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"Livres" na Rádio Observador e também em vídeo no YouTube do Observador. Hoje com a Judite França, o António Costa e o Gonçalo Durão Acebada. Eu sou o Ricardo Conceição e hoje vamos falar de um caso de um despejo de uma idosa em Espanha que está a ter consequências políticas com o governo de Sánchez. Também temos novidades no negócio da TAP e olhamos para as candidaturas à administração da RTP. Há uma das candidatas que tem um processo contra o Estado, é uma história do Eco, já vamos olhar para ela mais em pormenor. Também temos um erro da Câmara Municipal de Lisboa sobre quem era Pina Bausch e qual era a profissão de Pina Bausch.
Temos muita coisa.
Coreógrafa. E vamos começar por outra.
O prato principal.
Por Mário Centeno. Temos livros, entrevistas, aparições públicas.
Aparições.
São aparições.
São aparições.
Olha, Judite, o que estás a falar? Estás a ir à mala esperta, começas já tu.
Lembra-me logo a aparição do Virgílio Ferreira.
É verdade. José Luís Carneiro tem ali um problema?
Eu acho que sim. Acho que nesta longa entrevista ao Expresso, no mesmo dia em que lança um livro, que aliás se chama "Contas Certas", que é uma espécie de imagem de marca. Acho que, basicamente, Mário Centeno tem andado a arrumar a vitrine. Está na CNN, em conferências, nas jornadas parlamentares do PS.
Uma bonita imagem.
Está na vitrine e está a arrumar a vitrine para ela ficar bonita. Acho que aquilo que Mário Centeno diz são coisas que só se podem dizer de quem está de fora. Dizer que o governo de Montenegro se desvia dos compromissos com Bruxelas, faz comentários como: "Espero que o primeiro-ministro tenha deixado os vales de correio para pagar tudo isso", dando a entender que vem aí um enorme buraco. E depois tem uma frase que dava para pôr num cartaz, que era: "As pessoas não têm em quem votar." Portanto, se as pessoas não têm em quem votar, dá a ideia que se está a oferecer. Diz que não está disponível, mas também não tira o artigo da vitrine, continua na montra. Acho que Mário Centeno, de facto, faz de ter a vitrine posta e com a luz acesa, um hábito já. Está mais ou menos travestido de conselhos a José Luís Carneiro, que alguns podem ser entendidos como um comentário desagradável ou uma crítica. Além dos comentários que também fez António Costa, que também tem ali alguns mimos interessantes.
Também.
Também aproveitou. Mas acho que o PS e José Luís Carneiro, a prazo, podem ter um problema. Voltando à tua pergunta.
Gonçalo, Centeno está a marcar território para avançar? Para onde?
Acho que Mário Centeno está, sobretudo, a tentar cumprir um sonho, que é o sonho de ser o Mário Draghi português. E engana-se sobre as premissas que levaram Mário Draghi ao poder em Itália e que têm a ver com um sistema político muito mais tecnocrático do que o nosso. Mário Draghi, tal como Mário Centeno, suspeito que não gostem de carne assada e de rotas de carne assada, etc. Só que em Portugal, para chegar a São Bento, é preciso passar pela rota da carne assada. Lamento. E Mário Centeno está a tentar encurtar esse caminho, e isso é o que me parece mais difícil: tentar criar uma alternativa para chegar ao poder, sem passar por todos esses sacrifícios.
António Costa conseguiu, não é?
António Costa conseguiu.
Tirou seguro sem fazer a rota da carne assada. Basicamente, transformou as eleições em primárias.
Já estava.
Já estava no grelhador há muitos anos.
Mas comparado com António José Seguro, não tinha nem metade do aparelho com ele.
Certo, isso é verdade. Dito isto, há uma coisa que eu gosto: gosto de políticos que prestam contas e que escrevem livros sobre o seu tempo no poder. Isso é uma coisa pouco habitual em Portugal.
E muito habitual lá fora.
