Manuel Castro Almeida, ministro da Economia e Coesão Territorial, não exclui a possibilidade de o Estado aumentar a sua participação na Galp, onde detém 8%. Questionado, em entrevista ao Jornal de Negócios e Antena 1, sobre a possibilidade de reforçar a posição, Castro Almeida não foi taxativo, mas deixou essa possibilidade em aberto.

“O que lhe posso dizer? Se eu lhe disser que essa é uma possibilidade, amanhã vai haver aumento das ações da Galp. Se lhe disser que está fora de causa, estou a mentir”.

Sobre o fim do negócio entre a Galp e a Moeve que levaria a que os acionistas portugueses ficassem minoritários na empresa detentora da refinaria de Sines, Castro Almeida declara que “o Governo cumpriu o seu dever, marcando a importância de os portugueses terem garantias de que a mudança da propriedade da refinaria não ia criar riscos em caso de turbulência no mercado energético. Uma empresa com este alcance estratégico sabe que está sujeita a uma ponderação dos interesses globais para lá dos individuais”.

A decisão de pôr fim ao negócio foi das empresas, mas Castro Almeida indica que, “pelo meio, o Governo sentiu necessidade de intervir. Ninguém duvida que o Governo tem total respeito pela iniciativa privada, pela propriedade privada e respeito pela autonomia das decisões das empresas. Mas também ninguém duvida que o poder público tem de cuidar, acima de tudo, do interesse público. E uma empresa que tem a única refinaria de Portugal tem a noção do interesse estratégico dessa empresa e de que essa empresa está subordinada a um princípio de defesa do interesse público”.

Deixa a indicação de que o Governo continuará atento ao que a Galp decidir para a refinaria e aos parceiros que possam vir a encontrar. “Não nos interessa quem é o dono da empresa, interessa-nos é que o dono, seja ele quem for, esteja ciente, esteja comprometido com um conjunto de regras que garantam a defesa do interesse nacional, seja o dono quem for”.

Negócio caiu mas Galp continua a ver racionalidade em ter um parceiro para refinaria de Sines