta que eu lhe ponho: que conselho-- antes uma: e quando uma Volta a Portugal?

Boa pergunta. A Volta a Portugal antigamente tinha muito mais atenção e valor. Havia mais interesse pelas equipas em fazerem. Hoje em dia não tanto, também numa altura que não é a melhor no calendário, mas tem vindo a perder a sua essência e o seu valor, tem cada vez menos importância no calendário internacional.

Na sequência desta pergunta, o que aconselharia aos jovens que têm atração pela modalidade, pelo ciclismo, irem para as provas nacionais ou irem de imediato para as equipas estrangeiras?

Sim, eu acho que a grande montra é lá fora, internacional. Acho que pode começar cá. Fazer uma evolução natural, mas que dê para ser competitivo no internacional ou mesmo começar lá e aprender com os melhores. Acho que lá fora é onde há mais experiência, mais conhecimento. Obviamente que é um sacrifício e é mais duro, mas também é uma recompensa maior internacional.

E o efeito seleção é importante para a exposição do ciclista em termos internacionais, portanto, correr pela seleção em provas?

Sim, sem dúvida.

Vais ao Europeu agora.

Sim, vou ao Europeu agora daqui a duas semanas.

Contra relógio e longo, não é?

Sim, as duas. E a seleção, no meu caso, foi muito importante para o meu desenvolvimento, porque eu correi cá em Portugal com os meus colegas, dominávamos e depois chegávamos às corridas pela seleção com os outros países e nós não éramos competitivos o suficiente para disputar uma corrida. Mostrava abrir os olhos para ver a diferença do ciclismo de cá para lá e para nos dar um bocadinho de perspectiva. Se eu quiser ser de facto um ciclista internacional, tenho que upar um bocadinho o meu jogo. Foi ideal e muita experiência que ganhei com a seleção e com o senhor José Epora, que deu-nos o melhor que podia e a experiência que tinha para nós fazermos o melhor que podíamos e foi essencial para mim perceber o que eu queria.

Estamos com João Almeida, campeão, recém segundo classificado na Volta à Espanha em bicicleta. Já voltamos à conversa para a segunda parte e perceber como é que foi aquele pódio improvisado numa garagem de hotel em que o pódio eram geleiras. Já vamos continuar a conversa com o João Almeida, para já João Miguel Santos, uma síntese de notícias.

É já daqui a instantes.

A saúde mental é uma prioridade. Por isso criámos no Observador, o Mental. Uma secção totalmente dedicada à saúde mental, com entrevistas, explicadores, testemunhos de médicos, psicólogos e doentes. Uma parceria do Observador com o Hospital da Luz e a Johnson & Johnson Innovative Medicine. O mercado imobiliário está em constante mudança. No podcast "O Mercado", conversamos com especialistas sobre as tendências, desafios e oportunidades do setor. Todas as quintas-feiras às 15h35 na Rádio Observador, também em todas as plataformas de podcast e em observador.pt. Uma parceria com a JLL.

Já vamos regressar à conversa com o ciclista João Almeida. Para já, atualizamos as notícias que estão a marcar esta quarta-feira. Boa tarde, João Gama.

Boa tarde, João. O governo quer criar uma urgência regional de obstetrícia da Península de Setúbal, mas ainda tem de ouvir os sindicatos e as ordens dos médicos e dos enfermeiros. A abertura destas novas urgências deve acontecer em breve. O anúncio que foi feito pela Ministra da Saúde, ouvida hoje na Assembleia da República, a solução encontrada pela tutela para tentar combater os problemas com as urgências na margem sul do Tejo. Além disso, o Executivo planeia lançar o concurso para a construção do Centro Materno Infantil de Setúbal em 2026. As obras podem demorar até três anos. Ao longo desta audição, Ana Paula Martins foi alvo de várias críticas, especialmente por parte de deputados do PS e defendeu-se a citar Mário Soares. São declarações para ouvir depois às 14h. O novo governador do Banco de Portugal promete total independência no desempenho do cargo. Álvaro Santos Pereira quer também que o governo mantenha uma disciplina fiscal para manter a redução da dívida pública, para fazer face a eventuais riscos ligados a guerras comerciais ou conflitos bélicos. E Bruno Lage foi despedido do comando técnico do Benfica. Resta saber quem segue. José Mourinho aceita assinar um contrato e apenas até o final da época, uma informação apurada pelo Observador. Apesar de não ser uma prática do internacional português, nos últimos clubes que treinou, o José Mourinho está disponível para assinar um contrato apenas até o final da temporada, com ou sem opção de renovar e pode baixar e muito o salário em comparação com o que recebia no Fenerbahçe.

