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Vitória dos Leões na Amoreira, com alguma dificuldade e polêmica à mistura. Polêmica que também se alastrou à Assembleia Geral do Benfica. Muitos sócios abandonaram o pavilhão quando Luís Filipe Vieira se preparava para falar. Estes são os temas em análise no "E o Campeão É" deste domingo. Eu sou João Costa e Silva, comigo está também o José Rafael Lopes e juntam-se a nós o Pedro Henriques, o João Pinto, o João Castro e o Luís Pinto Coelho. Sejam todos muito bem-vindos. Zé, começamos pelo Sporting.

Precisamente, que venceu por 1 x 0. Luiz Soares, com o remate certeiro aos 12 minutos, fez toda a diferença frente ao Estoril, na Amoreira. Um jogo complicado para os Leões. Ainda assim, mais três pontos para a equipa de Rui Borges. E João Castro, vou começar precisamente por ti. Este é um jogo que deve ser esquecido ou olhado ainda com mais atenção? E pergunto também se o mais importante, que foram os três pontos, acaba por ser o melhor que o Sporting tira desta partida.

Bom dia. O fundamental foi conseguido. Três pontos na Amoreira é sempre bom. E, sobretudo, é uma equipa que é bem treinada, tem bons jogadores individuais, com boa qualidade, sobretudo no ataque. O Bergraoui, o próprio Gitane, João Carvalho. Portanto, são três pontos importantes, sobretudo antes de uma deslocação difícil a Nápoles pra Champions. Eu acho que o Sporting começa bem, acho que tem 25 minutos bons. Realmente, o Sporting com Maxi e Morita é outra coisa, é claramente melhor. Conseguiu, neste caso, pelos três corredores, criar perigo, quer pelo esquerdo, pelo central e pela direita, e depois também atacar a profundidade. Beneficia de ter dois centrais que têm essa qualidade incrível na construção e no lançamento longo também, o Inácio e o Debast. Foi um Sporting muito forte nos primeiros 25 minutos. Depois começou a esmorecer, a ter alguns erros, sobretudo demasiados erros de passe dos jogadores e com isso o ritmo baixou um bocadinho. E na segunda parte, com as alterações, eu acho que o Sporting baixou. A saída do Morita fez-se logo notar. Foi um Sporting muito errático em alguns momentos, a complicar muito, a circular a bola muito devagar, a permitir ao Estoril, obviamente, depois também subir linhas. Entrou bem o Alisson, já na parte final, e conseguiu esticar um bocadinho o jogo, mas de resto, ficou mais importante. Na segunda parte, o Sporting não deixou o Estoril criar nada. Na primeira deixou, foi com um erro do Debast, mas o Rui Silva fez uma grande defesa, mas foi a grande oportunidade do Estoril. De resto, não conseguiu criar mais nada. Foi suficiente. Agora, ficam os alertas e gostei muito do que o Rui Borges disse no final. Ou seja, chamou a equipa à atenção, porque 1 x 0 é sempre perigoso. Deixar o jogo entrar num jogo mais dividido, deixar o Estoril acreditar, ter mais posse de bola, posses de bolas mais longas, permitiu ao Estoril acreditar. Felizmente, não aconteceu nada e o Sporting acaba por vencer e ter esses três pontos fundamentais.

E diz também, João: "Se tiver de mudar 10 na próxima jornada, muda 10". É um cenário que acreditas que possa acontecer?

Não, acho que não. Acho que era impossível mudar 10. Mas a mensagem que passa é que os jogadores não podem baixar tanto ou desligar tanto do jogo. Ele está a dar uma clara mensagem que se vir jogadores a entregar menos dos mínimos que ele acha necessários, obviamente vai os retirar. Lá está, o Sporting tem mais jogos fora do que em casa e tirando só a derrota com o Porto, continua a somar vitórias. Todos os jogos que foi fora, o Sporting vence, o que também é importante, quatro vitórias fora. O melhor está feito, mas isto é um jogo pra analisar e para realmente o Rui Borges dar na cabeça alguns meninos que complicaram demasiado o jogo, sobretudo na segunda parte, e desligaram um bocadinho.

