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E o campeão é bem-vindo à Rádio Observador, programa em que analisamos a atualidade desportiva num dia em que Portugal pode carimbar o passaporte para o Mundial de 2026. Faltam dois pontos. Portugal precisa de uma vitória para garantir já este apuramento, mas pode não ser preciso, a Hungria pode deslizar e ajudar Portugal nessa caminhada. Certo é que logo à noite Portugal joga em Dublin frente à Irlanda e há relato em direto aqui na Rádio Observador. Vamos analisar esse encontro. Eu sou o Miguel Cordeiro, comigo estão o Pedro Henriques, a Mariana Fernandes e também o Luís Pinto Coelho. Bem-vindos. Mariana, vou começar por ti. O que esperas desta exibição de Portugal frente a uma Irlanda que em Lisboa, em Alvalade, há cerca de um mês, se apresentou muito fechada. O jogo foi até ao último minuto e o histórico dos jogos de Portugal com a Irlanda tem sido esse mesmo, jogos praticamente até à última, com uma equipa que defende sempre com bloco muito baixo.

Sim, eu atualmente já não sei muito bem o que esperar, porque a verdade é que acho que tínhamos todos coletivamente esta teoria de que Portugal tinha muitas dificuldades contra equipas muito fechadas, como foi o caso da Irlanda jogar em Lisboa, que defendiam em seguida no seu último terço e que não davam espaço, e Portugal tinha muitas dificuldades em encontrar espaços e a tentar criar situações de perigo, a jogar contra equipas assim. Mas a verdade é que Portugal jogou contra a Hungria, que obviamente não sendo uma equipa do calibre de Portugal e não sendo uma equipa ultraofensiva, não é também uma equipa que se fechou contra a Irlanda e voltou a ter muitas dificuldades a jogar contra uma equipa que não estava assim tão recuada. Portanto, eu adivinho, ou pelo menos antecipo, que Portugal vai novamente ter muitas dificuldades em encontrar espaço. A Irlanda vai se fechar muito novamente no seu setor defensivo, vai tentar colocar muita gente dentro da grande área e eu temo que Portugal comece a cair naquilo em que caiu no primeiro jogo, naquilo em que caiu também contra a Hungria, que é tentar abusar de cruzamentos infrutíferos, inconsequentes e que acabam por não ter grande resposta, porque a verdade é que à exceção de Cristiano Ronaldo, Portugal não tem propriamente alguém na área que consiga impor-se no jogo aéreo, no setor ofensivo e tem algumas dificuldades nesse sentido. Portanto, aquilo que eu gostava de ver logo à noite era uma seleção nacional que conseguisse encontrar espaços, que conseguisse arcar na sua criatividade ou basear na sua criatividade e qualidade de jogo, uma maneira de debelar uma equipa que, certo, defende bem, bloqueia bem, defende-se muito bem, mas que obviamente não tem metade da qualidade que Portugal tem, tanto individualmente como coletivamente. Eu acho que já seria um bocadinho inadmissível Portugal não carimbar o apuramento hoje. É certo que aquilo que se passou contra a Hungria foi um acidente de percurso, mas acho que deixar passar mais do que este jogo obrigaria Roberto Martínez a explicações adicionais.

Luís Pinto Coelho, a tua expectativa para este encontro frente à Irlanda?

Acho que será um jogo duro. Obviamente, jogar na Irlanda nunca é fácil pela forma como eles jogam, pela intensidade que metem em todas as bolas, em todos os duelos, mas acho que temos qualidade mais do que suficiente para vencer esta partida, obviamente, e resolver já o apuramento, não ficar à espera do último jogo ou do jogo da Hungria hoje. Acho que Portugal é favorito, embora seja sempre um jogo perigoso e o histórico diz que a gente na Irlanda tem sempre algumas dificuldades, mas acredito que hoje já fica resolvida a questão do apuramento.

Muito bem. Pedro Henriques, a tua expectativa para este encontro?

Bom dia, estou aqui numa zona com muita dificuldade, o país está-se a virar todo ao contrário.

Temporal afeta a todos.