João Gama e a síntese da 13h30. Vamos daqui a um minuto regressar à conversa com o ciclista João Almeida.

O ambiente acadêmico e a qualidade do ensino são fundamentais. É disso que vamos falar em Conquistar o Futuro, um podcast do Observador com a Universidade Lusíada. Não perca todas as quartas-feiras a partir das 15h30. Também disponível no site do Observador e nas plataformas de podcast.

Na Telpark voltámos a baixar os preços do multipass. Estaciona até 12 horas a partir de 0,99 €. Sim, ouviste bem, 0,99 €. E ainda tens um ano inteiro para o usar. Descarrega já a app Telpark, escolhe o teu parque e não percas esta promoção. Telpark, estacionar nunca foi tão fácil.

13h34 até ao final da hora, edição especial de "E o Campeão É". Hoje recebemos, tal como nos outros dias, mas hoje recebemos mesmo um verdadeiro campeão: João Almeida. João Almeida, o corredor português da Team Emirates, que regressou de Espanha com um segundo lugar na bagagem na Vuelta deste ano. Só ficou à frente Jonas Vingegaard, o dinamarquês. Há pouco falávamos, João Almeida, daquela cerimônia improvisada por causa dos protestos a que o Bruno Roseira há pouco fazia referência, os protestos pró-Palestina. Houve que improvisar aquela cerimônia final da Vuelta. Foi numa garagem, o pódio foi construído com recurso a geleiras. Como é que surgiu a ideia? Como é que tudo foi organizado?

Sim, foi um belo pódio humilde, num parque de estacionamento em que os lugares do pódio eram geleiras. Sim, aquelas geleiras gigantes que costumamos ter na parte de trás do carro. Foi organizado pelas equipas. Neste caso, as equipas também tinham uma presença no pódio, que foi a Visma e a Q36. Gostei, foi mais simples, com pessoas, mais limitado, mais exclusivo. Parece como uma coisa de amigos.

Havia muito boa disposição, não é? As fotografias que-

Sim, foi muito fixe, foi mais simples, mais humilde. Foi bastante fixe.

O Jonas Vingegaard diz que foi um dos melhores momentos da carreira. Também o marcou desta forma, João?

Sim, diria que sim. Concordo.

Muito bem. A edição deste ano da Vuelta ficou então marcada pelos protestos, isso era visível nas transmissões televisivas, contra a participação da equipe israelita Israel Premier Tech. Foi, de resto, a ameaça desses protestos que levou a organização a encurtar o contrarrelógio individual na 18ª etapa. Fez bem a organização, João?

Sim, em termos de segurança, acho que sim. Um percurso mais pequeno é mais fácil de controlar a segurança dos ciclistas. Portanto, acho que foi uma boa ideia.

Era um assunto falado entre vós no pelotão?

Sim, começou a ser falado no dia anterior, mas das organizações, não foi provavelmente dos atletas. E depois rapidamente se percebeu que ia ser encurtado.

Estava aqui agora a olhar para a nossa-

Vasta lista de perguntas

Estava a ver se-

Esse contrarrelógio tinha 27 km, não é? Foi encurtado para-

27 e passou para-

12,2. 12 km mais 200 m.

Gostava agora de perguntar quem é que rodeia um chefe de fila durante três semanas. E depois, ao mesmo tempo, juntar aqui uma coisa que é: alguma vez houve mesmo a coliderança ou era uma espécie de um bluff para as outras equipas? Porque a primeira vez que vocês sobem, neste caso em Andorra, a inclinação estava quatro e o Ayuso começou a andar para trás. Houve mesmo alguma vez alguma coliderança?