João Pinto, como dizia aqui, e muito bem, o João Castro, o Rui Borges acabou por meter o dedo na ferida depois na conferência de imprensa. Não ficou satisfeito com este resultado e diz que este jogo deve servir de lição. É também quase como um alerta, tendo em conta o calendário que vem aí para o Sporting, uma extra deslocação a Nápoles, logo depois o jogo com o Braga. Como é que olhas pra exibição dos Leões ontem à noite?

Eu concordo com grande parte daquilo que o João disse. Acho que o Sporting foi sempre superior. Se tivesse a ganhar por 2 x 0 no intervalo, não chocava ninguém, ou por 2 x 1, se aquela do Estoril entra. Mas realmente o Estoril construiu muito pouco e mereceu muito pouco chegar ao gol. Mesmo tendo um Sporting a baixar o ritmo, o Estoril nunca foi capaz de pegar na bola e ir por ali fora. Aquilo que me parece é que realmente o Sporting foi superior, mereceu os três pontos e depois tudo aquilo que o Rui Borges disse é um alerta pra esse calendário que aí vem. O Sporting agora vai a Nápoles, vai ter um jogo difícil, depois tem um jogo pra o campeonato, pausa das seleções e depois naquilo que aí vem no próximo período competitivo, o Sporting tem jogos muito complicados e um calendário muito apertado. Portanto, é normal que os jogadores já estivessem com a cabeça em Nápoles e aquilo que o Rui Borges está a querer dizer é: "Malta, vamos jogar o jogo que temos na frente e não pensar no próximo", porque normalmente isso não dá nada.

Essa aragem costuma dar mau resultado, não é, João Pinto?

Exatamente.

Luís Pinto Coelho, eu gostaria também de escutar a tua análise sobre o que aconteceu na Amoreira. Ficaste de alguma forma surpreendido com o que se passou nesta partida?

Eu não diria surpreendido, acho que era um jogo sempre perigoso para o Sporting. E acho que o Sporting entra bem, faz ali, eu diria, 15, 20 minutos bastante interessantes, mas depois foi uma exibição sofrível. Basta perceber, por exemplo, ou olhar pras estatísticas, o Sporting fez um remate enquadrado, que foi o gol Tem mais uma oportunidade clara pelo Pedro Gonçalves e o Estoril também, no final da primeira parte, tem dois lances perigosos. Por isso é uma vitória. É melhor o resultado que a exibição. Não é uma grande exibição e parece-me claramente e pouco explicável até, porque o Sporting teve uma pré-época normal, ainda só teve um jogo de competições europeias e parece-me uma equipa espremida fisicamente. Eu continuo a não perceber porque é que Pote aos 60 minutos desaparece do jogo, Morita não consegue jogar mais de 45 minutos. Há ali alguns problemas que me parecem que agora com os jogos de Champions de outro nível, por exemplo, esta semana, se calhar, o Sporting vai mostrar mais algumas debilidades, que para já estão um bocadinho escondidas. E ontem, obviamente, eu não gosto muito de falar disto, mas começam a ser alguns sinais preocupantes da Liga Portuguesa, que os erros são sempre para o mesmo lado. Ontem, por exemplo, o golo não devia ter sido validado e é um penalty claro a favor do Estoril. E quando esta semana, por exemplo, o Duarte Gomes falou no Canal 11 e um dos lances que se referiu foi quando o Sporting estava a perder um zero em Famalicão e o Gonçalo Inácio devia ter sido expulso. E se calhar não ganhava aquele jogo. Mas acho que tem que afinar, porque estão a falhar muitas vezes, mas o Sporting aqui conseguiu o mais importante dos três pontos e tem o melhor, que é aqueles primeiros 20 minutos que entrou forte na partida.

Pedro Henriques, tu já ontem fizeste questão de falar aqui destas questões de arbitragem, está tudo disponível no teu podcast, sem falta, para ouvir aqui no Observador. Fazemos já aqui a devida publicidade, mas este Sporting e como dizia, já disse aqui o João Castro, também o Luís Pinto Coelho e o João Pinto, 25 minutos muito fortes, mas depois deixou-se ficar e o Estoril podia ter capitalizado isso mesmo.

