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Futebol Clube do Porto e Sporting entram hoje em campo, um joga na Madeira, outro em casa, em Alvalade. E será que as contas do campeonato se vão alterar nesta jornada? Pergunta que vamos tentar ter a resposta ao longo deste dia. Destaque ainda para o novo morador do quarto lugar do campeonato, o Gil Vicente, que derrotou o Braga em Barcelos e respira agora ainda melhor na classificação. São estes os grandes destaques desta edição de "O Campeão É". Edição de domingo, com a análise do João Castro, do Pedro Henriques e também do Luís Pinto Coelho. Eu sou o João Costa e Silva e vamos começar pelo jogo na Choupana, Nacional Futebol Clube do Porto, com o apito inicial marcado para às 15h30. Luís, vou começar por ti. Muito bom dia. William Gomes regressa às opções numa altura em que o Futebol Clube do Porto está um pouco limitado e com um número considerável de jogadores lesionados, ainda que abra também a porta e espaço para miúdos que possam ganhar alguns minutos na equipa principal. É também o primeiro jogo do Futebol Clube do Porto sem Samu, depois de se ter lesionado. Que Futebol Clube do Porto vamos ter na Choupana, um terreno que nem sempre é fácil e de boa memória para os Dragões?

Olá, bom dia. Será, teoricamente, um jogo difícil, até pelas baixas que o Porto tem. Os jogadores como o Kviana e como o Samu, são jogadores importantes. O Martim também não vai a jogo, porque há diversas baixas. Depois o estádio é sempre difícil, o Nacional tem um bom treinador, uma boa equipa, mas muitas vezes o que teoricamente parece um jogo difícil, às vezes torna-se fácil e o Porto perdeu, se calhar, onde não se estava à espera, que era no Casa Pia, que teoricamente seria um jogo até mais acessível. As incidências dos jogos muitas vezes são um bocadinho diferentes do que estamos à espera. Agora, será um jogo que o Porto tem que dar uma resposta positiva. E se o Porto quer continuar com uma almofada pontual de vantagem, tem que ganhar o jogo e até para pressionar depois o Sporting que joga a seguir. Estou à espera de um jogo difícil, mas com uma atitude e uma entrada forte do Porto.

Não temos, por isso, uma maior, não digo instabilidade, mas se calhar maior ansiedade, tendo em conta que o Futebol Clube do Porto deslizou nos últimos dois encontros.

Isso não me parece. Eu acho que o jogo contra o Sporting é um resultado minimamente normal entre grandes e tem acontecido até muito esta época, por isso não é por aí. É certo que vem do outro resultado anterior de uma derrota, mas acho que o árbitro apitando isso já nem passa pela cabeça dos jogadores e estão é focados nos 90 minutos e tentar ganhar o jogo.

João Castro, espectador atento deste encontro, até porque o teu Sporting só joga mais logo, a partir das 20h30. O Futebol Clube do Porto perdeu no ano passado, neste terreno do Nacional. A época também foi bem diferente. Não podemos fazer aqui uma comparação tão óbvia, mas há sempre muitas dificuldades para qualquer grande a jogar neste estádio, na Choupana, na Madeira. Antecipas um jogo de alto risco para os Dragões mais logo?

Sim, bom dia. É um jogo de alto risco, claramente, não só pela incidência histórica, que tem pouca interferência, obviamente, no jogo de hoje. O Porto vem de dois resultados menos positivos. A semana trabalha um bocadinho diferente, vem com esse handicap também das lesões de jogadores fundamentais e portanto eu acho que é sempre um jogo difícil, que é pela altura que o jogo é efetuado, pelas condições também. Vamos ver se há jogo, por causa do nevoeiro, mas esperemos que sim. Mas acima de tudo, é difícil porque o Nacional tem um bom treinador. O Tiago Margarido foi o primeiro treinador a anular o Porto, a forma do Porto jogar no Dragão. Eu lembro-me desse jogo e o Porto teve muitas dificuldades, acho que ganhou 1 x 0. E foi o primeiro, não conseguindo causar muito perigo em termos ofensivos, porque não tinha material para isso. Mas é verdade, a anular os pontos e as dinâmicas do Porto, foi o primeiro. Portanto, eu acho que será difícil para o Porto. Obviamente que vai tentar dar uma resposta e tem que dar uma resposta. O ano passado, se tivesse vencido no Nacional, passava para a frente do campeonato.

