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Está no intervalo a eliminatória entre Sporting e Futebol Clube do Porto, na meia-final da Taça de Portugal. Ontem, os primeiros 90 minutos entre Sporting e Futebol Clube do Porto, vitória dos Leões por 1 x 0, gol de Luís Suárez ao minuto 62 de grande penalidade. É também destaque nesta edição de "E o Campeão É". Eu sou Miguel Cordeiro, conto hoje com os comentários de Augusto Inácio, Mariana Fernandes, Gabriela Alves e Pedro Henriques. Bem-vindos. Mariana, começo por ti. Um jogo que teve uma primeira parte com muitos casos, muita picardia, uma segunda parte já com mais futebol, com mais jogo jogado, tempo útil de jogo, e sai o Sporting a sorrir desta primeira parte desta eliminatória. É, para já, um resultado justo?

Eu acho que o resultado justo seria quase perderem os dois, porque acho que se jogou tão pouco futebol, principalmente na primeira parte, que ninguém merecia ganhar e ninguém merecia sair deste jogo com a vitória. Eu sei que estamos um pouquinho habituados e começamos a fazer algumas graças com esta questão dos jogos taticamente ricos e destes jogos em que há primeiras ou segundas partes em que praticamente não se joga, porque o jogo está parado durante muito tempo, mas algum dia isto vai ter de acabar. Algum dia, principalmente entre Sporting e Futebol Clube do Porto, e é preciso fazer essa ressalva, porque têm sido principalmente esses jogos, ou foram principalmente estes jogos, aqui num espaço muito curto de tempo, no espaço de um mês, quase, que acabaram por nos dar 90 minutos ou bem mais de 90 minutos de quase nada. Mas algum dia isto, de fato, vai ter de terminar e algum dia alguém vai ter de perceber que estamos a falar de jogos de futebol e não de batalhas campais ou de autênticas guerras de trincheiras. Porque aquilo que se passou naquela primeira parte, principalmente a partir dos 25, 30 minutos daquela primeira parte, depois com os 10 minutos de descontos, tivemos uma primeira parte de quase uma hora em que, na verdade, não se jogou meia, porque não tivemos qualquer tipo de lance, não tivemos qualquer tipo de jogada, qualquer tipo de ideia, qualquer tipo de clarividência. São equipes que entram num formato de cabeça perdida, como se estivessem a jogar uma final da Liga dos Campeões, em que está tudo por decidir, numa intensidade também muito alimentada pela forma como os dois bancos de suplentes e não necessariamente os dois treinadores, mas um treinador aqui em particular, se coloca também junto da linha técnica. E vemos jogadores das duas equipes a terem atitudes e a fazerem coisas que não vemos em mais nenhum jogo. E aqui, obviamente, estou a falar do gesto do Luís Suárez, do lance do Luís Suárez com o Bednarek, mas também da atitude do Alberto Costa, também da forma como o Pepe reagiu a vários lances. Vemos jogadores que normalmente até têm comportamentos corretos e exemplares em praticamente todos os jogos, a terem comportamentos que não se compreendem. Não é por estarem a jogar contra um dos principais rivais, seja para o campeonato ou para uma meia-final da Taça de Portugal, que as regras deixam de se aplicar. A tudo isto junta-se uma pobreza de qualidade futebolística muito grande.

Na primeira parte, não houve remates à baliza, sequer.

Sim, em que as equipes praticamente abdicam de jogar futebol e se preocupam com outras coisas e com o simples anular do adversário, não necessariamente através de gols ou através de remates à baliza. Portanto, sai deste jogo, certo, o Sporting ganhou, certo, o Sporting está em vantagem na eliminatória, mas sai deste jogo com uma sensação total de derrota do futebol português. Mais uma, na verdade.

Augusto Inácio, o que achaste deste jogo e deste resultado que o Sporting tem para a segunda mão?

