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Nos próximos minutos falamos de desporto na Rádio Observador. Começa agora mais uma edição de "E o Campeão é". Temos um título mundial para abordar, tema forte deste programa, conquistado pela Seleção Nacional Sub17, uma vitória por 1 x 0 sobre a Áustria. Para tal, conto com a análise do Gabriel Alves, do Augusto Inácio e também do Pedro Henriques. Sejam todos muito bem-vindos a este programa. Vamos começar, obviamente, por falar desse momento em que Portugal conquistou um título inédito, o título mundial de Sub17, ora vivido na Rádio Observador desta forma.

À primeira final e acabou! Somos campeões do mundo! Os nossos meninos estão de parabéns. Um grande abraço de Infantini a Pedro Proença. É o 14º troféu das seleções jovens de Portugal. Depois de sermos campeões da Europa, somos agora também campeões do mundo, da Europa para o mundo. Parabéns, Portugal.

O momento da conquista do título mundial de Sub17. O relato foi do Diogo Varela. Augusto Inácio, Gabriel Alves e Pedro Henriques, este é o tema forte do dia de hoje. Vou começar por ti, Augusto, que estavas também a acompanhar esse encontro na nossa emissão especial. Estão de parabéns os jovens, fizeram um trabalho fantástico. Que outras notas a retirar deste título português?

Boa tarde a todos. Foi um jogo emocionante, porque Portugal nunca mais marcava um gol e a Áustria podia aqui ou acolá também importunar a defesa e a baliza portuguesa. Portugal conseguiu marcar um gol, é verdade. Portugal praticamente foi sempre melhor do que a Áustria, mas nos últimos minutos a Áustria fez um forcing para tentar chegar à igualdade. Portugal aí sofreu e uma bola no poste, aí teve um pouquinho a estrelinha, que está sempre pronta para ajudar os grandes campeões. Mas eu diria que é uma vitória justa, uma vitória de um coletivo forte, uma vitória de uma mentalidade boa, de nível competitivo também muito bom, de mentoria e ajuda fantástica, com o olho do treinador muito bem delineado pelo Bino, da forma como nós vimos encarar os austríacos. Eu diria que aquilo que podemos tirar daqui é que parece, eu digo parece, porque meninos com 17 anos, depois chega-se mais à frente, aos 19, 20, 21 anos, que é quando eles começam a tentar perceber se realmente têm estaleca para chegar lá cima onde eles querem, onde eles sonham estar. Vamos ver a evolução deles, mas para já a expectativa é boa, temos excelentes jogadores. Particularmente, gostei muito, mas mesmo muito, e acho que vai ser um grande valor, do Romário Cunha, nosso guarda-redes do Sporting Braga.

Foi eleito o melhor guarda-redes do torneio.

Aliás, eu nos comentários já tinha dito antes que gostava muito desse jogador pelo perfil, pela forma como está na baliza, pela calma, pela personalidade. Gostei muito. Acho que também temos ali um excelente lateral esquerdo, o Zé Neto. O Benfica anda à procura de um lateral esquerdo, parece que o José Mourinho agora vai chamá-lo para treinar com a equipa principal. Enfim, e outros jogadores também que se evidenciaram. Vamos ver. Isto às vezes, essas idades são complicadas se não tiverem bons alicerces, bons acompanhamentos. Ainda hoje estive a ouvir a mãe do Rúben e a mãe do Zé Neto, e gostei muito daquilo que ouvi, porque são pessoas que sabem que isto é o momento e amanhã pode não ser assim. Gostei muito e parece-me a mim que daqui a uns tempos vamos ouvir falar de muitos jogadores que ontem se tornaram campeões do mundo.

Gabriel Alves, esta seleção demonstrou da melhor forma a força da técnica e a técnica da força?

Acima de tudo, demonstrou trabalho. Trabalho de estrutura, trabalho dos meninos, trabalho do treinador, trabalho de quem está envolvido na formação do futebol em Portugal. Mas eu vou destacar aqui, e na sequência do que acabou de referir o Augusto Inácio, esta frase do Bino, treinador, selecionador, o homem do leme, eu vou citar: "Espero que estes miúdos sejam aproveitados". Eu acho esta frase lapidar, porque é muito importante que eles sejam aproveitados, mas muito importante que sejam devidamente conduzidos. De facto, o momento é para curtir, chamemos-lhe assim. É para assentar ideias, também, refletir, perceber que este campeonato do mundo, que é o terceiro jovem que Portugal tem, é muito importante para aquilo que é o futebol de Portugal em termos de formação, que já é galardoado e gabado lá fora, através de excelentes futebolistas que andam profissionalmente nas principais ligas europeias, com atração forte e busca forte, mas é preciso, para que isto seja, obviamente, conduzido a um bom porto, que estes meninos sejam devidamente trabalhados, sejam devidamente acompanhados, que nunca percam, independentemente daquilo que é a alta competição, de todos os pormenores, detalhes dessa alta competição, nunca percam a parte acadêmica, que é muito importante para o seu crescimento. Eu quero só dizer mais uma coisa, que foi o 14º troféu, disseste há bocado, e vou lembrar que foi 34 anos depois, porque o terceiro título mundial, tivemos dois Sub20, em 89 e 91. E eu quero recordar, porque eu acompanhei isso muito de perto, muito por dentro, muito intimamente, mas não só naquilo que eram os comentários e as análises, mas também junto da estrutura e já estava antes disso acontecer e acompanhei antes, durante e depois. Eu quero só dizer que Portugal, com esses títulos, mudou a bússola completa do seu futebol, porque passou a haver uma geração de campeões. E essa geração de campeões trouxe Muita coisa nova, muita competitividade, muitos títulos, muita frescura e, acima de tudo, respeito do futebol mundial pelo futebol português. É porque eu vou a um trabalho. Eu vou dizer e lembrar só nomes que eu tenho que os lembrar. Antes de Carlos Queiroz, é o epicentro, antes estiveram lá Jesualdo Ferreira, Pedro Bandeira, José Augusto. Depois apareceu o professor Carlos Queiroz, que agarrou em tudo o que havia, pôs o que sabia, o que achava que era importante e projetou o futuro.