Estão a ouvir. Exatamente. Olha, vamos lá ver. Resultado final destes dois jogos: Portugal vai passar em primeiro. Eu sei que estamos a analisar só hoje e, portanto, isso é que é o mais relevante e importante. Queríamos todos que Portugal fizesse esse apuramento, se calhar, com um bocadinho mais de facilidade. E se calhar, se não temos empatado no último jogo, estaríamos a falar que hoje teríamos a rodar jogadores ou a fazer outra coisa qualquer. Assim, passamos a máquina a calcular, embora uma máquina a calcular com muita folga, para o jogo de hoje ou pelo menos para este duplo confronto. A Irlanda, como disseram aqui muito bem, já jogou cá muito fechada e, como disse também a Mariana, parece que Portugal, afinal, a dificuldade perante as equipas mais fechadas era evidente, mas depois contra aquelas que se abriam mais, tornava as coisas aparentemente mais simples, mas o último jogo também vem desmentir um bocadinho isso. Mas estamos numa fase em que os jogadores obviamente vão dar o melhor, vão dar tudo, mas estamos numa fase em que isto não é fase final do mundial, o objetivo é passar. Não quer dizer que eles não vão pôr o pé até ao limite, não quer dizer que eles não façam isso, mas há esse conforto, esta sensação que com mais gol, menos gol, com mais minuto, menos minuto, vamos passar. E portanto, será um jogo difícil, Portugal vai se empenhar. Eu acho que hoje vamos ganhar e se calhar quebrar um bocadinho essa grande dificuldade que é ganhar, sobretudo em jogos na Irlanda. Quanto ao 11, que não perguntaste, mas eu digo.

Sim, claro, queremos saber.

Diogo Costa. Sim, a minha dúvida está no defesa direito, só. Mas pronto, Diogo Costa, depois o Inácio com o Rúben, o Cancelo à esquerda. Eu acho que vai ser o Dalot, mas não me surpreendia, é a minha dúvida, que aparecesse o Semedo.

Mateus Nunes não é para ti uma hipótese, nem João Neves, nesse lugar?

Eu acho que não, porque são opções, são soluções, mas não é o normal. Normal no sentido, este selecionador não é de apostar em coisas diferentes, digo eu, a não ser quando de repente mete um defesa direito do Paris Saint-Germain, mas aí é porque ele tem tanta qualidade, tem que jogar em qualquer posição. Um dia destes até joga baliza e por isso é que foi lá convocado. Trio Rúben Neves, Vitinha e João Neves e depois Bernardo Silva e Ronaldo e acho que o Rafael Leão vem a jogo quase garantidamente.

Muito bem, vamos ver o que é que acontece logo à noite. Entretanto, entra neste plantel, nesta convocatória da seleção, João Carvalho, um guarda-redes, um menino do Sporting Braga, Luís Pinto Coelho. Surpreendeu-te esta chamada para substituir, neste caso, o Jessé?

Sim, de certa medida, sim, mas o Roberto Martínez já o tinha feito anteriormente, chamar alguém que está no sub-21, sobe para cima. Em vez de estar a chamar outro guarda-redes, faz algum sentido dar aqui um miminho a um dos jovens do sub-21 e é um guarda-redes com muita qualidade, está muito bem no Braga B, já esteve na época passada também e é uma nova geração de guarda-redes que também está a parecer que tem muita qualidade, embora estejam com vida difícil, porque o Diogo Costa também não é novo, ainda vai ter muitos anos pela frente, por isso, em condições normais, vão ter sempre dificuldade em ser os titulares da seleção. Mas acho que sim, acho que faz sentido. Já estava no grupo do sub-21 e sobe aqui um degrau.

Mariana Fernandes, quem é que é este jovem e se te surpreendeu de alguma forma a chamada de João Carvalho?

