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Foi ovacionado no regresso, chamou a atenção no banco de suplentes, até voaram garrafas e até mandou um sprint para o balneário. A estreia de Mourinho no Benfica, com uma vitória diante do AVS, golos de Sudakov, Pavlídis e Ivanović, é o grande destaque desta edição de "E o Campeão É". Sou o João Costa e Silva, comigo está o Pedro Henriques, o Luís Pinto Coelho, o João Pinto e também o João Castro. Casa cheia. João Pinto, adepto do Benfica, começo por ti, vamos a isto. Mourinho a ser Mourinho neste regresso ao Benfica, numa exibição que, conforme ele disse também, esteve longe de ser a ideal. Na primeira parte, o AVS chegou a assustar e esteve muito perto de marcar ainda antes do intervalo. O Benfica conseguiu ainda ir em vantagem antes dessa interrupção. O que tens a dizer deste primeiro teste para Mourinho e o que achas que lhe passava na cabeça quando, ao intervalo, deu aquele sprint fulminante rumo aos balneários?

O sprint tem a ver com uma maneira de estar do Mourinho. Ele, nos clubes anteriores, até costuma sair um bocadinho antes do fim da primeira parte e vai para o balneário sozinho. Ele deve gostar de receber os jogadores já dentro do balneário, com alguma coisa escrita no quadro ou alguma coisa assim do gênero. Não direi que é uma superstição, mas é uma prática que ele tem. E dá a ideia que ele não se apercebeu que a primeira parte estava a acabar e ele queria. Depois fez o sprint para chegar lá primeiro. Mas, em relação ao jogo, é exatamente isso que resumiste. O Benfica tem uma primeira parte muito pouco conseguida, muito abatida, psicologicamente muito em baixo, os jogadores a continuarem a estar longe do jogo, a pressionarem com os olhos, sempre muito presos em movimentos. E depois aquilo que aconteceu foi que realmente o Benfica marca um golo, um bocadinho caído aos tremilhões, e quando vem pra segunda parte, aquilo que Mourinho disse mais o libertar da pressão de marcar o primeiro golo, e viu-se um Benfica diferente. Viu-se um Benfica dominador, com bola, a saber o que tinha que fazer com a bola, com os jogadores a conseguirem mostrar o seu futebol. O relvado não mudou. Nós, durante o relato na primeira parte, estávamos a dizer que o relvado estava em péssimas condições. O relvado da segunda parte foi o mesmo e os jogadores começaram a jogar a bola. E, portanto, é aquilo que se nota. Realmente, saiu uma nuvem muito negra de cima da cabeça dos jogadores do Benfica. Algo lhes foi dito, lhes foi incutido por José Mourinho, que o fez, e o futebol foi outro. Vimos um Sudakov muito bom.

Ia te perguntar justamente isso, sobre o Sudakov, que marcou, abriu aqui as contas do Benfica ontem. Começa-se a perceber aos poucos a influência que ele pode ter neste Benfica?

Sim. Pode ser um jogador que realmente leva o futebol do Benfica pra outro nível, especialmente na parte ofensiva, embora tenha sido um jogador que vai levar. Quando tiverem a analisar o jogo, vão encontrar ali duas ou três perdas de bola que ele tem, que depois dão contra-ataques perigosos do AVS na primeira parte, e o Mourinho vai lhe chamar a atenção. Agora, quando esse equilíbrio for conseguido entre a parte defensiva e a parte ofensiva, realmente é um jogador com muito futebol. E também o Richard Rios, que foi um jogador que melhorou muito na segunda parte, entrou muito mais em jogo. E eu acho que o conseguir maximizar ou otimizar o Rios e o Sudakov pode levar o Benfica realmente pra outro nível. E ontem tivemos aqui um pequenino lampejo daquilo que pode vir a acontecer. Pro benfiquista, foi bom o Benfica ter ganho, são três pontos, é uma semana louca com jogos a toda hora. E começar desta maneira foi bom, e depois tudo aquilo que se falará sobre a conferência de imprensa.