É verdade.

E com essa pressão não conseguiu vencer. Pelo contrário. Mas neste jogo, obviamente que o Porto sabe da importância e a estrutura do Porto sabe da importância deste jogo, porque depois tem dois jogos em casa, teoricamente, que será mais fácil vencer. Embora hoje em dia é o que é. Os pontos são sempre caros nesta fase do campeonato, mas tem o Nacional que também precisa, obviamente, de pontos, porque está ali muito próximo dos últimos lugares e, portanto, tem que realmente sacar pontos em todos os jogos e nesse caso, no jogo de hoje. E eu acho que vai ser um embate muito complicado para o Porto. Claro que as incidências podem ser favoráveis ao Porto, se marcar um gol cedo, se houver uma expulsão, etc. Mas caso contrário, eu acho que vai ser um jogo onde o Porto vai ter que vestir o fato de macaco se quiser trazer a vitória da Choupana.

Sim, e o Nacional, que está aqui, como dizias, no 14º lugar, tem três pontos. Quatro, aliás, acima do lugar de playoff onde está neste momento o Santa Clara. Pedro Henriques, talvez seja mais fácil hoje escolher o 11 do Futebol Clube do Porto com tantos lesionados, já aí vamos, mas também quero a tua perspectiva sobre este jogo e para o estado do tempo, porque sei que por vezes também recorres a essa tecnologia e és uma pessoa muito hábil para prever se há nevoeiro ou não na Choupana. Lembro-me de uma vez que tu fizeste essa previsão.

Vamos lá. 16 graus, 0% de precipitação, umidade a 69%, são boas notícias, e um vento fraquinho de 19 km/h. O estádio está a 632 metros de altitude. Sabemos que há alguma imprevisão, mas o IPMA teve o cuidado de dizer relativamente a este jogo o seguinte: tendo em conta as previsões a dois dias de distância, isto há 48 horas, foi a última previsão, não parece que haja grande probabilidade do jogo ser adiado, significa que não está previsto, até por causa da hora. E não é por acaso.

Pois a hora aqui influencia.

Exatamente. Não é a partir das 17h ou das 18h, como muitas vezes acontece, onde muitas vezes o tal nevoeiro baixa, depois conforme o vento muitas vezes fica. Neste caso concreto, está descartada a possibilidade de interrupção, sobretudo ali a questão do nevoeiro. Pois sabemos que não obstante ser uma altitude que não é muito elevada, 632 metros, há sempre aquela sensação por todos, eu também já arbitrei lá alguns jogos, que as condições normalmente da umidade, o fato de terem alguma altitude, o chamado ar rarefeito, que não chega a acontecer aqui, isso normalmente é só para 2000 metros para cima, mas que muitas vezes cria aquela sensação de dificuldade de respiração. Às vezes isso cria uma certa dificuldade, até mais mental do que fisiológica, daí toda a gente se queixar um bocadinho de que parece que é mais difícil de jogar neste tipo de estádio, porque sabemos que a altitude, esse sim, às vezes temos jogos lá para a América Latina, em que realmente isso influencia e de que maneira. Nesse caso concreto, não parece que vá ser esse o fator. Agora, tudo aquilo que tanto o Luís como o João disseram, aqui sim, porque o Nacional, uma equipa bem organizada, conseguiu pela primeira vez, se é que se pode dizer assim, desmontar um bocadinho aquilo que era o Futebol Clube do Porto na primeira volta, o próprio treinador do Futebol Clube do Porto referenciou um bocadinho esse bom jogo que o Nacional fez. Agora são jogos com condições diferentes. Aqui a dúvida é muito entre as dificuldades que o Porto tem, não é de fazer um 11, porque tem muitos jogadores e de qualidade, mas é não ter todos os jogadores disponíveis ao mesmo tempo com esta questão de que, quer queiramos quer não, emocionalmente conta sempre, do Futebol Clube do Porto em duas jornadas seguidas ter perdido cinco pontos quando a primeira jornada tinha só perdido dois, ter sofrido mais gols que tinha sofrido na primeira volta e há aqui um bocadinho o aspecto emocional que pode eventualmente vir ao de cima, mas é para isso que estão lá os treinadores. E outra questão que eu queria referenciar, antes de passar já ao 11 rapidamente, é a questão de que o Denis Gul tem entrado e muito bem quando vem do banco para o jogo. Vamos lá ver, é porque há jogadores que muitas vezes essas características, são jogadores que acrescentam sempre e às vezes quando lhes é dada a titularidade, não conseguem corresponder, porque também não é fácil ir substituir um jogador de altíssima rotação como é o caso do Samu. Porto, Diogo Costa, Bendara, Tiago Silva, Alberto Costa e Zaidu, Alan Varela, Fraol, Fofana e depois o Sanz, o Gul e o PP.

