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A Liga das Nações arrancou da melhor maneira para Portugal. Na estreia de Jorge Jesus, a seleção venceu ontem em Alvalade o País de Gales por 1 x 0, gol de João Félix. Alguma frustração de Ronaldo, que esteve perto de marcar em algumas ocasiões, e destaque também para Rúben Dias, salvou Diogo Costa e a equipa das Quinas de um empate num lance caricato onde Gales esteve quase a marcar. Vamos analisar a exibição de Portugal hoje com Augusto Inácio, Gabriel Alves, João Castro e Pedro Henriques. Eu sou o Nelson Ferreira, sejam bem-vindos, campeões. Augusto Inácio, começaria por ti. Foi curto este Portugal ou era difícil pedir mais pelos poucos dias de trabalho que Jorge Jesus tem como selecionador?
Boa tarde a todos. Por acaso ontem estive lá no estádio a ver o jogo. A expectativa era grande, o ambiente estava fantástico, mas no futebol não há milagres. O Jorge Jesus não pode chegar ali e mudar aquilo de uma maneira que pudesse Portugal a jogar de uma forma avassaladora. Não foi isso que aconteceu. É verdade que constituiu a equipa, jogou com dois avançados, com João Félix e Cristiano Ronaldo, Pedro Neto na direita e o Bruno Fernandes da esquerda para dentro, tal e qual como fazia o Potter no Sporting, só que essa posição e esse jogo do Bruno Fernandes foi realmente um fracasso. Diria que Portugal nunca canalizou nada por ali. Diria também que os defensivos também não ganham nada, embora defensivamente a equipe não estivesse mal. Diria também que a grande surpresa estava sendo o País de Gales naqueles primeiros 10, 15 minutos, que Portugal não se entendeu, não segurou a bola, perdia a bola com facilidade, não ligava jogo, a pressão era deficiente. Portugal teve dificuldades naqueles primeiros 15 minutos, mas depois assentou o jogo, começou a trocar a bola e começou a cercar a baliza do adversário. A minha nota de campeão inclusivamente vai ser a João Félix. Nunca vi, pelo menos eu, é a minha opinião, que o João Félix nunca trabalhou tanto pra equipe como ontem. Fez um belíssimo jogo, marcou um bom gol, mas acima de tudo, foi a sua disposição para a equipe quando não tinha bola, poder ajudar a equipe a defender. E realmente foi muito bom ver o João Félix nesse papel. E depois, como o Jorge Jesus diz, vai ter que retificar algumas coisas jogo sobre jogo, porque não há tempo pra treinar e as coisas, como eu disse, não é de um dia pro outro. Por isso, foi o quanto basto, foi uma vitória magra, 1 x 0, mas é uma vitória. Na Noruega as coisas vão ser completamente diferentes, que o adversário também é diferente, tem outra qualidade, porque ontem pareceu-me a mim com outra qualidade, Portugal podia ter sofrido gols e podia ter posto a descoberto algumas lacunas que Portugal tem.
Já vou perguntar ao Gabriel Alves o que acha desta Noruega, mas João Castro, os problemas de Nuno Mendes, que teve de ser substituído com problemas físicos, são a única má notícia deste jogo ou há outras?