Sim, eu concordo com a opinião do Luís, ou seja, acho que é uma opção que faz sentido por parte do Roberto Martínez. Ou seja, foi uma infelicidade que aconteceu, neste caso, com o José Sá, podia ter sido uma lesão, podia ter acontecido outra coisa qualquer. E já tinha acontecido também no caso de Samuel Soares, que depois também subiu diretamente do sub-21 e foi chamado à seleção A quando assim foi necessário. Acho que faz sentido, no meio de um estágio ou, neste caso, muito perto do primeiro jogo de um estágio, em vez de chamar um guarda-redes completamente novo ou que estava fora da convocatória para a lista, chamar alguém que já estava concentrado, neste caso, com outra seleção, e fazer essa subida. É um guarda-redes com muita qualidade, um guarda-redes que tem vindo a impressionar no Braga B e eu acho que não vai demorar muito tempo até deixarmos de o ver no Braga B para o passarmos a ver na equipa principal do Sporting Braga. Agora, como o Luís explicava também, em termos de seleção, seja para o João Carvalho, seja para o Samuel Soares, para o José Sá, para o Rui Silva, para quem for, acho que vamos ter aqui uns aninhos, muitos aninhos, felizmente, em que Diogo Costa dificilmente dará grandes abébias ou grande espaço para perder a titularidade. Agora, que de facto Portugal tem nesta altura uma qualidade nas balizas que há muito não se via em termos de profundidade, ou seja, eu elenquei aqui quatro ou cinco guarda-redes que muito facilmente dão muitas garantias, tanto a um clube como a uma seleção, isso também é verdade. Portanto, também há aqui esse paradigma de Portugal, algo que durante muito tempo não aconteceu e era difícil termos duas opções válidas para a seleção nacional e nesta altura, Portugal tem claramente várias opções válidas e várias soluções de qualidade para a baliza.

Mas não achas estranho o Martínez não ter convocado ninguém para os lugares de Pedro Gonçalves e Pedro Neto e, neste caso, ter convocado para guarda-redes?

Acho que é uma questão de oportunidade, ou seja, provavelmente, tal como aconteceu com Samuel Soares, é mais fácil convocar João Carvalho, porque a verdade é que João Carvalho não é opção, não vai jogar, vai treinar, vai estar inserido no grupo, mas é alguém que não é opção. Vai estar simplesmente para estar inserido no grupo e para ter esse terceiro guarda-redes. Alguém que fosse convocado para os lugares de Pedro Gonçalves ou de Pedro Neto, era alguém que poderia, eventualmente, ser solução, sendo que Pedro Neto muitas das vezes até é titular da seleção nacional. E com isto não estou a dizer que concordo, ou seja, eu acho que é mais fácil convocar João Carvalho, porque é alguém que já estava concentrado, já estava inserido, foi simplesmente uma mudança de equipa, digamos assim, do que convocar alguém que vem de fora. Agora, eu acho que Roberto Martínez deveria ter convocado alguém de fora e deveria ter convocado pelo menos um jogador para suprir as necessidades ou suprir essas ausências de Pedro Gonçalves e de Pedro Neto.

Rodrigo Mora ou Geovany Quenda, por exemplo.

Exatamente. Eu sei que ele não gosta muito de mexer no grupo e não gosta muito de mexer nos estágios, mas nesses dois casos que abordaste, são jogadores que já estiveram convocados recentemente, já estiveram em estágios recentemente e poderiam perfeitamente ter entrado nesta lista e ser soluções. Portanto, surpreendeu-me aí, sim, porque tu perguntavas há pouco se eu fiquei surpreendida com o João Carvalho, não tanto, mas fiquei surpreendida, sim, com o facto de Roberto Martínez ter perdido Pedro Gonçalves e Pedro Neto, e sublinho, Pedro Neto é muitas vezes titulado pela seleção nacional, e ter decidido não convocar mais ninguém.

Pedro Henriques, o que esperas deste jovem e como é que viste esta convocatória?

Não, fizeste uma pergunta que eu acho que estavas à espera de outra resposta. Digo eu, que a outra resposta é o seguinte: por que tens de ter sempre três guarda-redes? Tu nunca podes ir para nenhuma competição com três guarda-redes.

Bem sei. O meu ponto é: sabendo dessa situação de que é obrigatório ter três guarda-redes, faz todo sentido convocar João Carvalho ou qualquer outro guarda-redes. Mas a minha questão para a Mariana era no sentido de que ficaram vagas dois jogadores que ocupam mais ou menos a mesma posição e podia ter convocado pelo menos um.