Exatamente, já lá vamos. Mas antes, João Castro, vou até ti. Mourinho também disse: "Isto não foi nada de extraordinário. Despachem-se que amanhã temos treino". Já conseguiste ver aqui novas ideias neste Benfica, conforme falava aqui o João Pinto, ou é preciso dar mais tempo ao Special One? Bom dia.

Bom dia. Consegui ver desde logo uma grande diferença: é o Ivanović. Já não desce para ligar o jogo. Mais pra esquerda, depois junta-se um bocadinho ao Pavlídis, mas mais sobre a esquerda e já não desce, já não faz a ligação. É mais o Pavlídis que várias vezes desce. E portanto, acho que aí, há uma grande mudança, até porque o Ivanović era um jogador que as suas principais características é aparecer muito bem também nos espaços, na profundidade, e não pra ligar jogo. Portanto, aí foi logo a primeira grande diferença da primeira parte que se notou no Benfica, o Ivanović diferente, o Benfica que utiliza ali quase um losango no meio-campo. Depois, na segunda parte, o João Pinto tocou aqui numa coisa, não sei se ele percebeu como é que o Rios melhorou e o Sudakov. Eles aproximaram-se mais, ou seja, conseguiram criar um triângulo, aproximaram-se mais das linhas. O Sudakov juntou-se ali mais ao Dalot e ao Ivanović, formando ali um triângulo, portanto o Benfica aproveitou, e do lado direito, o Rios subiu mais, encostou-se mais ao Dalot e ao Ásmus, e com isso o Benfica conseguiu criar ali mais linhas de passe e ter mais controle de bola. E acho que foi com isso, obviamente com o golo e o momento do jogo, é o primeiro golo que decide claramente a partida, porque dá essa confiança que o João Pinto falou, e vem à equipa pra segunda parte, e também retira confiança ao AVS. Mas depois nessa segunda parte, o que eu noto é, lá está, o Sudakov, que eu acho que é realmente reforço, o Ivanović, que também ali sobre a esquerda e o Dalot E do outro lado, o Rio já a parecer mais próximo quer do David, quer do Áureos a criar uma superioridade do Benfica. Portanto, acho que foi muito por aí as pequenas mudanças, sendo que a principal é a forma como se utiliza o Ivanovic. O Benfica acaba por vencer bem claramente. Uma primeira parte fraca, mas com o gol que é na altura certa. E depois numa segunda parte com domínio claramente do Benfica e, portanto, três pontos importantes para o Benfica nesta altura. Obviamente que o AVS parece-me uma equipa que vai ter muitas dificuldades, frágil, mas não podemos esquecer que foi empatar a Braga 2 a 2.

E ontem teve aquela bola ao poste que podia ter mudado o jogo.

Sim, essa transição que o Benfica permitiu, exatamente, mudava o jogo. E aí as coisas podiam se complicar, o AVS podia ainda fechar mais e o Benfica depois, obviamente com os nervos, podia ter dificuldades, mas acaba por correr tudo bem ao Benfica e a ter uma vitória importante, porque obviamente o Mourinho vai trazer aqui outra confiança. Já colocou aqui o Ivanovic, se calhar, a jogar de uma forma mais correta, a meu ver. E vamos ver. Agora também ia apanhar adversários, obviamente, de outra valia, mas a verdade é que isto é um processo. Não se esperava que em dois treinos o Mourinho punha o Benfica a dar chocolate os jogos todos. Portanto, é um processo contínuo.

Gosto muito dessa expressão, dar chocolate. Luís Pinto Coelho, o Benfica vai ter agora um teste já na próxima terça-feira, esse jogo em atraso da primeira jornada frente ao Rio Ave, uma equipa que também não está a fazer um grande início de campeonato, está com algumas dificuldades. E Mourinho também falou disso, do pouco tempo que tem para preparar a equipa, tendo em conta estes jogos consecutivos. Ainda assim, viste o Benfica com uma alma nova ontem no jogo frente a este AVS?