Muito habitual lá fora. Portanto, acho que Mário Centeno, nesse sentido, faz um certo sentido cívico. Eu não li o livro, mas pela entrevista, consigo imaginar que o livro seja de um enorme autoelogio. Isso é o que me parece mais curioso do pensamento e da própria entrevista de Mário Centeno: ele esquece-se das condições políticas e econômico-financeiras que teve durante o seu tempo enquanto ministro das Finanças. Mário Centeno consegue chegar a este título de contas certas por dois factos inegáveis. Um O quantitativismo do BCE, que os seus antecessores nos governos de Passos Coelho nunca tiveram, e portanto um quadro financeiro e do próprio sistema financeiro muito mais favorável, taxas de juro baixíssimas, e depois uma política de cativações que resultou no estado depauperado e sem CapEx, sem investimento, sem nada, que vivemos hoje. Portanto, de facto, o estado da saúde, o estado da educação, o estado das infraestruturas, citando António Guterres, não nasceu do vácuo. E esse vácuo tem um nome, que se chama Mário Centeno.
António, não sei se já leste o livro, mas já estás a ver o filme ou não?
O filme está escrito antes do livro. Está filmado. Não, vamos lá ver. Eu acho que, na verdade, há uma semana ou duas, refletia sobre Mário Centeno querer ser Passos Coelho de Montenegro, embora não é Passos quem quer.
Ser o Passos de Carneiro.
De José Luís Carneiro. Exato.
É que já usámos esta imagem hoje.
Exato. E também não é verdadeiramente Passos quem quer. E vamos lá ver, Passos Coelho ganhou eleições. Fez a carne assada, fez eleições, ganhou o voto nos urnas. Mário Centeno não fez nada disso. Aliás, candidatou-se várias vezes a coisas assim, à direta. A Presidente da República, assim de repente, talvez, quem sabe, pode ser. Primeiro-ministro, quem sabe, pode ser. Diretor-geral do FMI também, lá andou a avaliar. Eu acho que a inspiração de Mário Centeno, vou vos dizer, não é Draghi nem é Passos, é mesmo Cavaco. E encontramos semelhanças, é interessante. Vocês pensem lá. Licenciou-se em Economia, doutorou-se no estrangeiro, foi quadro do Banco de Portugal, histórico do Banco de Portugal, foi ministro das Finanças. Portanto, eu arrisco dizer que agora vai fazer a rodagem ao seu automóvel.
Vai fazer os roteiros.
Vai fazer a rodagem ao seu automóvel.
Num veículo que não faz tanto barulho.
Exato. Vai fazer a rodagem e eu não creio que seja exatamente uma ameaça hoje.
Hoje não.
José Luís Carneiro. E se vier a ser, é porque José Luís Carneiro perdeu as eleições e foi à vida dele. Isto é, não me parece que o ciclo político de Centeno... Ele está a construí-lo. Eu até admito que ele próprio não saiba exatamente para quê. Pode ser para suceder a Carneiro ou para tentar suceder a José Luís Carneiro. Haveremos. Há eleições dentro dos partidos, há outras pessoas candidatas. Admitindo que é um bom candidato também interno, e se calhar é mais fácil para Centeno ser um candidato externo do que um candidato interno ao partido, porque no partido há dinâmicas, há máquinas, há relações, há cumplicidades durante muitos anos. Mas admitindo, partindo do pressuposto que é um bom candidato, eu creio que não estará a pensar exatamente em ser um candidato neste ciclo. Está a sinalizar caminhos para José Luís Carneiro, dizendo com esta distância: "Não vás por aí, vai por outro lado, porque não estás aí muito bem." Mas José Luís Carneiro vai a eleições, não há dúvidas sobre isso. Não creio que seja possível antecipar que Mário Centeno é para José Luís Carneiro o que foi António Costa para António José Seguro. Não tem essa força de partido, não tem capacidade para de repente forçar eleições internas a uma comissão política nacional do PS e um conselho nacional e aqueles órgãos todos para forçar uma votação a meio do caminho. Não tem essa força, não tem essa capacidade no sentido de poder dentro do partido para isso.
Mas tem capacidade para ir atrapalhando José Luís Carneiro.
Tem, mas aí eu acho que se José Luís Carneiro se deixar entreter com essas preocupações e não se concentrar em Luís Montenegro, então está mesmo mal. Então não chega mesmo lá, porque há uma pessoa mais importante para José Luís Carneiro do que Mário Centeno. É mesmo Luís Montenegro e o governo. Portanto, nesse sentido, eu creio que está a ganhar essa rodagem. Arrisco dizer, opinião informada, que este ciclo vai ser um ciclo em que vai continuar a colaborar com a CNN, com o público. Este livro, não sei se já têm noção, tem 409 páginas. Eu não o li, mas folheei. Fotografias desde criança, quando tinha três anos.