As escolhas do Pedro Henriques, aqui também com o plus da previsão meteorológica ou não de nevoeiro para a Choupana. Jogo que começa às 15h30, a emissão especial aqui na Rádio Observador a partir das 13h15, com relato em direto do Manuel Conceição Carvalho e o Pedro Henriques que vai estar a analisar todos os lances da arbitragem. O Luís Pinto Coelho está enquanto comentador, assim como o Augusto Inácio, para analisar tudo aquilo que vai acontecer. Logo depois, a partir das 20h30, teste também difícil para o Sporting, que recebe em Alvalade o Famalicão. Uma equipa que já conhece o resultado dos seus adversários mais diretos, vamos dizer assim. O Vitória que venceu ontem, o Gil Vicente que derrotou o Braga, também já vamos falar sobre isso. Mas João Castro, Luiz Soares, o melhor marcador do Sporting, com 18 gols atualmente está suspenso, não vai a jogo. Temos hoje aqui um teste também para perceber se o Sporting está assim tão dependente do seu maior goleador. O que é que antecipas para mais logo?

Olha, para já é um jogo difícil, obviamente, perante o Famalicão, que a nível de qualidade individual tem muita. Às vezes coletivamente não consegue expor essa qualidade em alguns jogos, noutros sim, aparece. E portanto, é sempre um jogo difícil contra o Famalicão. Em relação à tua questão diretamente do Soares, se o Sporting interessa o Yoni 100%, eu acho que isso nem é a questão. Não tendo, obviamente, o Rui Borges vai ter que arranjar uma solução alternativa, quer passe por jogar com um avançado móvel, quer passe de pôr lá o Faé, que também já passou por essa posição, ou mesmo o Nél, o miúdo.

Qual é que achas que é a opção mais forte neste momento?

Eu acho que se calhar ele vai pôr o Faé. Mas vamos ver. Não sei como é que o Nél tem treinado, está a jogar a equipe B e o Nél foi convocado para a equipe A, portanto não está a jogar, está a jogar o Gabriel Silva na equipe B. Mas eu acho que se calhar ele vai optar pelo Faé, até para ter ali alguma mobilidade. Depois se for necessário, se calhar o Nél vai ter que ir a jogo. Mas acho que vai ser muito por aí. Num Sporting, obviamente, que tem que ganhar e tem que ganhar os jogos todos até o final. Já se sabe disso. Obviamente que empatar no Dragão nas condições que foi no último minuto, dá um certo ânimo, porque o contrário é pior.

Tem sido algo recorrente, não é, nesses últimos minutos?