Olha, bom dia a todos. Realmente é uma má notícia, mas eu acho que aquilo também foi mais cansaço, já estava ali no limite. Obviamente, estava a fazer o corredor quase todo, porque o Bruno Fernandes vinha muito pro meio e é uma das situações inerente a esta tática de Jorge Jesus. No fim, ele até se enganou, disse que o Bruno Fernandes já tinha jogado ali com o Rúben Amorim no Sporting. A verdade é que eles nunca coabitaram juntos no Sporting. Acho que é uma seleção, lá está, País de Gales muito bem organizada ofensivamente, a pressionar com dois elementos e a pressionar alto no início. Conforme o Inácio disse, Portugal teve muitas dificuldades nos primeiros 15, 20 minutos. Depois quando Portugal começou a assentar o seu jogo, começar a construir a três e, neste caso, a ter superioridade três mais dois, três pra dois na construção, com o Vitinha também a fazer ali um. Portanto, o Portugal começou a construir com três mais um e a verdade é que Portugal começou a ligar o jogo. João Félix faz um grande jogo. Quanto a mim, o melhor em campo, muita parte também do Nuno Mendes, que deu muito ofensivamente, sobretudo na segunda parte. Bruno Fernandes com mais dificuldades naquela posição, apesar daqueles bons passes, já quando o jogo estava mais aberto e com campo aberto, o Bruno Fernandes realmente faz ali grandes passes. E depois muito Portugal a tentar a profundidade com o Pedro Neto. Foi assim que Portugal tentou, a ligação do João Félix por dentro, entre linhas, a dar realmente algumas preocupações à seleção do País de Gales e foi por aí que Portugal chegou ao gol e fez as suas melhores jogadas, e depois a tentar explorar as costas do lateral esquerdo pra velocidade do Pedro Neto. Depois, realmente a reação do País de Gales que rugiu, Portugal foi abaixo, as modificações também não trouxeram nada de muito bom à seleção e, portanto, Portugal teve ali realmente dificuldades e podiam ter empatado, País de Gales poderia ter empatado. Nesse lance que tu referiste, eu acho que há uma mão antes dessa bola ir à barra, mas há lá um cruzamento do Moore que se realmente a bola vai a prefeito, eles podiam fazer com o Daniel James o segundo poste do gol. Portanto, é trabalhar, são só dois dias ou dois treinos, é muito pouco pra um treinador, é impossível a equipe jogar à maneira do Jorge Jesus. Já assumiu o seu modelo de jogo, é claramente o modelo à Jorge Jesus, agora é construir com base nesta filosofia, nestes princípios de jogo. Os jogadores vão ter que habituar, mas claro, a Noruega será um adversário com outro peso e com outra categoria, onde Portugal vai ter que estar bastante mais organizada e a falhar menos para que não tenha problemas em Oslo.
Pedro Henriques, a imprensa estrangeira não está meiga com Ronaldo, com esta exibição de ontem, mas o capitão até teve várias oportunidades. Tinha um gol cantado que lhe bate na canela e que não entra, mas esteve muito trabalhador o nosso capitão.
Muito boa tarde a todos. Em primeiro lugar, só dizer uma coisa ao nosso Augusto Inácio, que disse que não há milagres. Mas, Inácio, o que se espera de alguém que se chama Jesus é milagres. O outro Jesus fez milagres do pão e do vinho, este vai ter que fazer um milagre. Eu acho que vai mesmo haver um milagre. Eu acho que estes seis jogos, sobretudo estes quatro e depois os dois em novembro, vai ser o milagre dos fins de ciclo. Ou seja, eu acho que vai haver transformações, quer no posicionamento dos jogadores, quer, se calhar, nem tem alguns jogadores, que se não chegarem à frente e não renderem, mesmo individualmente, na perspetiva do coletivo, eu acho que vai ser mesmo o tal milagre de fim de ciclo e acho que vai haver mudanças na própria seleção nesse aspecto. Dizer ainda que, obviamente, há três jogadores que, no meu ponto de vista, se destacam: o João Félix, por razões óbvias, ele próprio elogia muito o Jorge Jesus, porque diz que o Jorge Jesus é o que o está a potenciar como nunca, no sítio onde o está a colocar, aquilo que lhe pede em termos de posicionamento e para fazer. O Nuno Mendes, que eu acho que por isso é que ele se lesiona com mais frequência, porque ele é aquele tipo de jogador de explosão e, portanto, estes jogadores estão sempre mais próximos do risco de lesão. Foi realmente aquela flechazinha que a gente sabe que é fazer aquele corredor e depois a sobriedade, foi muito sóbrio, eu acho que é muito sóbrio e é importante que o tenhamos, que é o Rúben Dias, sob o ponto de vista daquilo que é o que o mano traz pra frente, porque depois o Diogo Costa praticamente não foi necessário. Repara que nós ganhamos, é uma forma da gente falar, em remates 23-5, tivemos cinco remates contra um em quadrados, tivemos 10 cantos contra dois, tivemos 101% de posse de bola. Sentiu-se sempre que Portugal estava por cima, só que depois quando estás com um a zero e deixas o jogo ir até o fim e não faz o tal dois a zero, que houve, mas foi bem