Sim, eu tenho aquela sensação em relação ao jogo, que muitas vezes uma equipa também joga aquilo que a outra equipa permite ou deixa jogar e muitas vezes também se fica confortável, entre aspas, naquilo que o jogo está a dar por parte do adversário. Chama-se a isto, no meu ponto de vista, controlar o jogo. Ou seja, a sensação que eu tenho é que sim, podia-se ter exposto e eventualmente até com o resultado de 1x0, que é sempre um resultado muito complicado de ter sofrido o tal gol, e com isso ficava exposto, mas sempre com a sensação que nos períodos em que jogou menos bem, e se calhar a primeira meia hora, o Sporting foi realmente a melhor meia hora e depois nem sempre esteve bem, também por mérito do Estoril, obviamente, que jogava em casa e também joga com esse fator. E uma equipa que também vinha de uma derrota com o Gil Vicente, onde tinham sido muito criticados pelo próprio treinador, que ontem mais concretamente também os elogiou porque deram tudo, o que significa que o próprio treinador, perdendo, não há vitórias morais do treinador do Estoril, também ficou satisfeito com a maneira como os jogadores do Estoril interpretaram. Ou seja, o grau de dificuldade que vem por parte de uma equipa que também sabe jogar a bola e que jogando em casa, também criou dificuldades. Agora, eu acho que o Sporting sempre teve o tal jogo controlado. Agora o risco que corres, como já aconteceu, já falámos aqui, com o caso do Benfica, por exemplo, que sofre depois um gol contra-ataque claro, numa fase em que por muito controlado que tivesse o jogo, já não tinha hipótese de dar a volta. E este é o risco que estas equipas correm, é o gol de um empate surgir numa fase em que depois já não há hipótese e o melhor é evitar o pior. E nesse aspecto, o Sporting expôs-se um bocadinho por isso. E também concordo que há aqui um certo apagão, se é que se pode dizer, mas isto tirando o Futebol Clube do Porto, que também parece que está na mó de cima sob o ponto de vista de jogo jogado, mas também teve há duas semanas um jogo menos bem conseguido. E isto é o normal, muitas vezes por mérito do adversário, porque alguma coisa não está a correr bem. Não invalidou os 63% de posse de bola do Sporting, ou na minha rua a gente ao fim de cinco cantos dava um gol, mas o Sporting ao ganhar, entre aspas, nove a três em cantos, significa também que houve um caudal ofensivo, aliado aos 63% de posse de bola, muito grande. Mas depois também há esta questão que é a nível de remates, o Sporting 9x7, mas remates à baliza, depois fica ali empatado 2x2. Depois depende das estatísticas, quando é bolas ao poste não contabilizam. Portanto, nesse aspecto, esperava-se mais de um Sporting que até estava a aliar àquilo que tinha, que eram os bons resultados, a questão de boas exibições. No caso concreto de ontem, acho que fica muito mais o resultado e os três pontos numa deslocação que nunca é fácil, e as equipas grandes quando vão fora nunca é fácil, podem tornar o jogo fácil, e isso é talvez a maior vitória do Sporting. E termino com isto, dois aspectos. Por um lado, a questão do Ruy Silva, não é que o Virgínio não tivesse estado bem, mas há jogadores, e acho que aqui é um bom aspecto, o Sporting fica sempre descansado quando eventualmente o Ruy Silva não estiver em campo, por alguma razão, como foi o caso da lesão, mas o Ruy Silva aporta, eu acho, coisas num patamar um bocadinho acima e daí também a sua titularidade. E depois gostei do discurso muito lúcido do Rui Borges, que analisou, no meu ponto de vista, sobre esse aspecto, não estou a falar aqui da arbitragem, sobre esse aspecto, aquilo que realmente aconteceu. Claro que ele não vai substituir ideias, mas deu um alerta que foi público, mas eu acho que ontem a conferência de imprensa foi claramente para dentro, isto é, para fora, mas sempre para dentro. E acho que foi muito lúcido na maneira como abordou e do realismo e não estar naquilo que, digamos, aqui alguns treinadores que ganhavam, jogavam bem, jogavam mal e estava sempre tudo bem. E não foi o caso ontem.