Sim, exatamente. Tem sido. O ano passado, por acaso, foi ao contrário. O Sporting sofreu mesmo no último minuto o gol da equipa do Anselmi, senão tinha vencido no Dragão. Mas a verdade é que é um jogo difícil, obviamente, e que o Sporting vai ter que jogar mais do que jogou no Dragão. É verdade, é o Sporting que tem que controlar o jogo, é o Sporting que tem que marcar o ritmo do jogo e, sobretudo, é o Sporting que tem que ser eficaz e tentar não dar hipótese ao Famalicão de entrar muito no jogo ou de discutir o resultado. Espero que o Sporting perceba que está numa fase onde realmente só interessa a vitória e nada mais que a vitória. Espero que o Sporting entre muito afirmativo na partida e, sobretudo, que tenha muita atenção à qualidade do Famalicão para que não seja surpreendido.

Luís, depois do jogo do teu Futebol Clube do Porto, resta saber se vais estar contente ou não no sofá a ver este Sporting-Famalicão. O treinador do Famalicão, Hugo Oliveira, disse que a equipa vai jogar olhos nos olhos frente ao campeão nacional. É a abordagem certa para este encontro, tendo em conta também a posição em que está o Famalicão? Ainda que há alguma distância de Braga e Gil Vicente, que estão mais disparados na frente, mas é a abordagem certa, na tua opinião?

Sim, é a matriz do Famalicão, por isso acho que não vai abdicar dessa matriz. Está tranquilo na tabela, pode jogar sem pressão. Não é um jogo do campeonato do Famalicão, teoricamente, por isso vai jogar com a sua matriz habitual. Tem qualidade coletiva individual para causar problemas em qualquer estádio. Se as coisas começarem a correr bem, é uma equipa que tem ganhado confiança, circula muito bem a bola e pode causar esses problemas ao Sporting, que não terá Luís Soares e isso poderá ser fundamental, porque tem sido o jogador que tem desbloqueado muitos jogos. Vamos ver, mas acho que pode ser um jogo muito interessante. O Famalicão normalmente proporciona bons espetáculos, o Sporting também vai fazer tudo para ganhar o jogo, por isso acredito que seja um jogo aberto.

Pedro Henriques, perguntar-te se achas que vai ser um jogo tão difícil para o Sporting, tendo em conta que joga em casa. Olhando aqui para o Famalicão, veio de uma vitória frente ao AVS por 3 x 1.

Vem de três vitórias nos últimos cinco jogos.

Sim, mas tem uma derrota também por 5 x 0 frente ao Gil Vicente. E daí também ser uma equipa muito imprevisível, não é, nesse sentido?