Ainda não. A primeira parte é bastante pobre do Benfica. Depois tem aquela pontinha de sorte do gol mesmo a terminar a primeira parte. E isso deu um pouco mais de tranquilidade para a segunda parte. E depois Mourinho também, obviamente, no lado comunicacional, é forte e de certeza que ao intervalo também puxou um bocadinho mais pelos jogadores, fez alguns ajustamentos e depois a segunda parte é um pouco melhor do Benfica. Mas eu acho que o Mourinho vai ter aqui um problema, que eu acho que este plantel do Benfica tem limitações e acho que vai obrigar o Mourinho a jogar num 442 losango, que vai demorar algum tempo a estar afinado, porque é um sistema tático difícil de trabalhar, porque é um Benfica praticamente sem extremos. Não há grandes opções para esses corredores. Há Scheldrup, Lukeba que ainda está lesionado, e depois praticamente não há mais opções. E acho que há mais opções para o corredor central e acho que o Mourinho vai acabar por ir para um 442 losango, que ele até gosta, mas vai demorar algum tempo a fazer esses ajustamentos. E tendo dois bons pontas de lança, que até têm capacidade para se movimentar bem, como Pavlídis e Ivanović, acho que vai acabar de ir por aí. Agora vai demorar algum tempo, obviamente, porque isso é difícil de trabalhar e depois há aqui a sequência de jogos. Vai a fazer pequenos ajustes, trabalhar bolas paradas também, mas principalmente nesta fase, porque já tem jogo terça-feira outra vez, vai ser, acredito, o lado mental que aí Mourinho é forte e vai colocar a equipa noutro patamar.

A chegada de Mourinho não intimidou a taxa de acerto na escolha do 11 do Pedro Henriques, mantém-se tudo igual. Pedro, como é que tu avalias aqui a estreia de Mourinho e o futebol jogado do Benfica?

Bom dia. Começando pelo futebol jogado, sim, há duas partes distintas, mas se calhar eu estou a ver mal. Seis remates à baliza contra um do Benfica, 19 a 8 remates, 64% de posse de bola, o dobro de passes, 537, 297. Tudo o que é estatístico o Benfica dominou. É certo por fruto da segunda parte. A gente sabe que há uma bola que está ao poste, que nem entra na estatística, mas depois se entrasse mudava o jogo. Eu acho que o Benfica foi sempre superior ao AVS em todos os capítulos e, portanto, nesse aspecto, não vi que o Benfica alguma vez tivesse o jogo não controlado. Podemos dizer assim: bem, mas se a bola no poste entra e um Benfica que vem de dois resultados negativos, a parte mental e psicológica. E é aqui que entra o Mourinho. O Mourinho disse, e bem, que só ia meter um dedo, devagarinho, e meteu na parte tática, mas claramente meteu a mão inteira, os cinco dedos, os 10, no que diz respeito à parte mental, à parte psicológica, e se calhar na segunda parte e com o intervalo ainda se percebeu isso, porque era aí que o Mourinho tinha que atuar, que era na cabeça dos jogadores, na percepção de que eles não podiam ter deixado de ser bons depois de ter ganho ao Sporting e ter conseguido a Liga dos Campeões, o acesso, não podiam ter deixado de ser bons e com estes dois resultados negativos. E, portanto, ele estava muito focado nesse aspecto mais mental e mais psicológico. Depois, e por perguntas do Mourinho, realmente é o Mourinho em mind games completo. A própria conferência de imprensa é espetacular.

Nós já lá vamos, Pedro. Tenho aqui um trecho para passar para vocês também analisarem.

Pronto, ok. Então deixa-me só terminar, porque com isso que o Benfica vai ter, obviamente, uma semana que agora é um bocadinho mais em compressão, porque vai despuntar com um jogo contra uma equipa que em cinco jogos tem no 11 inicial zero portugueses. Algo que se passa. E o Rio Ave assim, não é por ter português ou não ter português que sejam mais ou menos qualidade. É um Rio Ave que nós associamos, e eu fiz muitos Rio Aves, associamos àquela gente do mar, uma certa característica que tem que se refletir na personalidade também dos jogadores. Não quer dizer que os estrangeiros não sejam bem-vindos e se têm qualidade, são bem-vindos. E o Rio Ave sempre teve alguns jogadores estrangeiros, mas eu não consigo compreender estas novas dinâmicas. Vende-se o clube, mas mais importante, vende-se a alma. E algo vai menos bem em Vila do Conde.

