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O Sporting está no Jamor. Daqui por um mês e um dia, a 24 de maio, vai tentar a sua 19ª Taça de Portugal em 32 presenças nesse jogo decisivo, que vai ser contra o Torriense ou o Fafe, duas equipes que jogam ainda hoje o acesso a essa final. Num jogo intenso, o Sporting sobreviveu com esse 0 x 0 no Dragão. Elimina, assim, o Porto da prova rainha, beneficiando o resultado de 1 x 0 da primeira mão. Reações e consequências desta vitória do Sporting e desta derrota do Futebol Clube do Porto em análise neste "E o Campeão É" com Augusto Inácio, Gabriel Alves e Pedro Henriques. Bem-vindos, campeões. Começaria com o Augusto Inácio. Augusto, foi um exercício bem conseguido de sobrevivência o do Sporting ontem no Dragão?
Boa tarde a todos. Diria que sim. Realmente, foi um jogo muito competitivo, com muita raça, com muita luta, mas tecnicamente foi pouco. Foi muito pouco aquilo que as duas equipes deram ao jogo. Um Porto que entrou nos primeiros 10, 15 minutos com uma intensidade muito forte e com uma arrogância ofensiva também de assinalar, mas o Sporting depois começou a tirar esse fulgor, essa confiança, essa entrada do Futebol Clube do Porto e, como se costuma dizer, começou a pôr gelo no jogo ao ponto do Futebol Clube do Porto cheirar muito a bola e não ter participação com ela nos pés. Eu diria que o Sporting fez o jogo que mais lhe convinha. Na segunda parte, como se esperava, o Sporting fisicamente acabou por ceder. Dois jogadores que se lesionaram, que era o Gonçalo Inácio e o Ousmane. Poderia antever que o Sporting poderia quebrar aqui ou acolá, mas não. Os jogadores do Sporting uniram-se, a estratégia foi muito bem montada, o Porto não teve capacidade técnica, nem mental, nem paciência para poder desmontar a boa organização defensiva do Sporting. E depois, na parte final, é sempre assim, as equipes querem marcar um gol, neste caso, o Porto queria marcar um gol para igualar a eliminatória. É o Sporting no contra-ataque que tem pelo Luís Guilherme a grande oportunidade do gol. E depois, na parte final, o Rui Silva faz aquela grande defesa na cabeça do Moffi que podia ter dado um a zero ao Porto, mas esses foram os momentos que eu diria que ficaram muito aquém daquilo que se esperava. Ou seja, esperava-se muito mais momentos daqueles que acontecessem durante os 90 minutos e não foi isso que aconteceu. Por isso o Sporting passa bem, passa como equipe guerreira, ferida, parece que saiu de um combate, mas saiu ileso.
Gabriel Alves, consequências para este Futebol Clube do Porto. A eliminação da Taça poderá ser um fator que une o plantel para dar uma resposta no que resta do campeonato ou de alguma forma animicamente podem surgir marcas desta eliminação na Taça?
Boa tarde. Eu acho que o Futebol Clube do Porto, o seu primeiro índice para a época, aliás, já muito aqui confessado e visto, confessado porque é visto, é obviamente recuperar o título de campeão nacional. E para isso está bem encaminhado, independentemente de haver a utopia de quem vai atrás poder lá chegar. Mas eu acho que nesta minha opinião, porque isso era preciso também quer o Sporting, quer o Benfica vencessem os jogos todos, tal qual como optou o Porto, ou melhor, foi que o Porto não ganhar todos e o Sporting e o Benfica ganharem todos. Eu acho que sim, quanto à matemática, essa utopia, que é bonita, faz-se bem e de facto é o melhor disto tudo, porque em relação ao jogo, eu, de acordo com tudo que o Augusto acabou de dizer, só diria aqui mais qualquer coisa em relação ao Futebol Clube do Porto e em relação àquilo que ele não foi capaz de poder concretizar. É que o Futebol Clube do Porto falta-lhe uma coisa: é arte. Tem a arte física, mas falta-lhe a outra arte, a outra capacidade de poder desmontar pelo diferencial de jogadores, porque o Gabri Veiga e o Mora sim, mas não tanto. Depois falta-lhe o tal ponta de lança. Dois magoados que são bons, mas que não podem dar o seu contributo. E este jogo acabou por ser um jogo da casa das máquinas, onde de fato esteve um jogador imperial, até porque vem lá do império asiático, que é um jogador que já o tinha feito quando foi