Sim, de início a ideia era mesmo essa, até ia ser bom taticamente, porque temos dois líderes e a Visma só tinha um, portanto, poderíamos gastar um bocadinho o Vingegaard assim. Mas sabíamos bem a realidade, que a preparação não tinha sido a melhor do lado do Ayuso. Então fomos realistas e também houve um bocadinho de, se calhar, um desconectar mental nessa etapa de Andorra e assim as coisas também ficaram um bocadinho mais Mais bem esclarecidas e objetivos mais concretos.

E como é que se vai gerindo todos os dias ao longo de três semanas? Eu pergunto isto porque fazia a confusão às vezes algumas pessoas, por exemplo, quando o Gaudu ficou com a camisola vermelha e todos diziam: "Não, isto é uma coisa boa para o Vingegaard, porque vai evitar uma série de protocolos, ainda para mais quando o Gaudu fica é quando tem que fazer a viagem de avião". Como é que é gerir depois da etapa, não só a recuperação, mas também a questão do protocolo, do tempo até chegar ao hotel, sempre numa ótica de tentar poupar o máximo de energias?

Sim, exato. A mentalidade é focar sempre na recuperação, descansar para o dia seguinte, porque depois há sempre o dia seguinte e o dia seguinte. Ter essa camisola vermelha implica ir à cerimônia protocolar do pódio, fazer entrevistas, conferência de imprensa, portanto, é uma hora a mais extra em que não estamos propriamente focados em recuperar, que se calhar falhamos o tempo da nossa refeição pós corrida, pós competição. E tudo conta, ao final de 21 dias, 21 etapas, uma hora de sono a cada dia são 21 horas. É muita hora de sono, por exemplo. Portanto, tudo conta e temos de priorizar o que é mais importante, que é a recuperação.

E o facto de, eu não sei se o João ia ter nessa perceção, no predictor do Eurosport, por exemplo, nunca vimos tantas vezes João Almeida, tantos comentadores a colocar João Almeida como favorito a ganhar a etapa, João Almeida como favorito à geral. Isso criou algum tipo de pressão ou o facto de estar a desafiar o Vingegaard, que é quase considerado um extraterrestre, era também por si só um estímulo?

Sim, pessoalmente é um bocadinho diferente. Eu nem sequer olho muito essas previsões. Eu foco-me sempre mais em mim próprio e sei o que tenho nas pernas e a abordagem à corrida é sempre independente desse tipo de coisas e mentalmente é uma coisa que nem sequer me passa pela cabeça.

Estamos a falar um bocadinho do presente e daquilo que aconteceu e uma das questões que também está aqui em cartaz é falarmos um bocadinho daquilo que possa ser objetivos de futuro. Hoje saiu inclusivamente o ranking da UCI. Já deves ter conhecimento, obviamente, estás no quinto lugar. E realmente eu acho que extraterrestre são todos, basta estares nos 10 primeiros, mas o Pogačar realmente com 11.285 pontos, o dobro do Vingegaard, realmente é uma coisa impressionante. Estás em quinto lugar e a questão aqui que se coloca é, com tudo aquilo que já conseguiste conquistar e ganhar, sobretudo em termos de futuro, daquilo que ainda tens anos pela frente. Nós pensamos sempre ou em Vuelta, ou em Tour, ou no Giro. São realmente as principais, mas sobretudo no Tour, que é se calhar aquilo que é o mais mítico. O que aconteceu este ano, aquela queda, aquela problemática. Futuro. Passa, obviamente, se calhar, pelo Tour e com que objetivo? Portanto, no fundo, o que é que tu tens como objetivos em termos de futuro, independentemente da equipa que estás e daquilo que é muitas vezes também coletivo e aquilo que a equipa também projeta para a equipa?

Sim, futuramente, o meu objetivo neste momento é ganhar uma grande volta, independentemente qual é que seja. Já consegui ganhar algumas de uma semana. Já estou meio que satisfeito com o meu palmarés de corridas de uma semana. E acho que uma grande volta é aquilo que me ambicionava mais e acho que esta volta deu-me mais confiança nisso ainda. Agora se é o Giro, Tour ou Vuelta, não sei. No próximo ano ainda não planeamos, obviamente, a próxima temporada. Talvez faça o Tour, talvez não. Também tenho que conciliar com o Tadej que obviamente vai ser sempre a prioridade e está tudo bem com isso. Mas eu gostava de voltar ao Giro, acho que já não faço há algum tempo. Tenho ali uma história especial com o Giro.

