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Quarta-feira, dia em que esclarecemos as dúvidas dos nossos ouvintes no "Português Suave". Eu sou o João Costa e Silva.

Eu sou Marco Neves.

Olá, Marco, bem-vindo. No último episódio, no domingo, quem não ouviu vai ouvir, nós dissemos que o episódio é o episódio da batota.

Da batota ou da batata?

Da batota.

Ah!

Percebeste batata? Tens de ir ouvir o episódio também.

Sabes que eu percebi batata. Agora faz mais sentido ser batota.

Então tu estiveste aquele episódio todo e não percebeste. Estavas na cabeça a pensar: "Por que ele estava a falar da batata? Só agora que eu percebi". Enfim.

Mas olha, a tempo de aprender.

Só pra te dizer que hoje também vamos ter um ouvinte que vai fazer batota, e não batata, porque é um ouvinte que trabalha para o Observador e por isso vai aqui tendo linha direta para uma dúvida que ele tem.

Só pra contextualizar, isto aconteceu em direto. Eu estava a fazer a emissão aqui na rádio com o Miguel Cordeiro. Antes tinha passado o "Português Suave", contigo, Marco Neves, e comigo, e o Miguel deixou-nos esta dúvida que nós vamos ouvir agora.

"Português Suave" na Rádio Observador. Como dizia, dúvidas por WhatsApp, através do e-mail ou em direto. Miguel Cordeiro, diz lá.

É verdade, eu tenho uma dúvida. Eu pensava que ainda não tinha feito antena, mas tu já me disseste ainda há pouco.

Sim, eu é que estou aqui em falta.

E vocês é que estão em falta.

Nós vamos esclarecer.

Posso enviar por e-mail. Se me pedires, eu envio por e-mail.

Não. Eu vou tirar este excerto pra depois passar no programa.

Eu quero ouvir o Marco Neves sobre isto. Já procurei na internet, já encontrei vários tipos de respostas. Qual é a origem da palavra bacia? A primeira vez que foi utilizada foi para bacia hidrográfica, para bacia o osso ou para bacia o instrumento?

Ok. Pronto. Marco Neves, tens aqui uma missão e em breve vais ter a tua dúvida esclarecida.

Obrigado.

Marco Neves, desafio lançado. Tu percebeste a minha reação, porque é uma coisa tão específica, mas o Miguel Cordeiro é uma pessoa assim, uma pessoa que tem sempre muitas curiosidades e é uma pessoa que no fundo nos deixa às vezes muito surpreendidos com as questões que tem pra nos fazer. E esta é uma delas.

O que é bom. Eu também tenho muitas curiosidades sobre língua. Confesso que nunca ninguém me tinha perguntado sobre a palavra bacia em particular. Eu também nunca tinha pensado nela, mas fui aqui investigar um pouco. Fui ao Dicionário Etimológico José Pedro Machado, onde quis cavar nos dicionários de várias línguas. Tentei ver porque a palavra existe em várias línguas. E a pergunta dele é a origem e, em particular, nós usamos para um recipiente, para a bacia hidrográfica e para uma parte do corpo humano. Aqui a parte da bacia, vamos dizer. E ele quer saber qual é que apareceu primeiro destes significados.

É isso.

Vamos começar por esta segunda pergunta. Primeiro apareceu a palavra que significava recipiente. Portanto, recipiente, podemos dizer, uma vasilha côncava pra conter água.

Foi o que causou tudo o resto, no fundo.

Esse foi o primeiro significado da palavra. A origem, já agora, e aqui o Miguel tem razão, porque é muito difícil de perceber, há várias teorias, mas a que é mais sólida é uma origem celta. A palavra passa para o latim a significar recipiente. Portanto, a origem é mesmo uma palavra que já significava recipiente pra pôr água. E aparece no latim tardio. Quando chega ao latim, já aparece no latim tardio. Aparece, por exemplo, no século VI, ali na área do que é hoje a França. Portanto, a primeira língua neolatina que recebe esta palavra é o francês e depois espalha-se pelas outras todas. Só séculos depois é que começa a aparecer a ideia de bacia como parte do corpo, por haver uma certa semelhança entre aquela parte e uma bacia, entre o recipiente. É uma semelhança metafórica e por isso a palavra avança para o corpo humano. E só depois, muito depois, a palavra é aplicada à bacia hidrográfica, que no fundo, se nós pensarmos bem, é um recipiente de água formado pelo próprio terreno. A água está dentro daquela bacia e descae para o oceano, em geral, mas dentro daquele recipiente formado pelo próprio terreno. Portanto, primeiro recipiente, depois corpo humano, depois terreno. É esta a ordem e a origem será celta, não temos a certeza absoluta, mas aparece no latim, na área onde o latim depois se transformou no francês, no século VI. São os primeiros registros que nós conseguimos encontrar, e isto é aquilo que eu te consigo dizer.