Vamos ainda falar aqui, como tu dizias, e bem, Pedro, das declarações de Mourinho, que revelou que conversou com Villas-Boas e Frederico Varandas já depois de ter assinado pelo Benfica. Vamos ouvir um pouco dessa declaração.

Eu não vim para o Benfica para chatear o Porto

Eu vim para o Benfica para usufruir da possibilidade de treinar outra vez a um nível alto, num clube grande, num clube com ambições de ganhar. Foi para isso que eu vim, eu não vim para chatear ninguém. Eu acho que eles não vão ficar chateados comigo se eu disser aquilo que vou dizer agora. Ok, em intimidade, eu espero que eles não fiquem chateados comigo. Depois de vir para o Benfica, eu falei com o presidente Vilas-Boas e falei com o presidente Varandas, do Sporting. Temos boa relação, somos amigos e respeitamo-nos. O fato de eu ser treinador do Benfica não significa que eu venho aqui para fazer guerra.

Meus caros, vamos admitir que ouvir Mourinho falar neste tom até nos leva a soltar algumas gargalhadas, porque nunca sabemos se ele está a falar realmente a sério ou se está a ser irônico. Pergunto, João Pinto, se isto te pareceu sincero, se Mourinho está naquela fase do encantamento e quer paz no futebol português ou se os mind games, como ele tão bem sabe gerir, já começaram.

Sinceramente, acho que ele está numa fase muito resolvida da vida dele e em que ele quer é trabalhar. Quer trabalhar, encontra a sua paz, a sua tranquilidade, a sua felicidade no treino e no jogo. Já lhe passaram essas manias todas, já não tem necessidade nenhuma de se afirmar. Aquilo que ele é como profissional está no currículo que ele apresenta e o nome dele, que é conhecido em todo o mundo, ele já não está para essas tricas, e muito menos tricas de casa de loja, que para ele são um quintalzinho muito pequenino. Quando ele diz a minha casa em Londres.

Sim, e fala da casa em Azeitão também.

Sublinha exatamente isso. "Eu nem sequer moro aqui, eu quase que não sou de cá." E descomplica uma série de temas que nós aqui gostamos de fazer mil programas à noite sobre temas muito complexos do nosso futebol e que ele descomplica todos muito facilmente. Dizer: "Epá, liguei a este, liguei àquele, vou lá daqui a duas semanas. Epá, e claro, não me vão receber bem, mas é bola, não há cá inimigos nenhuns."

Ele falou de uma promessa, não sei se ouviram, que tinha com colegas, que ia ver o futebol clube do Porto, depois não sabia se ia ao Inter porque o estavam a associar ao comando técnico do clube.

Sim, ele descomplicou tudo. Sempre que lhe diziam: "Ah, mas você disse que ia." Ele disse: "Não, eu disse que ia e ia duas vezes." Portanto, ele descomplica tudo, põe tudo em pratos limpos e torna tudo muito simples. Depois vai haver os conspiracionistas, a malta que quer ver um segundo significado por trás daquilo que ele disse, esquecendo que é mais fácil justificar o que ele disse. E o que ele disse foi muito simples, muito fácil de entender e é muito bom ter um senhor assim. E eu continuo a dizer aquilo que disse ontem no fim do jogo, quando estava no Observador. Quando estou a ouvir a conferência de imprensa do Mourinho, disse que quando apanharmos o Mourinho ainda vamos perder. "Ah, não, espera, ele agora é dos nossos." Porque ainda não caiu a ficha que ele é o treinador do Benfica.

O certo é que todo o buzz gerado e ontem falava-se muito disso, e a prova disso é que depois também na conferência de imprensa tivemos muitos jornalistas internacionais, um italiano, ele até pergunta se quer que responda em italiano.

Exato.

Com a boa disposição que ele tem. Luís Pinto Coelho, eu penso que és um admirador do Special One, aliás, ontem falámos disso. Como é que tu encaras também estas declarações e esta à vontade em falar sobre tudo?