Sim, mas o Gil Vicente já é de outro patamar, os homens estão imparáveis. Eu acho que este sexto lugar, os 32 pontos e o fato de em cinco jogos últimos da liga ter três vitórias, revela que é um Famalicão que vai respirando com saúde, porque está no sexto lugar na liga portuguesa, porque sabemos que tirando os três, quatro principais que vão normalmente na frente, e agora já que o Gil Vicente a interromper, digamos que aquelas equipas que aparecem logo a seguir, o quinto, sexto lugar, é porque estão sempre a fazer boas épocas. E este é o caso do Famalicão, que está com uma equipa segura. A única coisa que eu destaco e eu compreendo os discursos dos treinadores, sempre, jogando em casa ou jogando fora, é: faz-me alguma espécie. Honestamente, percebo o discurso, mas faz alguma espécie. Nem acredito nisso quando dizem: "Vamos manter a mesma matriz, vamos ser fiéis aos nossos princípios". Isso é a mesma coisa que nós irmos pra guerra e não olharmos pro inimigo, só olharmos para nós. É o maior erro. Lê o Sun Tzu, o homem que já escreveu um livro há não sei quantos mil anos, que hoje serve de bíblia para tudo, para as empresas, para todo lugar. Portanto, o primeiro princípio é: quando vais estar em competição e tens um adversário direto, é perceber quem é o teu adversário. E na guerra chamamos inimigo, aqui é só adversários, felizmente. E olhar pro adversário é fundamental, porque depois: "Agora vamos ser fiéis aos nossos princípios". Se formos melhores do que eles, normalmente, tudo bem, mas não é o caso. E, portanto, esta coisa de a gente sair a jogar, sempre dizer: "Vamos jogar". E depois levam com a pressão alta e sofrem gols por causa disso. Eu percebo o discurso, mas na prática e na realidade, isso não funciona. E sobretudo quando vais fora, quando vais jogar em casa de alguém que é maior, entre aspas, sob o ponto de vista desportivo, obviamente, e que ainda por cima joga em casa. Portanto, acho que estes discursos são muito redondos, são muito bonitos. Se levarem isso à letra, a probabilidade de serem goleados é sempre grande. De qualquer maneira, acho que vai ser um jogo difícil também pro Sporting. Depois há esta questão de por que queremos que não os jogadores estando isolados em relação aos adversários, porque pensam neles, estou falando agora do Sporting, o fato é que de certeza que eles vão saber qual foi o resultado do Futebol Clube do Porto hoje. Ganhar é diferente se empatarem ou perderem. E isto em relação ao Futebol Clube do Porto, que é quem vai à frente e, portanto, isso entra sempre em jogo. Mas o Sporting, lá está, tem sempre, entre aspas, a obrigação de ganhar, porque se em casa não ganharem estes jogos, aquilo que para o Benfica e o Sporting neste momento, enquanto o Porto ainda tem uma margenzinha, o Benfica e o Sporting não têm margem, é ganhar ou ganhar. E, portanto, nesse aspecto, o Sporting tem, entre aspas, a obrigação de conseguir os três pontos. Agora, há aqui baixas. Não sei se é o ataque móvel, acho que é mesmo o Faé a jogar lá à frente. Vai ser com Rui Silva, Gonçalo Inácio e O'Mann. Acho que o Maxi vai jogar à esquerda, o Fransérgio na direita e depois a dupla, se para mim é Mori e Human, e depois Pedro Gonçalves, Trincão, Luís Guilherme e Faé na frente. Vamos ver se é isso ou não.

Mais logo vamos confirmar tudo isso. Emissão especial de desporto com Sporting-Famalicão. Relato em direto do Diogo Varela aqui na Rádio Observador. Juntam-se nos comentários o João Castro, a Edite Fernandes e também o Pedro Henriques para analisar todos os casos de arbitragem. Ontem tivemos mais jogos na Primeira Liga. Casa Pia 3, Arouca 2, Vitória Sport Clube de Guimarães 2, Estrela da Amadora 1 e aquele que se calhar pra muitos foi o jogo grande ou o jogo cabeça de cartaz desta jornada, Gil Vicente 2, Braga 1. Ricardo Horta até marcou primeiro. Ontem, penso que foi o Pedro Henriques que falava dos gols de Ricardo Horta ao serviço do Braga. O Gil Vicente deu a volta com os gols de Gustavo Varela e Santi García, que foi um dos destaques na exibição do Gil Vicente. Gil Vicente que ultrapassa o Braga, está no quarto lugar do campeonato. Luís, pra quem é que vai o mérito desta prestação do Gil no campeonato?

Eu acho que vai pra toda a estrutura. Logo à cabeça, o seu diretor desportivo, o Flávio, que fez um belo trabalho no mercado. Agora fez novamente em janeiro pra completar as saídas de dois jogadores preponderantes.

Todos antecipávamos, se calhar, uma quebra de rendimento do Gil Vicente, tendo em conta as saídas, não é?

Sim, e movimentou-se bem no mercado. Depois, obviamente, o César Peixoto, porque eu acho que subiu o nível. Acho que o César Peixoto amadureceu, está muito mais treinador hoje em dia e até espero que ele fique mais um ano no Gil Vicente. Acho que era bom até pra carreira dele e possivelmente até jogar competições europeias. É sempre algo que acrescenta depois também na sua experiência. E depois os próprios adeptos também, que tem estado muito com a equipa e até fora. Tem ido muita gente de Barcelos acompanhar o Gil. Acho que é toda a gente a ajudar o crescimento do Gil Vicente.