do futebol das Champions pelo Sporting frente ao Arsenal, que se chama Morita, que está de partida do país. É um jogador fabuloso. Ele esteve muito tempo ausente, esteve magoado, mas agora nesta parte final da época, Morita está a dar cartas e vai deixar saudades, não só ao seu clube, mas também dentro daquilo que se gosta de futebol, porque é de fato um jogador que dimensiona o jogo e a sua capacidade mostra e aquilo que tem dado ultimamente, eu falo Arsenal de Champions e neste jogo do tudo ou nada em termos de taça, a dar esse cartão. De resto, três figuras no Sporting, para além de Morita, que para mim é o melhor jogador em campo, temos o Diamanté, é de fato um excelente central e Rui Silva respondeu bem na hora. Quanto ao Futebol Clube do Porto, também é a casa das máquinas, onde Fran Olta sai destacado, sem margem para dúvidas, mas depois está lá o Rosário, que é sempre um jogador de alto calibre e de alta qualidade. Está o Varela, que acabou por sair mais cedo. Mas isso são os fatores que eu vou deixar para o nosso Pedro Henriques. Na verdade, é um jogo que acaba sim, intenso, mas em termos de futebol, fala-se muito mais do resto, tudo o que aconteceu antes, o que aconteceu na envolvência, o que aconteceu depois. Quanto ao jogo em si, quanto ao sumo, eu diria
Morita destacou-se e é um jogador a merecer uma nota alta.
Entretanto, já pode ouvir a edição de ontem do "Sem Falta", que analisou precisamente o trabalho do árbitro Miguel Nogueira, assinatura do Pedro Henriques, que está aqui conosco esta tarde. Pedro, aquela primeira parte, de facto, foi difícil para o árbitro, as coisas pareciam nervosas. Aqui o Gabriel Alves também a aludir a essa envolvência do jogo, mesmo de algumas semanas para cá, não só da tarde que antecede o jogo e da noite que antecede o jogo. Não deve ser fácil para um árbitro segurar um ambiente que parecia demasiado crispado também dentro de campo.
Sim, muito bom dia. Podemos começar por aí, embora já sabes que eu aqui no "Campeão" gosto mais de focar outros aspectos que não a questão da arbitragem. Mas podemos começar por aí, porque independentemente dos erros que o árbitro cometeu ou que a equipa de arbitragem cometeu, e para mim há dois que são importantes, há a questão de que ninguém facilitou a vida ao árbitro. Dir-me-ão: "Mas não tem que facilitar." Sim, mas nos outros jogos, em 95% dos outros jogos, a atitude, o comportamento dos treinadores, dos jogadores, dos bancos, das direções, dos apanha-bolas, das toalhas, tanta coisa que a gente agora não parava de falar aqui, não são assim. Portanto, eu tenho dúvidas que determinados comportamentos que tenho visto e que vi ontem, já tinha visto noutros jogos deste género, que, por exemplo, as equipas portuguesas, seja o Porto, seja quem quer que seja, tenham na Liga dos Campeões. Aliás, o meu grande desafio é: façam o que fazem cá dentro, na Liga dos Campeões. Façam lá isso, só uma vez, só para experimentarem, para ver o que acontece. Eles não fazem, nem têm o tipo de declarações que têm no pós-jogo, sempre centrado em torno das arbitragens. Não fazem isso. E não fazem por alguma razão. Eu não sou apologista, bem pelo contrário, sou daquelas pessoas que acha que é pela positiva que a gente deve conseguir obter resultados. Mas infelizmente, estamos num momento da nossa sociedade em que se calhar as pessoas só conhecem um aspecto para resolver os problemas, que é pela punição. E enquanto nós tivermos as nossas punições que não são punições, as idas à ministra que não são idas à ministra, e depois fica tudo bem, tudo na mesma, continuaremos a ver aquilo que temos visto. Relativamente ao jogo, eu gostava de dar só aqui duas notas também. Eu acho que o Porto ontem foi demasiado previsível e muito desinspirado, como disse aqui o Gabriel Alves muito bem com o Fralo, se calhar, a ser o destaque relativamente a essa desinspiração e previsibilidade. O Sporting, eu tenho mesmo que agarrar nesta expressão, que é uma que nós usamos muitas vezes para falar à medida que começamos a ter dores nas costas, que é: "Estou preso pelos arames." O Sporting conseguiu se agarrar aos arames e foi o que se safou, porque o