Boa tarde a todos. Em primeiro lugar, eu acho que os treinadores olharam para este jogo de maneiras completamente diferentes. Enquanto o Sporting utilizou praticamente os seus titulares, aqueles que é a equipe base, talvez voto pelo Luís Diana, o resto é aquela equipe normal que o Sporting costuma jogar no campeonato. E o Futebol Clube do Porto teve seis mexidas na defesa, no meio-campo, no ataque, inclusive o Mufi foi titular. Eu diria que perante o melhor ataque do campeonato para a melhor defesa do campeonato, eu esperava que o Porto tivesse muito mais dificuldades nesse sentido, em parar o ataque do Sporting com tantas mexidas que teve no seu 11. Mas aqui prevaleceu aquilo que é a organização defensiva do Porto e depois aquela primeira parte, a Mariana também já disse tudo, é realmente uma primeira parte em que parecia que quem tivesse a bola havia que caçar esse homem. E o caçar esse homem era falta. Eu não quero ser muito bruto, mas tanto que as agressões passaram praticamente despercebidas, porque quando não se tem bola e se pisa o adversário, por exemplo, ou se está com o braço no corpo do adversário, isso pra mim é uma agressão, mas enfim, passou. Mas foi parte a parte, não foi só de um lado. Houve grandes cozinhas e o Casari ficou marcado realmente a ver quem é que dava mais pau. Quem tivesse mais pau, esse cara ia pra balneário todo contente dizer: "Nós ganhamos no pau". Mas o que é certo é que isso ganha-se com gols. E os gols apareceram na segunda parte, é verdade, de pênalti, que eu também acho que é grande penalidade, diga-se, mas já se viu qualquer coisa. Já se viu um jogo muito empenhados a tentar chegar à baliza. O Porto começa a segunda parte com uma bola ao poste do Alan Varela, o Sporting respondeu, ganha uma grande penalidade, fica a ganhar 1 x 0. Mas a sensação que eu fico nisso tudo, pra já, um mau espetáculo, que eu não gostei. Principalmente a primeira parte, zero. Agora, a ideia que eu fiquei é que o Fariel tentou, com aquela equipe, fazer o melhor resultado possível, porque embora ele não diga publicamente, eu acho que ele estava a pensar muito já no jogo do Estádio da Luz, que acho, para ele e para o Futebol Clube do Porto, que a pirata é o mais importante, e ficou para o segundo jogo Uma resolução disto tudo, porque o Sporting não conseguiu ganhar uma vantagem assim tanta perante os jogadores que estavam em campo. É que o Sporting jogou com a equipa melhor e o Porto com uma equipa, não digo remendada, mas praticamente seis jogadores da equipa titular que não jogaram.

Gabriel Alves, estiveste também nos comentários no jogo de ontem. O Sporting consegue uma vitória e acabou por estar melhor nesse segundo tempo, mas achas que é um resultado que se justifica esta margem de 1 x 0, que o Sporting consegue para a segunda mão?

Boa tarde. Eu estou de acordo com a Mariana, podiam perder os dois. Portanto, este foi um detalhe que acabou por dar a vitória ao Sporting. Eu deixo uma questão em relação a isto do futebol em Portugal, tendo como imagem aquilo que vimos ontem em Alvalade. Será que o futebol em Portugal se joga em estádios ou naquelas arenas da Idade Média? É que é para lá que tudo caminha. Quer dizer, futebol não há. Há discussão, há questões que são exilentas, há insultos, há gestos, há toda uma série de coisas, que é isso que agora parece que entretém a plateia. É muito mau para o futebol, porque aquilo que é a utopia do futebol vai-se começando a esvaziar. E repare, se há muitos jovens que estão metidos em situações de violência, ainda há dias tivemos a oportunidade de observar junto ao Estádio de Alvalade, nas imediações. A verdade é que também há muitos jovens que começam a deixar o futebol, começam a olhar para outras modalidades, que não têm nada a ver com as federações, com as UEFAs e FIFAs, mas tem a ver com outras federações, com outro tipo de modalidade desportiva, porque isto deixa de ser um entretenimento que possa ser minimamente interessante, independentemente das famílias começarem a pensar. Aliás, muitas já lá nem vão com a família, nem levam os filhos. Portanto, acho que é de facto algo que o futebol em Portugal tem que pensar. E eu estava-me aqui a recordar, e vou ser breve, de umas declarações do Cristiano Ronaldo aqui há um tempo e que estavam nas redes sociais, no Instagram, em que Cristiano Ronaldo dizia: "Mas querem que o futebol português tenha dimensão em termos internacionais, que seja visto, que seja procurado, que seja comprado?" No futebol português não se fala de futebol, fala-se dos casos, das questões, daquilo, daquiloutro, distoutro. Ora bem, futebol não. Porque também não há futebol. E esta é que é a grande verdade. Depois temos uma grande escola de jogadores e os jogadores, obviamente, que se interessam e que se anseiam por fazer vida, e bem, do futebol, aquilo que fica na mente é: "Olha, ver se eu consigo sair daqui". E saem. E depois há aqueles que são os grandes jogadores que os vimos lá fora. Portanto, naturalmente, hoje a nossa seleção, se fôssemos aos anos 80, 90, dizíamos que a Dinamarca era uma legião estrangeira. Nossa seleção hoje, é uma legião estrangeira. Tudo isto tem explicação, independentemente de tudo o que possa ter acontecido ontem, a verdade é esta: o futebol ontem não foi brilhante, não teve luz, não teve cor, foi negativo, foi uma péssima propaganda para aquilo que é o futebol português, porque Porto e Sporting não são duas equipas qualquer, são duas equipas candidatas ao título.