Que história é essa, já agora?

Sim, foi a minha primeira grande volta, 15 dias rosa, aquela camisola super bonita. E acho que gostava de voltar e tentar ganhar ou discutir a corrida.

Estás a falar de 2020, o quarto lugar.

Sim, e acho que gostava imenso de voltar ao Giro. Não sei se no próximo ano, se não, mas a Volta à França é número um e quando se está lá sente-se claramente que é número um.

Só para comentar aqui, desculpa, esta questão que é até porque o futuro mais imediato é esta questão de ir ao contra-relógio e a prova de fundo por Portugal. Portanto, fizeste uma opção de não ir ao Campeonato do Mundo. É opção tua?

É sim, exato. Também falei com o selecionador. A preparação para o mundial, para além de não ser boa, não ia chegar bem, cansado da Vuelta, também fiquei doente, portanto, não ia certamente lá conseguir fazer grande coisa e preferi dar a oportunidade a outro atleta para ter essa experiência e mostrar-se. Acho que para fazer número acho que não fazia sentido ir e focar-me no Europeu, que só tem uma semana de diferença, acho que é muito mais.

Ok.

Olha, já agora a propósito, tendo em conta todos os esportes, sentes algo especial em representar Portugal nesta modalidade, nas provas internacionais?

Sim, sem dúvida. Eu gosto muito de correr para a minha equipa, mas quando se tem a bandeira de Portugal ao peito, a sensação é outra e damos sempre. Não é algo extra, mas a sensação é diferente. É a representação da nossa seleção, é algo que só quem é representado percebe o sentimento especial que é. Estamos a representar um país, não há ali interesses de patrocínios, nem nada, estamos a representar o nosso país e queremos dar o nosso melhor e mostrar do que é que somos feitos.

E a próxima vez será já nos Europeus, não é? Quando é que têm lugar esses Europeus?

Dia um é o contra-relógio e dia cinco é a prova de fundo.

De outubro.

Sim, de outubro.

Alguma meta em particular para esses Europeus?

Dar o meu melhor. Estar na frente da corrida a discutir. Não tenho metas de resultados

Dar o meu melhor e acho que estar ali a lutar pela corrida, talvez das primeiras, seria um bom objetivo.

Estamos na reta final desta edição especial de "O Campeão É". Vamos passar muito rapidamente, do ciclismo para o futebol. O Pedro Henriques há pouco fazia alusão ao fato de teres sido praticante da modalidade. Foste jogador de futebol em A dos Francos, não tinhas muito jeito para a coisa.

Não era mau, mas também não era muito bom.

Não eras muito. Foi melhor ter ido para o ciclismo. Hoje chegaste aqui com um sorriso, portanto parto do pressuposto que não sejas adepto do Sport Lisboa e Benfica, caso contrário, não estarias tão bem disposto quanto estás. És adepto de algum clube?

Eu não sou muito adepto de futebol. Gosto muito de futebol, mas depois toda aquela parte de mídia e tudo, perde um bocado o interesse. Mas estou a par da situação do momento.

Surpreendido com aquela derrota ontem do Benfica no Estádio de Luz, em jogo da Liga dos Campeões?

Sim, um pouquinho, mas mais surpreendido com o anúncio de hoje.

A demissão, a saída de Bruno Lage e a contratação de José Mourinho.

Sim, exato. Essa contratação acho que seria muito boa, impressionante. Temos um dos melhores treinadores do mundo, já fez tanto lá fora, estar cá no Benfica acho que seria especial. Eu, como não vejo muito futebol, se calhar iria ver mais.

Vou pegar em tudo. Achas, João, Bruno Roseiro, José Mourinho é uma boa opção?

Queres começar já por aqui?

Vamos já por aqui.