Sim, mas aí isso é diferente. Tens jogadores suficientes que lá estão para dar e vender para este jogo. Guarda-redes é que tens de levar sempre três. Pronto, ou seja, tu nunca podias dizer assim: "Ah, este lesionou-se, a gente tem dois, não precisa mais ninguém, fosse quem fosse, de fora ou de dentro". Agora, tens dois jogadores que se lesionam. Certo que eu também sou pugnista que pelo menos um deles poderia ser substituído, até nesta perspectiva de levar mais malta, malta entre aspas, jogadores para entrar no estágio e o grupo, etc. Vê se percebe o meu sentido. Isso não é muito relevante, é importante, porque a quantidade de jogadores que lá tens dá para suprir tudo e mais alguma coisa. Guarda-redes é que tens que ir sempre com três. Isso é que nunca podes ir com dois, porque depois acontece uma coisinha qualquer má e quem é que vai para a baliza? E, portanto, guarda-redes tens que levar três. Não é por acaso que quando se aumentou o número de jogadores que inclusivamente estão no banco nas fases finais da europeus e mundiais, é sempre na perspectiva de se ter três guarda-redes, sempre. E é das poucas exceções que há, que se porventura acontecer uma coisa muito mázinha também aos jogadores, em que a UEFA pode abrir exceções para, quando estou a falar já nas fases finais de europeus e mundiais, não tem porque o guarda-redes é uma função muito específica. Agora, aqui estou de acordo, obviamente, com o que foi dito aqui, podia-se ir buscar um guarda-redes de fora, mas também o selecionador não está à espera de um grande azar, não está à espera que o terceiro guarda-redes vá a jogo, é mesmo só por uma questão de segurança e foi mais simples digamos, fazê-lo subir do que estar agora a ir buscar alguém que até pudesse estar fora do contexto do grupo. Eu faria como a Mariana disse também, iria buscar um guarda-redes de fora, não um que estivesse de dentro e também iria pelo menos um jogador, como tu falaste aqui do Moro, do Quenda, também iria buscar para o grupo.

Muito bem, falar ainda das propostas da APAF, de multas, de coimas, de sanções. Mariana Fernandes, o que achaste deste plano apresentado pela APAF?

Já ontem Luciano Gonçalves falava sobre esta questão de tentar tornar as sanções disciplinares um pouquinho mais punitivas para estes casos, no que diz respeito ao insulto ou à crítica da arbitragem. Eu percebo, obviamente, o poder dissuasor de tentar criar quadros punitivos um pouco mais agressivos ou intensos, seja no que for, a suspensão, a multa ou o castigo. Eu, honestamente, tenho muitas dificuldades em achar que é por aqui. Eu percebo, obviamente, a ideia e percebo que a partir do momento em que existe uma multa maior ou que exista a possibilidade de uma suspensão ou da perda de pontos, eu acho que a perda de pontos nos regulamentos portugueses é tão complicada de atingir que eu acho que dificilmente, ou quase impossivelmente, se chegaria aí, mas acho que dificilmente será por aqui que vamos ter um ambiente no futebol ou no desporto, ou seja o que for, um pouquinho mais saudável, onde não se vai tanto criticar os árbitros ou onde não se vai responsabilizar tanto os árbitros por um mau resultado ou por um resultado que não correu como se queria. Acho que tem tudo a ver, e já falámos disso muitas vezes aqui. Tem tudo a ver com uma questão de cultura desportiva, com uma questão da forma como nós olhamos para o desporto ou como olhamos para o futebol, em que mais facilmente a culpa é de um árbitro ou a culpa é de um agente desportivo exterior do que necessariamente de quem está dentro de campo, de um treinador, de um jogador, da falha ou da incompetência de alguém que de fato está dentro das quatro linhas. E acho que isso dificilmente muda com quadros punitivos um pouquinho mais agressivos ou intensos. Mais uma vez, isto não significa que eu não entenda, obviamente, a ideia e não perceba que existe essa vontade de tentar dissuadir presidentes, treinadores, dirigentes, seja o que for, de criticarem ativamente ou de criticarem publicamente a arbitragem. Percebo que é uma maneira de a própria classe se defender. Não sei até que ponto, em termos práticos, pode ter verdadeiras consequências.