Olha, o João Pinto falou tão bem que até é difícil dizer mais qualquer coisa, porque acho que resumiu perfeitamente o que foi ontem Mourinho. Eu acho que a conferência de imprensa foi excelente e eu revejo-me no que o João Pinto disse. Sou admirador do Mourinho, sou grato pelo trabalho que ele fez no Porto. Obviamente que não vou desejar sorte aqui em Portugal, porque quero que o meu clube ganhe. Agora, tudo o resto, o Mourinho de há 20, 25 anos era diferente, porque estava a iniciar uma carreira. E eu também, com 20 anos, sou diferente do que sou hoje, se calhar. "Ele está a dar música e não sei o quê." Hoje acho que a maturidade que o Mourinho tem e que teve é mesmo isso. Ele está resolvido com a vida dele, treina onde lhe apetece, onde quer, já não tem que provar nada a ninguém. E o que ele disse é verdade. Obviamente que ele tem respeito pelo Porto e admiração pelo Porto, porque o Porto ajudou no crescimento da carreira dele e ele a dar o salto que depois deu para o futebol internacional. E os adeptos do Porto, se conseguirem afastar este fanatismo e estas coisas, também têm admiração por ele e estão gratos. Eu ia estar muito incomodado, ia assobiar, ia fazer 30 por uma linha a um dos treinadores que me deu as maiores alegrias no mundo futebolístico. Isto não tem sentido nenhum, ele não fez mal nenhum ao Porto, é um profissional, aceitou outro clube, por isso não vejo qualquer problema e acho que a conferência de imprensa é mesmo muito boa e não é nada de jogos, nem de mind games. Acho que ele está a ser absolutamente sincero. Acho que ele está até numa fase mais sentimental da carreira dele e da vida dele do que era aquele Mourinho, sempre muito mais aguerrido.

Pedro Henriques, tu querias falar sobre estas declarações, penso eu.

Sim, também concordo com tudo aquilo que foi dito até agora. É só para nós percebermos uma coisa. Quer dizer, eu não estou a dizer nenhuma novidade que as pessoas que estejam a ouvir não tenham percebido, mas é só para relembrar. Só este aspeto: quantos milhões de seguidores é que o Benfica tem no Instagram? 3,4 milhões. Quantos milhões é que no Instagram tem o Mourinho? 5,3 milhões. É lógico que não há ninguém acima dos clubes. Os clubes ficam, as pessoas passam. Mas em termos de contextos, o Mourinho é muito mais do que às vezes a maior parte daquilo que os nossos próprios clubes são naquilo que é a própria projeção internacional. Mourinho é uma instituição, é uma empresa, é tudo o que vocês quiserem chamar, porque realmente aporta sobre ele programas. Ainda ontem alguém dizia no programa, não interessa qual é o canal. Nós hoje estamos a fazer três horas e meia de pré-programa, que nunca fizemos Por quê? Por causa do Mourinho e da viagem do Mourinho. E ver se é a viagem do Mourinho, o Mourinho a sair, o Mourinho a chegar, o Mourinho a pôr a fotografia do nascer do sol. Que não é permitido. Não sei se sabiam que isso é proibido em termos de Seixal, fazer fotografias de lá. De qualquer maneira, ninguém vai multar o senhor. O Mourinho está bem resolvido na vida. Só não sei se ele precisa de dinheiro, porque se for preciso a gente também empresta aqueles 100 milionitos que ele ganhou. Está tudo bem com ele, tem 62 anos, já treinou os melhores clubes do mundo, já passou em termos de ganhar as melhores competições, tem até uma coisa que mais ninguém tem, que é tatuado no braço as competições todas internacionais, porque não há nenhum treinador que tenha ganho todas as competições internacionais que existem. Estou a falar a nível da Europa, Conference League, Liga Europa, etc. O homem está de bem e fez uma conferência honesta, sincera, mas ao mesmo tempo a responder a várias coisas. Houve aqui um certo tumulto em termos daquilo que ele disse sobre o Benfica. Parece que quando tinha dito que o Benfica realmente dava-lhe aquele prazer, etc. Parecia que tudo o que estava para trás dos outros clubes, Real Madrid e Futebol Clube do Porto, não tinham contado. Ele disse: "Não, vocês é que não me perguntaram. Se me perguntarem se o Futebol Clube do Porto é gigante, é gigante". E ele acabou por dizer que a pergunta que foi feita foi para o Benfica, mas se fizessem para o Futebol Clube do Porto, ele dizia a mesma coisa. No fundo, colocou o Futebol Clube do Porto num patamar também de excelência, e tinha que ser, porque ele foi muito feliz. E eu acompanhando esse sentido, foram os meus anos mais relevantes e importantes, 2000 a 2010 e 2002 a 2004, em termos de arbitragem. Eu estive lá e fiz inclusivamente a final da Taça de Portugal que o Mourinho ganhou. É um Mourinho ao mais alto nível, em grande rotação. E penso que é sincero. O facto de ele ter dito que telefonou aos presidentes também revela muito. Quem é que depois de assinar por Benfica, se calhar os outros presidentes iriam receber uma chamada de quem? Só recebem do Mourinho e atendem, que essa é que é a questão, porque a gente olha e diz: "Este não apetece atender, faz de conta que estou a trabalhar". E não, aqui atenderam porque o Mourinho realmente está num determinado patamar. Agora, isto é neste momento. Vamos ver se depois do Porto-Benfica e de outros jogos em que eventualmente possa não correr tão bem o jogo ao Benfica, se vai manter este comportamento e esta postura. Este é o bocadinho que eu tenho desconfiança, porque todos nós que aqui estamos, quando está tudo a correr bem, somos extraordinários. Quando a coisa não corre bem, aí é que se revela a verdadeira personalidade das pessoas.