E é só o primeiro volume.
Exato.
Fala com a Tavares Silva, que tem vários.
Não resisto a meter-se com Joaquim Miranda Sarmento, recuperando aquela infeliz ideia do Rui Rio de que eu também tenho um Centeno. Não há melhor forma de valorizar Centeno do que dizer "eu também tenho um." De facto, a habilidade política do Rui Rio.
Vamos à nota.
Portanto, eu dou um 12 a Mário Centeno, porque eu diria, passa a ser claro, e passou nas últimas duas semanas a ser claro na opinião pública, que não é um economista independente que está cá só para fazer uns comentários. Tem interesse e tem que ser escrutinado, como foi feito agora aqui, à luz do que foi feito, não à luz do que ele diz que foi feito.
A tua nota.
Eu dou um 14, porque eu adoro esta intriga política.
E tens dito.
Eu dou um 10, porque acho que de facto Mário Centeno está a construir a sua própria alternativa, mas acho que pelo caminho vai deixando farpas a José Luís Carneiro que não são muito leais.
Isidro, qual é a diferença entre uma dançarina e uma bailarina?
Tu não precisas de perguntar, pois não?
Não, é uma forma.
A diferença é imensa. Ainda para mais quando se fala de Pina Bausch, que além de bailarina, era coreógrafa. E talvez essa fosse a sua grande marca na reinvenção da dança contemporânea em Portugal.
Especialista confesso não ser, creio que era mesmo por essa dimensão que era uma referência.
Fez para a Expo 98 uma peça sobre Lisboa, a "Mazurka Fogo", que na altura foi algo absolutamente inovador.
Mas foi escrito na pedra.
Foi escrito na pedra.
Literalmente na pedra, que Pina Bausch era dançarina e coreógrafa.
Não, dançarina só.
Não, dançarina e coreógrafa.
Aparece dançarina e coreógrafa.
Sim, que eu fui ver a pedra.
Eu não consigo ver.
Isto numa sessão em que a Câmara de Lisboa quis homenagear Pina Bausch, dando o nome de Pina Bausch a uma rua na freguesia do Lumiar, mas a senhora não era propriamente uma dançarina.
Não era uma dançarina de cancan. Isto não demorou nada, foi até ao ponto de um outro bailarino e coreógrafo, Bruno Cochá, ter escrito nas redes sociais da Câmara de Lisboa esta frase: "Valer, vale a pena."
Tem graça.
"Eu sei que é confuso, em português, os bailarinos dançam e os dançarinos bailam, mas na dúvida era só perguntar." O que aconteceu depois é que é absolutamente raro, é que a Câmara de Lisboa assumiu o erro. Isso é estranhíssimo. É muito pouco habitual. Ainda esta semana meteu os pés pelas mãos.
A propósito de Jorge Palma.
A propósito de Jorge Palma. Aparentemente, a Comissão Nacional de Toponímia tinha aprovado a fórmula certa. O engano vem depois quando a proposta é aprovada em reunião de câmara. Enfim, os técnicos acertaram, quem errou foi o órgão político e depois até passar a estar na pedra, ninguém apanhou o erro.
Às vezes acontece.
O que é que acontece agora?
Já partiram a pedra, imagino.
Não, agora vai ter que ser corrigida.
Partir e fazer outra.
Dá para apagar a pedra e escrever?
Não faço ideia.
Só os Flintstones é que a conseguiam fazer.
Um bocadinho de massa, não?
Não sei.
Não faço ideia. Também não sei como é que se faz.
Queres dar alguma nota?
Eu vou dar um 15 à Câmara de Lisboa por ter assumido o erro e não ter feito o que fez da outra vez com o primeiro dia de Sérgio Godinho.
Gonçalo, ainda queres dar alguma nota a isto? Não? António?
Não.
Também não?
Fico a assistir, porque acho maravilhoso. A semana da Câmara de Lisboa foi fabulosa.
Precisam de reforçar a área cultural.
Pronto, mas fica esclarecido que Pina Bausch era bailarina e coreógrafa e agora tem uma rua na freguesia do Lumiar com o nome dela. Fica tudo corrigido. Ainda vamos falar do caso de um despejo de uma idosa em Espanha que está a ter consequências políticas. Também temos novidades da TAP, mas começamos por uma notícia do Eco, que está aqui o António Costa, o diretor do Eco.