Certo é que o Sporting cola-se assim ao Futebol Clube do Porto na liderança do campeonato, com mais um jogo. O Sporting tem agora 18 pontos, os mesmos que os Dragões. O Futebol Clube do Porto, que só joga amanhã às 20:00, vai ao terreno do Arouca jogar e fechar esta jornada sete. Seguimos agora com outros temas aqui no nosso "E o Campeão É". Vamos falar, Zé, da Assembleia Geral do Benfica.

Até porque o relatório e contas foi chumbado, bem como o regulamento eleitoral. Quase 70% dos mais de 650 sócios benfiquistas que estiveram na AG chumbaram as propostas da direção liderada por Rui Costa. Importa sempre recordarQue há eleições no horizonte para o clube encarnado, estão marcadas para dia 25 de outubro. Esta assembleia geral de ontem ficou também marcada por momentos de tensão, sobretudo devido à presença de Luís Filipe Vieira, um dos candidatos à presidência do Benfica. Quando se preparava para falar aos sócios encarnados, foi vaiado, foi interrompido. A própria AG acabou por ter de ser interrompida. Contudo, o ex-presidente do Benfica acabou mesmo por conseguir falar depois da parte da tarde da AG. João Pinto, esta assembleia geral do Benfica dá-nos algum tipo de indicação para as eleições do Benfica? E eu faço uma pergunta mais concreta que é: estes dois pontos, o relatório de contas e também o regulamento eleitoral, foram chumbados. Há quem fale em votos de protesto contra Rui Costa. Eles foram chumbados com quase 70%. Há 36% que votaram a favor. Podemos ler isto como há 36% dos sócios do Benfica a favor do Rui Costa?

Sim, eu acho que é uma espécie de uma sondagem, até porque a assembleia de ontem foi um misto entre pequenos exércitos de cada uma das candidaturas, e uma assembleia geral. Eu acho que se a proposta do Rui Costa fosse baixar o gasóleo para €0,50 era chumbada na mesma. Portanto, a ideia aqui era chumbar tudo aquilo que viesse. Estamos em eleições, estamos em período eleitoral. Os sócios estão a confundir as coisas entre o decurso normal de um ano de um clube e um ato eleitoral. E as coisas são o que são. Eu que já sou sócio há 30 e tal anos e fui para aí a três assembleias gerais, e curiosamente as assembleias gerais a que fui eram dominadas por uma espécie de uma guarda pretoriana, que não é um exclusivo de certos clubes, que estavam a favor de Vieira e também não deixavam ninguém falar. E portanto, agora quem com ferros mata, com ferros morre. Vieira acabou por provar um pouquinho desse veneno também. E depois à tarde houve mais paz, houve almoço e café. A malta acalmou e acabou por correr tudo normalmente. Depois em relação às contas, acho que é mesmo a questão eleitoral.

João Castro, nós falámos aqui disto ontem, a questão do cansaço, do Benfica ser uma equipa cansada. José Mourinho já referiu isso. Esta questão da tensão que se levantou ontem aqui na assembleia geral e todo este clima de tensão à volta também das eleições, não ajuda também a equipa do Benfica. Concordas com isso?

Acho que os jogadores são um bocado imunes às assembleias gerais, têm mais coisas para pensar, o Mourinho tem mais coisas para pensar. Portanto, se a equipa for devidamente protegida e devidamente preparada pela equipa técnica, acho que não vai afetar minimamente.

Mas tendo em conta este clima que o Benfica vive, como é que se protege de tudo isto? Porque pode acabar por influenciar, tendo em conta que a moral da equipa não está lá em cima. Isso tem sido patente ao longo dos últimos jogos.

Eles precisam é de trabalhar no campo de treinos. Logo que não vejam televisão e não se ponham a ver assembleias gerais ou que não ponham os jogadores expostos a estes ambientes, acho que a coisa passa facilmente. Acho que não é por aí. Mais difícil, se calhar, é a subir a delas no Estádio da Luz, logo aos 15 minutos, se começar a correr mal. Isso são coisas que já podem afetar. Agora, se tiverem o devido apoio dos adeptos, acho que as coisas podem melhorar. Sobre a assembleia geral, quem perde é o clube, por causa das contas. Eu acho que era as contas para o clube, e não passado, e portanto, as moralidades podem ser afetadas depois com isso. Vamos ver depois se vão ser aprovadas ou não posteriormente, mas a verdade é que é o normal nestas assembleias gerais. Tenho um mestrado nisto, assembleias gerais do meu clube com alguns problemas, do Porto também com muitos problemas. E portanto, isto vai acontecer. Não é ainda uma guerra civil, mas é realmente uma guerra. Cada um leva os seus seguranças, leva os seus capangas lá para dentro protegidas, entra na horinha, há confusão, depois o Vieira não consegue falar.