Sporting está claramente preso pelos arames e isso deve também ser alvo de reflexão por parte da equipa técnica e de toda a estrutura, que se calhar este Sporting, que até vai fazendo umas coisas. Imaginemos que tem feito um bom mercado de inverno. Imagina que não tinha deixado ir embora o Alison. Imagina que não tinha contratado o Faé. Imagina que tinha ido buscar um ponta de lança para resolver aquilo que se percebia que o Luís Suárez, mais tarde ou mais cedo, ia deixar de render e era preciso um ponta de lança com outro estatuto. Imagina. É porque os sacos descarregados de dinheiro, experimentem pô-los nos campos, às vezes chutam e marcam gols de cabeça. Não marcam. E portanto, este Sporting vive problemas que eu acho que eles próprios cavaram na maneira como não planearam, sobretudo no mercado de inverno. O jogo foi um jogo de Taça de Portugal, não concordo nada com estas meias-finais a duas mãos, não concordo nada com horários às 20h45. As meias-finais é para se jogar num só jogo, é só para ser jogado inclusivamente em campo neutro e dar uma outra dinâmica a este tipo de jogos, mas foi o que foi e agora é esperar para ver. Se calhar hoje vamos ter aquilo que todos nós amamos no futebol, que é a verdadeira paixão. Claro, estamos a falar de equipas que já não são amadoras, nem pouco mais ou menos, Torriense e Fafe, mas aquela velha paixão, não é que eu coma corachos, nem beba cerveja, bem pelo contrário, mas aquela velha paixão que a gente tem de ir a um campo e ver um bocadinho aquele respirar do futebol um bocadinho à moda antiga e com romantismo. E a Taça de Portugal pode e traz esse romantismo. Aliás, vai trazer, porque Torriense ou Fafe, um deles vai estar na final da Taça de Portugal, no grande palco que é o Jamor. E isso vai ser tão bonito, ver uma equipa destas numa final.
E é uma meia-final que se decide hoje. A eliminatória está empatada a uma bola. O Fafe, Augusto Inácio, tem de ser considerado nesta edição da prova o tomba-gigantes, já deixou para trás, entre outras equipes, o Moreirense e o Braga, só para citar aqui algumas de primeira liga. Há algum favorito para esta meia-final de mais logo e seja ele qual for, na final, o favoritismo vai sempre caber ao Sporting.
Ora bem, o Fafe está a fazer um trajeto nesta Taça de Portugal extraordinário e fantástico. E eu há pouco tempo estive a falar com o Derlei, presidente da SAD do Fafe, e ele mostrava mesmo esse contentamento que tinha com o trajeto da equipa nesta Taça de Portugal. Agora, depois o Torriense. O Torriense está também a viver uma fase excelente, porque está a quatro pontos da subida de divisão e está a lutar juntamente com Leiria para ir pelo menos ao playoff de acesso à subida de divisão.
Já o Fafe numa situação muito diferente na sua liga, pelo menos.
Exatamente. Muito diferente daquilo que o Torriense está a passar em termos daquilo que é objetivos mais acima. Eu diria que o Torriense, depois de ter empatado em Fafe, é o favorito, tem tudo realmente para passar à fase seguinte e ir à final. Qualquer uma das equipas vai viver um sonho, que é estar no Jamor, que é o palco onde todos os clubes querem estar e todos os treinadores também querem estar e todos os adeptos querem estar. Mas claramente, depois do jogo de ontem, que foram duas finais, e eu aí concordo com o Pedro Henrique, aliás, também já disse isso há algum tempo atrás, que a meia-final tem que ser num só jogo. E sendo em dois jogos, imagina tu que era Torriense-Sporting na meia-final. Evidentemente que o Sporting, mesmo que tivesse algum percalço no Torriense, depois em casa, ia ter que tirar essa vantagem.Um jogo também estou de acordo, um jogo só e em Campeão também estou de acordo. Agora, claramente a final do Sporting foi com o Porto, em Alvalade e no Dragão, mas nunca deixando de respeitar, como é evidente, o adversário, que às vezes essas coisas podem acontecer. Podem acontecer, as coisas acontecem. O Sporting também já perdeu finais que parecia que ia ganhar e não ganhou, como por exemplo, com a Académica. Isto é um exemplo só que eu estou a dar, mas diria que sim, diria que o Sporting tem tudo para ganhar a taça, mas nunca fiando.