Meus caros, vamos avançar, vamos deixar aqui agora de lado o José Mourinho. João Castro, não sei se tens alguma coisa a acrescentar a este tema, mas queria te pôr a falar sobre o eixo. Um eixo que tu admiras, que está lá fora e que ontem conseguiu uma vitória, se calhar, que muitos não esperavam, vitória do Manchester United, de Rúben Amorim, por 2 x 1 frente ao Chelsea. O que tens a dizer deste jogo do Manchester United, que ficou reduzido a 10, mas ainda assim venceu o Chelsea por 2 x 1?

Sim, ficou reduzido a 10, mas jogou muitas vezes com um a mais. Muito tempo com um a mais, porque o Chelsea teve a expulsão primeiro. Acho que se notou ali algumas melhorias, sobretudo mais defensivas e de pressão do Manchester e portanto acaba por vencer bem o jogo, quanto a mim. Pese embora no final já esteja ali um bocadinho a tremer, mas é uma vitória importante e é importante também para aquele miúdo que tem aquele cabelo grande, que só corta quando o Manchester United ganha cinco jogos. Pronto, só falta quatro. E portanto não será fácil, mas é umas melhorias. Sobre o Mourinho, há uma coisa que eu gostava de dizer. Nesta altura é tudo lua de mel, obviamente, mas o Mourinho comunica muito bem e acho que também foi honesto. E tem uma vantagem para o Benfica neste momento: é que as atenções estão todas sobre o Mourinho. Ou seja, liberta um bocadinho os jogadores da pressão agora dos últimos resultados, porque o foco é o Mourinho. Ninguém fala do Rios, ninguém fala do Paulides ou Ivanovic, agora é tudo Mourinho. E este atrair também de atenção para o Mourinho é bom para a equipe, esvazia ali um bocado as atenções e holofotes. Por exemplo, o Rios na primeira parte achei que continua longe daquilo que se calhar a qualidade que ele tem. E portanto, essa atenção muito no Mourinho, tudo muito centrado no Mourinho, nesta altura é o ideal, porque realmente os jogadores ficam livres de pressão. Agora, concordo com o Pedro, isto é uma lua de mel, quando vier ao Dragão, se correr mal com a arbitragem, se correr mal o resultado, já vamos ver outro Mourinho, mas porque ele está bem resolvido, financeiramente, desportivamente, já ganhou tudo que tinha a ganhar e nota-se que está a tirar prazer, obviamente, em treinar um clube que se calhar é o clube dele do coração, digo eu, parece-me. Mas a verdade é que é um excelente comunicador e portanto, para nós é bom. Perdemos o Rúben Amorim e voltando à tua questão inicial, que realmente dava gosto ouvir as conferências de imprensa, e agora temos outra vez outro senhor também muito bom na comunicação. E portanto, vamos ter um campeonato animado. Também gosto muito das palavras do Farioli. E portanto, acho que temos aqui um campeonato interessante e que veio claramente ficar mais interessante com este regresso do Mourinho.