Pedro Henriques, o Gil Vicente vai ter folgo para segurar este quarto lugar? Pergunto isto porque as duas próximas jornadas são, se calhar, mais difíceis. Vai até à Amoreira defrontar o Estoril, que também está a fazer uma boa campanha, e depois recebe o Benfica

Por isso nós temos dito ontem, e se me permites vou já dar a minha nota de campeão, se não te importas.

Vai, sim.

O Gil Vicente é uma das duas notas, se calhar faz sentido falar do Gil e dar a nota de campeão e arrumo já este processo aqui. Ontem falou-se aqui exatamente nisso, no campeão, porque é a questão de que era importante para o Gil até conquistar estes três pontos, que não seriam fáceis nunca, como se viu, porque depois o que vem a seguir também não é fácil. E portanto, dar-lhe-ia aqui uma almofada de conforto se alguma coisa não correr bem agora nestes dois jogos que se seguem. Mas isto também, pelo contrário, vai-lhes dar uma grande moral para os dois jogos que seguem, que são de grau de dificuldade elevado, mas que obviamente o Gil Vicente agora estará mais moralizado, porque é nas vitórias que a gente moraliza, cura as lesões e não há cansaço quando se ganha e há explicações fisiológicas para o processo. Eu vou dar duas notas de campeão e uma delas é claramente ao Gil Vicente, nota 18, por tudo aquilo que nós temos vindo aqui a analisar, e agora o próprio Luís acabou de referir, porque realmente é uma equipa que se calhar o mérito, e eu concordo com o Luís quando diz que o mérito é para toda a estrutura. São os jogadores, obviamente, que são eles que executam o plano, é para o César Peixoto, é para o Flávio, na responsabilidade que tem como responsável também desportivo, e para toda a estrutura que vem do presidente lá abaixo. É um estádio que é bonito, é um estádio que é adaptado à realidade do futebol português em termos de dimensão, de estrutura. Faz todo o sentido quando nós vemos equipas como o Santa Clara com um relvado péssimo e quando vemos equipas como o Casa Pia que temam ou não nunca mais regressar a casa porque as obras não se efetuam. Nós olhamos aqui para o Gil Vicente e percebemos, sem estar por dentro de todos os assuntos, que realmente parece que isto está a funcionar. E portanto, nota 18 para o Gil Vicente. E a outra nota de campeão que eu tenho, e uma medalha de ouro tem que ser nota 20, embora não diga diretamente respeito a nós, portugueses, mas também temos uma relação muito forte com o Brasil e também vivemos, eu pelo menos vivo com emoção, fora muitas vezes do futebol, os outros desportos e os atletas que conseguem conquistas e o Brasil consegue nos Jogos Olímpicos de Inverno, e se pensarmos em inverno, nunca pensamos em Brasil, consegue nos Jogos Olímpicos de Inverno, o jovem Lucas Pinheiro, 25 anos, uma medalha de ouro. É a primeira vez que consegue uma medalha olímpica e logo uma medalha de ouro no slalom gigante. E sobretudo para percebermos, é só ver nas redes sociais como o Brasil parou, os brasileiros que estão cá em Portugal, os brasileiros que estão no Brasil, como o Brasil parou para celebrar e choraram emocionalmente. Tudo o que aconteceu. E termino com isto. Vejam, se tiverem a oportunidade, não é a descida do slalom, também é giro de ver, obviamente, mas é sobretudo verem como é que ele, ao ouvir o hino do Brasil, se há uma pessoa que estava feliz, parece aquelas crianças felizes, e uma criança no bom sentido da palavra, estava mesmo feliz, estava mesmo orgulhoso, estava mesmo bem-disposto. É extraordinário. Acho que nós todos nos emocionamos quando vemos alguém a sentir o hino e com aquela alegria, com aquele prazer, quase que estava a dançar o próprio hino, quando muitas vezes olhamos para o hino, uma coisa muito plena. Parabéns ao Brasil, parabéns ao Lucas Pinheiro por esta medalha dos Jogos Olímpicos de Inverno. Nota também 20, obviamente.