São imagens lamentáveis também dessa assembleia.

Claramente. E depois com algumas declarações também que não abonam a favor da grandeza do Sport Lisboa e Benfica. Portanto, acho que é quase inevitável, mas devia ser evitável, porque aqui acima de tudo as pessoas têm que pensar que deviam estar a servir o clube e não servir-se do clube para se promover a elas próprias, mas é o que é. Já sabemos que é assim o futebol.

Luís Pinto Coelho, como é que devemos olhar para esta AG? Mais como uma sondagem, como defendia ali o João Pinto?

Sim. Vou muito por aí também, porque eu acho que as pessoas que votaram contra a questão das contas nem sabem porque é que votaram contra. Votaram contra porque são contra Rui Costa. Porque uma pessoa quando vota contra umas contas, o que é que significa? Acha que as contas estão mal feitas? Acha que há algum problema? Porque isso não tem muito sentido. Aquilo é uma aprovação de contas, nem é a questão do orçamento, é uma aprovação de contas. Ou as contas estão bem feitas ou estão mal feitas. Votar contra aqui significa que tinham que explicar porque é que estão a votar contra. Obviamente que isto aqui é um voto contra o Rui Costa, não contra as contas, que se calhar 99% nem olharam para as contas. Agora, eu tenho sempre muita dificuldade em perceber esta postura dos adeptos. O meu clube já foi assim que é. O Vieira juntou as assinaturas, candidatou-se. Deixou o homem falar, quem não quiser ouvir o homem, sai do pavilhão e o homem acaba de falar e continua a assembleia geral. Acho que era assim que deviam de fazer. Acho que assim também estão a lhe dar um protagonismo, se calhar, que não era preciso dar, porque me parece, ao que eu vejo e ao que vou falando, acho que o Vieira não tem qualquer hipótese nesta eleição.

Pedro Henriques, isto não é sobre contas, é sobre a taxa de rejeição a Rui Costa?

Sim, eu estou de acordo. Há muitos estudos, até feitos mais na política, mas nos clubes também é igual, em que por vezes os votos de uma assembleia-geral, às vezes são votos de protesto, não pelo plano ou pelo projeto que alguém apresenta, mas uma forma de votar contra aqueles que muitas vezes estão no poder. Isto acontece sistematicamente. E aqui também eu acho que muito daquilo que se está a jogar nesta assembleia, até mesmo as questões de violência, de protesto, tudo o que quiserem, tem muito a ver exatamente com essa questão passional, com essas questões muito extremadas e muito do que se vai jogar ali também é o estar contra quem está no poder. E se calhar, esta rejeição da aprovação das contas, como foi dito, e eu concordo, era isso que eu também tinha em pensamento, se calhar não leram, se calhar nem sabem bem ao certo o que lá está, mas é vamos votar contra porque é uma forma que nós temos de protestar contra quem lá está. Na prática e na realidade, claro que isso é sempre um problema para o clube, porque os clubes têm que ter dinâmica, é como aprovar no Parlamento os orçamentos de Estado. O país tem que ir para a frente, neste caso, o clube tem que ir para a frente e é sempre um entrave, porque é preciso contas correntes e pagamentos. Mas eu acho que o Benfica, enquanto não tiver as eleições, seja com uma volta, seja a duas, e definir quem será o próximo presidente, sendo Rui Costa ou outro qualquer, o Benfica vai viver constantemente neste tumulto.

Ora, para já fica esta AG ligeiramente mais quente. Dizer também que as eleições do Benfica estão marcadas para dia 25 de outubro. Se for preciso, e ao que tudo indica, vai mesmo ser preciso, a segunda volta das eleições para a presidência do Benfica está marcada para 8 de novembro. Meus caros, altura de olharmos para campeões e vencedores. João Pinto, vou começar por ti. Quem merece uma nota positiva ou negativa, tu me dirás, e quem é o teu campeão do dia?