Nós ficamos aqui sem tempo para falar do Al-Nassr e de dois jogadores portugueses que estiveram aqui em destaque, João Félix e Cristiano Ronaldo. Já calculava. Pedro Henriques, vamos a isso. Até porque o Ronaldo está cada vez mais perto do objetivo. Pedro?

Sim.

Ficamos aqui sem tua ligação.

Já ontem precisei do João Pinto no direto para dizer: "Ó Pedro, liga aí o microfone" porque de vez em quando esqueço-me de clicar aqui na tecla. Não, isto para dizer que faltam 55. E não é jogos, não é minutos, não é euros, é gols. Vamos em 945. Reparem, não disse vai, vamos, ok? Eu faço parte da tribo. 945 gols já marcados e as minhas contas, vejam lá a data, estamos aqui agora a acabar setembro, ouçam o que eu vou dizer. As minhas contas vão dizer o seguinte, as minhas previsões tipo Maia: no mundial, o recorde dos mil gols vai cair pelo Cristiano Ronaldo. Oiçam o que eu estou a dizer. Nota 18 para este craque.

É a tua única nota hoje, certo, Pedro?

Sim, vou deixar para os meus colegas, que hoje somos muitos, à nível de baterias para dar notas.

Vamos a isso. Tenho 20 segundos para cada um. João Pinto, nota e campeão.

Vamos a isso. Nota 15 para o Akin Sola, belíssimo jogo de um extremo com 22 anos, que já está há três anos em Portugal. Nota 16 para Marco Silva. Com 44 milhões gastos, está em oitavo na liga mais competitiva do mundo. E nota 16 para José Mourinho, que tem aqui outra dimensão, que é: vamos ver como é que este astro no balneário do Benfica, como é que quem vem agora, quando houver as eleições, vai lidar com isto, porque vêm pessoas com necessidade de afirmação e vão chegar ao Benfica e tem lá este sol a radiar. Também vai ser giro de ver como é que esta direção, se forem inteligentes, aproveita o melhor disto, mas pode ser complicado.

Luís Pinto Coelho.

Eu continuo em modo de bater na Liga, por isso mais um zero para a Liga, porque ontem, com tantos jornalistas estrangeiros nas aves, a verem aquelas magníficas infraestruturas, devem ter ficado espantados com o campeonato português. Porque os estádios são miseráveis para os jornalistas trabalharem e ontem acrescenta-se mais um relvado miserável. Estamos em setembro e já há relvados miseráveis. A Liga tem que pôr mão nisto, porque senão nunca iremos ter uma liga de um nível superior.

João Castro, fechamos contigo. Muito rápido, por favor.

Nota negativa para este Braga, quatro jogos seguidos sem vencer e portanto está difícil a vida para o ex-adjunto do Manchester City. E também aqui uma nota preocupante, é um 10 para já, mas com a falta dos jogadores portugueses. Viu-se isso no jogo do Rio Ave contra o Porto. Começa-se a ver noutras equipas também e nós temos uma excelente formação, ou seja, preocupante, porque no futuro da seleção portuguesa as coisas podem complicar-se se mantivermos este rumo. E portanto é só para já uma chamada de atenção, mas muito preocupante.

Meus caros, obrigado por terem estado aqui nesta edição de domingo de "O Campeão É". Está de regresso amanhã, depois da 13h. Um abraço a todos.