anulado, por CR7, começam a surgir as tais possibilidades que a outra equipe cresce e diz que de repente pode aproveitar e quase que o iam fazendo. E como disse aqui o João e muito bem, se aquele tal gol que a bola vai à barra entrasse, tinha que ser anulado, porque há mesmo mão, braço esquerdo, naquilo que é o domínio de bola do número 11 do País de Gales. Relativamente a CR7, e pra terminar, é lógico que o Cristiano Ronaldo, neste momento, vive muito isso, que é como toda a gente olha pro bilhete de identidade dele e pra aquilo que ele faz e não faz no terreno de jogo. Portanto, há outros jogadores que não têm o rendimento dele e que ninguém liga ou pouco liga. O Cristiano Ronaldo, por tudo aquilo que impacta a nível mundial, não é da seleção, a nível mundial, vai ter isso sempre em cima da cabeça, que é quando a bola bate na canela ou quando não marca o gol ou quando o gol é anulado, toda a gente, sobretudo os haters, vão cair em cima dele. Mas eu só quero relembrar aquilo que disse o Jorge Jesus, quando eles foram a Hong Kong com o Al-Nassr. O Cristiano Ronaldo foi anunciado que não podia jogar, foram 3 mil pessoas ao estádio. No jogo a seguir, em que o Cristiano Ronaldo já pôde jogar, foram 55 mil pessoas. E portanto, quem tem este impacto e quem domina as redes sociais e quem o que é, obviamente que sempre que a bola bater na canela, vão estar a querer reformar o homem. Só que eu acho que ele tem consciência de que está também no seu fim de ciclo, vai bater o tal recorde dos mil gols, como já disse, 1007, e há de fazer a sua saída e havemos todos ter muitas saudades do Cristiano Ronaldo, por aquilo que ele é dentro das quatro linhas e não só.
Muito bem. Gabriel Alves, com a Noruega, as dificuldades vão ser outras. Ainda ontem Haalan esteve em grande, marcou dois gols na vitória por 3x2 frente à Dinamarca. Isto quer dizer que prevês também mudanças no 11 para o jogo do próximo domingo?
Boa tarde. Eu não prevejo muitas. Pode haver questões de detalhe, de pormenor, mas não prevejo muitas. Aliás, daquilo que naturalmente aqui já foi dito, eu quero dar só uma pequena extensão. Não havendo tempo, portanto, e chama a atenção, as pessoas estão muito ansiosas, muito ávidas de resultados, de goleadas. Bom, os três pontos são fundamentais. É evidente que querem ter outro esplendor da seleção. Mas olhem que Roma e Pavia não se fizeram num dia. E aquilo que eu vou dar de continuidade é que esta Liga das Nações será, certamente, e é, obviamente, uma trave-mestra pra aquilo que vai ser a seleção para o próximo Europeu e próximo Mundial. Portanto, há que trabalhar e trabalhar o selecionador, a quem se pedem responsabilidades de liderança, e os jogadores também. Portanto, adaptarem-se àquilo que é a filosofia, a metodologia do técnico. Eu já ontem falei aqui que há 41% de equipes que mudaram de treinador após o Mundial e obviamente que isso está a acontecer na França, nos Países Baixos, na Alemanha. E ontem, importantes países, Bávara e Alemanha também só houve dois gols. Portanto, as coisas também não foram, digamos, esplendorosas. Por quê? Porque está a haver a assimilação de novas metodologias. Portanto, sejamos algo calmos. Quanto à equipe da Noruega, é uma equipe que vem de trabalho efetuado, é uma equipe boa, uma equipe com construção, com estrutura, com conteúdo. É uma equipe que alia questões daquilo que é a técnica da força com a força da técnica, pode não ter jogadores de grande habilidade, porque quando juntas a habilidade à qualidade técnica, obviamente que há um sobressair. Há um jogador muito interessante nesta seleção, atenção a ele, número 20 nas costas, Nudza, é um jogador muito interessante pela criatividade. Lá está, junta à sua qualidade técnica, muita habilidade, muita imaginação, muita criatividade. Depois tem uma espinha dorsal excelente que é com o guarda-redes Nyland, com o central Eggen, com o Ødegaard, que é um homem de cultura tática fantástica, e o Haaland, que está lá na frente, que é aquilo que todos nós sabemos, um futebolista que pode não correr muito, mas está lá. E quando está lá, resolve e vai resolvendo, não resolve só na Noruega, resolve no Manchester City e obviamente que é um jogador adorado pelos noruegueses e pelos treinadores. Veja-se Guardiola, quantas vezes o foi beijar. Portanto, resolveu os jogos. Portugal vai ter que crescer, vai ter que ser uma equipe mais compacta, vai ter que ter mais acerto ao nível de passe, vai ter que ter mais capacidade de poder ter bola. Nos duelos, sim, mas nos duelos não entrar naquilo que é o duelo físico, porque aí o desgaste é maior, e obviamente que ter a capacidade de poder, nos seus jogadores mais criativos Ter de novo um João Félix à altura dos acontecimentos. Que grande jogo ele fez ontem. Não foi só o gol, não foi só o que ele deu de futebol, foi aquilo que ele fez na compensação e no trabalho defensivo. Não deu nas vistas? Dá. Basta olhar.