Bem, dois campeões, o primeiro para a Assembleia Geral do Benfica, realmente uma nota cinco, uma coisa triste, que espero que não se repita. E depois uma nota 20 por compaixão para o Luís Godinho, que depois da final da Taça vai ter que voltar ao luto.

E deixaste isto aqui num mistério, com um silêncio tão profundo.

Acho que está na altura de perguntar agora as notas ao João Castro.

Exato. João Castro, notas e campeões.

Nota negativa para o Rúben Amorim, com mais dificuldades, cada vez mais, e agora com o azar do Bruno Fernandes falhar o penalty. E depois uma nota muito positiva, uma nota 18 para o Gil Vicente e para o treinador Pedro Sousa Peixoto, uma grande exibição no Luz. Um resultado obviamente negativo e injusto, mas o que o Gil Vicente fez na Luz não é para todos e não é só para o que ele jogou, é pela forma como eles construíram o plantel, o scouting feito e, portanto, uma nota 18 para o Gil Vicente. E em relação ao VAR, eu acho que esteve bem nos dois lados.

Obrigado, João. Luís Pinto Coelho.

Vou dar aqui um 18 ao Nuno Espírito Santo, que voltou aqui ao ativo, o novo treinador do West Ham. O Nottingham não está melhor depois da saída dele. E quando se faz trabalhos de qualidade como fez o Alvarão, como fez no Nottingham, facilmente se iria manter na Premier League e cá está, rapidamente voltou à ativa. É um belo treinador.

E o West Ham bem precisa, neste momento está numa fase mais complicada.

Sim, o West Ham precisa de abanar ali um bocadinho as coisas e acredito que o conseguirá fazer, por isso um 18 para ele.

Falta-nos então fechar com os campeões e com as notas do Pedro Henriques.

Sim, eu vou dar nota, neste caso, Rúben Amorim e Nuno Espírito Santo. São dois treinadores que representam muito aquilo que nós gostamos de ver num treinador, da modernidade, de ideias frescas, de pessoas muito assertivas. Cada um em momento diferente. O Rúben Amorim num momento extremamente difícil, porque realmente não consegue, de forma alguma, aquilo que era suposto esta época fazer. Já não se trata de ser campeão, trata-se pelo menos de jogar bem, ganhar jogos. E está muito complicado. E o desgraçado do adepto continua a deixar crescer o cabelo e não consegue cortar o cabelo. E depois para o Nuno Espírito Santo, num sentido contrário, porque eu também acho que o Rúben Amorim tem essa qualidade. E se alguma coisa não correr bem no Manchester United, mais tarde ou mais cedo há de correr bem noutro clube qualquer, porque o Rúben Amorim tem essa qualidade e o Nuno Espírito Santo é a prova disso. Foi despedido, ok, não correu bem no Nottingham, mas há de correr noutro sítio qualquer, porque eu acho que são dois treinadores que já deram provas e vão continuar, porque a vida é sempre um desafio. Não é porque temos provado no passado que agora o futuro está garantido. E finalmente uma nota 18 para o João Castro, porque sendo provocado pelo Luís Pinto Coelho e pelo João Pinto, está pávido, sereno, tranquilo, a respirar e só disse que o VAR esteve bem e manteve aquela calma sem grandes alarides. Sim, senhor. O João Castro está no patamar. Agora Luís, ataca outra vez.

Em 10 segundos.

Não, não tenho nada a dizer, cada um analisa os lances, não sendo fáceis, acho que o VAR esteve bem. Portanto, cada um obviamente analisa da sua forma.

Estava a brincar.

E, portanto, não há problema nenhum.

Nós damos nota 20 ao vosso fair play e desportivismo. De facto, é muito bom termos aqui um programa com três adeptos dos três grandes e vocês terem essa amizade e esse desportivismo entre vocês. Mesmo tendo discussões que às vezes são mais inflamadas, que às vezes também acontecem, conseguem sempre manter esse desportivismo e fair play. Isso é que há de se assinalar. Um abraço a todos. Amanhã o "Campeão Está" de regresso depois da 01h10.