Imagens de facto emocionantes. O Pedro Henriques já despachou tudo, mas eu ainda quero ouvir o João Castro sobre a mais recente boa forma do Gil Vicente. Em 30 segundos, João, antes de avançarmos para as notas.

Olha, é, o Gil Vicente é uma das minhas notas.

Então pronto, antecipa-te já também.

Exatamente. Nota 18 para o Gil Vicente, para toda a gente que está lá, desde o scouting, passando para o treinador, jogadores, direção, diretor, tudo, adeptos. E o Pedro Henriques tocou num ponto muito importante, que é a parte também das instalações, do Estádio Gil Vicente. E nós, fazendo parte da comunicação social, que já lá fomos fazer jogos, a diferença que é entre o Estádio Gil Vicente, o Estádio Cidade de Barcelos e alguns, em termos de condições também para a comunicação social, que é sempre importante. E depois, lá está, o César Peixoto tem feito um trabalho incrível, a forma como eles pressionam, em 4-2-4, revolucionou aqui um bocadinho a forma de abordar, se calhar, depois de algumas equipas. E a maneira como eles jogam, como saem atrás, as dinâmicas que têm. Não é só, obviamente, ter bons jogadores, boas condições, é a forma como as dinâmicas estão a ser implementadas. Portanto, nota 18 para eles. Deixa-me dar também uma nota 16 para o Casa Pia, para o Álvaro Pacheco. Venceu o Porto, foi empatar ao Nacional e venceu o Arouca. Ou seja, faz sete pontos em três jogos, o que foi muito bom, tendo em conta que obviamente apanhou o líder do campeonato. E portanto, a equipa do Casa Pia, apanhou agora um Arouca que estava a subir também. O Álvaro Pacheco a dar aqui o seu cunho à equipa do Casa Pia e o Casa Pia aqui a recuperar algumas posições.

Foi um ótimo jogo também, que terminou com a vitória por 3-2 para o Casa Pia. Luís, vamos às tuas notas. Possivelmente não vais incluir aí o Hóquei em Patins, até porque o Futebol Clube do Porto foi eliminado ontem da Taça de Portugal frente ao Benfica por 3-2. Estou a picar-te, sim.

Sim, Nuno, não vou colocar o Hóquei em Patins, mas podia colocar, porque o resultado foi 3-2, mas eu acho que o Porto faz uma boa exibição. Esteve a zero. O guarda-redes do Benfica fez uma grande exibição. O Porto mandou quatro bolas aos postes. É daqueles jogos que podia cair para qualquer lado. Acho que é um bom jogo de hóquei em patins. Mas a minha nota vai para o Santi Garcia. Um 17 para o Santi Garcia, que na minha opinião é dos jogadores com melhor rendimento no Campeonato Português. E se alguém da estrutura do Porto estiver a ouvir o programa, eu gostava muito de ver o Santi Garcia de azul e branco, porque acho que encaixa na perfeição no que o Farioli pede aos médios. E ele tem capacidade física, tem capacidade técnica, tem pulmão. É um jogador extremamente interessante e acredito que o Gil Vicente vai fazer ali mais uma grande transferência.

Muito bem. Veremos o que é que vai acontecer a Santi Garcia no final desta temporada. Destaque também ainda para a goleada do Real Madrid frente à Real Sociedad de Gonçalo Guedes, vitória por 4-1 em casa, antes de jogar na Luz a primeira mão do playoff da Liga dos Campeões frente ao Benfica. E Ronaldo, que regressou, até o Pedro Henriques não deu uma nota a isto, estou a achar um bocadinho estranho, voltou e marcou o gol número 962 da carreira na vitória do Al-Nassr. Fechamos assim esta edição de "E o Campeão É?". Amanhã de regresso à hora habitual depois da 13h10.