Augusto, ficava já contigo para conhecer o teu campeão de hoje. Temos que avançar.
O meu campeão de hoje, claramente, que é nota 17 ou 18, porque o Sporting passou num teste muito difícil. Depois de tudo o que tem acontecido, o Sporting está na final da Taça por mérito próprio, por isso dou a nota 18 e se ganhar vou dar a nota 20. Mas também queria dar aqui nota 17 para o Al-Nassr, do Jorge Jesus, do João Félix e do Cristiano Ronaldo. Ganharam 5x1 ontem o Al-Ahli de Doha, do Qatar. Estão na final com o Jeonbuk Hyundai Motors. Vai chegar-se ao vero no dia 26 de maio e está a fazer uma época espetacular. Pode ser campeão da Arábia Saudita e pode ganhar a Liga dos Campeões de hoje, que é uma espécie de Liga Europa cá do nosso continente. Por isso, grande trabalho que o Jorge Jesus está a fazer. Nota 18.
Gabriel Alves, o teu campeão de hoje e com que nota?
Olha, eu tenho aqui várias. Nota 18 para o Morita, que fez de facto um excelente jogo. Vou dar também nota 18 para a comunicação arbitral, porque é de facto o jogo que se fala. Jogo de futebol entre grandes, a arbitragem está na primeira página. Portanto, parabéns para o Pedro Azevedo. Cobra bem aos patrocinadores que estão a chegar. Depois tenho aqui uma nota de preocupação, e estou a falar de futebol, que é a lesão do Lamine ontem, num jogo que eu fiz e comentei.
Lamento. Cancelo também se lesionou.
Espera, sim, Estêvão. Espera aí, aqui são três e que são jogadores jovens. O Cancelo já não é tão jovem, mas esses dois jovens que são jogadores importantes para o Mundial, para aquilo que é o futebol, e já lá vou ao Mundial por aquilo que é negativo, mas listo, esperemos que o Lamine já perdeu a época, mas poderá estar, e espera-se que assim seja, pronto para jogar o Mundial. Quanto ao Estêvão, parece que isso não vai acontecer, que é uma das promessas do futebol brasileiro. Quanto ao Cancelo, parece que não é tão grave e, portanto, vamos estar resguardados nessa não tão gravidade. São notas de preocupação. Depois tenho notas de, olha, não me rio porque as coisas são de facto graves e não dá para rir. Enviado especial do presidente Trump à FIFA para dizer que o Irão será substituído pela Itália. Ah, porque isto também é preciso fazer aqui as pazes com a senhora Meloni. O que é isto? Espero que o Congresso da FIFA, que tem que decidir isto, decida em conformidade com aquilo que é a lei. E depois quero a nota de corretividade, que é fresca, é aquilo que se passa entre o City e o Arsenal. Estão ambos à frente depois da vitória do City ontem, 70 pontos. Antes do igual, era de igual 37, mas quem marca mais gols é quem vai à frente. É o City que tem 66, o Arsenal tem 63. Graças a Deus, quem marca gols dá festa. Esteja vendo.
Gabriel Alves com as notas de campeão de hoje. Começamos com o Pedro Henriques. Pedro, força.
Sim, só rápido, uma só nota. Nota 20 para o Torriense e para o Fafe, ainda antes de jogarem, por uma razão muito simples, porque hoje o dia é todo deles. Desfrutem, parabéns por estarem aqui e que seja um grande jogo. E depois um deles vai ficar mais feliz e vai ir à final, mas no fundo vai representar tudo aquilo que é o romantismo que nós encontramos ainda hoje, felizmente, naquilo que é o futebol, o futebol paixão, o futebol emoção e, portanto, o Torriense ou Fafe, um deles vai nos representar com esse romantismo na final da Taça de Portugal.
Deixo aqui uma nota rápida final para Kika Nazaré, conquista o segundo título de campeã em Espanha com o Barcelona, em duas épocas. Foi titular ontem no triunfo por 4x1 ao Espanhol, o que faz com que no futebol feminino o Barcelona já seja campeão. Fica por aqui a edição de hoje com Augusto Inácio, Gabriel Alves e Pedro Henriques.