Pedro Henriques, a tua opinião. Há a perda de pontos, há jogos à porta fechada, há multas pesadas nestas propostas. Isto parece-te bem? Achas que até poderia ser mais gravoso do que aqui é proposto?

Em primeiro lugar, nós já temos medidas que se fossem cumpridas, isto é, o Conselho Disciplinar já as aplica, mas se depois não houvesse o TAD por cima e limpasse tudo, as coisas já estavam a funcionar melhor. Eu agora vou dar o exemplo recente, que é o do Sporting, mas poderíamos dar 50 exemplos de Benfica e de Porto, que é isto que aconteceu com o Vítor Parandas. 51 dias, de repente, passou a zero dias e passou a 100 multas. Portanto, vem o TAD e limpa tudo. Obviamente que isto, no momento de tensão, dá moral a quem explode e diz o que quer dizer em relação aos árbitros e à arbitragem. E, portanto, a primeira questão é: que sejam quais forem as medidas que forem aprovadas ou estas que já cá estão, a ver se muda esse paradigma que é para ser cumprido. Ponto. E não para vir um TAD e resolver. Ponto número um. Ponto número dois, e que também acho que é relevante e importante, eu destaco sempre isto: não são medidas para não se criticarem os árbitros. Esqueçam lá isso, porque a crítica aos árbitros tem que ser feita e deve ser feita. Foi incompetente, não marcou um penalti, falhou no fora de jogo, isso teve impacto no jogo, ponto. Agora, quando se diz: "Ele está condicionado. Ele viu que a bola ia para dentro e não quis marcar". Isto é outra coisa. E é disto que se está a tratar. É disto, é dos comunicados antes e depois dos jogos, é dos loops a dar não sei quantos jogos numa televisão, do dirigente que entra em campo e diz que vai rebentar todo, e aqui estou a tentar abranger Benfica, Porto e Sporting, que todos eles estiveram neste paradigma. É disto que se trata. E agora eu percebo o que a Mariana diz, eu também sou sempre aquela pessoa pela positiva, pela construção, por outros caminhos, políticas desportivas, mudar a mentalidade. Só que em Inglaterra, como eles também não estavam a resolver isso, foi por aqui que eles foram. E foram, para mim, até longe demais. É que até um treinador que elogiou um árbitro foi punido. Eu já não quero ir aqui, mas é só ouvir as palavras de quem lá andou, Carlos Carvalhal, que disse: "Eu realmente estava um pouquinho descontente, fiz a crítica ao árbitro", mas nada daquilo que até no futebol português às vezes se faz. Veio 35 mil euros de multa de libra. Nunca mais lá fui dizer nada, porque me custou muito a sair do bolso. E termino com isto. É só pensarmos na nossa autoestrada A8, que é aqui da minha região. A malta quando vai a descer, aquilo tem um sinal que diz 100 e a seguir aparece logo ali uma coisinha que multa mesmo. Então a malta mete-se todos a 100. Entretanto, continuamos a ter que andar com o radar, temos que continuar a andar a 100 e desaparece o radar. E a malta 120, 130, 140. Portanto, a malta não vai a 100 porque é perigoso, porque pode haver um despiste. Não, a malta vai porque vai ser multada. A partir do momento que a autoestrada continua a descer, mas que já não está lá o radar, a malta mete-se a 130, 140. Portanto, o que é que isto nos diz? Diz-nos que o cidadão, o sócio que é sócio, como dizia o outro, o cidadão, seja ele quem for, só consegue cumprir quando realmente é multado. Então, se é por aqui que Inglaterra conseguiu e se este é o caminho que outras federações estão a seguir, se calhar temos que começar por aqui, não invalidando aquilo que a Mariana diz, e estou de acordo. Tentar mudar as mentalidades e as políticas desportivas também gostava, mas temos três presidentes novos, novos em idade, novos em espírito, novos em tudo. Mudaram as práticas, só substituíram o pontapé na porta por outras coisas que são um pouquinho mais sofisticadas, mas está tudo na mesma.