Sim, a mim e ao Miguel Cordeiro, que era o principal interessado.

Espero que ele tenha ficado satisfeito. Vamos ver. E pergunta a ele depois em direto.

Depois dou teu feedback. Ou então quando vieres cá, também vais ouvir de viva voz. Temos mais dúvidas, não é?

Temos. A Elisabete Raposo não apresenta uma dúvida, apresenta aqui uma informação: "Ouvi hoje o vosso episódio em que referem o dialeto minderico da vila de Mindo. Se de facto voltarem este assunto noutro programa, gostaria de referir que, ainda que menos famoso, a vila de Mira de Aire também tem um dialeto diferente do de Mindo. Junto à Igreja de Mira de Aire, existe um estabelecimento cujo nome está nesse dialeto. Agora não me recordo do nome, mas significa tasco ou café. Esse estabelecimento está fechado porque é propriedade de quem, a cada ano, organiza as festas de Natal, que são os quarentões do ano em questão". Ou seja, as pessoas que fazem 40 anos, presumo eu, é que organizam as festas de Natal e só abre para um evento de angariação de verbas. "Se porventura pretenderem falar com alguém de Mira de Aire, eu posso tentar, sem compromisso, indicar alguém." Eu gostaria, pessoalmente, de saber um pouco mais sobre este outro falar de Mira de Aire, que eu não conhecia. A Elisabete diz que espera não ter dado calinadas gramaticais. Não, o que eu tenho até dado. Escrevam sem medo. Estamos cá pra discutir essas questões. E por isso, obrigado à Elisabete, por ter indicado este outro falar de Mira de Aire. Fica então aqui o meu convite para quem indique algumas informações. Se nos quiser enviar para o portuguessuave@observador.pt, eu ficarei contente. E temos aqui uma outra dúvida do Miguel Melo Magalhães, que enviou algumas dúvidas, eu vou responder a uma delas. Ele pergunta se devemos dizer Anexo encontra-se ou encontra-se um anexo a este e-mail ou em anexo encontra-se.

A palavra anexo é muito problemática quando falamos de e-mails, não é?

Sim, exato. As pessoas esquecem que nós temos anexo. Mas aqui a palavra anexo pode ser um adjetivo, ou seja, o documento anexo ou o documento está anexo, o documento está anexado, isto quer dizer, ou então pode ser um nome, em anexo, o documento está em anexo, tal como nós podemos dizer que o documento está em vigor. Está nos dicionários há muito tempo, não é uma inovação minha. Anexo pode servir de adjetivo, pode servir de nome, por isso podemos dizer "em anexo encontra-se" ou "encontra-se anexo a este e-mail". As duas construções são possíveis. Há palavras que são ao mesmo tempo parte de diferentes categorias. Isto não é nenhuma inovação, nem sequer é uma novidade, é algo que sempre aconteceu na nossa língua e esta é uma dessas palavras que pode ser inserida nas frases de várias maneiras.

Muito bem. Olha, só aqui um achega a mim próprio, num dos últimos episódios do "Português Suave", porque falámos dos pães e depois houve um episódio que eu estava a ler comentários e eu disse "molete", é mulete. As pessoas disseram nos comentários que se diz mulete e não molete. Eu acho que só disse molete porque estava escrito com o acento no O. Não sei porquê, li daquela forma. Porque já tinha ouvido falar, mas também eu próprio não sabia muito bem como é que se dizia. Mas pronto, não vamos falar mais de pão, porque vamos ficar com fome.

Vamos voltar ao tema, que as pessoas gostam muito do tema de pão.

Marco, dúvidas. Os nossos ouvintes já sabem, mas é sempre bom recordar, para o e-mail que é:

portuguessuave@observador.pt e o telefone, João, diz tu que eu não sei.

Exato, 910 002 41 85, áudios até 45 segundos.

Estás a dar aqui um bocadinho mais de segundos.

O que é que eu costumo dizer? 30?

30. Mas pronto, 45.

30, 45. É só porque o episódio tem 10 minutos. Se enviar um áudio de dois, o Marco depois tem menos tempo pra explicar.

É verdade.

Marco, um abraço. Até domingo.

Até domingo.