Gabriel, temos de avançar. Ficaria já com o teu campeão desta sexta-feira. Vai para quem?
O meu campeão vai para o Félix, pela exibição que ele teve fantástica, habilidade. 18. Espero mais a seguir. Espero que continue a progredir. Vou dar ao João Palhinha. A propósito dos assobios. Há adeptos racionais e irracionais. Os racionais serão aqueles que se lembram que o Palhinha ficou no pior momento do Clube Sporting, que sempre deu tudo pelo clube. Estou muito feliz por representar o Benfica com o máximo respeito sempre pelo Sporting.
Muito bem. Nota também. 18 para Félix e para Palhinha. Pedro Henriques, o teu campeão de hoje, com que nota?
Hoje vou me mantendo na seleção, mas como foi a estreia do Jorge Jesus, claro que o João Félix foi o melhor de todos. A seleção é que ganhou, mas vou dar esta nota minha positiva pela estreia. Nota 20 pela estreia, só por isso. Desta vez não foram três pontos para o País de Gales, como nós costumamos dizer desde pequeninos, quando a bola vai por cima, foram mesmo três pontos para Portugal. E é uma estreia de Jorge Jesus e oxalá, como disse o Cristiano Ronaldo, se correr bem a Jorge Jesus, que significa correr bem à seleção portuguesa e significa que vai correr bem a Portugal.
João Castro, o teu campeão?
O meu campeão vai para Portugal, obviamente. Eu vou dar uma nota 13 à seleção. Porque não era fácil. Claramente o primeiro jogo e sobretudo também só por ter dois treinos. O relvado do Alvalá também precisa ali de alguns melhoramentos. Vou dar obviamente ao Félix. Para mim, nota 17 para o João Félix, foi claramente o melhor jogador em campo. E vou dar aqui uma nota 16 para o Iracunda, jogador do Sporting que marca o gol da vitória da Austrália sobre o Brasil, um grande gol de livre.
Foi 1 x 1. Ficou 1 x 1, João Castro.
Foi 1 x 1?
Foi, ficou 1 x 1. Sei que Pablo Rosário também foi decisivo na República Dominicana, também marca um gol aos 97 e esse que dá o 3 x 2. Há jogos interessantes também hoje. Há um Itália x Bélgica, há um Turquia x França, ainda no decorrer desta Liga das Nações. Augusto Inácio, fechamos com o teu campeão.
Pois eu não fujo àquilo que todos disseram. Claramente para Portugal e em especial para o João Félix, que fez um grande jogo. Dou nota 16 porque acho que o João Félix ainda pode dar muito mais e Portugal também. Vamos esperar, porque acho que Portugal pode render muito mais no futuro. E queria dar nota zero também para aquilo que o Gabriel hoje também já disse, que eu estava no estádio e também fiquei incomodado. Vou dar nota zero para aqueles, eu peço desculpa por esta expressão que vou dizer aqui no Observador, para aqueles estúpidos que assobiam o Palhinha, porque o Palhinha foi sempre um grande profissional enquanto esteve no Sporting, é um grande profissional enquanto esteve nos outros clubes, é um grande profissional quando está no Benfica e é um grande profissional quando está na seleção nacional. E quem vai ao Estádio do Alvalade para assistir àquele jogo, ninguém vai ver o Sporting, vão ver a seleção nacional e todos os jogadores da seleção nacional devem ser realmente aplaudidos e apoiados. Por isso, nota zero para aqueles estúpidos que assobiam o Palhinha.
Nota final na edição desta sexta-feira de "O Campeão Está de Regresso" durante o fim de semana, sábado e domingo, às 11h30. Bom fim de semana.