Sendo que, neste caso, uma vez que as propostas agravam as penas em casos de reincidência, o que é preciso é um radar de velocidade média para o Campeonato Português. Luís Pinto Coelho, o que te parecem estas medidas?

Eu, por princípio, estou um bocadinho na linha do que a Mariana disse. Não acho que seja aumentar as penas que se vai resolver as coisas, mas também percebo que tem que se fazer qualquer coisa. Eu acho que estou aqui no meio caminho, porque se não se fizer nada, também não vejo como é que se consegue melhorar isto. É um trabalho a longo prazo de mudar as mentalidades, mas é difícil de o fazer. Também não sei se aumentar as penas, não são as pessoas que pagam, são os clubes, e os clubes vão tendo dinheiro para pagar, também continuam a falar na mesma. Acho que tem que se fazer qualquer coisa, mas é difícil de perceber qual é o caminho. O caminho sabe-se qual é, agora trilhar esse caminho e ter resultados, acho que vai ser complicado na nossa cultura desportiva.

Vamos partir para as nossas notas de campeão. Mariana Fernandes, começa por ti.

Sim, olha, na NBA está a acontecer uma coisa muito engraçada, que é o facto daquele que foi o responsável por aquela que é considerada a pior decisão da história da NBA, que foi a troca do Luka Dončić dos Dallas Mavericks para os Lakers, ter sido despedido nos últimos dias. Era o diretor-geral, general manager dos Dallas Mavericks, que foi despedido, o Nico Harrison, não necessariamente por essa decisão, mas porque o dono, proprietário da equipa, achou que os adeptos nunca iriam perdoá-lo por ter tomado essa decisão e está a criar uma discussão gigante na NBA e dentro da própria equipa, porque a verdade é que, por muito que tenha sido da cabeça dele que a decisão veio, é óbvio que ninguém tomou aquela decisão sem esse dono e sem esse proprietário ter dado o seu aval e ter também concordado. Portanto, até que ponto é que é justo despedir um diretor-geral? Eu acho que este é um episódio que pode ser transportado para o futebol, para todas as modalidades, que é quem é que tem que ser responsabilizado pelas más decisões que são tomadas.

Sim, sendo que neste caso, para além dessa troca, ainda há o jogador que foi para os Dallas, o Anthony Davis, que está insatisfeito, também não está a querer continuar nos Dallas. Luís Pinto Coelho, nota do dia, campeão do dia.

Vou dar um 18 à cúpula da arbitragem portuguesa, que ontem fez aquela conferência de imprensa, que já estava prevista. Eu acho que nem tudo está a ser bem feito, mas parece-me que querem trilhar um caminho e querem fazer algo, e parece-me que estão a se esforçar para isso. Acho que toda a gente tem que contribuir para que isso seja feito e que a arbitragem portuguesa dê um salto qualitativo. Parece-me que estão a caminhar nesse sentido, pelo menos estão a tentar. E por isso um 18 para eles, por esta abertura e de falar abertamente sobre as coisas.

Pedro Henriques.

Para a seleção nacional, com toda a energia e com toda a força que precisamos, porque mais cedo ou mais tarde, isto é, ou hoje ou no domingo, vamos carimbar esse passaporte, mas para hoje ficaria já as contas resolvidas para depois no Dragão ser tudo em festa. E portanto, para a seleção nacional, para aquilo que é este caminho para o Mundial, para aquilo que é o sonho de um dia podermos conquistar esse Mundial. E já agora também, portanto, nota 18 para hoje, espero amanhã estar a atribuir um 20 para o Bis, isto é, para os dois gols que o Cristiano Ronaldo vai logo marcar. Não sei se sabiam, mas eu estou aqui a antecipar.

Muito bem, fica aqui a aposta do nosso Pedro Henriques a antecipar esse resultado também para logo à noite. Está feita esta edição de "E o Campeão É". Não esquecer, logo à noite há relato em direto do República da Irlanda-Portugal, com relato em direto a partir de Dublin.