Tenho dúvidas. Mas várias coisas que nós estamos falando aqui e em poucas horas confirmou-se tudo. Coisa um: não sei se recordas há duas semanas, não sei se foi contigo ou com o Miguel, falamos aqui sobre a tensão que José Mourinho saiu do Fenerbahçe, mas não tarda nada vai ser falado nas eleições do Benfica. Foi um bocadinho mais cedo, foi antes das eleições do Benfica. Depois ontem estávamos aqui a falar sobre a conferência de Bruno Lage, sobre a questão do Benfica ser uma das melhores equipes a pressionar logo na saída, em construção a partir do guarda-redes. E estamos aqui a falar, atenção, pressão, saída, Bruno Lage, tudo na mesma frase. Pode ser que tenha outro sentido, já ganhou ontem um outro sentido. Em relação ao Mourinho, diria que é a opção possível de Rui Costa nesta altura, até porque houve uma abertura de José Mourinho a esta possibilidade que não vem de agora. Percebe-se pela forma como Bruno Lage hoje fala quando chega ao Seixal, que ele sabia que José Mourinho sempre esteve em carteira. E basta perceber, às vezes nas entrelinhas e a maneira como ele disse: "O mister Mourinho, quando jogou contra nós, disse que eu devia ser um homem feliz pelas opções que tinha". Ele garantidamente vai ser um homem muito mais feliz, porque além dessas opções estão a entrar o Sudakov e o Dodi. Portanto, temos essa questão. Agora, parece-me sobretudo importante acontecer uma coisa que eu tenho dúvidas que esteja a acontecer, que é haver uma conversa aberta entre todos os candidatos ou os seus representantes em relação a qual é a melhor maneira de gerir isto até 25 de outubro. E por quê? Rui Costa tem completa legitimidade em decidir qualquer que seja o plano do Benfica para o futebol. Agora, é bom não fazer contratos a médio e longo prazo.

Que condiciona.

Exato, porque uma coisa é, por exemplo, aquilo que Fernando Gomes fez antes de sair da federação. Todos os contratos ficaram renovados, inclusivamente, por exemplo, o contrato da Nike acabou e fez um com a Puma que rendia muito mais até à federação. Portanto, isso é uma outra coisa, que é deixar a casa arrumada. Outra coisa é opções estratégicas e desportivas condicionar um possível presidente que não seja o próprio Rui Costa. Pronto, depois em relação ao jogo, podemos abordar de uma forma mais detalhada.

Vamos lá. Se calhar, pegava nessa ideia. Pedro Henriques, ontem fazíamos aqui o prognóstico deste encontro e todos apontavam para uma vitória com maior ou menor dificuldade para o Benfica. O que se passou?

Passou-se que, se calhar, como alguém dizia, um a zero nunca vem só e tornou-se um problema do Qarabag. Portanto, brincando aqui um bocadinho com as palavras. Eu acho que, se calhar, para o Benfica, a melhor coisa que podia ter acontecido foi mesmo o Benfica ter perdido. Porque, se calhar, esta situação de uma equipe, digam-me lá um jogador que o Benfica tenha contratado esta época que não seja um jogador craque e de qualidade. O ano passado nós tínhamos vários a apontar, aqueles que vinham lá todos lesionados. Este ano não temos. Portanto, o Benfica tem qualidade, alguma coisa está a acontecer para que isso não se traduza em termos de jogo jogado. E este empate e esta derrota, praticamente num espaço muito curto, revelam que ou a mensagem não passa, ou a relação não é boa, ou o que quer que seja, alguma coisa não está a acontecer. E sempre que o Benfica, mesmo jogando menos bem, estava a conseguir manter estes status, o que ia acontecer é estar a adiar o problema, digamos, a empurrar com a barriga para frente um problema que claramente iria acabar mais tarde ou mais cedo com isto, que concordemos ou não concordemos, que eu não sou nada a favor de despedimento de treinadores, mas com a questão do despedimento do treinador. A questão aqui tem a ver com o timing, tem a ver com as eleições, exatamente como já foi aqui abordado, que é esta questão muito deprimente, que é agora, se vai se fazer uma contratação, corre-se o risco de alguém que ganhe as eleições, que não seja o Rui Costa, ter uma ideia diferente e ter aqui uma problemática. E aqui vem a outra questão. O ideal é o Benfica vender já um jogador, pôr o dinheiro a render no banco, porque aqui o que nós temos é só falta definir o valor da indenização. E pronto, que é para poder pagar a indenização ao Mourinho, porque é isto que corre hoje, porque as pessoas ficam com a ideia que isto é algo que vai acontecer para curto prazo Agora há uma questão que eu também acho, e isto agora olhando como observador de parte de fora. Se Rui Costa despede Bruno Lage e se finalmente se concretizar a questão do José Mourinho, se calhar o Rui Costa deu um passo em frente para ganhar as eleições, ao contrário do que outras pessoas pensam. Falei aqui com o Gabriel Alves e há ideias completamente diferentes. Eu não sei se assim será, porque o José Mourinho está num patamar de aceitação em relação a muita gente que está noutro nível. Portanto, é ver o que vai acontecer, mas se calhar o Benfica resolveu mais cedo um problema que iria ter mais tarde ou mais cedo. E com o Porto muito forte e com o Sporting a manter-se constante, eu acho que esta solução do despedimento, neste momento, para mim, é o que faz mais sentido. Agora a questão do contexto e como é que vai resolver, isso é que pode ser uma problemática a um mês das eleições.

