Normalmente, quando as equipas mudam de treinador, estão a atravessar uma fase menos positiva, com vários resultados consecutivos insuficientes e sem capacidade para acumular vitórias. No caso do Sporting, a estreia do novo treinador foi também o quarto triunfo seguido, o terceiro sem sofrer golos — o que acaba por confirmar a teoria de Frederico Varandas para explicar que decidiu despedir Rui Borges na sequência das derrotas contra LASK e Académico de Viseu.

Paulo está no clube do coração, Luis fez questão de o pôr no coração do clube (a crónica do Sporting-Moreirense)

Ora, com o entusiasmo natural da estreia de um novo treinador, Alvalade recebeu o Moreirense e Paulo Fonseca não fez propriamente uma revolução no onze inicial: manteve a aposta em Kaique na baliza, manteve Silas Andersen, Issa Doumbia e Sergi Altimira em simultâneo no meio-campo e apostou em Nestory Irankunda e Luis Guilherme no ataque, deixando Geny Catamo no banco. No fim, num jogo em que desperdiçaram demasiadas oportunidades e chegaram a aborrecer as bancadas com a lentidão e falta de criatividade da segunda parte, os leões carimbaram a vitória graças a um momento brutal de inspiração de Luis Suárez.

Depois do apito final, na zona de entrevistas rápidas, Paulo Fonseca fez uma breve análise ao jogo. “Principalmente pelo que fizemos na primeira parte merecíamos outro resultado. O Moreirense não criou nenhuma ocasião de perigo, não houve nenhuma ocasião clara. E vi coisas que, em função dos dois dias de treino, são muito positivas. Vi um Sporting agressivo na primeira fase de construção. O Moreirense teve muita dificuldade a iniciar a sua construção. Acho que fomos uma equipa mais intensa, muito mais pressionante, a provocar muito mais o erro. Com bola há muito a melhorar em função daquilo que eu quero para a equipa. Penso que tivemos coisas boas na primeira parte. Depois, com o 1-0, acho que baixámos um bocadinho a nossa intensidade. Podemos gerir o jogo melhor com bola. Tentámos, mas também acho que perdemos muitas vezes a bola na segunda parte. Há muita coisa a melhorar, segundo o meu ponto de vista e segundo as minhas ideias. Mas estou extremamente satisfeito. Na minha opinião, a equipa mostrou em determinados momentos coisas que treinámos e falámos. Temos de continuar a trabalhar e evoluir”, começou por dizer.

Mais à frente, o treinador revelou o que pediu aos jogadores com tão pouco tempo de trabalho. “Temos de ir ao que é mais geral. Não há muito tempo. Os jogadores, quando começaram a treinar comigo, estavam em recuperação. É muito vídeo, trabalho muito geral e específico sobre determinadas situações. Insisti um bocadinho na pressão, tínhamos de ser uma equipa mais agressiva sobre a linha defensiva adversária e conseguimos. Principalmente na primeira parte, fomos mais juntos, o que nos possibilitou uma boa reação à perda. Na primeira parte criámos muitas situações para marcar, marcámos um e estou satisfeito com o que foi pedido aos jogadores”, acrescentou, explicando depois o porquê da aposta em Irankunda e Luis Guilherme.

“Não podemos esquecer que Irankunda e Luis Guilherme não jogaram o último jogo e estavam mais frescos. Queríamos isso no corredor. Sabíamos que íamos defrontar uma equipa em bloco baixo e precisávamos de gente fresca e com iniciativa. Acho que estiveram bem os dois”, sublinhou. Por fim, revelou o que sentiu na estreia em Alvalade. “Uma grande emoção. Como já disse, cheguei ao clube com que sonhava quando era criança. Hoje foi um momento muito especial para mim. Entrar aqui como treinador do Sporting, neste relvado… Claramente era o que imaginava. Tivemos um ambiente fantástico, os adeptos apoiaram sempre a equipa. O que se pode esperar de melhor do que uma vitória no jogo de estreia? Estou extremamente satisfeito, foi realmente um momento especial”, concluiu.

Já Luis Suárez, que foi naturalmente eleito o melhor jogador em campo, mostrou-se satisfeito com o resultado. “Foi um jogo complicado, sabíamos que o Moreirense ia ser um adversário de um bloco baixo. Precisávamos de ter paciência, encontrar os pequenos espaços e um golo. A equipa teve mérito nos três pontos e estou contente por isso. Tivemos muita posse, assumimos a responsabilidade do jogo e há que concretizar mais junto da baliza. É continuar a trabalhar nos detalhes, para não esperar até aos 60 ou 70 minutos para fazer golo, mas estamos num caminho positivo e é seguir assim”, começou por dizer o colombiano.

“Mais do que o golo, era procurar o momento, felizmente tive a ocasião de fazer golo e o importante é ganhar. A equipa voltou a somar em casa, estava difícil somar três pontos de forma consecutiva e seguimos. Levamos poucos dias para fazer tudo o que o treinador quer. Temos de ter paciência e há que trabalhar. A equipa foi mais intensa do que no jogo anterior e a partir daí já se vê a mão dele”, atirou o avançado, que leva 13 golos na atual temporada. Com este resultado, o Sporting está agora a um ponto do Benfica e a seis do FC Porto, mas à condição, já que encarnados e dragões jogam ainda este domingo.