Não, o redator que assinou a notícia.
E é o autor da notícia, vai aproveitar para fazer um bocadinho de product placement.
Eco à notícia.
Não sei se já dissemos que é o Eco.
Não sei se a menina disse.
António.
Fica o registo. Agora à sério.
Temos uma candidata. Queres ir primeiro aos candidatos?
Quero ir primeiro ao enquadramento. Para já, eu acho que o país-
Mas não demores muito a enquadrar.
Não. Isto notei aqui uma certa crítica. Vou passar a ter atenção aos meus enquadramentos.
Enquadramento breve.
A escolha da nova administração da RTP é uma coisa importante. É a maior empresa de mídia do país, mídia jornalística, digamos assim. E eu creio que não se está a dar a devida atenção ao tema. A atual administração termina o mandato agora. Nicolau Santos concorre ele próprio a um terceiro mandato. E há mais três candidatos. Este processo é um processo que tem uma história também que eu tento simplificar de forma muito rápida. É um processo que resulta do modelo inventado por Miguel Poiares Maduro quando decidiu criar o Conselho Geral Independente. Portanto, a administração da RTP não é escolhida pelo governo, é escolhida por um conselho geral, que se espera independente, e que a sua constituição é parte da Assembleia da República, parte também do Conselho de Opinião, enfim, pessoas independentes, são seis pessoas, se a memória não me falha, e essa entidade, esse conselho geral independente, vai avaliar quatro candidaturas. Apareceram quatro. Enfim, vou tentar não dar aqui a minha opinião sobre as próprias candidaturas, porque esse não é o tema, pelo menos para já, mas há quatro candidaturas, para lá de Nicolau Santos, que tenta um terceiro mandato. Francisco Teixeira, atual country manager, enfim, CEO da WPP em Portugal, uma agência de meios.
Mais é de comunicação.
Não é de comunicação.
É de meios.
No fundo, na verdade, é um dos maiores, senão o maior grupo de mídia em Portugal, no sentido mídia sentido lato, não de comunicação social, mas para quem nos está a ouvir, meios basicamente gere investimento publicitário nas televisões, nas rádios, nos jornais. Enfim, para lá de muitas outras coisas que fazem, que o grupo é muito grande em Portugal Depois há um gestor que passou na TV Cabo e noutras empresas na área da telecom, que é Pedro Mota Carmo, e um quarto, que é Luís Castro. Jornalista, eu não sei se ele ainda é jornalista, eu creio que já entregou a carteira profissional.
Depois já confirmo isso. Era jornalista da RTP, não é?
É. Tem hoje um programa na televisão ainda, creio que é o Cidade Civil.
Cidade Civil, na RTP2.
RTP2. Enfim, foi pelo menos jornalista. Eu creio que agora tem negócios particulares e, portanto, terá entregue a carteira. Creio que lidera o projeto da Air Invictors, que é aquele projeto no Porto de aviões. Com muitos apoios públicos, nomeadamente do Turismo de Portugal. Mas entregou a carteira. Primeiro ponto, para mim, muito importante: é preciso que o país exija saber o que cada candidato vai apresentar, porque esses candidatos o que vão ter que fazer? Apresentar os seus projetos.
Já não aparece na lista de titulares de carteira profissional de jornalista.
Provavelmente, os negócios que desenvolveu...
Aproveito para explicar aos nossos ouvintes que esta lista é pública. Basta ir ao site da Comissão da Carteira Profissional de Jornalista e aí pode confirmar se aquela pessoa é ou não é um jornalista com carteira.
Não é um jornalista, com ou sem carteira.
Exatamente.
Não é jornalista.
Obrigado pela tua correção.
E presumo que seja por causa desses negócios privados, que obviamente são incompatíveis com a profissão. Mas, dito isto, os candidatos têm que apresentar um projeto do que querem fazer com a RTP. O Conselho Geral Independente, obviamente, apoiado na Boyden, que é uma empresa de gestão de recursos humanos, vai fazer essa avaliação dos candidatos e, em função disso, escolherá uma das quatro duplas. Na verdade, eu dizia duplas porque cada um desses candidatos concorre com um número dois.
Exatamente.
E depois há um número três.
E é aí que está um dos problemas.