Pedro Henriques, quero também ouvir-te sobre este tema.

Bom dia. Sim, eu queria, para não estar a repisar, acrescentar o seguinte. Algumas coisas que sobressaem desta tarde-noite. O Mateus Mendes, como já foi aqui falado, considerado pela FIFA o melhor jogador do Mundial sub-17. Mas sabemos: "ah, mas é sub-17, que talentos perdem". Só queria relembrar que o Fabregas também ganhou este título com o sub-17, o Toni Kroos também e o Phil Foden também. Três nomes que ganharam e que deram continuidade às suas carreiras. Portanto, é isso que se pretende e que se quer dos nossos jogadores. Relembrar que o Mauro Furtado foi considerado o terceiro melhor jogador do torneio, relembrar que o Romário Cunha foi distinguido como o melhor guarda-redes e uma vez mais, o Mauro Furtado ontem ganhou o prémio de melhor jogador da final. Neste momento, quando olhamos para as seleções portuguesas, falta ganhar dois títulos, o sub-21, que é a tal mala pata que com grandes seleções sempre tivemos, mas nunca conseguimos, foi o caso do Rui Jorge. E já andámos lá perto. E o Mundial da seleção A. Portanto, boas coisas se figuram no horizonte.

Pedro, e também um torneio olímpico.

Sim, mas os Jogos Olímpicos não é futebol. Futebol é o único desporto, se calhar, é a única atividade, vamos falar praticamente de malta que são aqueles que os clubes deixam ir e depois de fazerem muitos pedidos, mas sim, é um facto, também não ganhamos um torneio olímpico. Eu só sublinho com aquilo que foi já dito aqui também por Gabriel Alves várias vezes e por Inácio e todos nós, agarrando aqui numa tirada do humor, que é muito importante, nós não esquecemos disto, que alguém pergunta: "O que acontecerá a estes miúdos que se tornaram campeões do mundo?" E alguém responde, muito provavelmente, terão de emigrar, porque os seus clubes vão comprar jogadores de seleções que ficaram pelo caminho neste mundial. E este é que é o aspeto mais importante. Podemos falar em qualquer clube, mas pensarmos que o Benfica tem lá oito ou nove jogadores, que o ano passado ganhou tudo o que foi competições ao nível da formação em Portugal e depois, enfim, vemos a crise que o Benfica tem e já está a projetar mais um mercado para janeiro. Isto é só para dar um exemplo daquilo que é uma má mistura, porventura, não quer dizer que se ganhe campeonatos nacionais com o sub-17, mas não é só o sub-17. Há outros jogadores de talento e muitas vezes vai-se comprar porque se acabar o nome em ites ou em ove, a malta compra, mas se for em Silva ou em Toni, a malta já fica com algumas dúvidas. Portanto, é olhar mais para o talento que nós temos cá dentro e se calhar faz-se bons mercados.

Carlos, o tempo corre, não para e é ele quem mais ordena e é também finito. Estamos a chegar ao final do nosso programa, muito dedicado a este título mundial de sub-17, como este grupo de jovens merece, mas não vou terminar este programa sem antes dar aqui uma nota da minha parte sobre a prestação das equipas portuguesas nesta jornada das competições europeias, três vitórias e empate, e pedir ao Augusto Inácio, em 20 segundinhos, as notas e os campeões do dia de hoje.

A nota é 20 para a seleção de sub-17, como é evidente, para todos. Está toda a gente de parabéns. E queria dar a nota 18 para as equipas portuguesas, para o futebol português. O Futebol Clube do Porto, o Benfica, o Sporting ganharam, o Braga empatou na Escócia contra o Glasgow Rangers. Acho que foi uma semana muito boa para o futebol português. É continuar assim.

Gabriel Alves, 20 segundinhos também para conhecer as tuas notas.

Eu sou mais rápido. É uma semana muito boa, que culmina com a cereja em cima do bolo, com este título mundial. Portanto, 20 para o futebol português. Mas olha, que saiba aproveitar e que não fique à beira, à mercê, dos tais comissionistas que andam por aí.

Pedro Henriques, vamos fechar contigo.

Sim, olhando também para as últimas 24 horas, porque acho que o empate do Braga também acaba por ser positivo, 14 valores para o Braga, 17 para o Futebol Clube do Porto, por aquilo que fez e de forma muito impetitiva e obviamente nota 20 para o sub-17.

Ora bem, importa também recordar que a seleção de Portugal de sub-17, campeã do mundo em título agora, vai regressar a Portugal no sábado, vai receber uma homenagem na Cidade do Futebol, promovida pela Federação Portuguesa de Futebol. O avião que traz os campeões deverá chegar a Lisboa pouco depois do meio-dia. A comitiva depois desloca-se para a Cidade do Futebol, onde a partir das 14h30 vão ser homenageados. Cerimónia aberta ao público e que vai contar com o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa. E é com esta indicação, esta nota de agenda, digamos assim, que encerramos a edição de hoje de "E o Campeão É". Augusto Inácio, Gabriel Alves, Pedro Henriques, muito obrigado. Até uma próxima oportunidade.