Pedro Henriques, quem acabou por ter muito trabalho foi a equipa de arbitragem, liderada por Cláudio Pereira.

E eu.

E tu também, era o que eu ia dizer. Fizeste a análise toda no Sem Falta, que foi longo. Muita explicação de muitos casos. Mas depois há todas essas críticas dos dois presidentes que falam depois do jogo, trocas de acusações. O que é que tiras de tudo isto? E há aqui, de facto, um caso que está a marcar, pelo menos estas últimas horas, porque regulamentos para cá, regulamentos para lá, a situação de Luís Suárez pode ou não, depois do jogo terminado, ainda vir a ser penalizado, suspenso, ter alguma multa por causa do gesto que fez durante o jogo.

Respondendo a tudo que estás a dizer. Portanto, quem há 20 e tal anos atrás assistiu aos duelos Paulinho Santos e João Pinto, está vacinado para estes casos. Está tudo tranquilo, portanto, isto hoje são fé divers.

Evolução no tempo.

Exatamente. Não, mas estou a dizer isso meio a brincar, obviamente, porque é evidente que isto não é uma situação virgem, nem única ao longo dos tempos. Eu andei lá 20 anos a apitar e tenho mais 16 para documentar. E portanto, aqui ou acolá, estas situações nas rivalidades, agora mais recentemente, por causa também dos senhores presidentes Porto e Sporting, mas entre Porto e Benfica, Porto e Sporting, Benfica e Sporting, tem existido sempre aqui ou acolá essas tricas. Duas coisas, a análise do jogo e a análise extra jogo. No jogo propriamente dito, eu acho que há coisas também que se tiram boas, que é tanto o Maxi como o Suárez, independentemente da questão do Suárez Sob o ponto de vista do que chegou, são jogadores que trazem ao Sporting aquilo que é alma, garra, postura muito latina e que acho que foi importante, porque o Sporting normalmente perdia nesses duelos exatamente contra a equipa do Floco do Porto. Se calhar, muito ou algum do sucesso que vai tendo mais recentemente tem a ver exatamente com igualar nessa postura e nessa atitude dentro de campo, que às vezes depois dão excessos, como aconteceu ontem. E o Houlman, que eu acho que parece que regressou de novo. Ou seja, aquele Houlman que nós conhecemos, acho que está a subir outra vez de forma, tal como o Amorim, mas o Houlman acima de tudo. Do lado do Porto, eu acho que ontem, no meu ponto de vista, inicialmente parecia que o Helder Gomes ia ter também mais uma daquelas noites fantásticas, que realmente é um jogador muito irreverente, mas depois acho que é o Novarella que está aquilo que possa ser, da parte do Floco do Porto, a figura. Do Porto, ainda dizer que eu acho que concordo com a ideia que foi dita, penso que até foi para o Augusto Inácio, que o Farioli, se calhar, porque mexeu mais na equipa, não quer dizer que não estava com o pensamento no jogo, obviamente, é naquele momento no jogo, mas mexeu-me muito a pensar naquilo que possa vir a ser o próximo fim de semana, que é claramente decisivo, no meu ponto de vista, para o campeonato. Em relação ao Sporting, que sabendo que jogava em casa, tinha que apostar mais fichas aqui, porque tentar levar aqui alguma vantagem. Fora disso tudo, aquelas circunstâncias que ocorreram e que mexem com a arbitragem, a começar pelos presidentes, a chamarem a eles próprios o protagonismo. Neste momento, já não é só uma questão de críticas e pôr a arbitragem no meio, são ofensas de natureza pessoal e individual, portanto, escalamos para um patamar muito mais complicado. Relativamente ao Suárez, aquele gesto, nós temos duas formas de abordar isto. Temos aquilo que é diretamente quando o árbitro tem no jogo linguagem ou gestos injuriosos, ofensivos, algo que seja, que pode mostrar cartão vermelho. A intervenção do VAR, que tem outro nome, que não é linguagem, mas tem a ver com atos, no fundo, também que entra um bocadinho dentro dessa perspectiva. Há gestos que estão tipificados para cartão vermelho. O Pepe, ainda jogador, fez aqueles gestos de esfregar os olhos, tipo como quem diz é ceguinho, qualquer coisa assim do gênero, isso é tipificado como cartão vermelho. Este gesto do roubar, que ficou também muito célebre por causa do Paulo Bento, é um gesto que é também para cartão vermelho. A questão aqui que se coloca é quando o árbitro vê, analisa e interpreta de maneira diferente, nunca há grandes hipóteses de fazer aquilo que dantes se chamava sumaríssimos. Quando são situações que escapam à equipa de arbitragem e que não foram vistas, podem entrar, a partir do momento que vai haver aqui uma queixa, uma análise e da possibilidade de eventualmente haver penalização, porque os regulamentos contemplam algumas coisas para isso. A questão que se põe é que estamos em Portugal e em Portugal há uma coisa chamada TAD. E o TAD do Sul, se meteres qualquer coisinha à sexta-feira, resolves sempre o problema. Portanto, consegues adiar. Essa vai ser mais uma questão.