Há o número três, muito rapidamente, que é escolhido pelas finanças. É o administrador financeiro, que é escolhido em concurso autónomo, em processo autónomo com as finanças.
Vou ter de acelerar, senão não vamos conseguir ir a todos os temas.
Numa das candidaturas dá-se um caso, eu diria, no mínimo, sui generis, porque na candidatura de Luís Castro aparece um número dois, candidato a vogal, Luísa Ribeiro, que já foi administradora da RTP no tempo de Nicolau Santos. Não é claro por que não lhe foi renovado o mandato. Se calhar Nicolau Santos poderia talvez ajudar-nos a perceber o que é que aconteceu, mas não foi. Foi para a AIMA, como vogal da AIMA. A AIMA, todos nós conhecemos, é a entidade que gere a imigração em Portugal. E ao fim de um ano foi exonerada por este governo e, curiosamente, coincidência, pela Presidência do Conselho de Ministros, que é o mesmo ministério que tutela a RTP. Dá-se essa coincidência.
Pediu para sair, não é?
Pediu para sair. Passado uns dias, arrependeu-se, invocou que o governo não tinha aceite formalmente a sua demissão. Formal no sentido escrito do termo. E reclama agora uma indemnização do Estado ou a reintegração na AIMA. O processo corre no Tribunal Administrativo e Fiscal do Porto. Está em segredo de justiça. Confesso que não consigo perceber muito bem por que um processo destes está em segredo de justiça. Nós não ecoamos. Automaticamente está em segredo de justiça por causa disso. Enfim, talvez aqui o Gonçalo nos possa dar uma explicação.
Podemos sempre recordar que o segredo de justiça deve ser uma exceção.
Exato. Por isso mesmo. Nós tentamos ver o processo e não podemos ver porque está em segredo de justiça, mas os termos são basicamente estes: exige uma indemnização ao Estado porque considera que foi exonerada. Já passava um ano do seu mandato e, portanto, tem direito a indemnização ou a reintegração. Dá-se este caso estranho, quer ser reintegrada na AIMA ou quer ir pra RTP. Parece-me um bocado estranho. Mas isto serve como exemplo. Parece caricato, mas não é, porque é uma candidata à gestão da RTP que tem um processo contra o próprio Estado e, coincidência, contra a Presidência do Conselho de Ministros, que tutela a RTP. Enfim, são factos apenas, mas sobretudo porque isto encerra aqui uma reflexão, que é a exigência que temos todos de ter sobre o processo. O processo vai começar em outubro, vamos ver quantas semanas é que vai durar, mas eu acho que é um tema suficientemente relevante para o país, não é só para nós jornalistas, para os portugueses, para perceber como é que o Conselho Geral Independente vai avaliar os projetos, que projetos é que são, o que cada um se propõe fazer e que competências realmente cada um daqueles candidatos tem para ser gestor da RTP, presidente do Conselho de Administração da RTP.
Queres deixar alguma nota?
Olha, eu deixo um 12 ao Conselho Geral Independente, porque espero que o Conselho Geral Independente partilhe de forma clara a escolha que vier a fazer com base no projeto que vier a ser conhecido e nos projetos que não vierem a ser escolhidos, para nós podermos também avaliar o que é que ditou essas escolhas.
Então vamos agora à Espanha, o que se passa com este caso, Gonçalo, de uma idosa despejada e por que isto está a causar problemas também a Sánchez.