Gabriel Alves, Bruno Lage é o grande responsável por este momento menos bom da equipa de futebol do Benfica?

É ele e toda uma estrutura que o envolve, não só ele. Não vamos agora também pessoalizar no campo, no treino técnico. Obviamente, olhando os jogos, alguma coisa não está bem. Não está, e não está mesmo. Quanto à questão Bruno Lage, José Mourinho, como pegava ali, e bem, o Bruno, dizendo que o Bruno Lage sabia do José Mourinho. Não se esqueçam. Bruno Lage é agenciado por Jorge Mendes. José Mourinho é agenciado por Jorge Mendes. Jorge Mendes não está fora disso, está calado, está a tratar dos assuntos, e bem, da sua empresa. A sua empresa tem que ser uma empresa rentável. Agora pergunto eu assim: qual é o papel da empresa Benfica liderada por um presidente, na circunstância Rui Costa, face a tudo isto? Esta é a questão que os benfiquistas têm que pôr, porque o futebol é de facto aquilo que é o rendimento desportivo, o rendimento empresarial do Sport Lisboa e Benfica e do Sporting Clube Portugal e do Futebol Clube do Porto e do Real Madrid, do Chelsea, do Manchester City. Mas é preciso é saber gerir essas empresas. E é preciso saber, havendo eleições, porque o clube não é de ninguém, o clube hoje em dia é dos sócios. Cotado em bolsa, tendo o Sport Lisboa e Benfica clube a maioria das ações, os adeptos são acionistas, são os principais acionistas. É preciso ver como é que se gere tudo isto. Portanto, três semanas, um mês, digamos assim, ir buscar um novo treinador para o Benfica, como ato eleitoral, como anticápa eleitoral, acho muito mal. E eu acho, na minha perspectiva como analista, pondo isto a outros níveis, até a nível empresarial, provavelmente Rui Costa poderia, e ouvindo e lendo aquilo que estou a ler nas redes sociais, ter ficado com um funcionário do clube, um treinador que está lá, uma conversa forte com os jogadores, tem que dar tudo. São contratados, são futebolistas, são profissionais, e aguardar o próximo presidente, porque estamos aqui em risco. Dizia aqui o Pedro que é preciso pôr o dinheiro no banco. Dá pouco, dá pouco, mas o dinheiro aparece. Que o Noronha Lopes ganhe as eleições no dia 25 e no dia 26 diga ao Mourinho: "Olha, está aqui o cheque, vá-se embora".

A ver, vamos. Para já, se José Mourinho vai de facto ser ou não o novo técnico do Benfica, é nesse sentido.

Há confio.

Há confiança. Então pronto, é o editor de desporto que afirma que José Mourinho vai ser técnico do Benfica. Estamos quase no final. Ainda temos aqui mais duas perguntas para o João Almeida. Vamos então às vossas notas de campeões. Bruno, as tuas notas e para quem?

Vou dar aqui uma nota 20 ao João.

Ai, pedi que não fizesses.