Só uma questão. Se for penalizado o Luis Suárez, vamos imaginar que é suspenso por um jogo. Esse jogo é cumprido em qualquer competição ou apenas na Taça de Portugal?

Não, tudo o que é vermelhos é no jogo seguinte. A questão é que o Sporting, se isso porventura-- para já, não acredito que seja resolvido de forma rápida. E para o Sporting, neste momento, o importante é ir a Braga e levar o Luis Suárez. E o Sporting depois vai recorrer, com certeza, caso haja penalização, e vai meter o tribunal, o TAD, etc, para que ou consiga não cumprir, porque pode haver uma avaliação diferente, ou cumprir numa altura que seja mais favorável, porque em Portugal isso é possível fazer. E temos tido aqui vários exemplos e os clubes aqui, todos eles fazem isso. Recentemente o Porto fez isso com um jogador. É normal que isso aconteça. O Sporting, nesse aspeto, mesmo que seja penalizado, acaba por cumprir quando lhe aprouver e for mais útil.

Vamos às nossas notas de "O Campeão", sendo que deixo espaço para falarem também desse Barcelona-Atlético de Madrid, que o Barcelona bem tentou, mas não conseguiu dar a volta ao Atlético. Mariana Fernandes, começo por ti. Notas do dia de hoje.

Recuso-me a dar qualquer tipo de notas a este jogo, por isso dou um 18 à seleção feminina, na verdade, que foi a única coisa boa do futebol português no dia de ontem, que ganhou 2 x 0 à Finlândia, com dois gols nos descontos, foi superior ao longo de todo o jogo, não conseguiu marcar, teve poucas oportunidades também. Eu acho que continua a ser uma equipa com muito melhor jogadoras do que o melhor coletivo e continuo sem perceber como é que isto é possível, mas a verdade é que ganhou o primeiro jogo de qualificação para o Campeonato do Mundo. É muito importante voltar a qualificar-se para o Campeonato do Mundo para manter uma certa estabilidade e entrar aqui num nível de regularidade. Por isso, um 18 para a seleção de Francisco Neto.

Gabriel Alves.

Olha, eu deixo aqui uma nota para a reflexão que a imprensa alemã está a fazer sobre a ajoelhada que o Rüdiger deu quando o Diego Rico estava caído no chão no jogo com o Getafe. E reflexo que ele possa não ir à seleção alemã. Olha, é de pensar. Bem, a minha nota vai para um jogo de futebol com todas as incidências, com tudo o que o "Fedever" que hoje a imprensa espanhola também fala, principalmente a de Madrid e tal. O jogo entre o Barcelona e o Atlético de Madrid teve futebol, olha, teve chicha, teve aquilo que é bom, teve entusiasmo, até aquele quase milagre de o Barcelona não conseguir igualar o Atlético de Madrid. Mas acima de tudo, La Masia. Marc Bernal, que começou a aparecer. Olha, é tão bom os clubes às vezes não terem dinheiro, estarem falidos. Aí está mais um que veio de lá e que o Flick está a aproveitar. 1,93 m, faz seis, tem 18 anos, é canhoto, quatro gols nos últimos quatro jogos, a partir do momento em que foi chamado por Hansi Flick. "Ô, menino, tens 15, espero que chegues a 20".

Augusto Inácio.

Olha, independentemente de tudo que se passou ontem no jogo do Sporting Floco do Porto, há uma coisa que é um fato. É que o Sporting ganha 1 x 0 e tem essa vantagem para os jogos da segunda mão no Dragão. Por isso eu vou dar 14 ao Sporting pela vantagem que tem, não pelo jogo que foi, mas pela vantagem que tem. E vou dar nota 17 para um grande treinador português que fez um grande trabalho no Cruzeiro, que é o Leonardo Jardim, e parece que tem tudo acordado agora para ir para o Flamengo, para o grande Flamengo. É mais um grande treinador num grande clube como é o Flamengo. Por isso, nota 17 para o Leonardo Jardim.

Pedro Henriques.

Sim, a minha nota vai ser uma nota 18, porque foi criado um novo prémio este ano, como nós sabemos, para esta época, que é o chamado Prémio Calimero. E dentro disto, e com aquilo que eu tenho visto nos últimos tempos, ontem e no outro dia também com a questão do Benfica pós-jogo, vai ser muito rasgadinho, candidatos não faltam, não sei quem vai ganhar. Para já, nota 18 para o Prémio Calimero.

Mais jogos para o Prémio Calimero no próximo fim de semana. Está feita esta edição de "O Campeão".