Bem, eu quis trazer este caso, que tem nome de filme Pedro Almodóvar, o caso Mari Carmen, por dois motivos: porque é o tema que está a gerar o grande debate político em Espanha esta semana e porque parece ser o caso que todos os meios de comunicação social em Portugal estão a destacar em Espanha como se não existisse mais nada do que tem existido nas últimas semanas O caso, de maneira muito rápida, trata-se de uma senhora de 87 anos que vivia desde 1956 numa casa de 100 metros quadrados, num dos bairros de luxo de Madrid, pagava € 500 de renda num contrato ainda durante o tempo do franquismo. Por uma lei de 1994, os contratos que tinham sido assinados décadas antes por familiares, quando morriam, eram sub-rogados para os filhos, portanto, os descendentes, e a senhora viveu nesta casa 70 anos. E numa lei de 94, portanto, de um governo do PSOE, essa sub-rogação dos contratos ficou limitada a duas renovações. Com base nessa lei, que nenhum partido, a partir de 94, nem o PP, nem o PSOE alterou, esta senhora foi despejada, saiu da sua casa por uma ordem judicial e gerou enormes manifestações no país inteiro. A esquerda tem uma capacidade de mobilização extraordinária nestas circunstâncias. E eu tenho aqui algumas perguntas, que é: por que isso foi notícia quando há uma média de 90 despejos por dia em Espanha? Primeiro. Segundo: por que isso é notícia quando, na verdade, este despejo decorre de uma decisão de um tribunal no seguimento de uma lei aprovada pelo governo de Sánchez de 2026, portanto, no início deste ano, para não paralisar despejos deste próprio governo? O certo é que o caso foi utilizado como uma espécie de virtude e grande moral da esquerda, como se não tivesse nada a ver com o caso. Pedro Sánchez governa há oito anos, aprovou uma lei há meia dúzia de meses que não proíbe a paralisação deste despejo, e acusa o governo de Madrid, da cidade e da região, de ser, no fundo, o autor político e moral deste caso. De facto, é preciso ter uma enorme confusão mental para achar que um caso judicial de uma ordem de um tribunal de despejo de uma senhora decorre da vontade de um político adversário. Não, decorre de uma decisão de um tribunal. E esta falta de compreensão sobre separação de poderes, etc., é de facto extraordinária. Este caso foi utilizado, ou pelo menos é a interpretação que eu faço, como uma cortina de fumo para se parar de falar de Ceuta, se parar de falar dos casos de corrupção, se parar de falar de uma coisa que se descobriu esta semana e que é bastante cinematográfica, para não utilizar outro termo, que é: o PSOE está envolvido em escutas onde tenta negociar com um narcotraficante de Badajoz que vigie a juíza que estava a julgar o caso do irmão de Pedro Sánchez. Há uma série de casos bizarros do foro quase policial, que têm enorme relevância mediática, enorme importância mediática, e a esquerda tem esta habilidade extraordinária de pegar nestes casos que, de facto, chocam por uma certa eventual desumanidade da coisa, para tentar apagar tudo o resto. Em Portugal, a CNN fez um debate sobre o caso Mari Carmen, a RTP fez diretos sobre o caso Mari Carmen, mas quando se trata de outro tipo de temas, como casos de corrupção do PSOE, etc., há um silêncio generalizado e eu confesso que não consigo perceber por quê. Queria aproveitar estes cinco minutos de fama para poder falar sobre isto, porque de facto parece-me que é um caso que tem um aproveitamento político ou mediático exagerado, tendo em conta que há, como disse, 90 casos por dia de despejos em Espanha.
E tu queres deixar uma nota?
A minha nota para a atenção dos meios de comunicação social em Portugal, nomeadamente as televisões, é um quatro.
António, só tenho um minuto para a TAP.
A TAP vai ser vendida.
Pronto, obrigado.
Estamos a entrar na fase decisiva. Dia 30 vai-se conhecer a proposta final de cada um dos concorrentes, estamos a falar da Lufthansa e da Air France KLM. Há verdadeiramente uma concorrência que eu devo reconhecer, não antecipava. E com a informação e o quadro possível que temos hoje, eu acho que mesmo que vamos ser surpreendidos com os valores de venda da TAP.
Positivamente.
Positivamente surpreendidos. Eu diria muito surpreendido. Eu até arrisco dizer chocados, mas veremos no que é que dá estes dias. Estamos a chegar à fase decisiva mesmo, o dia T da TAP é no dia 30, provavelmente no dia 1 já saberemos qual é o valor das ofertas. O preço não é o único fator, são 40% do valor, creio saber. Mas obviamente tem um peso muito relevante e acho que vai ser muito importante que se dê este primeiro passo para integrar a TAP num grande grupo internacional.
Obrigado, António. E amanhã há mais, Judite, se já não conseguiste dizer nada sobre mais nada, não é?
Enfim.
Fica pra segunda.
Deixo pra segunda-feira.
São dois trogloditas. É o que é. Não te deixaram dizer nada, mas segunda-feira cá estarás.
Cá estarei, é verdade.
Olha, bom fim de semana, Judite. Bom fim de semana, António e ao Gonçalo. Bom fim de semana a todos. Amanhã há mais "E o Vencedor É?", nas manhãs 360, amanhã com a Mafalda Pratas e o José Manuel Mestro.