Aliás, foste alvo de várias notas durante a Volta e durante o Tour também, até à queda. Mas além disso, queria dar aqui uma nota 15 à seleção de voleibol. Quando nós olhávamos para esta primeira fase de grupos e quando nós olhámos Estados Unidos e Cuba, que são seleções que são batidas, que estão habituadas até a ter experiências olímpicas, e o torneio olímpico de vôlei é muito curto, poderíamos pensar que Portugal estava obrigatoriamente talhado a ser eliminado na primeira fase. Portugal consegue ganhar a Cuba, perdeu com os Estados Unidos, é natural. Ganhou à Colômbia, aproveitou a derrota de Cuba com os Estados Unidos, está apurado para os oitavos de final. Muito provavelmente é complicado prolongar esta participação, porque a Bulgária está fortíssima, mostrou isso com a Alemanha e com a Eslovénia, mas ainda assim é uma nota muito meritória, porque é a terceira participação e a segunda vez que conseguimos chegar aos oitavos do Campeonato do Mundo.

Nota 15 para o voleibol. Vindo para o ciclismo, Pedro, as tuas notas.

A minha nota é muito simples, é para o João Almeida. Nota 20. A tua avó Luísa Gonçalves dizia: "O meu Joãozinho é um orgulho muito grande para nós". Eu não vou dizer que és o nosso Joãozinho, mas vamos dizer, para nós, Rádio Observador, para nós portugueses, é um grande orgulho estar aqui contigo, conhecer-te pessoalmente e ver-te pedalar e oxalá que consigamos continuar a ver-te por esse asfalto fora. És mesmo um grande orgulho. Obrigado por teres estado aqui. É um prazer, uma honra. Obrigado pela Rádio Observador e por Portugal.

Gabriel Alves.

Olha, também 20 aqui para o João e muito obrigado. Olha, foi um prazer conhecer-te e lembrar outros grandes ciclistas que foram antes de ti, com quem eu trabalhei, o Joaquim Agostinho, o Joaquim Gomes, o Firmino Bernardino, o Marcos Chagas, também o conheci jovem, ainda muito jovem como tu, e que também cresceu. Portanto, 20 para ti, por aquilo que tu és, por aquilo que tens desempenhado. E quero te deixar uma última pergunta. Podes responder rápido, certamente. O que pensas da evolução do ciclismo de estrada em Portugal? Tu, que és um homem da estrada.

Em decadência. Esperemos que melhore e que evolua na direção certa, que temos potencial para fazer bem melhor.

Ajudaria se os três grandes tivessem ciclismo?

Se?

Se os três grandes clubes tivessem ciclismo.

Sim, sem dúvida. Trazia mais atenção. Fazia com que iam investir mais no ciclismo e mais monetização, mais corridas e é bola de neve.

João Miguel Santos, és, não diria um amante, sob pena de criar problemas lá em casa, mas um entusiasta do ciclismo.

E um oportunista.

E um oportunista. Eu trouxe esta tua bicicleta hoje.

Um oportunista, porque eu trouxe a minha bicicleta e trouxe um marcador e vou pedir ao João Almeida que assine o meu velho chassi.

Muito bem.

E que ganhe a camisola amarela para esse velho chassi que aí se encontra no canto do estúdio, consiga valer pelo menos 100 vezes mais do que aquilo que ele vale.

Amarela, rosa ou vermelha.

Não interessa.

Fiquei com a ideia que o que está no horizonte do João Almeida é mesmo a camisola rosa do Giro d'Italia.

Fica apaixonado.

Fiquei com essa ideia.

Enquanto ele dá este autógrafo, vou te dizer que foi o Giro de 2020 que nos permitiu, a nós Observador, perceber o quanto as pessoas gostavam de ciclismo.

Tivemos aqui aquelas emissões especiais, acompanhámos as etapas.

E até mesmo no jornal, aquilo que nós fomos vendo em termos de parâmetros, sobretudo depois do primeiro contrarrelógio, que é quando ficas segundo. Depois na terceira etapa ganha a camisola rosa e a partir daí disparou por completo o número de pessoas que viram esse artigo.

É um boss muito especial e o João sente isso quando está na estrada, entre o povo e a modalidade.

Um orgulho do país, um orgulho de Ádos Francos. João Almeida, muito obrigado pela sua disponibilidade e obrigado também ao João Lourenço, que fez o contacto e que permitiu que o João Almeida hoje aqui estivesse conosco e possibilitou esta emissão especial de "E o Campeão É".